Arquivo da categoria: brincar

mas essa escola é diferente

(*)

sugiro clicar pra ampliar a linda ilustra do Decur (*)

“A nossa obra de adultos não consiste em ensinar, mas sim em ajudar a

mente infantil no trabalho de seu desenvolvimento”

Maria Montessori – “Mente Absorvente”

……………………………………………………………………..

“Mas sempre tem um que é diferente

Tem sempre um que até surpreende a gente”

Paulo Tatit – “O Rato”

Ele está na escola. Mas essa escola é diferente.

Aqui o uniforme é qualquer roupa confortável. Calça de malha, shorts manchado, camiseta velha, camiseta nova, largona ou curtinha, e também vale só cueca, só calcinha, só fraldinha. Pés descalços, com chinelo, com crocs, só de meias, com tênis, sandália, sem nada, um pé de cada jeito. Pé no chão, pé na areia, pé no pedal, pé na água, pé no pé de fruta; pé dançante, pé pulante, pé veloz. Uniforme, aqui, pode ser tinta. É permitido usar o corpo como suporte para a arte. Menina não tem que usar rosa, nem menino só usa azul. Tem menina de camisetão e menino com saia rodada, girando pra lá e pra cá nas oficinas de dança ou nas histórias que se conta.

Ele está na escola. Mas essa escola é diferente.

Aqui a mochila desconhece personagem, só tem pano, papel não há. Não se carrega caderno ou livro didático. O conhecimento está do lado de fora e ainda nem foi escrito; está todo por ser descoberto, explorado, construído; está nas árvores, nos jogos com os colegas, no pedal da bicicleta; no purê de abóbora, no suco de romã, no abraço, no colo, nos afetos e vínculos, no presente que se ganha espontaneamente do amigo e no presente que se dá. E que não custa dinheiro, só demanda olhar, conexão, proximidade, um papel com canetinha ou tinta guache.

Ele está na escola. Mas essa escola é diferente.

Aqui não tem professor. Ou educador. Ou cozinheiro. Ou porteiro. Aqui tem gente de coração aberto para acolher a infância, para respeitar o outro, para estar presente sem interferir, para dar a mão sem indicar o caminho, para oferecer e oferecer-se. Gente capaz de desvestir a máscara dos títulos (porque eles não importam mesmo) e da “facilidade” da prepotência adultista para ser e estar e promover um ambiente em que as crianças sejam e estejam.

Ele está na escola. Mas essa escola é diferente.

Aqui tem concentração, muito prazer nas atividades e descobertas, criança trabalhando quieta e entregue naquilo que escolheu. Tem muita conversa, de pequeno com pequeno, de grande com pequeno, de grande com grande, de pequeno-com-pequeno-com-grande-com-pequeno-com-grande. E outra coisa que grassa por aqui é ouvido. A escola toda, pode-se dizer, é um ouvidão bem atento (não são as paredes só que têm ouvidos: todo mundo tem). Daqueles que principalmente escutam, ao invés de só ouvir. Tem olhos também. Brotam aos montes, em todo o lugar. Que veem, enxergam e reparam (como diz o Saramago).

Ele está na escola. Mas essa escola é diferente.

Aqui a sala de aula é grande, é ampla, tem sacada, tem jardim, tem escada, refeitório, ateliê, quintal, um vaso com lavanda, um casal de sabiá. E amplia espaços, ao invés de se fechar. Não é gaiola. É asa. Aqui a porta está sempre aberta, e a criança escolhe onde ficar. Pode ser no grupo que está pintando ou no que vai começar a jogar, pode ser ouvir história, pode ser observar. Tem muito tempo de quintal, tem todo o tempo para brincar. Aqui brincar é coisa séria, como só criança consegue ser. Aqui criança tem autonomia, liberdade, é sujeito. Os limites –sim, eles existem- servem só para organizar, facilitar; jamais controlar, submeter, adequar. Limite aqui é leito de rio: ajuda a fluir. Mas a água segue livre pelo curso, que ela mesma vai fazendo (tal qual o caminhante) ao caminhar.

Ele está na escola. Mas essa escola é diferente.

Aqui criança não tem TDAH como se fosse gripe. Gripe, falando nisso, é outra coisa que quase não dá. O que dá muito por aqui é riso, gargalhada, grito, corre-corre, pega-pega, trepa-trepa. Tem umas brigas, umas negociações, umas explosões de raiva. Das naturais, das infantis.  Não carecem de remédio pra aquietar. Nada aqui, aliás, foi talhado para ser quieto. Tudo é movimento e tudo está em seu lugar.

