Arquivo do mês: junho 2012

Pedro Bandeira


Hoje estou lá no MMqD entrevistando ninguém menos que Pedro Bandeira. O autor de “O Fantástico Mistério de Feiurinha” e “A Droga da Obediência” já se tornou um clássico e é muito querido por quem, como eu, cresceu lendo nos anos 80.

Foi uma delícia fazer a entrevista com ele (por e-mail, respondida lindamente), escrever o texto, editar. Enfim, revivi muitas histórias marcantes da minha infância e adolescência no processo, tirei os livros do armário, reli trechos. Agradeço mega o Pedro, pela disponibilidade e paciência; e as meninas do MMqD (especialmente a gatona da Mari), pelo espaço.

Falando em espaço, orgulho em anunciar que, com essa entrevista, estreio uma série mensal lá no portal, entrevistando outros autores de literatura infantojuvenil, um por mês. Bacana né? E diz aí: não dava para ter primeiro entrevistado melhor que Pedro Bandeira, né?

Pra dar água na boca, só um trechinho do Pedro aqui:

MMqDQual a importância, na sua opinião, dos pais participarem da leitura dos filhos? E quais os limites? Um pai de adolescente deve participar da leitura do filho tanto quanto um pai de criança na primeira infância?

Pedro Bandeira: A Arte deve ser apresentada às crianças pelos seus pais. Educação é um problema da família, não da escola. A escola entra tarde demais na vida da criança. Eis porque surgem tantas dificuldades para se trabalhar com crianças que, em casa, já não tenham sido previamente apresentadas às delícias da Literatura, da Música, do Teatro. Nos países adiantados, os professores não adotam livros de literatura para seus alunos, pois eles já os leem em casa, oferecidos por seus pais. No Brasil, como isso historicamente não acontece, nossos pobres professores são obrigados a complementar tudo aquilo que as famílias de seus alunos deixaram de fazer… Isso tem de mudar, se quisermos que o Brasil melhore.

Para ler tudim, corre lá, ou melhor, aqui.

Anúncios

5 Comentários

Arquivado em artes, brincar, literatura infantojuvenil

30 melhores livros da “Crescer”

Correria, correria, correria. Prazo pra cumprir, festa pra organizar, um bebê insone, uma mãe cansada, com dor de garganta e olheiras mais evidentes que o usual. Como se vê, o fim de semana foi de trabalho e tentativas de descanso em casa. Daí que só passei rapidamente pra recomendar uma visitinha a este link aqui, que lista os 30 melhores livros de 2012 segundo a revista “Crescer“.

Vou confessar que nunca confiei muito nesse tipo de listas. A ideia de alguém definir o que é um livro “melhor” ou “pior”, de cara, já me desagrada. Vai saber com qual critério o cara escolheu esse ou aquele… E se meu filtro for outro? Além disso, sempre tendo a achar que as listas vão ser recheadas de livros tipos best sellers, como são, por exemplo, as listas de textos sobre gravidez.

Mas resolvi dar uma olhada e me surpreendi muito e positivamente. Muitos títulos bacanas, diversos entre si, nada comerciais (no sentido de literatura industrial, feita pra ser consumida em larga escala, sem muita qualidade), com argumentos que me estimularam a dar um pulo na livraria mais próxima e conferir. E, mais legal de tudo, alguns recomendados para bebês a partir de 1 ano, o que não é muito usual (difícil fazer literatura pra essa faixa etária), mas é super valorizado aqui em casa, tendo em vista a idade do Enzo.

Conferi ao vivo e aprovei, por exemplo, o “Ops“, de Marilda Castanha. Acabei trazendo pra casa, rá! Também vi e não resisti ao “Adivinha o quanto eu te amo – o livro fofinho“, também indicado para bebês. O recomendado pela “Crescer” é a versão integral, não a fofinha, mas acho que, mesmo assim, vale.

Outro super interessante é o “Na floresta do bicho-preguiça“, de Anouck Boisrobert e Louis Rigaud. As lindas ilustrações (do tipo pop-up) vão mostrando, página por página,  a devastação da floresta do título. Lírico, de fazer pensar. Só que esse é pra crianças um pouquinho maiores.

Prometo um post só com livros para bebês. Tenho outras dicas além desses dois aí de cima, e a Luciana Conti, do Gato de Sofá (blog que eu super recomendo, aliás), indicou dois títulos bem bacanas que vou compartilhar. Mas faço isso quando tiver um pouquinho mais de tempo. Por agora, sugiro a olhadela básica lá no site da revista. Sei que as mães mais experientes -ou com filhos maiores- já devem conhecer a lista. Mas pras outras, que chegaram agora na maternidade, como eu, #ficadica.

