Arquivo do mês: outubro 2011

tenho pés! e outras curtinhas

Ontem, Enzo descobriu que tem pés. Agora fica olhando fixamente para eles, faz esforço danado para erguer o tronco a ponto de pegar os pezinhos, lança aquele olhar apaixonado para os próprios membros inferiores, assim como já faz há tempos com as mãozinhas, pelas quais nutre um amor desabrido. Essas, aliás, vivem na boca dele. Logo, logo será a vez dos pés.

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O peixinho Nemo, um brinquedinho-mordedor que Enzo ganhou do priminho Marcus, foi o primeiro objeto que meu pequeno conseguiu segurar. Isso foi ontem, enquanto a gente brincava. Ele estendeu as mãozinhas, eu encostei o brinquedo nelas, ele agarrou, sustentou, levou para mais perto e…advinha!…colocou na boca! Lindo! Tirei zilhares de fotos.

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Levantar do carrinho virou o sonho de consumo do Enzo nessas dias. Ele faz tanto esforço para erguer o tronco, tanta força, uma graça. Empurra com a bundinha, apoia com os pés, ergue as mãozinhas e flexiona o abdome. Mamãe está tão orgulhosaaaa!

Dizem que os bebês sonham muito com tudo o que aprendem ao longo do dia para poderem fixar bem as novidades. Pois talvez isso explique porque Enzo dormiu 12 horas seguidas esta noite: muitas novas descobertas para processar na madrugada!

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no dia das crianças, presente para mim

Fui eu que ganhei um presentaço nesse dia das crianças. Já contei aqui e aqui como eu queria -mas não estava conseguindo- slingar o Enzo. No começo, tive dificuldades para vestir o sling. Depois, foi a vez do Enzo não curtir muito ficar atadinho à minha barriga.

Quase desisti. Quase troquei por um desses carregadores “tradicionais”. Quase troquei por roupas para o meu filho. Quase troquei por qualquer outra coisa. Quase xinguei sete gerações de quem inventou o sling.

Nessa quarta, 12/10, quase dei um beijo em mim mesma por não ter desistido. Insisti, insisti, insisti e consegui slingar o Enzo pela primeira vez. Maridón que, a essas alturas também já não botava muita fé no sling, quase me convenceu a sair com o bebê no carrinho. Mas, não; depois de tantos “quases”, mantivemos o combinado e fomos caminhar pelo bairro com o pequeno enroladinho em mim.

E foi ótemo! Foi mais que ótemo, foi apaixonante, viciante, foi não-sei-como-consegui-não-slingar-por-tanto-tempo!

Achei uma delícia ter Enzo o tempo todo coladinho em mim, aconchegado, protegido, acalentado. Penso que essa troca de calor -que é literal e, ao mesmo tempo, simbólica- é muito importante na construção dos laços de afeto essenciais para o desenvolvimento saudável dos pequenos. E é muito gostosa também. Me senti forte e completa flanando pela vila com o bebê tão perto e curtindo tanto o contato.

E, apesar de ser uma experiência de apego, foi libertadora: mãos livres e liberdade de locomoção total. Pude, por exemplo, abraçar o maridón ou andar de mãos dadas com ele durante todo o trajeto.

Também rolou uma passadinha rápida num bistrozinho super tranquilo. Dri tomou uma cervejinha, eu tomei um suco e Enzo tomou leitinho materno 🙂 Foi especialmente bacana, porque sempre fez parte da nossa rotina -minha e do Dri- essas saidinhas descompromissadas para beber alguma coisa, comer um negocinho, jogar conversa fora. Isso é parte do que nos define como casal. Poder incluir o Enzo nisso é maravilhoso.

E o melhor de tudo: Enzo realmente gostou do programa. Dormiu, acordou, gargalhou, mamou, dormiu, suspirou. Se tivesse ido no carrinho, teria sido completamente diferente. Ele ficaria bem, claro, até porque sempre sossega quando está em movimento. Mas tenho certeza absoluta de que gostou muito mais de ter ido coladinho na mamãe aqui. O pequeno ama colo, ama calor humano, toque, beijos, olho no olho de pertinho.

