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de como duas newcastle arruinaram uma ninfomaníaca

Foi assim: rolou um dia de folga. Marido assumiu sozinho filho, gata, casa, comida, roupa e faxina no banheiro e me mandou passear, literalmente. Botei um livro na bolsa e saí. No caminho, que percorri a pé (ida e volta em todas as paradas, o que me rendeu uns sem-número de bolhas nos dois pés formadas já às 11h da manhã), tracei o roteiro mínimo do dia. Saca fazer com calma aquelas coisas todas que eu sempre faço correndo ou que eu nem faço mais? Então.

Primeiro, livraria. Olhar tudo, ver a parte de artes (nunca chego lá), folhear os livros, sentar, tomar um café, ler. Ler na livraria. Nem lembrava mais como isso era bom. Duas horas sentadinha lendo e bebericando. O paraíso. Depois um passeio pelas gravuras lá na área das artes, um namorico com as coisas lindas da Isabelle Tuchband, xeretadas mil nos livros de culinária (eu não era, mas estou ficando desse tipo, dessas que compram livro de culinária, como “Ferran Adrià e a cozinha do dia a dia” ou coisa do gênero)*.

como eu quero uma isabelle lá em casa. lindo, né? (*²)

como eu quero uma isabelle lá em casa. lindo, né? (*²)

Da livraria, o passo seguinte seria almoçar. Tinha planejado um almoço sossegado e delícia num restaurante que adoro, mas que é meio caro. Nada espetacularmente caro, mas caro o suficiente pra eu ter de desistir da ideia, já que, na livraria, não resisti e comprei livros, marcadores de páginas e mimos pro filho.

Gosto de andar. Então fomos –as infinitas bolhas nos pés e eu– caminhando sem lenço nem documento em busca de uma opção pagável de alimentação. Quatro ou cinco quadras adiante, dei numa cafeteria (dessas gringas) e resolvi comprar um suco e um pão de queijo, porque, sinceramente, não dava mais pra seguir andando. As bolhas latejavam no meu corpo inteiro. E a cafeteria era mesmo perto das outras duas paradas planejadas.

Santo Ócio, farei um altar em sua homenagem. Mais uma horinha lendo, pernas mais ou menos pra cima, outro suquinho de laranja, outro pão de queijo e o ar condicionado no talo na cafeteria (concordo tanto quando marido diz que ar condicionado é a segunda melhor invenção do homem…).

Já eram duas da tarde quando criei coragem pra levantar da poltrona, sair do ar condicionado, encarar os 34ºC que fazia lá fora e ir buscar um band-aid. No caminho, aproveitei para checar a quantas andava a aberturo do bar ali pertinho, meu preferido, que também fazia parte do passeio mínimo programado. Porque sentar num bar e beber à vontade também é coisa rara. Estava fechado ainda. Comprei os curativos e fui pra uma outra livraria, mais próxima do que a primeira.

Enrolei o quanto deu, e nada do bar abrir. No roteiro mental traçado pela manhã, eu tomaria umas cervejas naquela tarde maravilhosamente ensolarada, no boteco do coração, e, perto das 19h, pegaria um cinema, logo ali na frente, atravessando a avenida (desnecessário dizer que não vou ao cinema há quase três anos, confere?).

Pois com o estabelecimento fechado e o pé latejando horrores (apesar da caixa da band-aid que eu gastei nele), me deu uma comichão (aquela coisa meio paulistana, que deve pegar no ar, no ar poluído) de fazer alguma coisa. Pois note que, mesmo num dia de ócio planejado e completamente sem compromisso ou culpa, o sangue paulistano ferve de ficar parado. Corra, Lola, corra. Faça alguma coisa!

Desculpe, São Ócio, eu pequei.

Na porta do bar mezzo aberto, mezzo fechado (“abre mesmo daqui a uma hora”, me disse o gerente, erguendo as portas), resolvi deixar pra lá a cerveja e ir direto pro cinema pra não “perder” tempo. Eram 15h30.

