o post da Nine sobre mamíferas e o sustento da família

Sabe quando você tem um post muito importante, que você escreve mentalmente diversas vezes, mas que, por ser tão importante para você e condensar tantas ideias, nunca sai do papel?

Pois eu tenho um assim, que mistura no mesmo saco coisas complexas como maternidade, feminismo, instinto, trabalho, atribuições profissionais, feminino, capitalismo, patriarcado, papel do pai. Já fiz e refiz o texto tantas vezes e com um resultado tão aquém do que eu penso que acabei deixando parado, para marinar as ideias, sabe como?

Mas eis que a Nine publicou hoje está pérola aqui. Pronto, não preciso mais escrever o meu post. Como eu comentei lá, ela redigiu melhor e mais claramente tudo o que eu sempre quis dizer sobre esse assunto. Os pontos altíssimos do texto dela, para mim e segundo minha leitura do que ela escreveu:

-Cumprir nossas funções biológicas a contento (parir, amamentar, acalentar e acolher os filhotes muito pequenos) não pode nos impedir de ganhar nosso sustento. Isso não acontece com nenhum mamífero na natureza, só nessa nossa sociedade disfuncional.

-Papel biológico não tem nada a ver com os papéis de gênero que vivemos. Gênero é uma construção social. Não é porque você ovula e pari que precisa passar a roupa, lavar a louça e fazer o jantar todos os dias.

-Também não precisa ganhar menos que um homem em cargo igual, tampouco é responsabilidade sua apenas sair mais cedo pra levar filho no médico, fazer lição junto ou trabalhar em meio-período pra ficar mais tempo com as crias. Os homens têm responsabilidades domésticas e com suas famílias que não se limitam (quando muito) a pagar contas. Ser pai é muitíssimo mais complexo que isso. E exige um grau de comprometimento com o que é tido como “feminino”, exige doação e entrega.

-Igualdade não significa que tenhamos de ser iguais para ter os mesmos direitos. Falta à revolução feminista o mais importante: devolver a valorização perdida por milênios de patriarcado àquilo que é tido como feminino. É preciso que ser mãe e ser pai (cuidar, acolher, doar-se, valores considerados femininos) seja tão valorizado quanto ser doutora em física quântica ou presidente de multinacional, saca? Que um homem que abdica de um certo crescimento profissional para ficar com os filhos seja admirado, seja socialmente valorizado. Que fazer isso não seja menor, nem seja “trabalho de mulher”. É preciso que os meninos possam ser estimulados a desenvolver o feminino neles, e que nós, mulheres, não precisemos necessariamente almejar o sucesso-padrão (a conquista, a competição, a realização cartesiana, valores tidos como masculinos) para sermos respeitadas e admiradas. Mas que possamos fazer exatamente isso se quisermos.

Fato é que o post dela está muitíssimo melhor que esse meu resumo tosco. Corre, que vale muito a pena.

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1 comentário

Arquivado em Maternidade, profissão, reflexões

Uma resposta para “o post da Nine sobre mamíferas e o sustento da família

  1. Nine

    Oi, Natalie! Fiquei mega feliz com seu comentário lá no blog, aí vim aqui e me deparo com seu texto! Sabe, vc conseguiu esclarecer alguns pontos do meu texto que eu acho que não ficaram claros. Digo isso pq primeiro publiquei ele no MMqD e os comentários recebidos, apesar de serem favoráveis ao texto, não alcançaram esses pontos que vc colocou! Vou linkar esse seu lá no meu, tá? Obrigada pela dica do vídeo, já salvei o link e verei!
    Beijos dessa mãe, esposa e profissional que tb é feminista
    Nine

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