Arquivo do mês: novembro 2013

carta aberta à Margarida

"Maternite" (1963), de Pablo Picasso (*)

“Maternite” (1963), de Pablo Picasso (*)

Margarida, querida, li seu blog ontem. Fiquei muito preocupada com você. Não por estar “passando fome”. Mas por ter sido enganada. Acho que não é bom para um bebê –ou para qualquer pessoa– ignorar fatos tão importantes e essenciais para sua própria vida, especialmente se esse engano é fruto de informações distorcidas que favorecem –ó, por acaso– indústrias milionárias, que ganham dinheiro por aí incentivando mães a fazer da exceção a regra.

É por isso, querida, que resolvi escrever esse pequeno texto para você. Vou ser objetiva, tá? Para começar, você pode não estar com fome. Bebês choram por muitos motivos, a maioria não relativos a condições fisiológicas. É engano de adultos achar que, se a criança estiver alimentada e limpa, não deve chorar. Choro é tudo o que alguém da sua idade tem de recurso para se expressar. Se quiser colo, se quiser sair do berço/carrinho, se sentir medo… vai chorar. Simples.

Se você estiver mesmo com fome, tenha certeza absoluta de que não é por causa de “leite fraco” ou “pouco leite”. Essas coisas são tão reais, meu bem, quanto o Papai Noel, o Saci, o Bicho Papão e as Princesas Disney. Mães, salvo raríssimas exceções (mulheres com problemas fisiológicos cientificamente diagnosticáveis), são sempre capazes de produzir leite para seus filhos. Somos mamíferos, sabe? Mamamos ao nascer. Portanto, nosso corpo, se saudável, está apto a produzir leite. Essa é a regra. E não fui eu quem inventou. Tem sido assim desde que surgimos por essas bandas. E deu certo. Dizem que nossa espécie tem cerca de 70 mil anos. O leite artificial é uma invenção bem mais recente, que começou a “vingar” mercadologicamente falando há coisa de 40 ou 50 anos atrás. Amamentar, querida, não é “moda”. Pelo contrário. É sobrevivência. Sorte dos bebês é que, apesar dos esforços da indústria, cada vez mais mães estão se dando conta disso.

Aí você pode argumentar, Margarida, que hoje em dia muitas e muitas mães sentem que têm pouco leite, seus bebês não engordam como prevê o pediatra, não dormem o previsto entre uma mamada e outra e acabam engordando “bem melhor” depois de introduzido o leite artificial na amamentação. Ok, isso é uma meia-verdade. De fato, essas coisas acontecem, mas não pela razão que fizeram você acreditar. Eis os motivos verdadeiros (ou, pelo menos, comprováveis pela ciência e divulgados por pessoas bem mais isentas que a indústria do leite artificial, como o estudioso de amamentação e pediatra catalão Carlos González, que não ganham nem um centavo a mais quando uma mãe consegue amamentar seu filho):

1) Estamos perdendo o elo com o que é natural e fisiológico, com conhecimentos que eram transmitidos de geração em geração quando vivíamos de modo mais simples. Pediatras –e mulheres mais velhas– não explicam para as novas mães coisas básicas de sua própria fisiologia, que ajudariam muito a estabelecer uma amamentação eficiente e que eram conhecimentos disponíveis às mulheres antigamente. Ao contrário, o mundo cheio de pressa diz às mães que o “certo” é amamentar por 10 ou 20 minutos em cada peito, de três em três horas. González diz que o estabelecimento dessa regra –sem o mínimo apoio científico ou embasamento comprovável– foi o golpe de misericórdia na amamentação. Porque, para a sua mãe produzir leite materno adequado à sua necessidade, Margarida, é preciso que você mame em livre demanda, que fique “pendurada no peito” o tempo inteiro, por quanto tempo quiser, especialmente nas primeiras semanas. O contrário disso aí que recomendam na maternidade e na pediatria, em geral. Sua mãe sente que tem pouco leite (e talvez até produza menos do que você precisa) porque você mama pouco. A glândula mamária produz na medida do que é estimulada. Pouco estímulo resulta em pouco leite e vice-versa.