4 Comentários

Arquivado em artes

a rotina

Imagine uma menina. Imagine uma menina de 4 anos. Imagine que essa menina, como a maioria das meninas de 4 anos, adora chocolate, doces da mãe, bolos e tortas da avó, cocada, pé-de-moleque, paçoca e bolo de fubá cremoso. Agora imagine que ela também adora dormir tarde, dormir ATÉ MAIS tarde, almoçar no horário errado, não tomar banho às cinco, como manda a mãe, e convencer o pai a sair para dar voltas na vizinhança às 10 da noite. Imagine que ela trocaria boa parte dos doces por uma boa enganada na rotina.

Imagine que essa menina cresceu e virou jornalista. Imagine que ser jornalista tem lá sua rotina, mas menos rígida que a maioria das outras profissões: imagine que jornalista não bate cartão; não tem muita hora pra chegar e menos ainda pra sair; cada dia fala com gente diferente, sobre assuntos e temas diferentes; pode ficar na redação, mas pode ser escalado pra ir pra rua cobrir um evento que só será conhecido na hora em que o chefe chamar; pode começar a carreira escrevendo sobre um tema e depois mudar pra outro e outro e outro; pode ter de ir trabalhar em outra cidade, em outro país, em outro continente.

Imagine que essa menina foi morar com o namorado. E aí a vida deles poderia ser resumida assim: exceto o trabalho, não tinham hora nem regras pra nada. Jantar durante a semana? Quando dava vontade. Tomar umas depois do trabalho? Sempre que era possível. Sair com os amigos? A toda hora. Fazer refeições nos finais de semana? Raramente. Acordar aos sábados? Depois das 14h. Café-da-manhã? Sempre à tarde. Dormir? Só no dia seguinte, depois de várias cervejas e muito papo de boteco. Chegar atrasados em compromissos de família? Sempre. Geladeira? Nem sabiam o que era isso. Fogão? Menos ainda. Pegar estrada quando dava na telha? Sempre. Programas de última hora? Idem. Decidir e “desdecidir” ao sabor das vontades do momento? Uma constante.

Pois bem, amiga que chegou até aqui: imagine, agora, que essa dupla é, neste momento, responsável por organizar a ROTINA (sim, isso mesmo, a rotina) de um bebê. Responda sinceramente: como você acha que eles dois estão se saindo? a) Muito bem; b) Marromenu; c) Dando pro gasto; d) De forma sofrível.

Acertou quem apostou na letra “d”. Sofrível, sofrível, sofrível.

Juro que nós até tentamos. Funciona assim: decidimos horários, atividades, tarefas, cardápios semanais, lazer, limpeza e manutenção da casa, sono pro Enzo. No papel, fica tudo lindo, perfeito. Mas na vida real, quem disse que conseguimos implementar o planejamento?

Ou acordamos tarde porque Enzo dormiu tarde, ou decidimos deixar “só isso” pra depois por impulsos hedonistas urgentes, ou ficamos com preguiça de lavar o banheiro, ou o sol está tão lindo lá fora, vamos pra rua com Enzo, ou o bebê está com sono agora, vamos deixá-lo dormir fora de hora mesmo, ou ou ou… Não temos habilidade nenhuma para cumprir rotinas. Fato.

Percebo que, em algum nível, isso ajuda a atrapalhar os horários do Enzo. Mas confesso, novamente, que tenho muita dificuldade também em disciplinar esses horários, em dizer “não” pra cria, em ajudá-lo a dormir mais cedo, por exemplo. Só faço isso sem peso na consciência quando ele está mesmo com sono, irritadiço, e não consegue dormir. Aí fico firme, apago luz, guardo brinquedos, não deixo sair do colo, nino até ele se entregar e adormecer. Mas quando ele ainda está curtindo visivelmente a bagunça, deixo que curta, seja 23h, meia-noite ou 1 da manhã.

Claro que há algumas regras e horários por aqui. Não abro mãe de que Enzo coma ao menos três frutas por dia, de preferência diferentes entre si. Em termos de alimentação, seguimos bem à risca as regras, tanto no que diz respeito à quantidade de refeições (entre cinco e seis por dia) quanto em relação à qualidade. Com isso, sou bem rígida.

Porém, em relação ao resto… toda semana decidimos, Dri e eu, começar a regrar mais as coisas por aqui, ainda que seja bem aos poucos. Fato é que nosso passado nos condena e nós mesmos sempre optamos por uma vida de “não-regras”. Pra regrar agora comofaz?