Ele está na escola. Mas essa escola é diferente.

Aqui não tem festinha, não tem coreografia ensaiada, pasta com atividades pra pai ver de vez em quando.  Aqui pai e mãe estão dentro da escola o tempo todo. A fotografia é documental, tirada em tempo real. No sentido figurado, mas também no literal, na máquina fotográfica que registra as atividades e que muitas vezes é operada pela criança –que expressa-se a si mesma sem o olhar do adulto a escolher a hora de abrir o obturador. Aqui não tem apresentação de teatrinho, mas dá umas cenas lindas que dá vontade de filmar: abraços apertados e sinceros entre duas amigas depois das férias; um grupo tranquilo de crianças fazendo castelo de areia como se fosse praia (inclusive com raio oblíquo de sol, sombra de árvore protegendo cabecinhas e nada mais no corpo além de cueca, fralda e calcinha); outro grupinho apostando corrida de triciclo com circuito e regras que eles mesmos criaram –e respeitam, sem necessidade de sanção ou ameaça.

Ele está na escola. Mas essa escola é diferente.

Aqui não tem inglês, nem francês, nem alemão e tampouco japonês. Aqui ninguém é bilíngue de nascença, nem sabe escrever antes da hora. Palavra é coisa séria nessa escola. É pra ser dita, sentida, vivida, percebida, manipulada, saboreada, engolida, respirada, ouvida, tocada, corrida, pulada, dormida, abraçada, comida, digerida, cantada, brincada. Aqui não tem informática ou TV. E ninguém parece dar a mínima pra adultos bem sucedidos. Porque aqui, nessa escola, não é de tudo que dá. O que dá mesmo é infância, muita infância, ah, como dá.

(*) Do genial artista argentino Guillermo Decurgez. o Decur. Metáfora perfeita. Daqui ó.

Deixe um comentário

Arquivado em artes, bebezices, brincar, reflexões

como alegrar e entreter uma criança com menos de R$ 10

Sabe aquelas ideias tão óbvias, mas tão óbvias, que a gente nunca tem? Aquelas que quando finalmente surgem fazem a gente ficar um tempão se perguntando, com cara de otária, “como eu não pensei nisso antes”? Pois eu tive uma dessas ontem.

Não sei bem como a coisa aconteceu, mas lembro que estava almoçando num shopping e, sei-lá-porque, lembrei de uma papelaria na qual eu costumava ir por lá, a papelaria me lembrou crayon, que me lembrou do Enzo e… Putz, claro! Dar crayon pro Enzo! Como eu não pensei nisso antes? Justo eu, mãe de um menino que se divertiu horrores desenhando pelas paredes (todas, sem exageros) da casa!

Corri pra loja na mesma hora. Resumindo, a contabilidade ficou assim:

1 caixa de crayon: R$ 2,90

2 folhas de papel pardo: R$ 1,20

100 folhas de papel sulfite: R$ 3,40

Enzo alegre (compenetrado) e apaixonado por sua nova brincadeira favorita: R$ 7,50 (poderia escrever que não tem preço –e não tem mesmo–, mas acho que ficou meio lugar-comum essa piadinha, tô errada?)

logo que ganhou o kit...

logo que ganhou o kit…

...apaixonou.

…apaixonou.

 

 

Deixe um comentário

Arquivado em artes, bebezices, brincar

Pedro Bandeira


Hoje estou lá no MMqD entrevistando ninguém menos que Pedro Bandeira. O autor de “O Fantástico Mistério de Feiurinha” e “A Droga da Obediência” já se tornou um clássico e é muito querido por quem, como eu, cresceu lendo nos anos 80.

Foi uma delícia fazer a entrevista com ele (por e-mail, respondida lindamente), escrever o texto, editar. Enfim, revivi muitas histórias marcantes da minha infância e adolescência no processo, tirei os livros do armário, reli trechos. Agradeço mega o Pedro, pela disponibilidade e paciência; e as meninas do MMqD (especialmente a gatona da Mari), pelo espaço.

Falando em espaço, orgulho em anunciar que, com essa entrevista, estreio uma série mensal lá no portal, entrevistando outros autores de literatura infantojuvenil, um por mês. Bacana né? E diz aí: não dava para ter primeiro entrevistado melhor que Pedro Bandeira, né?