2) Outro problema é estabelecer uma regra de “engorda” que precisa ser seguida semanalmente. Tem bebês que não engordam muito no começo mesmo. Outros engordam mais. E isso não é necessariamente um problema. Enquanto mãe e filho estão se conhecendo e organizando o início da amamentação, não seguir a tabelinha de engorda do pediatra à risca não significa que o bebê passa fome ou que terá prejuízo futuro. Sem contar que a tabela é feita com base no que engordam os bebês na média. Se hoje a média dos bebês toma leite artificial, que engorda mais, é natural supor que a média suba. O que, de novo, não significa dizer que o bebê mais magro não esteja recebendo alimento adequado. Ao contrário, ele “só” está sendo alimentado por um leite menos gordo e, portanto, mais saudável (vamos voltar a isso, peraí).

[Adendo às 00h53 de 28/11: nos comentários, a Luara Almeida esclarece que as novas curvas de crescimento da OMS, de 2006, são agora baseadas em bebês alimentados por leite materno. Obrigada pela contribuição. Tomara que isso reduza as expectativas gerais de ganho de peso em recém-nascidos, ainda elevadas, um dos principais argumentos usados por especialistas para “identificar” “leite fraco”]

Resumindo, Margarida: se uma mãe acha que produz pouco leite, ao invés de dar o artificial, o ideal é que bote o filho em tempo integral no peito. Isso resolve a imensa maioria dos casos, pois a “pouca” produção deriva apenas do “mau” uso do equipamento. Bebês engordam mais quando tomam LA, mas isso é bom? Crianças engordam quando comem batatas fritas e tomam refrigerante… Crescer e se desenvolver adequadamente é uma coisa, e há muitos fatores que identificam se esse desenvolvimento está acontecendo, não apenas uma tabela de peso influenciada por padrões de engorda artificiais.

E, para encerrar, querida, que já me alonguei demais, quero registrar que o leite artificial não é nada parecido com o materno. O leite materno é o único alimento completo e indicado ao recém-nascido, não só porque tem as doses exatas de proteínas, carboidrato e gorduras de que um bebê humano precisa, mas porque é composto por mais de uma centena de componentes impossíveis de se replicar no leite artificial. Além disso, transmite ao filho uma infinidade de anticorpos. E, o que é mais impressionante, como não é industrializado e padronizado, cada leite de cada mulher é único, específico para aquele bebê, transmitindo a ele anticorpos adequados às doenças encontradas em seu entorno.

Quer mais um dado interessante? A Alfa-lactoalbumina, uma das principais proteínas do leite materno (representa entre 10% e 20% da proteína total) protege contra mais de 40 tipos de câncer. Isso só para te dar alguns exemplos. A ciência, quanto mais estuda, mais comprova o que nossos antepassados já sabiam. Não precisamos de LA, Margarida. Quase nunca. Só em casos excepcionais. Nossos quase 70 mil anos de vida sem indústria de leite não me deixam mentir.

PS: quando vir a Maria novamente, explica para ela parar de pressionar sua mãe, que precisa é de apoio. Pesquisa recente, publicada na reputada Pediatrics, mostra que a ansiedade prejudica a amamentação exclusiva. Taí outra explicação para o número crescente de mães que acham que não podem amamentar.

Boa sorte para você e tomara que sua mãe encontre ajuda em alguns dos vários grupos de apoio à amamentação, como esse, esse ou esse aqui.

(*) A imagem do gênio espanhol veio daqui.

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a infância que não cabe na TV

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A gente até sabe que a Academia Americana de Pediatria (AAP, na sigla em inglês) recomenda que bebês até 24 meses não assistam à TV e que crianças a partir dos dois anos vejam, no máximo, duas horas diárias de programação televisiva. A gente até sabe que os argumentos principais da AAP para essa restrição fazem sentido. Segundo pesquisas daquela academia, ficou evidente que a TV prejudica a sociabilização das crianças com suas famílias, atrapalha a aquisição da linguagem e está no pacote do estilo de vida causador, em crianças, de doenças como obesidade, hipertensão e diabetes tipo 2.