Queria assistir a “Azul é a cor mais quente“, mas confesso que não olhei em lugar nenhum pra checar horário de sessão com antecedência (talvez eu não seja tão paulistana assim, São Ócio, e minha alma ainda não esteja perdida). Resultado é que, na fila, quase pra comprar o ingresso, fiquei sabendo que a próxima apresentação do filme seria só às 21h. Sem chance de esperar.

A alternativa? Ver “Ninfomaníaca“. “Acabou de começar”, disse a mocinha do caixa. Outra sessão só às 17h05. Ok, vamos lá. Comprei. Desembolsei 28 dinheiros. E fui sentar lá na espera do cinema pra pensar na vida. Tinha uma hora e meia praticamente pra não fazer nada. Justo eu, a paulistana que desistiu da cerveja pra não perder tempo. Castigo?

Ia ler, mas não estava concentrada o suficiente, e o livro pede entrega. O arranjo todo do cinema-no-lugar-da-cerveja-mas-esperando-hora-e-meia me deixou inquieta. Resolvi folhear uma revista que tinha comprado momentos antes na livraria número 2. Várias fotos bonitas, pouco texto, um monte de coisa bacaninha, mas meio irrelevante (é revista de decoração, sabe?), bem adequada pr’aquele momento.

E tinha o calor. E tinha o sol espetacular lá fora (sim, de onde eu estava dava pra ver a rua). E tinha a vontade da cerveja. E tinha a paulistana impaciente que não aguenta fazer nada. E tinha a paulistana arrependida também. Em meia hora folheando revista, ingresso guardado na carteira, tive a ideia que mudou o curso do meu encontro com o Lars von Trier. “Vou ali no boteco, tomo uma cervejinha, só pra matar a vontade, e volto a tempo de ver o filme”. Genial!

Fui, claro. Não estava exatamente aberto o bar; mas já tinha um grupo ali na rua, na primeira mesa, outro dentro do bar, de modo que me deixaram ficar. Tem essa cerveja, que está entre as minhas preferidas pra dias quentes e que não encontro com facilidade. Se chama Newcastle, uma inglesa, brown ale. Estava fora da carta desse bar havia um bom tempo, mas nesse dia tinha (sinal de que São Ócio me perdoou?). Pedi.

delícia. garanto. (*³)

delícia. garanto. (*³)

Bebi. Li. E pedi outra. E bebi. E li. E daí deu vontade de uma Heineken. Pedi. Bebi. E li. E daí deu fome (lembra que eu almocei dois mini pães de queijo com suco?). Comi uma porcaria qualquer. E li. E daí deu sede de novo. Outra Heineken. Li. E daí minha mãe me ligou (ela estava num curso, sairia às 18h30 e iria me encontrar pra um café), bem no meio da segunda Heineken. “Está livre mais cedo, mãe?” “Que nada. Atrasou. São sete”.

Taquepariu, perdi o filme!

Passado o susto, segundos depois, a conclusão: Desculpaê Lars. Desculpaê Charlotte. Desculpaê Uma. Desculpaê Willem. Nada contra vocês, mas, sabe?, esses foram os 28 dinheiros melhor rasgados ever. Nunca fiquei tão feliz em comprar e não levar uma coisa. “Ninfomaníaca” fica pra quando o moço da locadora aqui perto de casa me avisar que já tem (eu sou dessas que ainda aluga filme…). Porque, descobri depois, do que eu estava precisando mesmo pra descansar eram essas cervejinhas geladas e um boteco amigo numa tarde de sol.

(*) Não, eu não ganhei nada nem da Isabelle Tuchband nem do Ferran Adrià tampouco da Newcastle. Elogiei de grátis mesmo, porque gosto mesmo. Publieditorial? Não trabalhamos. Gradicida. A gerência.

(*²) A lindeza da Isabelle Tchband é da própria galeria virtual da artista plástica. Aqui ó.