Enfim, sling aprovadíssimo, e eu feliz no dia das crianças. Próximo passo: papai está louco pra experimentar também.

 

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mais peito – dias 1 e 2

Depois de meses de procura, acho que finalmente encontramos uma pediatra bacana para o Enzo. Assim como o agora ex-doutor do pequeno, a “nova” é muito boa tecnicamente, professora de universidade e tudo o mais. E com algumas vantagens: é bem mais atenciosa com o bebê, faz questão de brincar com ele, conversar, participá-lo da consulta.

Avalia o desenvolvimento de outra forma, não apenas contabilizando o crescimento, o peso e calculando os percentis, mas perguntando como é o nosso dia-a-dia, observando o grau de interação que ele tem comigo e com o pai, procurando constatar se Enzo é feliz, se é amado, se tem um ambiente propício para o seu desenvolvimento intelectual e afetivo.

Para mim, essas já seriam diferenças e tanto, capazes de nos fazer bater o martelo pela substituição.

Mas tem mais: a moça fez umas continhas enquanto eu explicava como era a rotina de amamentação do Enzo e decidiu que deveríamos tentar tirar o LA das mamadas. Foi a primeira ped que finalmente teve interesse em arregaçar as mangas comigo e investir em -ao menos- reduzir a “complementação” de leite artificial na alimentação do meu filho (já contei aqui como e porque Enzo está em aleitamento misto desde uma semana de vida).

Abre parêntese: o ped anterior, que oficialmente* acompanhou meu filho desde o nascimento, já havia me passado, na consulta de 3 meses, todas as recomendações para que Enzo começasse a tomar suco e comer frutas com 4 meses e, aos 5, iniciássemos a oferta de papinhas salgadas -com carne vermelha. Desnecessário dizer que isso foi a gota d’água, né? E que eu não iria seguir a recomendação, né? Fecha parêntese.

De modo que desde de ontem, dia 7, estamos empenhados em aumentar minha produção de leite e fazer meu filho mamar o mínimo possível de LA.

A recomendação inicial era simplesmente não dar mais mamadeira. Mas eu já sabia que não seria possível, pois Enzo mama, em média, 90 ml de Aptamil por madada (são cerca de 6 ou 7 por dia). E eu sempre deixo à vontade para ele. Ou seja, ele mama o que quer apenas.

Daí que o que eu fiz, inicialmente, foi insistir um pouco mais com o peito e não oferecer as mamadeiras caso Enzo estivesse sossegado, sem demonstrar interesse em mamar. Em geral, eu sempre oferecia o complemento mesmo sem o pequeno “pedir”.

Ele já não gosta muito de mamadeira mesmo, sempre prefere o peito e, para dormir, só no peitinho mesmo. Então, não foi tão complicado reduzir a oferta de LA.

Só que, ao longo do dia, ele foi ficando com fome. Não saía do peito -e não aceitava mamadeira de jeito nenhum, o que achei curioso. Enzo passou, literalmente, o dia inteiro acoplado nos seios. Acordado. Nada de dormir, sem sonequinhas da tarde, nada. Ficou ligadão das 13h às 23h30.

Mesmo dando o banho antes da mamada final do dia (sempre faço isso para relaxá-lo e sinalizar que é hora de dormir), foi difícil ele embalar. O banho rolou às 20h, a mamada começou por volta das 21h, ele mamou pouco no peito, depois aceitou só 30 ml de Aptamil e quis peito de novo. Mamou mais um pouco, chupetou outro tanto e seguiu acordado, irritadiço, até por volta de 23h15, quando aceitou o seio de novo e começou a se aninhar para dormir.

