Arquivo do mês: junho 2013

o post da Nine sobre mamíferas e o sustento da família

Sabe quando você tem um post muito importante, que você escreve mentalmente diversas vezes, mas que, por ser tão importante para você e condensar tantas ideias, nunca sai do papel?

Pois eu tenho um assim, que mistura no mesmo saco coisas complexas como maternidade, feminismo, instinto, trabalho, atribuições profissionais, feminino, capitalismo, patriarcado, papel do pai. Já fiz e refiz o texto tantas vezes e com um resultado tão aquém do que eu penso que acabei deixando parado, para marinar as ideias, sabe como?

Mas eis que a Nine publicou hoje está pérola aqui. Pronto, não preciso mais escrever o meu post. Como eu comentei lá, ela redigiu melhor e mais claramente tudo o que eu sempre quis dizer sobre esse assunto. Os pontos altíssimos do texto dela, para mim e segundo minha leitura do que ela escreveu:

-Cumprir nossas funções biológicas a contento (parir, amamentar, acalentar e acolher os filhotes muito pequenos) não pode nos impedir de ganhar nosso sustento. Isso não acontece com nenhum mamífero na natureza, só nessa nossa sociedade disfuncional.

-Papel biológico não tem nada a ver com os papéis de gênero que vivemos. Gênero é uma construção social. Não é porque você ovula e pari que precisa passar a roupa, lavar a louça e fazer o jantar todos os dias.

-Também não precisa ganhar menos que um homem em cargo igual, tampouco é responsabilidade sua apenas sair mais cedo pra levar filho no médico, fazer lição junto ou trabalhar em meio-período pra ficar mais tempo com as crias. Os homens têm responsabilidades domésticas e com suas famílias que não se limitam (quando muito) a pagar contas. Ser pai é muitíssimo mais complexo que isso. E exige um grau de comprometimento com o que é tido como “feminino”, exige doação e entrega.

-Igualdade não significa que tenhamos de ser iguais para ter os mesmos direitos. Falta à revolução feminista o mais importante: devolver a valorização perdida por milênios de patriarcado àquilo que é tido como feminino. É preciso que ser mãe e ser pai (cuidar, acolher, doar-se, valores considerados femininos) seja tão valorizado quanto ser doutora em física quântica ou presidente de multinacional, saca? Que um homem que abdica de um certo crescimento profissional para ficar com os filhos seja admirado, seja socialmente valorizado. Que fazer isso não seja menor, nem seja “trabalho de mulher”. É preciso que os meninos possam ser estimulados a desenvolver o feminino neles, e que nós, mulheres, não precisemos necessariamente almejar o sucesso-padrão (a conquista, a competição, a realização cartesiana, valores tidos como masculinos) para sermos respeitadas e admiradas. Mas que possamos fazer exatamente isso se quisermos.

Fato é que o post dela está muitíssimo melhor que esse meu resumo tosco. Corre, que vale muito a pena.

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Arquivado em Maternidade, profissão, reflexões

“vai ser cada vez mais interessante viver neste planeta”

“Conheci” a Laura Uplinger no trailer do documentário “O Renascimento do Parto“. Mas ainda não sabia bem quem era. Pesquisei um pouco mais depois de receber uma indicação de uma amiga. Cheguei à página dela e me encantei com o trabalho que desenvolve e com as reflexões que propõe.

Daí achei esse vídeo –que é só um trailer– e resolvi compartilhar:

Resolvi compartilhar porque me provocou muitas reflexões e trouxe uma série de informações novas. E também porque deu uma acordada em ideias que estavam meio adormecidas por aqui, desde os tempos em que li González e Gutman pela primeira vez.

Faz tempo que tenho pensado sobre o tipo de sociedade que somos, especialmente no que diz respeito à acolhida (ou não) que damos à infância, reflexão constante da Uplinger. Do parto cesáreo agendado às escolinhas, babás, mil e tantas aulas, mil e tantos compromissos. Se não respeitamos nem o tempo das crianças, pra mim é óbvio que não as respeitamos como crianças.

No vídeo, Laura diz uma coisa que eu não tinha percebido: desde muito tempo, sempre que uma mulher teve dinheiro, delegou a terceiros os cuidados com os filhos. Mas isso está mudando, e talvez sejamos a primeira geração de mães para quem a maternidade ganhou a importância que realmente merece. Como já me disse uma vez a Mari Zanotto, não há nada mais político nessa vida que educar cria. E é disso que se trata esse vídeo da Laura. Vale a pena.

