a inocência versão materna

A mãe é consumista. Mas não exatamente daquelas consumistas “tradicionais”, viciadas em comprar sapatos, roupas, tecnologia ou maquiagem importada. Na verdade, foi bem recentemente que a mãe descobriu o que é Sephora. Também não faz muito tempo que ela ficou sabendo que existe um troço chamado “iluminador“.  O make dessa moça, quando muito, se limita a rímel preto. Ponto. E a peça de roupa mais nova que ela ostenta no guarda-roupas tem, sei lá, quase um ano já.

O que a mãe consome, então, minhagente? Livros. Ela é louca por livros, não pode ver livros interessantes que quer todos. E tem um monte deles já. Vários deles não lidos ainda. Sabe a história da consumista ensandecida que compra mais e mais pares de sapatos mesmo que tenha centenas deles intactos no armário? A mãe é assim, só que com livros. É uma espécie de Imelda Marcos da leitura, só que com menos dinheiro e, claro, menos livros do que a Imelda tinha em sapatos.

Daí que ela pediu o que de Natal & aniversário (ela nasceu em janeiro…)? Livros, claro. Para todo mundo. Então, ela ganhou a mesma coisa do marido, da sogra, do pai e dela mesma. Quatro livros novos, recém-chegados, com aquele delicioso cheirinho de papel (iPad, espere por ela sentado, viu?), colocados na estante da sala, logo atrás do livro que ela estava lendo naquele momento.

E isso era comecinho de 2012. E aí a mãe resolve fazer uma resolução de ano novo, ela que nunca ligou muito para essas coisas. Resolveu resolver ler TODOS os livros novos e mais o que estava pela metade em 2011, o que dá a vergonhosa quantia de apenas quatro livros e uma metade. Mãe sabia que é pouco. Mas sabia também que não poderia querer muito mais que isso, já que ela é uma recém-mãe, 100% dedicada à cria, mas que trabalha em casa, o tempo é curto, mal dá para respeitar os prazos que os editores dão…

Resolveu ser parcimoniosa na sua resolução. Melhor resolução humilde cumprida, que uma toda ousada mas largada na metade.

E daí que, agora, passados quatro meses do compromisso assumido dela-com-ela-mesma, mãe fez a primeira contabilidade: 20…páginas lidas, o que resulta em nem meio livro (trazido de 2011) completamente vencido. E daí que, no cômputo geral, mãe descobre o óbvio: era uma moça inocente, muito inocente.

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