madrugada é dia útil

“Enquanto o caos segue em frente / com toda a calma do mundo”

Sereníssima” – Legião Urbana 

Trabalhar em casa tem várias vantagens. A mais óbvia delas, naturalmente, é estar perto do filho. Mas tem outras, como não perder tempo com deslocamentos, conseguir almoçar direito e sem gastar horrores por aí, comer maçã ao invés de porcaria no lanche da tarde, ligar o som e cantar loucamente enquanto se faz algum trabalho mais “braçal” (tipo baixar, salvar e organizar nas pastas zentas planilhas do Caged para se obter a variação do estoque de empregos formais no interior).

Só que tem sempre um porém, né? E, nesse caso, o porém é o seguinte: quando se é uma pessoa desorganizada como eu, home office pode ser muito, muito, muito caótico. Em todos os sentidos, mas principalmente em relação ao horário. Por mais que na redação ninguém tenha hora pra chegar nem hora pra sair, por mais que frequentemente os repórteres estendam seu expediente até bem tarde da noite (até pra esperar os colegas redatores/fechadores ficarem livres e ir com eles tomar umas no bar pé-sujo ali da esquina), o horário de trabalho acaba.

Em casa, não.

Na semana passada, por exemplo, trabalhei até perto das 4h todas as madrugadas e, de quinta para sexta, virei sem dormir. O saldo, entre outras coisas, foi pressão 7 x 5, dor de cabeça e muuuuita dor de garganta.

Ter muita coisa para fazer -meu caso- ajuda a explicar o horário nada ortodoxo. Estava apurando uma capa bem bacana, mas bem complexa também, com muitas variáveis a serem esmiuçadas, muitas informações de segunda mão para serem checadas, muitas fontes para ouvir (sei lá, acho que falei com mais de 50 pessoas, fácil, fácil) e, consequentemente, muito trabalho, terminada a apuração, para organizar, escrever e editar isso tudo.

Plus: também estava apurando, ao mesmo tempo, outras duas matérias, que entrego agora no começo da semana (a capa era para sexta), e, para uma delas, tive de ir a uma coletiva na quinta. Marcada para às 10h30, a entrevista com a fonte acabou acontecendo só às 13h. Cheguei em casa às 15h, o que atrapalhou bastante o andamento das outras pendências.

Acontece que, reconheço, se eu fosse um tantinho mais organizada, as coisas renderiam mais. E não falo de organização no trabalho, pois para isso sou organizada até demais. Tenho uns métodos de apuração que são quase manias. Quando não consigo, por alguma razão, por exemplo, atualizar a lista que faço com todos os contatos de todas as fontes e o status de como estão as conversações, fico tão incomodada que parece que não trabalhei naquele dia.

A desorganização a que me refiro -e que suga bastante o tempo- é das outras coisas: é a desorganização de não guardar nada no lugar certo e aí não conseguir achar aquela blusinha pra jogar em cima da camiseta quando está frio; é a desorganização de não tirar pratinhos e canequinhas e potinhos de dentro da geladeira e aí “perder” a comida; é a desorganização de nunca saber ao certo onde está mesmo a ração da gata; é a desorganização de comer-falar-com-fonte-atualizar-apuração-tomar-remédio-ler-release-tudo-ao-mesmo-tempo-agora; é a desorganização de nunca lembrar de deixar separadas as frutas que Enzo vai comer naquele dia e ter de interromper o trabalho para separá-las quando as mães pedem; é a desorganização de decidir ler só mais um pouquinho antes de dormir e aí notar que, putz, o “mais um pouquinho” durou quase uma hora e meia que eu não tinha; é a desorganização de não respeitar rotinas e horários (como hora para almoçar, para tomar um café, para descansar, para dormir)…

E, por último, mas não menos importante, é A desorganização de se acostumar a avançar noite e madrugada trabalhando e CONTAR com isso como se fosse, de fato, dia útil, hora útil de trabalho. Aí, a pessoa (no caso, eu) planeja seu dia incluindo como regra o que deveria ser exceção. E, a cada vez que eu faço isso, fica mais difícil quebrar o círculo e reduzir um pouco a jornada.

Comecei essa semana acordando bem cedo. Estou saindo da cama às 6h30, junto com o Dri. Espero que esse novo horário me “derrube” à noite e me ajude a conseguir limitar um pouco as coisas aqui no escritório. Sei que preciso disso. Mas, por enquanto, sem querer ser pessimista, são 22h30 e estou #semsono, avançando no trabalho, #semhorapraparar.

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Arquivado em lado B, Maternidade, profissão

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