(*³) Foto da Newcastle veio deste site.

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a omelete, a mãe, o filho e a cebola roxa

(*)

Daí que a mãe se lembra, às 19 h de um domingo, que esqueceu de comprar o frango que faria pro filho. Putaqueopariu! #mãedemerda!  Isso que dá ficar 15 minutos de pernas pro ar, lendo, enquanto bebê dorme! Não se apercebeu ainda, moça,  que “pernas pro ar” não rima com “maternidade”?

Seis palavrões e uma dúzia de xingamentos depois, mãe resolve abrir a geladeira pra ver se salva alguma coisa lá de dentro. Afinal, #mãedemerda ou não, a cria vai jantar daqui a alguns minutos, confere, produção?  E eis que, nessa busca, dá de cara com os ovos. Pensa, faz contas, rememora quantas vezes o filho comeu ovo durante a semana… Uma vez, meia clara. Ok, liberado, pois a pediatra recomenda dar duas vezes por semana, ovo inteiro. Voilàmãe decide então fazer uma omelete em substituição à carne.

Separa dois ovos, um punhado de ervilhas frescas, outro punhado de milho fesco, tomatinhos cereja, umas lasquinhas de mussarela de búfala… Hum, não vai ficar a melhor omelete do mundo, mas deve dar pro gasto. Pelo menos, Enzo come proteína, leguminosas, um carboidrato do bom, o tomate, fibras…

Daí a mãe se lembra de que comprou uma cebola roxa dois dias antes para colocar numa hipotética salada de brócolis que não saiu do papel. Ok, vamos usar a cebola roxa também! Enzo nunca provou, não se sabe se vai gostar, mas tentemos.

Mãe acha muito importante oferecer alimentos e temperos variados para o pequeno. Assim, ele vai se acostumando e ampliando seu paladar e repertório alimentar, digamos assim. A cebola roxa estava na lista fazia um tempo; mãe achou uma ótima oportunidade para testar.

A ideia, a essa altura, é dar uma dourada na cebola antes de misturar à omelete. Um pinguinho de azeite na panela, cebola cortada em pedacinhos pequenos bem fininhos, uma pitada de sal e, depois de um tempo, um pouquinho de água, para dar aquela cozidinha e  para não queimar.

Enquanto a cebola doura, o pai vai preparando a omelete. O filho brinca no chão, sob a supervisão da mãe, que também supervisiona a dita-cuja da cebola. Mas quem resiste a cheiro de cebola na panela? É só o aroma começar a se espalhar que o filho larga os brinquedos todos e pede colo pra ver o prato cheiroso mais de perto.

Aspira uma ou duas vezes a cebola na panela e pede um pouco. Mãe pega a colher, experimenta, já está cozida. Pega outro punhadinho, assopra, dá pro rebento. Agora desce e brinca aí que a mamãe vai terminar o jantar. Ã-hã.

Mal termina de engolir, filho pede cebola de novo. Mãe admira-se. Achou que ele poderia gostar, mas não tanto a ponte de pedir repeteco na cebolinha sem nada. Ok, não faz mal, mais uma colherada de cebola, então.

Mal termina de engolir, filho pede cebola de novo. Mãe dá. Mas faz a ressalva: filho, é para colocar na omelete…

Mal termina de engolir, filho pede cebola de novo. Mãe pensa em negar –pohan, assim não sobra pra omelete–, mas pondera: se o objetivo de colocar a cebola na omelete dele é que ele coma, que diferença faz se for misturadinha lá ou pura na colher? Nenhuma. Mais cebola para o pequeno.

E mais. E mais. E mais. E outra colherada. E outra. E outras. Estabelece-se o seguinte padrão: o filho brinca um pouco enquanto mastiga. Tão logo a cebola acaba, larga o brinquedo, abre a boquinha, gesticula (apontando para o recipiente acebolado) e, para não restar dúvidas do seu desejo, faz um “ahãm” mordendo o nada com a boquinha. Boquinha cheia, volta pro lugar até terminar de mastigar.