Se isso já não fosse motivo suficiente, tem mais: psicólogos têm apontado que o uso insistente das telas (**) diminui a concentração e a capacidade criativa das crianças. Tem textos interessantes para se começar a pensar sobre esse efeito aqui, aqui e aqui também. O tédio e o ócio, tão próprios da infância e tão importantes para o livre brincar e o desenvolvimento dos pequenos, são bastante prejudicados quando a criança fica boa parte de seu tempo diante de dispositivos eletrônicos. Para se entendiar a ponto de criar a partir disso, é preciso não ter distrações. Para ter tempo livre e “fazer nada” a ponto de achar algo realmente interessante pra fazer (e até para poder descobrir o que é interessante naquele momento), não se pode estar inerte diante de um aparelho que faz quase tudo sozinho.

Tudo o que vem pronto para a mão dos pequenos tira deles a possibilidade de experimentar, de criar. E é nessa experimentação, nessa criação, que eles são, que eles vivem.

Essa infância, a infância potencializadora, livre, plena, essa não cabe na caixa. Não cabe na TV (nem na escola, mas esse é outro assunto). Essa simplesmente não cabe nesse modelo de vida que a gente leva (outro assunto que rende). A infância da TV é a infância do entretenimento. E entretenimento não goza de muito boa reputação por aqui (“distração”, diz o dicionário. E quem disse que distração é coisa boa?).

Mas, o caso é que, no dia a dia, na realidade dos nossos afazeres e das nossas muitas limitações (inclusive de espaço, uma vez que muitos de nós moramos em apartamentos cada vez mais minúsculos), acabamos por fazer concessões a muitas coisas, inclusive à TV e às telas.

Aqui não foi diferente, especialmente quando comecei a lidar, ao mesmo tempo, com as tarefas do trabalho e com as tarefas de mãe. Como fazer uma entrevista de 40, 50 minutos com a cria chorando, querendo atenção e brincadeira? Liga a TV! Dá o celular para ele brincar! Bota um joguinho no tablet! Tudo errado, eu sei.

Resultado disso é que parte dessas coisas que eu só lia em teoria, estou vendo acontecer aqui em casa. Responsabilidade minha, meu pequeno, se eu deixar, passa o dia diante da TV. Justo ele que, há poucos meses, só assistia a programas com muita, muita insistência. Nós passávamos o dia inteiro com a tela desligada. O.Dia.Inteiro.Sem.Nadica.De.TV. Enzo nem se aproximava dela. E brincava, como brincava. Com tudo e qualquer coisa, das panelas, tampas, colheres e utensílios aos brinquedos, gizes de cera e papéis.

Nem parece o mesmo garoto que, agora, acorda e vai logo pedindo  “qué vê o Mêique” (no caso, o Mr. Maker, aquele programa inglês ótimo –só que ao contrário– de “artes” [hã hã] para crianças). Nem parece o mesmo que se planta diante da TV pra ver Sid ou DVD do Palavra Cantada ou qualquer coisa que esteja passando.

Enzo se desinteressou pelos utensílios domésticos, pelos não-brinquedos tão interessantes que sempre chamaram a atenção dele e desenvolveram sua criatividade; se desinteressou por vagar pela casa à cata do que fazer. Ele brinca muito, mas brinca melhor com a TV ligada, no melhor estilo “um olho no peixe, outro no gato”. As brincadeiras todas agora envolvem o Maker e o Sid. Ele continua criativo, mas a criatividade deles agora se baseia no que vê na TV. Cria a partir do Maker, a partir do Sid, a partir do Palavra Cantada. A TV virou sua referência.

Um dia, cheguei na sala e vi uma cena que me chocou profundamente: Enzo sentadinho, comportadinho, perninhas cruzadas, tão absorvido, mas tão absorvido, que não piscava! Não me viu ali –e olha que eu fiquei um tempão parada, chamando a atenção, falando. Ele nem olhou. Estava igual ao Calvin e ao Haroldo da tirinha aí de cima.

Que desperdício de talento, que desperdício de vitalidade, que desperdício de energia criadora, que desperdício de criatividade. Crianças não foram desenhadas para não criarem, para receberem a coisa criada pronta. É da natureza deles gerar coisas. É na geração, na fabulação, na invenção, na reprodução, na ressignificação, na construção/descontrução que eles se conhecem, olham pra si mesmos, constroem sua autoestima, desopilam, extravasam frustrações, se divertem, sentem prazer, curtem a vida, aprendem, crescem, se sociabilizam, questionam e se estimulam. É um ciclo virtuoso. Que a TV quebra. Vi isso acontecer aqui, é evidente. TV não é inofensiva.