Pra dar água na boca, só um trechinho do Pedro aqui:

MMqDQual a importância, na sua opinião, dos pais participarem da leitura dos filhos? E quais os limites? Um pai de adolescente deve participar da leitura do filho tanto quanto um pai de criança na primeira infância?

Pedro Bandeira: A Arte deve ser apresentada às crianças pelos seus pais. Educação é um problema da família, não da escola. A escola entra tarde demais na vida da criança. Eis porque surgem tantas dificuldades para se trabalhar com crianças que, em casa, já não tenham sido previamente apresentadas às delícias da Literatura, da Música, do Teatro. Nos países adiantados, os professores não adotam livros de literatura para seus alunos, pois eles já os leem em casa, oferecidos por seus pais. No Brasil, como isso historicamente não acontece, nossos pobres professores são obrigados a complementar tudo aquilo que as famílias de seus alunos deixaram de fazer… Isso tem de mudar, se quisermos que o Brasil melhore.

Para ler tudim, corre lá, ou melhor, aqui.

5 Comentários

Arquivado em artes, brincar, literatura infantojuvenil

curtinhas (ou nem tanto) do fim de semana

Conseguimos emendar o feriadão, o que foi ótimo, pois aproveitamos bastante para descansar, curtir uns dias de preguiça em família, conversar (na correria do dia a dia, até uma simples e prosaica conversa entre Dri e eu acaba sempre sendo adiada), adiantar pendências domésticas (sempre elas) e passear bastante, apesar do friozinho que fez aqui em SP.

Na quinta, fomos numa livraria que eu adoro. Olha um livro aqui, vê a orelha de outro ali, leva Enzo brincar na seção para crianças acolá e o bebê começa a chorar. Ok, eu amo a livraria; o Enzo tolera. O marido tinha ficado com o pequeno enquanto eu passeava pelas prateleiras. Quando ele quis dar a olhadinha dele, peguei Enzo e fui pra fora; a inquietação do neném deixava claro que seu prazo de validade para ambientes internos tinha vencido.

Acontece que lá fora a coisa não melhorou muito. Tentei colocá-lo no carrinho, o que piorou a situação. Pega no colo de novo, Enzo acalma por dois segundos e resolve que tem que mexer em tudo o que não pode, como extintores de incêndio, adesivos de promoção das vitrines, cartazes de lojas. Pergunto: como distrair um bebê impacientíssimo, que está estrilando loucamente no seu colo?

Repondo: começando a cantar feito uma louca, chacoalhando a cria, abaixando e levantando com a cria no colo, fazendo de conta que vai derrubá-la no chão (Enzo ri que só quando faço isso), correndo, rodopiando pelos corredores do shopping enquanto todo mundo olha para você com cara de espanto, atravessando a rua fazendo o maior barulho só pro filho rir… Ou seja, dando uma banana para o bom senso, a auto-imagem e a vergonha própria.

**********

Já li por aí (ou melhor, por aqui, pela madresfera) que bebê tem uma espécie de sensor: é só pai/mãe botar o garfo na boca, encostar a cabeça no travesseiro, ajeitar o bumbum na cadeira, começar a molhar o cabelo no banho que o bebê apita (leia-se: acorda).

Pois eis que o Dri provou e ampliou essa teoria no feriado. Enzo brincou sozinho, alegre, bem disposto, risonho como ele só, nenhum pitizinho, nenhuma lagriminha. Isso até começarem na TV os programas preferidos do pai, por exemplo. Porque foi só o árbitro apitar o começo do jogo Alemanha x Portugal que o pequeno abriu o berreiro.

E fora de casa a regra também se aplica. Foi só o pai chegar na porta da livraria que o pequeno acordou chorando loucamente. Foi só o pai começar a saborear o almoço de domingo que o neném resolveu que era hora de reclamar. Foi só o pai decidir dar uma passadinha naquela loja de que ele tanto gosta que a avó teve de intervir, pois filho estava inconsolável no carrinho.

Daí que Dri concluiu que bebês são à prova de diversão paterna.

**********

Antes do Enzo nascer, eu achava minha gata pesada. Brincava com ela, reclamando, que estava meio gordinha. Imagina, pelo contrário, a Jóh sempre foi esbelta e bem mignon. Mas, pra mim, 4,5 kgs era um peso e tanto. E como virava e mexia eu tinha de pegar a moçoilinha no colo (ela sempre estava e está aprontando várias), os quilinhos me pareciam multiplicados por 10.