E assim vão, mãe e filho, por vários minutos, até que… a cebola acaba! Uma cebola inteirinha! E acaba  bem antes de a omelete ir para o fogo… Da cebola mesmo só sobrou o bafinho para comprovar que tudo nos bebês é fofo, até mau hálito.

(*) Imagem daqui.

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já quebrei a testa

A Adriana, do Fora do Casulo, me convidou para participar de um meme, que consiste em:

1-) escrever 11 coisas aleatórias sobre mim; 2-) responder 11 questões enviadas por ela; 3-) fazer outras 11 questões para mandar para 11 blogueiras que eu convidar; 4-) não convidar quem me convidou e 5-) postar também as regras (que são essas que acabei de citar).

Nunca participei de um antes e achei bem divertida a brincadeira. Me fez pensar num monte de coisas, o que eu adoro. E também acho que ajuda a aproximar ainda mais as mães da madresfera, um dos objetivos desse blog. De modo que lá vai:

Coisas aleatórias sobre mim:

1-) Quando criança, quebrei partes do corpo pouco comuns: a testa e o cóccix. A primeira eu fissurei escorregando num escorrega de concreto (oh, boy, os anos 80…), aos 6. O segundo, um ano antes, brincando de tarzan no varal  da minha avó. Caí de bunda, claro.

2-) Tive escoliose, usei colete ortopédico dos 5 aos 10. Era limitante, mas lidei com isso numa boa, especialmente porque meus pais sempre tiveram o cuidado de não levar isso em consideração além da conta. Não me poupavam mais do que a realidade exigia e jamais me trataram como se o colete e a limitação física causada por ele fossem um problema, um fator de distinção. Também jamais me olharam com pena. O que ficou, afinal, foi uma experiência que mudou a forma como eu encarava o que era “normal” e o que “não era”.

3-) Não acho que os seres humanos sejam mais merecedores da vida do que outros animais. Nessa, estou com Darwin: bicho sente, bicho pensa, bicho tem consciência de si mesmo, bicho não se come.

4-) Decidi ser jornalista aos 13, depois de assuntar com meu pai quais profissões me permitiriam viver de escrever. Desde então, nunca mais me imaginei fazendo outra coisa nessa vida.

5-) Não vivo sem ler. Preciso ler o dia inteiro. Também não vivo sem escrever. Escrever me acalma e organiza minhas ideias.

6-) Acordo em prestações, aos poucos, colocando o despertador pra tocar de novo de 10 em 10 minutinhos, sabe como? Nisso, o rebento puxou a mim.

7-) Momentos impagáveis para mim são: brincar com Enzo e vê-lo brincar, tomar banho junto com o pequeno (adoro o contato pele-pele e ele também) e ler na cama com as pernas enroladas nas do marido.

😎 Nunca imaginei que a maternidade e o universo infantil fossem me absorver tanto, no bom sentido. É uma entrega que jamais experimentei antes. E sabe de uma coisa? Quanto mais dou de mim, mais inteira fico. Adoro ver meu filho fazendo coisas, qualquer coisa, mesmo as “artes”. Me surpreendo todos os dias com tudo de novo que ele aprende. A maternidade me fez em paz com a minha infância e uma admiradora das infâncias em geral. Ô fase linda e lírica dessa vida, sô!

9-) Nunca quis casar nem ter filhos. Não eram objetivos de vida, nem preocupações. Mas com o Dri eu quis, casei e tenho 😉

10-)  Adoro comer. Adoro o ritual de juntar a família e os amigos ao redor de uma mesa –ou em pé perto da pia e do fogão– pra jogar conversa fora enquanto se enche o bucho.

11-) Sou muito amada e sinto isso todos os dias, o que é um privilégio. Outro privilégio? Amo muito meu filho e meu marido (e minha gata!).