2 Comentários

Arquivado em Maternidade, paternidade

dúvidas maternas

-A que horas você faz xixi?

-Quando consegue lavar os cabelos?

-Consegue fazer as unhas (em casa mesmo que seja)?

-Quando foi que cortou os cabelos?

-Dá tempo de comer sentada?

-Quantas horas dorme por noite?

-Passa o dia de pijamas?

-Quantas vezes -sei lá, no ano- assistiu um DVD com o marido?

-Com que frequência come bobagens escondida na cozinha?

-De quanto em quanto tempo se olha no espelho?

-Já decifrou a lógica do sono do pequeno? Ou ainda segue no “põe ele no berço e torce pra dormir a noite toda”?

-Quantas músicas de ninar já decorou?

-As olheiras já fazem parte do seu rosto?

-Seu sonho de consumo já é tomar um banho de 10 minutos?

-Quanto tempo faz que não consegue ler duas páginas seguidas do mesmo livro?

-Quer entrar pro meu clube?

Respostas na caixa de comentários. Grata!

5 Comentários

Arquivado em lado B

working mom

Este post é candidato ao concurso “O melhor post do mundo da Limetree” 

Mãe está ao telefone. Ela é jornalista, trabalha de casa, está de pijamas e cabelo preso em coque por um… lápis. Enquanto ouve atentamente o sujeito do outro lado da linha -sua fonte para uma matéria especial que tem de entregar no dia seguinte-, percebe uns ruidinhos vindos do quarto.

Em dois (sim, eu disse dois) segundos, os ruidinhos viram uma sucessão de “ilééé ilééé ilééé” em volume crescente. Ok, filho acordou e já no limite da fome, o glutãozinho. O que fazer com bebê, fonte, entrevista?

– Hã, o sr. me dá licença por um segundinho?

– Claro.

Ufa! Corre pro quarto, doida, e pega seu filho!

Bebê no colo, razoavelmente mais calmo, mamãe volta pra sala, pega o telefone e tenta, tenta, continuar a entrevista enquanto desabotoa o soutien para amamentar o pequeno, que começa a resmungar alto de novo.

– Então, o sr. falava sobre…

E a fonte retoma o raciocínio, não sem um tico de constrangimento.

Em pé, a mãe segura o telefone com a orelha e o bebê com uma das mãos, tentado encaixar o peito na boca dele. Com a outra, vai digitando como dá o que o entrevistado fala -e o que ela consegue entender do que ele fala.

– Crescimento de dois dígitos (…) novas indústrias no segmento (…) exposição depois dos itens de maior giro (…) mais vendas no canal (…) consumo das classes emergentes (…)

– O sr. pode repetir esse número, por favor?

E ele repete. E ela não anota de novo.

Guarda na memória, guarda na memória, guarda na memória. E segura o Enzo direito, pelamor!

Bebê está se contorcendo, fazendo caretas, reclamando e mamando nada, desconfortável. Primeiro que a mãe mal consegue segurá-lo. Segundo que ela ainda não botou o peito direito na boca da criança.

– Então, o importante é a exposição dos itens.

Calma, filho! Mamãe já vai terminar aqui. Não, não, não ainda, não. Ainda tenho que perguntar sobre a margem. E o f… é que está interessante pra c… Shhhh! Não pensa palavrão perto do menino!

Ilééé ilééé ilééé em alto e bom som de novo. Mãe torce pro moço entrevistado ser meio surdo e tenta trocar o bebê de peito. Quem sabe do outro lado fica mais fácil? Não fica. E o fio do telefone está pendurado no rosto do pequeno. Deu certo não, volta tudo ao arranjo anterior.

– O sr. citou as margens brutas, eu gostaria de saber…

Tu é corajosa mesmo de lançar uma pergunta dessas nessa situação!

Mãe chacoalha a si mesma tentando chacoalhar o filho.

Calma, filho! Calma, mãe!

Bebê chora de novo. Meio torta, em cima de um pé só, se equilibrando com o outro sobre a cadeira pra melhorar a posição do filho, a mãe acerta o peito e a boca.

– Temos de ponderar isso com…

Anota isso que importaaaante! Digita errado mesmo, desde que não perca o número!

Enzo começa a mamar finalmente. Mãe respira aliviada por mais dois segundos. E a vida segue.

