da série #maedemerda {#1}: ele só quer presença

Ele só quer presença, só quer que eu esteja por perto, conectada. A proximidade física é irrelevante se não houver proximidade emocional e, como disse a Ana Thomaz (vídeo imperdível, acesse por aqui e ou veja no fim do post), as crianças ouvem o que a gente sente, não o que a gente fala.

Mas acontece que tem dias em que eu não quero e/ou não posso ser essa mãe presente. Ou porque estou mesmo sem disposição para ficar sentada ao lado dele brincando ou porque estou a fim de terminar de ler aquele livro ou porque simplesmente tenho alguma tarefa para cumprir.

{Parêntese rápido: a Gutman já tinha dito que a fase fusionada, mãe-filho-uma-coisa-só, começa a afrouxar lá pelos dois anos dos pequenos. E aí interesses da mãe que ficaram suspensos no período de fusão vão, aos poucos, ganhando importância novamente. Estamos nesse momento por aqui}

Nesses dias, ele briga muito. Não consegue me conceder esse espaço, talvez porque seja ele quem precise das minhas concessões, não o contrário. Exige –não pede– ainda mais presença do que normalmente. Chora muito, grita muito, me puxa, tenta me bater, se joga no chão, arremessa as coisas longe, chora com raiva, chora de impotência, depois chora sentido.

E aí eu erro e falho duplamente: nem presente, nem firme. #maedemerda vezes dois: eu, que sei que ele só quer a mim –mas sei também que preciso ensiná-lo a não agir com essa agressividade toda–, acabo culpada, sem convicção para educar meu filho, para mostrar a ele que não vai obter o que quiser se comportando dessa forma. Eu tento. Mas, em geral, ou perco a paciência e, mesmo me contendo, acabo agindo de forma impositiva e agressiva especialmente na linguagem corporal e no tom de voz (o que frustra todo o processo e vira um anti-exemplo) ou fico com dó por achar (saber?), lá no fundo, que tudo o que ele quer é presença. A minha presença. Que eu nego, mesmo quando cedo e sento junto. Porque meu filho está ouvindo o que sinto e sabe que não estou lá.

*O vídeo imperdível da Ana Thomaz (dura mais de 60 minutos, mas eu recomendo muito, já vi e revi inúmeras vezes):

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4 Comentários

Arquivado em Maternidade, reflexões

4 Respostas para “da série #maedemerda {#1}: ele só quer presença

  1. Nine

    puxa, sei bem…e dá-lhe Laura Gutman e Ana Thomaz, essas lindas! Menina, essa fase dos 2 anos e poucos é meio braba mesmo. Lá em casa foi depois do nascimento do Pedro, bem na minha licença maternidade, O caos, pq a verdade foi que eu não estava presente para a Ísis, não todo o tempo que ela queria, e não conseguia estar presente para o caçula, pq a mais velha estava lá, me chamando. Mas passa, viu? A gente vai dando um jeito aqui, outro ali, vai gritando hj, falando calmo amanhã, um dia de cada vez, um depois do outro, sempre com muita reflexão e sempre com muito perdão nos dias das escorregadelas. Pq ninguém nos ensinou a cuidar de nossos filhos assim…estamos aprendendo…Muitos beijos para vcs! Nine

    • Nine, querida,

      muito obrigada pelo acolhimento de sempre e pelo “abraço” virtual. Eu bem que estava precisando. 😉 É bem assim mesmo que as coisas têm sido por aqui. E dá-lhe Laura Gutman. Retomei “A Maternidade (…)” e tem sido muito bom.

      Imagino como deve ter sido por aí, com dois. E, sinceramente, não sei como você conseguiu! Ídala! 😉

      bjos, bjos

  2. Ana

    Ah, Nat, sei bem como você se sente. E apesar de ficar melhor depois dessa fase, acho que sempre vai ter uma pontinha de culpa quando a gente não dá atenção necessária pra eles, sabe? As minhas estão com 4 (quase 5) e 9, já se viram bem sozinhas, mas tem horas que elas querem a minha companhia e presença.

    Ontem mesmo, eu tinha coisa pra fazer, mas a mais velha estava lendo e a mais nova queria brincar, mas não queria brincar sozinha. Larguei o que eu fazia e sentei no chão pra montar quebra-cabeça com ela. Ela ficou numa alegria só! Quando eu nego e continuo fazendo minhas coisas, acabo me sentindo culpada. 😦

    No meu caso facilita porque elas já vão pra escola, então tenho algumas horas pra mim quando elas não estão em casa, mas você que trabalha em casa deve ser mais complicado, né? Mas, ó, respira fundo que vai passar.

    E não se culpe por ceder à birra dele. (Talvez eu fale isso até pra mim, porque vivo com essa crise de ganhar na marra a briga porque eu que sou a mãe e ela tem que aprender os limites). Só pra dizer que acontece com todas nós, se isso te consola um pouco. 🙂 Beijo!

  3. Pingback: o momento especial | mãederna

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