Arquivo do mês: setembro 2013

da série #maedemerda {#1}: ele só quer presença

Ele só quer presença, só quer que eu esteja por perto, conectada. A proximidade física é irrelevante se não houver proximidade emocional e, como disse a Ana Thomaz (vídeo imperdível, acesse por aqui e ou veja no fim do post), as crianças ouvem o que a gente sente, não o que a gente fala.

Mas acontece que tem dias em que eu não quero e/ou não posso ser essa mãe presente. Ou porque estou mesmo sem disposição para ficar sentada ao lado dele brincando ou porque estou a fim de terminar de ler aquele livro ou porque simplesmente tenho alguma tarefa para cumprir.

{Parêntese rápido: a Gutman já tinha dito que a fase fusionada, mãe-filho-uma-coisa-só, começa a afrouxar lá pelos dois anos dos pequenos. E aí interesses da mãe que ficaram suspensos no período de fusão vão, aos poucos, ganhando importância novamente. Estamos nesse momento por aqui}

Nesses dias, ele briga muito. Não consegue me conceder esse espaço, talvez porque seja ele quem precise das minhas concessões, não o contrário. Exige –não pede– ainda mais presença do que normalmente. Chora muito, grita muito, me puxa, tenta me bater, se joga no chão, arremessa as coisas longe, chora com raiva, chora de impotência, depois chora sentido.

E aí eu erro e falho duplamente: nem presente, nem firme. #maedemerda vezes dois: eu, que sei que ele só quer a mim –mas sei também que preciso ensiná-lo a não agir com essa agressividade toda–, acabo culpada, sem convicção para educar meu filho, para mostrar a ele que não vai obter o que quiser se comportando dessa forma. Eu tento. Mas, em geral, ou perco a paciência e, mesmo me contendo, acabo agindo de forma impositiva e agressiva especialmente na linguagem corporal e no tom de voz (o que frustra todo o processo e vira um anti-exemplo) ou fico com dó por achar (saber?), lá no fundo, que tudo o que ele quer é presença. A minha presença. Que eu nego, mesmo quando cedo e sento junto. Porque meu filho está ouvindo o que sinto e sabe que não estou lá.

*O vídeo imperdível da Ana Thomaz (dura mais de 60 minutos, mas eu recomendo muito, já vi e revi inúmeras vezes):

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Arquivado em Maternidade, reflexões