PS 1: post originalmente publicado em 18/8/2011

PS2: Vote aqui para ajudar este post a ser escolhido o melhor do mundo! 🙂

4 Comentários

Arquivado em lado B

#festa do Enzo: brigadeiro 70% cacau (parte 3)

No post anterior sobre os preparativos para a festa do Enzo, eu contei sobre umas receitinhas alternativas de brigadeiro, especialmente a de brigadeiro 70% cacau, que são mais saudáveis que o tradicional (que leva achocolatado e margarina, abolida aqui de casa, diga-se).

Ontem, finalmente, conseguimos testar uma das receitas. E a conclusão é que é muito fácil e rápida de fazer. Não levou nem 10 minutos pra ficar pronta, e o ponto certo é bem óbvio, o que não gera aquelas dúvidas todas em quem não está acostumado -como nós- com a receita.

Os ingredientes são:

-1 lata de leite condensado

-1 colher das de sopa de cacau em pó (não vale achocolatado nem aqueles chocolates em pó; tem que ser cacau mesmo. O consolo é que já está bem mais fácil de achar; eu comprei num supermercado)

-20 gramas de manteiga sem sal

-50 gramas de chocolate 70% cacau (em geral, as barras desse tipo têm 100 gramas. Pode ser de qualquer marca, mas quanto melhor for a qualidade do chocolate, melhor o sabor do brigadeiro e mais saudável será o doce, pois chocolates melhores costumam ter menos gordura e menos açúcar na composição).

-Confeitos para decorar (pode ser qualquer um, mas sugiro esses aqui, que são os tipo “split”. Se puder ser de marca boa, chocolate meio amargo, tanto melhor).

Daí é só jogar tudo na panela (menos os confeitos, claro), nem precisa derreter o chocolate à parte. Em alguns minutos, cerca de 6 ou 7, o creme já estará bem homogêneo. Mais um pouquinho e começa a desgrudar bem do fundo da panela.Não espere ferver, ok? Daí já pode desligar o fogo, esperar esfriar, enrolar e confeitar.

Na pressa ontem, não enrolamos tudo. Mas já deu pra ter uma ideia de rendimento, o que, pra mim, foi um dos poucos pontos negativos da receita. Vai render, no máximo, mas no máximo mesmo, uns 30 docinhos, o que é relativamente pouco para festa de criança. Claro que não estava esperando fazer uma receita só, mas estou acostumadas com as que rendem entre 45 e 50 unidades. Enfim, conto depois se rendeu mais que isso ou não.

O sabor ficou bem gostoso, descontado nosso grande deslize: esquecemos de comprar manteiga sem sal, usamos a com sal mesmo e, claro, o brigadeiro, bem delicado, acabou ficando meio salgado. Não prejudicou muito, deu pra perceber que vai ficar muito saboroso, mas está meio brochante, confesso.

Já deu pra perceber que sou ótema na cozinha, né?

Ainda falta testar a receita de brigadeiro branco e uma de 70% cacau com creme de leite fresco. Conto e posto as respectivas receitas testadas.

Ah, aqui vai o link de onde tirei a receita de hoje.

9 Comentários

Arquivado em livro de receitas do minimenininho

curtinhas (ou nem tanto) do fim de semana

Conseguimos emendar o feriadão, o que foi ótimo, pois aproveitamos bastante para descansar, curtir uns dias de preguiça em família, conversar (na correria do dia a dia, até uma simples e prosaica conversa entre Dri e eu acaba sempre sendo adiada), adiantar pendências domésticas (sempre elas) e passear bastante, apesar do friozinho que fez aqui em SP.

Na quinta, fomos numa livraria que eu adoro. Olha um livro aqui, vê a orelha de outro ali, leva Enzo brincar na seção para crianças acolá e o bebê começa a chorar. Ok, eu amo a livraria; o Enzo tolera. O marido tinha ficado com o pequeno enquanto eu passeava pelas prateleiras. Quando ele quis dar a olhadinha dele, peguei Enzo e fui pra fora; a inquietação do neném deixava claro que seu prazo de validade para ambientes internos tinha vencido.

Acontece que lá fora a coisa não melhorou muito. Tentei colocá-lo no carrinho, o que piorou a situação. Pega no colo de novo, Enzo acalma por dois segundos e resolve que tem que mexer em tudo o que não pode, como extintores de incêndio, adesivos de promoção das vitrines, cartazes de lojas. Pergunto: como distrair um bebê impacientíssimo, que está estrilando loucamente no seu colo?

