Papinhas 0 x Enzo 1

A mãe aqui já contou que Enzo começou a se aventurar no mundo das papinhas em dezembro. Com as doces (frutinhas), tudo ótimo, bebê é devorador incansável de mamão, pera, ameixa e cia. Na maioria das vezes, sou em quem tem que limitar o consumo dele, pois se deixo em “livre demanda”, o minimenininho mangia um papaya inteiro, duas peras, três ameixas, meia maçã tudo-ao-mesmo-tempo-agora.

Mas quando se trata de papinhas salgadas, aí é tudo igual, SÓ QUE AO CONTRÁRIO. Para Enzo topar um potinho de papinha, o que equivale a míseras 4 colheres das de de sopa, é um sufoco. Desde que começamos com a alimentação sólida, não faço outra coisa a não ser tentar variar receitas e descobrir do que Enzo gosta. Saldo de dois meses de tentativas: meu filho gosta de beterraba, ervilha, batata, couve-flor, cenoura. E tudo isso com MUITA moderação. E não gosta de todo o resto.

Tem alimentos que ele rejeita totalmente, como carne vermelha. E tem outros que ele até encara, mas com muitas ressalvas, como feijão.

E daí surgem as dúvidas. E a frustração.

Primeiro porque me preocupo: será que isso vai ser suficiente? Será que ele está comendo todos os nutrientes de que precisa, na quantidade adequada? Será que vai sentir fome? Será que vai ficar com deficiência de alguma vitamina? Será que vai aprender a comer errado? Será que não vai gostar de comer?

E segundo por não saber se é o gosto da papinha que está desestimulando a alimentação: será que está ruim? Será que está salgada demais? Será que tem beterraba demais?Será que esquentei demais? Será que está fria demais? E mais uma infinidade de “serás”.

Acabei levando Enzo a um homeopata que é meu médico desde que eu tinha 4 anos. O dr. Homeopata meio que salvou minha vida. Eu era uma bebê com um sistema imunológico, digamos, preguiçoso: tinha gripes, resfriados e infecções quinzenais. Não falhava nunca: de 15 em 15 dias me dava alguma coisa. Daí que cheguei aos 4 anos com um histórico de duas estomatites e uma cistite por causa do excesso de antibióticos e com uma gripe que não curava de jeito nenhum, pois os remédios não faziam mais efeito.

Com mel com própolis, remedinhos homeopáticos e alimentação, o dr. Homeopata curou não só a tal gripe “incurável” como também restabeleceu meu sistema imunológico aos níveis normais de temperatura e pressão. Desnecessário dizer quanto confio nele.

Pois bem, depois de alguns exames, o médico concluiu que Enzo sabe o que faz: carne vermelha, por exemplo, ele rejeita porque está fazendo mal ao seu sistema digestivo, imaturo ainda. Simples assim. Com restinho ainda de refluxo, ele come pouco justamente porque pequenas porções facilitam a digestão. Simples assim 2. Arroz integral e feijão não fazem a cabeça do pequeno por serem “pesados” demais. Simples assim 3.

Foi um “sossega leoa”, vulgo mamãe-não-encana-deixa-o-menino-comer-o-que-quiser. De modo que na guerra Enzo x Papinhas está 1 x 0 para o minimenininho.

Tenho feito variações do mesmo tema, então. E vou introduzindo novos gostos bem discretamente. Num dia capricho na cenoura, no outro, ponho mais beterraba, mas sempre com ervilha, raríssimas exceções. Ele aceitou mais ou menos a lentilha também, que virou uma boa opção.

Nesse caso, a dra. Ped não ajudou muito. Por ela, teríamos insistido em todos os alimentos rejeitados até Enzo aceitá-los. E eu também não concordo muito com deixar o bebê passando fome ATÉ aceitar a papinha do jeito que está. Claro que não dou mamadeira sempre que ele nega o almoço, por exemplo, mas não vou ignorar a fome dele se ele não quiser a papinha. Equilíbrio, equilíbrio, equilíbrio.

Fato é que a frustração quando ele não come persiste e, mesmo com toda a orientação do dr. Homeopata, fico insegura sobre estar alimentando o bebê direito ou não.

Mas aprendi algumas coisas que têm sido bem úteis:

1-) Não coloco mais nadica de sal nem azeita na comida. Era a recomendação inicial da Ped, mas não funcionou com Enzo. Ele prefere o sabor original dos legumes, que são naturalmente mais adocicados mesmo.

2-) Respeito mais os sinais dele que as horas ou a rotina. Tem dias em que ele acorda da soneca da manhã louco de fome. Tem outros em que ele prefere brincar. Se insistir em dar o almoço “na hora certa”, geralmente o resultado é bebê irritado que não quer comer.

3-) Enzo enjoa fácil, de modo que estou preferindo fazer menos quantidade de papinha e mais variedade. Estamos num esquema de fazer a mais e congelar já em potinhos, na medida certa por refeição, para eu economizar o tempo de cozinhar ao longo da semana. Mas estou tendo de variar as papinhas, porque uma combinação que ele comia muito bem, ele rejeita sem problemas na terceira vez que ofereço.