Mas aí, meu bem, eu virei mãe. E aí eu descobri o que é peso de verdade. Pois o meu minimenininho pesa nada desprezíveis 11,5 kgs e AMA colo. Carrinho, pro Enzo, é castigo. Daí que passei 4 horas com ele no shopping no sábado e daí que foram 4 horas com ele no colo.

De volta em casa, precisei ir buscar a Jóh, que tinha fugido até a porta do apê vizinho (explico: sei-lá-porque ela é apaixonada pelo tapete do casal). E descobri que ela é LEVE FEITO PLUMA. Ou ela emagreceu ou eu fiquei mais forte. Tudo na vida é uma questão de referência.

**********

Estava com Enzo numa outra livraria, seção infantil, e lá um pai, com cara de cansado, escuta o filho, de uns 6 anos, ler um livro pra ele. Página vai, página vem, o menino termina. Pai comemora:

-Ótimo, Joãozinho*, vamos embora agora?

-Peraí, pai, ainda falta ler aquele ali.

-Joãozinho, já disse que seria só mais esse.

-Mas pai, aquele outro ali é ainda mais legal!

-Tá bom, mas só mais esse e depois a gente vai embora sem discussão. Promete?

-Prometo, pai.

Página vai, página vem, o menino acaba a leitura.

-Joãozinho, coloca no lugar e vamos embora.

-Pai, deixa só eu ler de novo aquele outro que eu li antes desse?

-Mas você tinha prometido ir embora agora. Estou cansado. Já deixei você ler muito. Vamos para casa.

-Mas pai, eu achei que esse fosse mais legal. Mas agora acho que mais legal era o outro. Deixa eu ler o outro de novo só mais essa vez, vai?

-Joãozinho, você já leu aquele três vezes hoje!

-Mas na quarta eu vou tirar a dúvida de qual é mais legal! E aí vou acertar aquele trecho que eu sempre erro e que você sempre me corrige! Treino, pai, treino!

-Tá bom. Mas depois EU vou embora.

Pai desiste, sai batendo os pés e deixa o filho lendo para o irmão mais velho. Os dois ainda brincam um pouco depois que a leitura termina e só aí vão procurar o pai, que estava com cara de poucos amigos, sentadinho, esperando perto dos caixas.

Dois pensamentos: 1) nunca confie na promessa de uma criança em loja de brinquedos (ou de livros).

2) Lembrei, com muuuita inveja desse pai, desse comercial aqui, lembra? Eu juro que quero que Enzo peça pra não sair da livraria e que faça “birra” pra eu comprar brócolis! 🙂

* O nome do menino não era exatamente Joãozinho, mas confesso que não lembro…

4 Comentários

Arquivado em artes, bebezices, brincar, lado B, paternidade

o rei está de cueca!

Apesar de eu ter trabalhado horrores no fim de semana de 19 e 20 de maio -acabo deixando para escrever as matérias quando o Dri está em casa para cuidar do Enzo, pois preciso de bastante concentração na hora de redigir-, consegui dar umas fugidinhas bem bacanas durante a tarde de sábado, 19/5. Embora fizesse um friozinho aqui em SP, estava um sol lindo, céu aberto, delícia de flanar com o bebê por aí.

Descobri que ia rolar uma contação de histórias pertinho de casa e arrisquei ir. Sei que Enzo é bem bebê ainda, que não compreende ainda o conteúdo que está sendo narrado, nem consegue ficar muito tempo prestando atenção na mesma coisa. Mas sei também que compreende a entonação das palavras, que capta a atmosfera festiva, que gosta do contanto com outras pessoas, que tem prazer em ficar perto de outras crianças (ainda que por pouco tempo e no meu colo) e que responde muito bem à música. Não sabia se teria música, mas achei que sim. E fomos lá, Enzo e eu, destemidos, no sling.

Geralmente, quando vou percorrer “longas” distâncias a pé, prefiro levar o bebê no carrinho, pois não aguento muito o peso do pimpolho (11,2 kg!). E dá preguiça, confesso. Mas no sábado, resolvi que a ocasião pedia um corpo-a-corpo com a cria, deu vontade e pronto, fomos slingando juntos até o local da contação.

