o autocontrole segundo Enzo

O pequeno está em casa, mas sob os cuidados da avó. A mãe também está em casa, mas trancada no escritório, trabalhando. A avó escova os dentes, pequeno agarrado às suas pernas. Ele pede a pasta de dentes para brincar. Ela dá. Ele pede para abrir. Ela abre. Ele brinca um pouco, lambuza os dedos, lambe, prova. Ela olha, supervisiona, pega a pasta de volta.

Ele ralha. Quer brincar mais. Ela acha que tudo bem, mas não quer que ele coma mais pasta. Devolve o tubo tampado. Ele não gosta. Quer que ela abra. Ela não abre. Ele resmunga com ela, aponta de novo para a tampa, mais incisivo. Ela diz que não. Ele ameaça uma reação, pura explosão de raiva, mas para.

Larga a avó para trás e segue, sereno e controlado, em direção ao escritório onde está a mãe. Chega lá, empurra a porta. A mãe desvia os olhos do teclado, encara o filho, que, calmamente, ajoelha-se no chão, na frente da mãe. Ele olha para ela, dono da situação, quase sorrindo. Certifica-se de que ela continua com os olhos fixados nele e então –e só então– começa a dar um piti daqueles: se joga para trás, grita, bate as mãos e os pés, reclama, chora.

Ninguém poderá acusá-lo de não ter autocontrole.

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