4-) O local em que ele come depende mais dele do que de mim. Às vezes, ele fica bem no cadeirão. Às vezes, fica bem no carrinho. E às vezes só come se for no colo, e se eu estiver andando pela casa. Pode ser que não seja a saída mais adequada, mas eu topo tudo para ele comer umas colheradinhas a mais.

5-) Não insisto de jeito nenhum com ele, mas quando ele se nega a comer, guardo a comida, dou mais uns minutos, avalio o comportamento dele e, na hora oportuna, ofereço de novo. E repito a operação sempre que dá até ele comer a porção para aquela refeição ou até ver que não adianta mesmo e que ele não vai querer. Ponto. Aí, nesse caso, ofereço as frutas. Hoje, por exemplo, ele comeu em três “etapas”. Mesmo com fome, não quis mais (sobrou pouco, mas sobrou) e depois mandou ver um papaya inteirinho (tava com fome ou não tava?). Tem dias em que é isso, mesmo querendo comer, ele não quer comer a papinha.

Como mãe é tudo igual e só muda mesmo é de endereço (o mesmo vale pros filhos, acho), a Adriana escreveu recentemente sobre isso aqui e tem um tricô rolando lá no fórum do MMqD  sobre os “niños” que não comem que vale a pena.

 

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7 Comentários

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7 Respostas para “Papinhas 0 x Enzo 1

  1. Nat,
    Quantos meses ele tem? Ainda hoje escrevi no meu blog que o meu gosta de tudo, desde bem pititico nunca recusou nada. Se precisar podemos trocar umas receitas.
    Um beijo

    PS ainda não conhecia seu blog

  2. ai, nat!

    já estava preparando meus pitacos e seu homeopata economizou meus dedinhos! estes bebês são tão sábios… conhecem melhor o sistema deles do que nós conhecemos o nosso e sabem direitinho seguir os instintos. relaxe!

    mas: a pessoa aqui não segura a língua, vou pitacar algo que acho que vc até já faz: quando ele não gostar de algo, dê um tempo e volte a oferecer, do mesmo jeito que enjoam, eles passam a gostar de outras coisas. esqueça o sal de vez! invista em muito alho, muita cebola branca ou roxa e nas ervas frescas para ir ensinando o mundo dos sabores da casa.

    outra dica é a textura, que deve ser mais grossa a cada mês. com um ano ele deverá comer a comida da casa* e ser capaz de mastigar pedacinhos de legumes bem cozidos, grãos, massas e cereais – sempre bem cozidos. isso é muito importante para o desenvolvimento da musculatura da face – se não trabalhar na função de mastigar, vai ter que trabalhar na fono**, que é muito mais caro e mais chato.

    (*) comida da casa: se na sua casa vocês se alimentarem de forma saudável, que significa uso de pouco sal – o que é bom para todos – e zero fritura e todas as cores… se vcs comem coisas que não daria ao filho terão que cozinhar separado ou repensar este hábitos – rá!

    (**) alice está fazendo fono e te garanto que vale investir um tempo agora ensinando a mastigar, do que ficar duas horas por semana numa sala de espera, enquanto fazem mil e um exercícios, gastando uma grana, pq afinal na convênio nunca tem ninguém que preste!

  3. Oi Nat,

    Enzo no começo se recusava a comer a papinhas salgadas também. Fruta sempre foi fácil. Bom, o jeito foi realmente esquecer um pouco a rigidez de horários, essa história de almoçar as 11h30 ou 12h não funciona com ele aos finais de semana. Tento sentir o horário certo, o horário dele. E também não fico insistindo, não acho que horário de comer deva ser horário de tortura. Além disso, como ele gosta de fruta, insista em legumes adocicados como mandioquinha, abóbora, cenoura….deu certo comigo. E, paciência….ele precisa se acostumar com os alimentos.
    Concordo com a Mari, vá aumentando aos poucos a espessura da papinha e se ele não gostar de algo, dê umas semanas e ofereça de novo.
    Bjo

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  6. Nat

    Ah, obrigada, meninas. Os comentários ficaram tão bacanas e úteis que até fiz um post-adendo! 🙂

    Nívea: Enzo tem 7 meses e meio. Eu vi seu post, tinha visto antes de escrever esse inclusive. Eu super topo trocar as receitas. Alguma dica com carne de frango?

    Mari, querida, sempre me ajudando! 🙂 Pitaque seeeeempre, viu? Estou mais tranquila agora. Não dou mesmo mais sal, a gente não come muito sal também. Ah, não sabia disso não, de ir aumentando a espessura. Vou ficar atenta sim! Não sabia que Alice fazia fono. E as comidinhas por aqui são saudáveis, com exceção de uma ou outra escapadela numa pizza de sábado à noite…. ahahahah. E sabe que estou louca para experimentar a cebola branca? Eu amo cebola! Mesmo! Pra desespero do Dri (além do bafo, ele odeia cebola, tadinho).

    Adriana, coincidências não? Será que essa má vontade com a comida vem de nome? 🙂 Estou mesmo oferecendo mais legumes adocicados. Além desses que você citou, ele ama beterraba! É um beterrabívero, ahaha. E paciência virou “my midle name” 🙂

  7. Pingback: da preocupação materna e do (quase) sobrepeso | mãederna

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