E eu, que sempre fui favorável a oferecer pouca TV, mas que cheguei a julgar “exagerados” alguns pais que criaram os filhos sem o acesso nenhum ao aparelho, estou revendo muita coisa porque a prática que eu vi, vejo e estou vivendo aqui em casa me mostrou que a teoria faz todo o sentido.

Também estou num momento de revisão de valores, de questionar “verdades” que são tomadas como “universais” e “naturais” da condição humana (e nem estou falando dos “ismos” –machismo, racismo, sexismo–, mas de coisas bem mais profundas e ancestrais, talvez originárias dos preconceitos todos).

Tenho descoberto, gratidão especial à Ana Thomaz e ao Humberto Maturana, que muito do que a gente acha que é uma característica humana ou uma manifestação da condição humana, válida para todos os seres humanos no planeta, na verdade, é uma construção social. Ou consequência de padrões socialmente definidos pela nossa civilização. Daí concluí que, se é uma construção social e não faz sentido (como muitas dessas construções não fazem sentido pra mim), pode ser simplesmente desconstruída. Não no mundo lá fora. Mas aqui, na minha casa, na minha vida, no meu dia a dia.

E, nesse contexto, é ainda mais importante não atrapalhar o processo criativo do meu filho e a comunicação livre e fluida que ele tem com ele mesmo, característica de todas as crianças, justamente porque ainda não foram “educadas”, enquadradas, encaixadas, “socialmente construídas”.

Tamo junta, Mafalda! (***)

Tamo junta, Mafalda! (***)

[Tem um post interessante, recente, da Ana, que fala um pouco sobre isso. Não sobre TV, mas sobre a capacidade de conexão das crianças. Recomendo. Vá por aqui]

Então estou colocando em prática umas adaptações à nossa rotina para diminuir a exposição do Enzo à TV. Para começar, estou tentando observar e registrar o tempo em que a TV fica ligada, para ter ideia de em que pé estamos quanto ao consumo das telas. Sinceramente, não faço ideia de por quanto tempo o pequeno fica exposto.

O segundo passo é entender o percentual de atenção exclusiva que Enzo concede à TV. Porque, em geral, ele pede para ligar, assiste por dez, 15 minutos, e vai fazer outra coisa. O aparelho fica ligado, a pedido dele, que de vez em quando volta para dar uma olhadinha. Mas boa em parte desse período, ele está fazendo outra atividade.

Não que isso mude muita coisa. TV ligada é TV ligada. O caso é que eu quero entender bem a dinâmica dele com o aparelho para descobrir quais necessidades estão sendo transferidas para as telas.

Outro passo é me estruturar melhor para: 1) ter condições de sair com ele de casa para atividades ao ar livre (ou em outros ambientes) todos os dias e 2) poder oferecer alternativas verdadeiramente interessantes. Muitas delas dependerão mais de mim do que depende o consumo das telas.

Não quero proibir. Não acho proibição eficiente. E –o principal– é uma violência, um desrespeito, uso do poder e da força. Estou procurando não usar o poder com ele. De modo que a ideia não é que eu limite, mas que eu proporcione um ambiente tão bacana e adequado a ele que o filho mesmo prefira outras atividades mais instigantes.

Que TV que nada! Criança gosta mesmo é de criar

Que TV que nada! Criança gosta mesmo é de criar

Hoje, por exemplo, a TV ficou ligada na parte da manhã e num pedaço da tarde. Depois do almoço, ele me pediu para pintar com as tintas guache que ganhou ontem e deu muito certo. Esqueceu completamente da TV e passou a tarde todinha (e uma parte de noite: só topou tomar banho às 2oh!) pintando. Conectado, entregue, feliz, muito feliz. Nem sombra de irritação, aquela irritação de tédio que ele tem com frequência quando fica muito tempo vendo TV (ou fazendo alguma coisa vazia, que preenche tempo, mas não a necessidade dele).

Sei que é bem possível que ele reduza seu interesse pelas telas, porque sei que eu “viciei” Enzo em TV; porque já tivemos uma experiência semelhante com celular (em restaurantes, ele só parava quieto mexendo no aparelho. Hoje, basta levar giz e papel); porque criança não precisa nem gosta genuinamente de TV (ou das telas). O aparelho é apenas sedutor e fácil.