As perguntas da Drica:

1) Por que escrever um blog e não um diário?

Uma das coisas bacanas do blog é a troca, é o contato com outras mães, é ler e responder os comentários, é aprender com as experiências alheias e imaginar que as minhas experiências compartilhadas de alguma forma podem ajudar alguém.Aprendi tanto na madresfera e conheci tanta gente bacana e querida que nem consigo contar. Isso um diário não oferece. Também não teria paciência pra preencher religiosamente tudo o que aconteceu em cada dia. O blog dá a liberdade de eu aparecer por aqui quando acho que tenho alguma coisa interessante pra dizer.

2) Você trabalha? Se sim, como concilia ser mãe e profissional?

Trabalho em casa. Minha profissão permite essa flexibilidade, o que é ótimo. Posso tentar juntar o melhor dos dois mundos: fico perto do filho e continuo tocando minha carreira. Mas há probleminhas: um deles é que é impossível trabalhar com a mesma dedicação de antes, seja por estar fisicamente em casa (e ter de invariavelmente lidar com problemas domésticos), seja por não conseguir concentração 100% no trabalho com o filho por perto querendo colo. O que tem funcionado por aqui é a ajuda das mães (a minha e do marido), que têm vindo 4 dias por semana ficar com Enzo. Ele ama as avós, fica super bem com elas e aí me dá um pouco mais de tempo pra organizar a agenda. Acontece que elas vão ter de parar de vir, e nós precisaremos decidir se Enzo vai pra escola ou se contratamos uma babá. Estamos recomeçando a visitar colégios e iniciando contatos com amigos, conhecidos, agências. Ainda não sei qual opção escolher e confesso que estou bem angustiada com ambas. Acho meu filho pequeno demais para escolas, mas não gosto da ideia de ter uma babá. #comofaz?

4) Qual seu post predileto, escrito por você?

Eu costumo gostar mais daqueles posts que escrevi com o fígado ou com o coração. Dessa lista, dois deles eu me lembro que mexeram bastante comigo. Um sobre como é frustrante não ser a mãe 100% dos meus sonhos e outro sobre as cobranças e comparações a que estamos submetidas numa sociedade que não entende patavina de infância –nem de respeito.

Os links, respectivamente:

https://maederna.wordpress.com/2012/02/28/maternidade-real/

https://maederna.wordpress.com/2012/04/04/maternidade-e-competicao/

5) Você tem algum sonho realizado? Qual?

Tenho vários. Ser jornalista é um deles. Ter a vida que tenho hoje é outro.

6) E um sonho ainda não realizado? Qual e porque ainda não realizou?

Rá, também tenho vários: ajudar meu filho a crescer feliz e a ser quem ele efetivamente é; dar, de fato, o melhor de mim na maternidade, como a minha fez por mim; escrever um livro; voltar a visitar com Enzo lugares bacanas que fui e aprovei; conhecer outros tantos lugares que ainda não conheço; fazer o mestrado; estudar história e letras; aprender “coisas sobre a terra, o céu e o ar” (*); entender mais de física… A lista é loooonga, ainda bem. Sonhar mantém a gente vivo.

7) Qual o momento mais emocionante da sua vida que você se lembra?

O nascimento do Enzo, com certeza. E a primeira vez que eu disse “eu te amo” pro Dri, há quase 13 anos. São duas cenas que sempre me fazem sorrir quando lembro delas.

8) Qual seu/sua escritor(a) predileto(a)?

Putz, essa é difícil. Depende do meu humor, do que estou a fim de ler, do que estou lendo no momento… A lista é longa, vou citar os que lembrar de bate-pronto, ok? Gosto muito de Milan Kundera, Julio Ramón Ribeyro, Milton Hatoum, Anaïs Nin, Jorge Amado, Gabriel García Marquez, José Saramago (o Saramáximo), Wislawa Szymborska, Guimarães Rosa, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Érico Veríssimo e, claro, Machado de Assis, o primeiro que me arrebatou definitivamente.