Repondo: começando a cantar feito uma louca, chacoalhando a cria, abaixando e levantando com a cria no colo, fazendo de conta que vai derrubá-la no chão (Enzo ri que só quando faço isso), correndo, rodopiando pelos corredores do shopping enquanto todo mundo olha para você com cara de espanto, atravessando a rua fazendo o maior barulho só pro filho rir… Ou seja, dando uma banana para o bom senso, a auto-imagem e a vergonha própria.

**********

Já li por aí (ou melhor, por aqui, pela madresfera) que bebê tem uma espécie de sensor: é só pai/mãe botar o garfo na boca, encostar a cabeça no travesseiro, ajeitar o bumbum na cadeira, começar a molhar o cabelo no banho que o bebê apita (leia-se: acorda).

Pois eis que o Dri provou e ampliou essa teoria no feriado. Enzo brincou sozinho, alegre, bem disposto, risonho como ele só, nenhum pitizinho, nenhuma lagriminha. Isso até começarem na TV os programas preferidos do pai, por exemplo. Porque foi só o árbitro apitar o começo do jogo Alemanha x Portugal que o pequeno abriu o berreiro.

E fora de casa a regra também se aplica. Foi só o pai chegar na porta da livraria que o pequeno acordou chorando loucamente. Foi só o pai começar a saborear o almoço de domingo que o neném resolveu que era hora de reclamar. Foi só o pai decidir dar uma passadinha naquela loja de que ele tanto gosta que a avó teve de intervir, pois filho estava inconsolável no carrinho.

Daí que Dri concluiu que bebês são à prova de diversão paterna.

**********

Antes do Enzo nascer, eu achava minha gata pesada. Brincava com ela, reclamando, que estava meio gordinha. Imagina, pelo contrário, a Jóh sempre foi esbelta e bem mignon. Mas, pra mim, 4,5 kgs era um peso e tanto. E como virava e mexia eu tinha de pegar a moçoilinha no colo (ela sempre estava e está aprontando várias), os quilinhos me pareciam multiplicados por 10.

Mas aí, meu bem, eu virei mãe. E aí eu descobri o que é peso de verdade. Pois o meu minimenininho pesa nada desprezíveis 11,5 kgs e AMA colo. Carrinho, pro Enzo, é castigo. Daí que passei 4 horas com ele no shopping no sábado e daí que foram 4 horas com ele no colo.

De volta em casa, precisei ir buscar a Jóh, que tinha fugido até a porta do apê vizinho (explico: sei-lá-porque ela é apaixonada pelo tapete do casal). E descobri que ela é LEVE FEITO PLUMA. Ou ela emagreceu ou eu fiquei mais forte. Tudo na vida é uma questão de referência.

**********

Estava com Enzo numa outra livraria, seção infantil, e lá um pai, com cara de cansado, escuta o filho, de uns 6 anos, ler um livro pra ele. Página vai, página vem, o menino termina. Pai comemora:

-Ótimo, Joãozinho*, vamos embora agora?

-Peraí, pai, ainda falta ler aquele ali.

-Joãozinho, já disse que seria só mais esse.

-Mas pai, aquele outro ali é ainda mais legal!

-Tá bom, mas só mais esse e depois a gente vai embora sem discussão. Promete?

-Prometo, pai.

Página vai, página vem, o menino acaba a leitura.

-Joãozinho, coloca no lugar e vamos embora.

-Pai, deixa só eu ler de novo aquele outro que eu li antes desse?

-Mas você tinha prometido ir embora agora. Estou cansado. Já deixei você ler muito. Vamos para casa.

-Mas pai, eu achei que esse fosse mais legal. Mas agora acho que mais legal era o outro. Deixa eu ler o outro de novo só mais essa vez, vai?

-Joãozinho, você já leu aquele três vezes hoje!

-Mas na quarta eu vou tirar a dúvida de qual é mais legal! E aí vou acertar aquele trecho que eu sempre erro e que você sempre me corrige! Treino, pai, treino!

-Tá bom. Mas depois EU vou embora.

Pai desiste, sai batendo os pés e deixa o filho lendo para o irmão mais velho. Os dois ainda brincam um pouco depois que a leitura termina e só aí vão procurar o pai, que estava com cara de poucos amigos, sentadinho, esperando perto dos caixas.

Dois pensamentos: 1) nunca confie na promessa de uma criança em loja de brinquedos (ou de livros).

2) Lembrei, com muuuita inveja desse pai, desse comercial aqui, lembra? Eu juro que quero que Enzo peça pra não sair da livraria e que faça “birra” pra eu comprar brócolis! 🙂

* O nome do menino não era exatamente Joãozinho, mas confesso que não lembro…

4 Comentários

Arquivado em artes, bebezices, brincar, lado B, paternidade