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Arquivado em Maternidade, parentagem por apego, paternidade, reflexões

como alegrar e entreter uma criança com menos de R$ 10

Sabe aquelas ideias tão óbvias, mas tão óbvias, que a gente nunca tem? Aquelas que quando finalmente surgem fazem a gente ficar um tempão se perguntando, com cara de otária, “como eu não pensei nisso antes”? Pois eu tive uma dessas ontem.

Não sei bem como a coisa aconteceu, mas lembro que estava almoçando num shopping e, sei-lá-porque, lembrei de uma papelaria na qual eu costumava ir por lá, a papelaria me lembrou crayon, que me lembrou do Enzo e… Putz, claro! Dar crayon pro Enzo! Como eu não pensei nisso antes? Justo eu, mãe de um menino que se divertiu horrores desenhando pelas paredes (todas, sem exageros) da casa!

Corri pra loja na mesma hora. Resumindo, a contabilidade ficou assim:

1 caixa de crayon: R$ 2,90

2 folhas de papel pardo: R$ 1,20

100 folhas de papel sulfite: R$ 3,40

Enzo alegre (compenetrado) e apaixonado por sua nova brincadeira favorita: R$ 7,50 (poderia escrever que não tem preço –e não tem mesmo–, mas acho que ficou meio lugar-comum essa piadinha, tô errada?)

logo que ganhou o kit...

logo que ganhou o kit…

...apaixonou.

…apaixonou.

 

 

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Arquivado em artes, bebezices, brincar

comer bem fora de casa

Adoro sair por aí sem rumo ou com rumo certo: voltar pra casa só na hora em que der na telha. Na prática da vida de mãe, isso significa ajeitar zentas coisas para cuidar de não faltar nada ao pequeno enquanto a família se diverte explorando a cidade (ou a viagem). Porque, depois do nascimento dos filhos, sair sem lenço e sem documento no sol de quase dezembro pode. O que não pode é sair sem fralda, sem troca de roupas, sem a bebechila, sem cobertor, sem os brinquedos preferidos, sem o Pimpão, sem o copinho de água, sem chá e, especialmente, sem comida. É, não rola sair sem comidas, no plural mesmo, pro rebento. 

(*)

(*)

Porque, na rua, as opções em geral ou são pouco saudáveis (fast-food para o almoço, bolacha para o lanche…) ou pouco confiáveis ou ambas. Ainda mais se seu filho ainda é pequeno, meu caso.

Daí que depois de frustrar boas oportunidades de passeios (ou de esticadas) por falta do que dar ao Enzo, acho que cheguei no que considero um arranjo quase ideal para aproveitar bem longas horas fora de casa nos finais de semana sem prejudicar a alimentação do pequeno. Por prejudicar leia-se: deixá-lo sem comer quantidade e variedade adequadas e/ou dar porcarias em substituição à comida de verdade. O que tem dado certo por aqui é o seguinte:

1) Levo sempre o almoço do Enzo com a gente, numa mala térmica tradicional. Procuro seguir algumas regrinhas pra isso dar certo.

  • A primeira delas é só levar alimentos muito frescos. Costumo escolher, pra esse fim, os recém-preparados ou, se for lançar mão de algum congelado, descongelo na manhã do passeio, no máximo uma hora antes. Os congelados, claro, são sempre alimentos feito em casa, nada de industrializados (prato pronto congelado pro filho e papinhas prontas, aqui em casa, só em caso de guerra, como já me disse uma vez a Mari Sá);
  • Separo o que preciso levar nos potes sem BPA (se forem plásticos), adequados para o transporte, com tampas que isolem bem o conteúdo. É importante também fechar a tampa tirando o máximo possível de ar de dentro do pote, como se estivesse preparando para congelar. Mas mantenho tudo na geladeira até a hora de sair de casa.
  • Escolho alimentos fáceis de comer “por aí”, de que o Enzo goste e que sejam menos perecíveis. Massas costumam cumprir bem esse papel. Molhos com carnes e legumes complementam bem o carboidrato e deixam o prato mais equilibrado. Se vou a algum lugar relativamente perto, coloco na “marmita” mais legumes e vegetais. Um trio de muito sucesso aqui é fusili com ovo cozido e brócolis dourado com cebolas;
  • Evito sair com muitas horas de antecedência em relação ao almoço. Enzo costuma almoçar entre 12h30 e 13h. Não saio de casa às 8h, por exemplo. O alimento que levo fica cerca de 2 a 3 horas apenas fora da geladeira, sempre acondicionado na mala térmica e ao abrigo do calor e do sol.
  • A mala térmica tem de ser bem boa, daquelas que realmente isola o alimento e mantém a temperatura resfriada por algumas horas;
  • Sempre almoçamos num local em que, caso seja necessário, Enzo possa comer alguma coisa. Não dá pra ir almoçar num barzinho, daqueles que servem petiscos e feijoada, por exemplo. Tem que ser um local em que haja alguma coisa segura, relativamente saudável e palatável. Vai que a comida estraga no vai-e-vem do passeio…