9) Novela, filme ou livro? Por quê? 

Livro. Porque me dá mais prazer que as outras opções, embora eu adore um bom filme e, com frequência, deixe a leitura pra lá só pra assistir a algo que me interesse.

10) O que faz para relaxar?

Ando. Amo andar sem rumo e sem pressa, vendo as ruas, as pessoas, a cidade, a vida. Me faz um bem danado. Se possível, ando ouvindo música. Também leio e ouço música pra relaxar. Mas, dependendo da literatura e da música, especialmente se forem das boas, eu não relaxo, “ligo” mais.

11) Qual sua profissão? Se pudesse ter feito outra coisa, no que estaria trabalhando hoje?

Sou jornalista e não me imagino fazendo outra coisa. Admiro outras profissões, até assunto comigo mesma se toparia alguma delas, mas, lá no fundo, sei que só posso ser o que sou. Agora pelo menos. O que quero, profissionalmente, é ser também pesquisadora, mas de jornalismo/comunicação, o que não é exatamente mudar de carreira.

O que eu quero saber dazamiga:

1-) De que maneiras a maternidade mudou quem você era?

2-) Do que sente mais falta na sua vida pré-filhos?

3-) Você é daquelas que, em nome da diversão da prole, paga mico? Conte aí quais já pagou.

4-) O que você lê sobre maternidade? O que recomenda?

5-) Deixar chorar ou pegar no colo? Por quê?

6-) Conseguiu amamentar seus filhos? Conte sua experiência, o que aprendeu, o que faria igualzinho e o que faria diferente.

7-)  O que mais te agrada e o que mais te incomoda na maternidade?

8 -) Menino pode brincar de boneca? Menina pode brincar de carrinho e de bola?

9-) O que você faz quando sobra um tempinho só pra você?

10-) Quais são as perguntas que você se faz e que mais te aporrinham?

11-) Tem algum desejo que seja só para você? Qual?

Azamiga que eu gostaria que respondessem:

1-) Mari, do Viciados em Colo

2-) Mari, do Pequeno Guia Prático

3-) Mari, do Pachamamas

4-) Anne, do SuperDuper

5-) Dayane, do Mamma Mia!

6-) Clarisse, do a mãe que quero ser

7-) Paloma, do Peripécias de Cecília & Fofices de Clarice

8 -) Tamine, do Bebê Natureba

9-) Ana, do Colorida Vida

10-) Priscila, do Mãe de Duas

11-) Sofia, do Buteco Feminino

E quem quiser, fique à vontade para responder as minhas perguntas, as da Dri, as 22, só algumas…

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tudo é relativo na maternidade

Sábio mesmo era o Einstein. Tudo é relativo. Tudo mesmo. Veja o meu caso, por exemplo: sou super “cri-cri” com a alimentação do Enzo. Nada de doces, nada de açúcar, nada de biscoitos, nada de comida industrializada (papinha Nestlé só em caso de guerra, como diz a Mari Machado de Sá, do Viciados em Colo). Abri uma ou duas exceções para biscoitos água e sal, mas só até descobrir que água e sal são os ingredientes que menos têm na bolacha. Cortado até das exceções. Ponto.

Mas eis que Enzo está sem comer NADA há uma semana. E quando eu falo nada eu quero dizer nada mesmo. Não é exagero, não é metáfora, não é no sentido figurado. É literal. Para ser exata, ele tem comido apenas pedaços de ALGUMAS frutas. Ontem, por exemplo, comeu meia banana com granola, a fórceps. Foi preciso distrai-lo com brinquedos, livrinhos e musiquinhas para que eu conseguisse fazê-lo mandar para baixo a metade da bananinha, que já foi a fruta mais adorada ever até ele começar essa greve de fome.