Para nós, acho que o caminho é esse. Sem pressa. Sem cobranças –nem de mim para mim, tampouco de mim para ele. Aproveitando o processo. 

(*) A tirinha do “Calvin e Haroldo” eu peguei daqui.

(**) Para este texto, “telas” (celular, tablet, notebook, desktop, games e congêneres) e “TV” são quase sinônimos. Tudo o que escrevi sobre a última, vale para as primeiras.

(***) A tirinha da “Mafalda” (Quino é um gênio!) veio daqui ó.

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com a cria nos braços

Na semana passada, assisti a alguns vídeos e entrevistas que a Anna Gallafrio, Life Coach especializada em mães, concedeu ao Mamatraca. O conteúdo é muito bom, reflexivo, recomendo. Mas o que me chamou mais atenção, no entanto (talvez pelas convicções que eu vim alimentando por aqui desde que me tornei mãe), foi ver que a Anna estava trabalhando com a filha mais nova, Corinna, 100% à tiracolo (às vezes mamando).

Essas imagens, especialmente a tranquilidade da pequena no sling enquanto a mãe cumpria sua jornada profissional, me emocionaram muito. Estavam ali, materializadas para quem quisesse ver, muitas das ideias que tive, tenho e que compartilhei/o com várias mães blogueiras (como as queridas Mariana Sá e Nine) sobre o falso dilema carreira x maternidade. Não precisamos escolher. Não há escolhas. O que há, ainda, é um mundo profissional (e social e cultural etc etc etc) profundamente separado (das) e hostil às nossas necessidades naturais e humanas mais profundas, como a de acolher nossos filhos e de sermos acolhidos quando bebês.

Essa dicotomia só “existe” porque o mundo do trabalho nos desumaniza quando não nos oferece a possibilidade de exercermos uma tarefa que nos garanta o sustento (e também alguma parcela de satisfação) enquanto cuidamos dos nossos filhos. Nos desumaniza também porque sua lógica desvaloriza nossas emoções, sentimentos e afetos. E sobrevaloriza todo o resto, incluindo a racionalidade (que supostamente nos garantiria igualdade e justiça, veja só) e um punhado de distrações.

Na hora em que vi o vídeo da Anna, me lembrei da Licia Ronzulli, a deputada italiana que, em 2010, foi ao trabalho no Parlamento Europeu com a filha no sling. A foto dela amamentando e, ao mesmo tempo, votando no Parlamento correu as redes socias. Ao contrário de ter sido uma exceção à regra, Ronzulli continou levando a filha ao trabalho, pelo menos até 2012.

em 2010 (*)

em 2010 (*)

e no ano passado (**)

e no ano passado (**)

Não vou discutir a questão de o ambiente não ser adequado para uma criança pequena crescer, até porque não sei com qual periodicidade a menina vai ao Parlamento com a mãe nem quais atividades lúdicas ela faz lá ou em outros ambientes. Suspeito até que, ainda que ela estivesse lá, com a mãe, 4 horas por dia, 5 dias por semana, seria mais saudável que estar com estranhos nas escolinhas que eu conheço por aqui. Mas essa é outra conversa.

Lembrei também, ao ver a silenciosa, sutil e profunda “revolução” da Anna Gallafrio, desta ideia genial aqui: um espaço de co-work em que os filhos não são apenas aceitos, mas muito, muito bem vindos em um ambiente projetado para os pais, mas também para as crianças que estarão por perto. Aqui tem um caminho do meio, não? Aqui tem um caminho natural, não? Para manter a metáfora que a Nine usa com frequência, desconheço leoa que deixe os filhos com a vizinha pra caçar. Sou mamífera. Quero caçar com a cria nos braços!

ambiente recebe bem mães, pais e filhos para ... trabalhar (***)

ambiente recebe bem mães, pais e filhos para … trabalhar (***)

 

Ah, já quase ia esquecendo: está aí abaixo o vídeo que mais me tocou, de todos os que vi da Anna com a Corinna (e não por acaso, como toda a série com ela no Mamatraca, fala de carreira e maternidade):

Imagens de: (*) G1, (**) Mirror e (***) Garatujas Fantásticas

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