A irritação, que começou à tardezinha, eu credito não apenas à fome que imagino que passou, mas também à mudança na rotina. Como ele não se sentia saciado e não dormia, toda a organização do dia dele (baseada nas mamadas e nos soninhos) se desfez.

Abre parêntese: Para saber mais sobre rotina na vida dos bebês, super recomendo este post aqui. Fecha parêntese.

No entanto, o saldo foi praticamente positivo: Enzo mamou mais no peito, acho que produzi um pouco mais de leite e, mesmo mamando pouco à noite em comparação com o que ele estava acostumado, dormiu super bem, até às 9h de hoje.

Agora sigo tentando, mas com mais cuidado para não deixá-lo passar fome e fazê-lo dormir durante o dia, essencial para acalmá-lo e afastar a irritabilidade (ele acordou meio irritadiço, by the way). A ped também recomendou, caso eu ache necessário, lançar mão da relactação. Já comprei o kit (da Mama Tutty, que custa pouco menos de R$ 30, não os R$ 200 e poucos do da Medela), esterilizei, tudo pronto para testar provavelmente amanhã.

Hoje foi mais tranquilo, Enzo dormiu bem, principalmente porque insisti bastante com o peito, mas ofereci a mamadeira quando percebi que não tinha leite suficiente. Ainda não sei, sinceramente, se será possível tirar totalmente o complemente de LA e amamentar Enzo exclusivamente com LM. Ele mama bastante LA, e eu sei que produzo pouco leite. Ainda que minha produção aumente com o estímulo -o que já vem acontecendo desde que eu desencanei da bobagem de horários para mamadas- não tenho certeza de que será na proporção ideal para alimentar o pequeno.

Mas a ped acha que sim e está disposta a me ajudar. Maridón também acha possível, de modo que apóia integralmente. Eu e Enzo queremos muito que isso aconteça. Sei que ele vai amar poder mamar só no peito. Para mim, ótemo se conseguirmos. Mas já vou comemorar um bocado diminuir bastante o LA. E semana que vem volto lá para pesar.

E vou contando por aqui a experiência. Alguma sugestão das mães mais experientes?

* O ex-doutor-do-Enzo, indicado pela minha obstetra, foi efetivamente quem acompanhou o meu bebê desde o nascimento. Mas não paramos de procurar alternativas tão logo ele receitou o NAN, na primeira consulta. Ou seja, ele era e não o ped do Enzo, sempre quisemos trocar, mesmo sabendo de sua competência técnica. Faltava achar alguém à altura dele e que fosse mais afinado com o que achamos ser essencial para o Enzo. Achamos.

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reflexão rápida

Sempre fui de pensar muito, tentar racionalizar tudo. Mas agora, com a maternidade, parece que essa tendência se acentuou um pouco mais. Vira e mexe me percebo refletindo sobre coisas que sempre passaram despercebidas.

Hoje, por exemplo, vi a foto de um bebê com uma chupeta, dormindo no colo da mãe. A cena me incomodou um bocado, e levou certo tempo até eu entender por que: vivemos numa sociedade em que é ok um recém-nascido ser estimulado a ficar sugando um pedaço de borracha/silicone (ou uma tampa, como diz a música do Pequeno Cidadão).

Mas experimenta colocar o peito pra fora em certos lugares pra ver o que acontece. Experimenta deixar seu filho mamando à vontade. Experimenta amamentar em livre demanda. Ou experimenta amamentar um bebê de mais de um ano…

As pessoas não apenas aceitam mais, como até estimulam e encorajam o uso da chupeta no lugar do peito (porque o recém-nascido tem o impulso da sucção que, claro, é naturalmente destinado ao seio materno). Deixar bebê sugando o peito sem mamar, só pra aconchego e calma, por outro lado, nem pensar!, né?

Acho que ver a chupeta ali, tão naturalizada, como se ela fosse o ideal e não o peito, me fez cair a ficha que, desde que pequenos, somos envoltos num simulacro em que o artificial, o que “avatar” vale mais que o real, que o natural, que o instintivo.

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