Chegamos uns 10 minutos atrasados, o que prejudicou um pouco, pois Enzo ficou mais longe do que deveria do casal de contadores. Como a concentração dos bebês nessa idade ainda é bastante fluida, facilitaria um contato mais próximo com a pessoa que fala. Mas, mesmo assim, ele ficou bastante interessado.

Prestou atenção em cada detalhe, na entonação da voz, no jeito de andar e falar da contadora, nas risadas que ela dava, nas pausas, nos objetos que segura e, principalmente, na música. Toda vez em que se tocava o violão ou em que os contadores cantavam alguma coisa, Enzo fixava ainda mais o olhar, parecia se divertir mais.

Claro que o interesse exclusivo pela história teve prazo de validade. Durou uns 20 minutos, tempo de terminar  o primeiro conto. Pouco depois de começar o segundo, uma adaptação do clássico “A Roupa Nova do Imperador“, do Hans Christian Andersen, Enzo resolveu que queria mesmo era descer do colo, andar (se segurando em mim, que ele ainda não anda sozinho), passear por entre as pessoas e, enfim, subir no banquinho e brincar com a fresta entre um pedaço e outro da madeira do banco.

Ele se divertiu à beça, conheceu gente nova (várias mães de crianças e, em especial, uma mãe cujo filho também chama-se Enzo), riu para toda essa gente, subiu no banco, desceu do banco, tirou o tênis várias vezes, sentou, levantou novamente, investigou texturas e formas e, assim que terminou a segunda contação, resolveu que era hora de ir embora.

Saldo muito positivo, na minha avaliação. Primeiro porque acho importante começar a introduzir Enzo em atividades lúdicas, artísticas, sociais. As contações entraram para a nossa agenda semanal. Segundo porque noto, como já disse, que ele adora se relacionar com outras crianças. E levá-lo a ambientes em que haja crianças virou uma prioridade. Terceiro porque confirmei que ele fica muito mais alegre quando faz alguma atividade diferente da cotidiana. O bebê definitivamente não gosta de rotina.

**********

Nesse fim de semana agora (26 e 27/5), optamos por um passeio ao ar livre no domingo e também foi ótimo. Na noite do sábado, aniversário da minha mãe, fomos com ele a uma pizzaria com playground. Resumo da ópera: passei boa parte do jantar do lado de fora, no parquinho, brincando com Enzo (no colo) ou levando-o para ver as outras crianças brincarem. E foi impressionante ver como ele já entende o que se passa. Ele ficou muito, mas muito atento mesmo às atividades dos meninos maiores. E riu muito, muito mesmo, de todas as traquinagens. Tanto que, quando o parque esvaziou, acabei cedendo e deixando que ele escorregasse no escorregador. Claro, segurando em mim e no pai, nós dois é que fomos “escorregando” Enzo, com toda a segurança. Mas não deu pra não deixar ele ao menos provar o gostinho, depois de ter se divertido tanto assistindo à diversão dos outros.

**********

E o que tem a ver o título do post com tudo isso? Bem, na adaptação que os contadores fizeram do conto do Andersen, o rei (ou imperador) estava de cueca, não nu. 🙂

6 Comentários

Arquivado em bebezices, brincar, Maternidade, viagens & passeios

o bebê, o e-mail e a mãe

Mãe precisa mandar um e-mail. Bebê está sentado ao lado dela, brincando com um telefone quebrado, distraído e eufórico. Mãe pensa que pode ser o momento de sacar o notebook, propositalmente depositado ali do lado, e tentar, finalmente, escrever o dito-cujo.

Já disse que as mães são muito inocentes? Pois é, elas são, tadinhas.

Daí que é só a mãe entrar no gmail e clicar em “escrever” que o bebê, de repente, se desinteressa totalmente no telefone quebrado e volta seus olhinhos brilhantes, sua atenção e suas mãozinhas ágeis e ávidas para o teclado do computador.

Então mãe para de digitar, desvia o note do pequeno, mostra, de longe, uma coisa ou outra no computador para saciar a curiosidade do pequeno explorador e entrega outro brinquedinho para o bebê, que se distrai.

Ela espera uns segundos, confirma a distração da cria e volta a escrever. Digita MEIA palavra e…pumba! Dedinhos ágeis, que não são os seus, apertam centas teclas ao mesmo tempo.

Mãe ri, orgulhosa, da esperteza do neném e trata logo de tirar o note do alcance da cria. Insiste em tentar chamar sua atenção para outra coisa e acha uma orelhinha plástica de cachorro plástico que, no dia anterior, fez tremendo sucesso com o pequeno. De posse do novo objeto, bebê olha, analisa, leva à boca e vira-se de costas pra mãe e computador.

