Carlos Gonzalez, seu lindo!

Estou lendo Besame Mucho, do Carlos Gonzalez. Ainda no comecinho, página 68. Mas sabe de uma coisa? Quem merece muchos besos é esse Gonzalez, esse lindo! Que que é esse livro? É uma declaração de amor à infância, às crianças, aos bebês, às mães, às pessoas. Clap! Clap! Clap!

Sabe por quê? Porque ele mostra, ele explica, ele desenha até porque é que as crianças, os bebês, os recém-nascidos PRECISAM de colo, de calor humano, de contato físico. Porque  eles precisam de MÃE, de muita MÃE, de mimos, de cuidados, de DEPENDÊNCIA. Parece bizarro –e até é-, mas ele teve que escrever um livro inteirinho pra dizer o óbvio megaululante: bebês SÃO dependentes e PRECISAM ser dependentes e é ótimo que seja assim, não o contrário.

Não se trata de manha, manipulação, birra. Os bebês não são um exército de egoistinhas tentando dominar o mundo. E os pais não são as vítimas altruístas, ao mesmo tempo super-heróis, com a missão de calar os “mini-inimgos”, “ensinando” a não chorar, não reclamar, não ter vontades, não se entediar, não sentir, não SER. Caiu a ficha para mim sobre quão louca é uma cultura que opõe pais e filhos.

Tudo o que ele disse até agora, para mim, é como colocar o dedo na cara dessa sociedade que, pensando bem, é meio esquizofrênica:  acha ok uma licença maternidade de poucos meses, estimula as pessoas a largarem seus filhos sob os cuidados de qualquer estranho para voltarem logo ao trabalho, estimula os pais a terem e darem cada vez mais coisas materiais -e não afeto-, aplaude quem consegue tornar “independente” um bebezico de meses e depois reclama que as crianças não têm educação, não tem “limites”, são consumistas, não tem ideais (não que eu concorde com essa avaliação, pelo contrário, mas já cansei de ouvir isso tudo aí zilhares de vezes). É uma sociedade orgulhosa de sua crueza e envergonhada do seu afeto.

Abre parêntese: Eu não estou defendendo -e acho que nem ele está- que as mulheres não trabalhem ou que a gente volte a viver como nossas bisavós. Pelo contrário, eu sou feminista, urbana, tecnológica, amo minha profissão, ser jornalista é parte do que me define como pessoa. E eu não saberia viver dependendo de ninguém.

Mas a reflexão que estou fazendo a partir do livro e que a sociedade, em algum momento, vai ter que fazer é: não precisamos abrir mão do que a evolução nos trouxe de bom, mas temos de dar um jeito, coletivamente, de “pagar o preço”, sem jogar o ônus nas costas dos filhos e das mães. E o “preço”, na verdade, é só um investimento, que vai resultar em pessoas mais bacanas para a sociedade lá no futuro. Chegou a hora, por exemplo, de empresas e governos colocarem a mão no bolso e nos darem, a nós, mães e pais, condições de trabalhar E criar nossos filhos.

Essa questão da rede “de proteção” para mães/pais e filhos (licenças, creches adequadas para crianças, licença paternidade, possibilidade de meio-período subsidiado etc) vai longe, me inquieta e é assunto pra um outro post. Fecha parêntese.

Enfim, fato é que o livro é uma ode ao bom senso (esse desconhecido). Prometo uma resenha detalhadíssima quando terminar. Mas, desde já, leiam, leiam, leiam que o cara é amado-idolatrado-salve-salve e com razão!

 

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4 Comentários

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4 Respostas para “Carlos Gonzalez, seu lindo!

  1. epa! eu escrevi esse texto! não? não foi? foi você mesma? mas eu penso tudo igual e comecei a ler esse livro e recomendo a todas as mulheres e acho que o governo TEM QUE investir em pessoas melhores e a sociedade TEM QUE repensar muita coisa! ai, nat, querida, que porra é essa? preciso passar pelo menos uma tarde com você!!!
    saudade do futuro mode on!

  2. Nat

    ahah ahahah ahaha.
    somos um caso de separadas na maternidade?? 🙂

    Mari, precisa sim! imagina nós e umas cervejas geladinhas, que tudo!
    vc vem qdo mesmo??

    bj

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