2) Programo o passeio para estarmos sempre próximos de um bom restaurante por quilo (ou bom PF, mas, nesse caso, só conheço um que vale a pena) ou de uma boa casa de massas. No caso do quilo, nunca pego alimentos crus e peço carnes bem passadas. Se o assunto é massa, geralmente evito os molhos, mesmo o de tomate, a menos que eu conheça bem o local.

3) Levo copo, pois água mineral se compra em qualquer lugar. E levo pelo menos uma mamadeira com chá de ervas que faço para ele em casa. Na falta de suco natural (¹) confiável, o chá cumpre pelo menos o papel de matar a sede do menino que não é lá muito fã de água.

4) Preparo diversas opções de lanche para garantir que Enzo não passe fome (quantidade) e que tenha algo saudável para comer mesmo se encasquetar que não quer determinada coisa.  As opções que fazem muito sucesso por aqui, pelo sabor, pela praticidade e porque são saudáveis:

  • Banana. Autoexplicativa, mas vamos lá: não fica preta, mantém sabor e consistência originais e é a coisa mais fácil do mundo de descascar, né?
  • Mexerica: mesmo caso da banana, também se conserva bem, já que dá pra levar por aí com casca.
  • Frutas secas e castanhas variadas: Enzo ama damasco, figo seco, uvas passas, castanha de caju e castanha-do-Pará. Levo tudo junto ou separado, depende de como estiver o gosto dele. Tem dias que só quer castanha, outros que prefere só damasco e tem os dias em que quer os dois, mas cada um de uma vez. Só tomo alguns cuidados: Damasco solta o intestino e, infelizmente, a maioria das marcas de damasco seco coloca enxofre na fruta para não perder a cor. Portanto, dou com parcimônia. No caso das uvas, sempre leio os ingredientes e só compro as que não têm nem açúcar nem conservantes. Há orgânicas muito boas no mercado. Castanhas sempre sem sal e, mesmo assim, em pequenas quantidades. As de Pará, por exemplo, pico em pedaços menores e ofereço duas ou três, no máximo.
  • Maçãs e outras frutas desidratadas: uma das melhores invenções do homem! 😉 Enzo ama as maçãs, que são realmente muito gostosas. E o melhor: não têm açúcar nem nenhum tipo de conservador, realçador de sabor, nada dessas porcarias. É só a fruta desidratada mesmo. São muito práticas (vêm prontas para o consumo) e costumam ser vendidas em pacotes de 30 ou 50 gramas, em supermercados ou casas de produtos naturais.

Por que me preocupo tanto com alimentação a ponto de não aceitar exceção (vulgo comer porcaria) nem nos finais de semana? Por causa disso aqui:

E disso aqui também:

Mas, mais importante, porque: se é possível só comer coisas boas (e é!), ainda que seja fora de casa, pra que dar porcarias para o Enzo?

(¹) Suco natural é natural mesmo, não de caixinha, bebida que faz parte daquele grupo de produtos pseudo saudáveis: estão cheios de açúcar, corantes, conservantes… Enzo não consome.

PS: a minha estratégia de conservação dos alimentos é minha mesmo. Nunca perguntei pra ninguém (a não ser pra minha mãe) sobre isso. Está dando certo, nunca estraguei nenhuma “marmita”. Se você não estiver segura de levar almoço por aí sem refrigerar de fato –o que acho prudente–, sugiro que pergunte ao pediatra como fazer.

(*) Foto daqui ó.

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Arquivado em livro de receitas do minimenininho, Maternidade, viagens & passeios