Respirando aliviada e pensando um inocente “agora vai” (já disse que mãe é tudo inocente?), ela retoma o princípio de e-mail, termina de escrever a metade da palavra e…oops! Eis que o minimenininho já jogou a tal orelha longe e está todo em cima do teclado, que está no colo da mãe. Duas dedadas bebezísticas e a área de trabalho vira de ponta cabeça, sabe como?

ABRE PARÊNTESE PARA QUESTIONAR A MICROSOFT: Alguém, plis, me explica: pra que a Microsoft libera teclas de atalho pra virar a tela de ponta cabeça? Já acho difícil acreditar que alguém vá usar um computador com tudo ao contrário. Imagine, então, usar tanto que precise de uma tecla de atalho! Microsoft, querida, que tal pensar nas mães com bebês xeretas? Hein, hein? FECHA PARÊNTESE.

Daí que mãe, que antes só queria escrever um e-mail rapidinho, agora precisa segurar o filho que segue avançando sobre o computador, arrumar a tela (coisa que ela não lembra mais #comofaz) e, antes,  ligar pra alguém pedindo socorro pra arrumar a tela.

Com bebê pendurado no colo, ralhando à beça com a mãe porque quer mexer no note, que ficou lá no sofá, mãe levanta, acha o celular no meio da bagunça que está a mesa da sala, liga pro marido. Ele há de saber, pensa.

-Sua chamada será encaminhada para a caixa de mensagens e estará sujeita à cobrança depois do sinal.

Daí mãe tenta seu próprio pai. Celular de novo. Enzo começa a chorar, porque quer porque quer brincar com o celular, que está, nesse momento, grudado na orelha da mãe. Bebê é insistente. Puxa o rosto da mãe, puxa pelos cabelos, tenta escalar a tadinha até alcançar o aparelho. Não alcança, se retorce, vê a Jóh passar (a gata salvadora da pátria) e gargalha, distraído.

Chama, chama, chama. Finalmente, o avô atende, a mãe conta o causo. Depois de loooongos segundos de risada desabrida do vô (todo mundo acha engraçada a inocência da mãe…Mandar e-mail com o bebê acordado… ahaha ahah ahah hahaha. Tadinha), a resposta:

-É só dar control, alt e seta pra cima que volta pro lugar.

Esse “é só” atestando a burrice falta de conhecimento materno é um pequeno soco no estômago. Mas ok, ok, obrigada. Mãe volta ao sofá, abre o note, dá control, alt, seta pra cima, tela volta ao normal. Bebê estica, estica, estica pra alcançar o teclado, mãe faz ginástica pra mantê-lo longe do note. O embate dura alguns segundos. Ambos estão suados. Mãe desiste do e-mail, finalmente (alôou! tem alguém aí, mamãe?). Fecha o note. Coloca de lado. Senta com Enzo no chão. Escolhe um brinquedo.

E, encafifada, pensa:

-Mas como c#%*lhos você conseguiu dar control, alt e seta pra baixo, filho? Vai ter muita coisa pra me ensinar, esse menino.

Deixe um comentário

Arquivado em bebezices, brincar

ó só como o banho acalma

Daí que todo mundo sempre me disse que banhos acalmavam os bebês. Daí que acreditei. E comecei a dar banhos em Enzo sempre por volta das 21h, antes de dormir, pra já ir relaxando. Daí que Enzo chegou mesmo a dormir na água morninha da banheira.

Mas daí que ninguém contava com a astúcia do meu minimenininho, que resolveu questionar os paradigmas do banho e transformar os minutos na água -e os minutos DEPOIS da água- em pura diversão.

Daí que acalmar que nada! Banho, pro Enzo, é sinônimo de tocar o terrorzinho, da bagunça, de jogar água pelo banheiro, de perseguir bolinhas de sabão, de dar muitas gargalhadinhas, de explorar o próprio corpo (ele descobriu que tem pinto!), e de fazer um “esquenta” para mais travessuras antes de dormir. Claro que isso inclui não deixar mamãe colocar a fralda, porque é muito melhor MORDER a fralda que vesti-lá, né?

Ó só do que eu estou falando, ó:

Ai, gentes, vejam como estou calminho depois do banho, vejam!

2 Comentários

Arquivado em bebezices, brincar