os castigos são inúteis

Carlos Gonzalez é daqueles que quanto mais leio (e leio tudo dele que me cai em mãos), mais admiro. É uma gratidão profunda o que sinto por esse homem. Ele –ao lado de hoje amigas queridas da blogosfera, como Mari Sá— é dos grandes responsáveis pela mudança de perspectiva em relação à maternidade e educação que vivi nos primeiros meses de filho extra-útero. Tudo o que penso hoje sobre educação e maternagem diverge radicalmente do senso comum de antes; graças a Gonzalez e sua turma, me permiti pensar e refletir sobre meu papel como mãe, ao invés de apenas ressoar e repetir o que todo mundo diz que se tem que.

Hoje circulou no feissy mais uma entrevista do Gonzalez. É uma entrevista que nem explora tanto assim as (boas) ideias do pediatra catalão. Mas, apesar disso,  vale muito a pena. Tanto que compartilhei por lá e resolvi fazer o mesmo por aqui.

Antes de ir lá no jornal português “Observador” ler a entrevista na íntegra, dá cá só uma olhada nesses trechos: 

Sobre castigos:
Os castigos são inúteis, tanto para as crianças como para os adultos. É claro que é preciso impor limites aos mais novos. Todos os pais o fazem. O que digo é que os limites lógicos e razoáveis são impostos pelos pais sem que ninguém diga nada. Não deixamos os nossos filhos brincar com o fogo ou com facas. Rejeito os limites que não considero lógicos ou razoáveis, que não se colocam por necessidade ou para evitar quaisquer danos, mas que apenas servem para demonstrar “aqui sou eu que mando”.

Sobre crianças “desobedientes” e “manipuladoras”:
O que fazemos com os maridos ou esposas que são desobedientes ou manipuladores? Com os namorados, amigos, parentes ou empregados? Será que os adultos nunca fazem nada de mal? Claro que sim, mas não os punimos (a não ser que cometam um delito que apenas os juízes podem punir). Eu não castigo a minha esposa ou os meus amigos, vizinhos, taxistas… Como médico não castigo os meus pacientes nem a minha enfermeira. Porquê castigar apenas os meus filhos? Que terão feito eles de tão terrível para merecerem um castigo? É absurdo. É curioso que se fale de crianças “manipuladoras” quando estamos precisamente a falar de colocar regras e limites a crianças. Isto é, para manipular. Nós manipulamos as nossas crianças, compramos livros que explicam como fazê-lo… e os “manipuladores” são eles?

Sobre autocontrole e disciplina
Autocontrolo ensina-se com o exemplo. Eu não bato nos meus filhos porque tenho disciplina, autocontrolo. Não digo ao meu filho para se calar porque não me deixa ouvir televisão, ao invés desligo o televisor para ouvi-lo melhor. Isso é a disciplina.

Sobre respeito e palmadas
As crianças não são adultas, mas são parecidas. E, em todo o caso, precisam de mais respeito do que os adultos, porque são mais frágeis. Precisam de ser mais toleradas porque são inexperientes e ignorantes, podem cometer erros. Muitas vezes castigamos ou repreendemos as crianças por coisas que nunca puniríamos num adulto. Se vejo a minha esposa ou um amigo a chorar, pergunto o que se passa e tento consolá-los. Para os meus filhos é igual. Se estou a comer com um amigo e vejo que este deixa metade da comida no prato, não o obrigo a acabar tudo. Com os meus filhos também não faço isso. Jamais bateria na minha mulher, no meu pai ou em companheiros de trabalho. Muito menos nos meus filhos.

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Muito o que refletir, não?

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2 Comentários

Arquivado em reflexões

2 Respostas para “os castigos são inúteis

  1. alerib

    Também tinha visto essa reportagem. Gosto muito dele e da clareza e da tranquilidade com que ele desfaz velhas certezas. Abraço, Alessandra.

  2. eu também, Alessandra. Gosto da clareza, da firmeza e também da ironia. Adouro quando ele é irônico para demonstrar o ridículo de certas “certezas”. Bjos

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