Há explicações, fato. Ele está gripadíssimo, com suspeita de conjuntivite, dois dentes nascendo. Entendo a falta de apetite e a má-vontade com a comida, é natural que ele reaja assim. Acontece, no entanto, que isso não muda nada em termos de necessidades de nutrientes. Com gripe ou sem gripe, com dente ou sem dente, o organismo dele continua precisando se alimentar, confere produção?

Então, depois de uma semana inteira deixando o pequeno decidir se iria comer ou não, ontem cheguei ao limite do “viva e deixe viver”. E apelei, apelei feio, confesso. Imagine a cena:

Mãe faz legumes no vapor, com um tiquinho de manteiga, bem saudáveis. Não é lá boa cozinheira, mas até que a gororoba fica gostosinha. Filho ama arroz. Então, mãe capricha na quantidade de arroz no prato para atrair a cria. Coloca uma porçãozinha tímida dos legumes, amassa bem (filho come sem amassar, mas como está com dentinhos sensíveis, melhor facilitar, né?). Deixa na temperatura ideal e, para completar, bota um tiquinho de sopa de ervilha (só o caldinho), que já foi preferência do rebento.

Tenta uma colherada. Filho derruba tudo no chão. Tenta a segunda. Filho não  aceita. Tenta a terceira. Filho arremessa a colher cheia longe. Tenta a quarta. Filho deixa colocar na boca só pra cuspir, chorando loucamente.

Mãe perde o que sobrou do seu (frágil) bom senso, vira-se pro marido e diz:

-Chega. Ele vai comer essa m… de qualquer jeito hoje!

O marido olha tudo, atônito. Mãe larga o filho com o pai, apoia a colher sobre o prato e parte, resoluta, em direção à cozinha.Volta com duas armas: um pote de requeijão numa mão e um vasilhame com queijo ralado na outra. Marido se mata de rir quando percebe o que a louca mulher vai fazer. E, depois das gargalhadas, oferece apoio irrestrito ao método pouco ortodoxo prestes a ser posto em prática.

Sem pestanejar –para não dar tempo de pensar muito e, de repente, ser tomada de novo pelo bom senso–, mãe enche o prato (antes saudável) com um monte de requeijão e queijo ralado. Acrescenta um pouco de frango (carnes o filho não aceita comer há três semanas), bota tudo de novo no micro-ondas.

Oferece ao filho o grude cheio de porcaria, mas saboroso. O pequeno bate a pratada toda em segundos. Nada de chororô, nada de empurrar a colher, nada de cuspir a comida.

Tudo bem que o menino comeu um monte de suposto queijo fundido com mais um monte de queijo inadequado para a idade dele. Mas –o mais importante– ele COMEU! E mandou ver, sem querer, em brócolis, cenoura, mandioquinha, cará, tomate, frango, ervilhas…No balanço, a mãe acha que compensou. E se sente a mais esperta das mulheres.

Fim da história, comprovo que tudo é relativo. Eu, que fico colocando queijo ralado na macarronada escondida na cozinha; eu, que como pão de forma trancada no banheiro; eu, que dou a maior lição de moral em quem sugere que Enzo pode comer chocolate; eu, que nem gelatina dou pro pequeno (cheia de corantes artificiais, saborizantes, glutamatos e mais um monte de porcarias), acabei minha noite de segunda apelando para o que havia de pior na minha geladeira. Mas quer saber? A incoerência é uma dádiva –às vezes, pelo menos.

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madrugada é dia útil

“Enquanto o caos segue em frente / com toda a calma do mundo”

Sereníssima” – Legião Urbana 

Trabalhar em casa tem várias vantagens. A mais óbvia delas, naturalmente, é estar perto do filho. Mas tem outras, como não perder tempo com deslocamentos, conseguir almoçar direito e sem gastar horrores por aí, comer maçã ao invés de porcaria no lanche da tarde, ligar o som e cantar loucamente enquanto se faz algum trabalho mais “braçal” (tipo baixar, salvar e organizar nas pastas zentas planilhas do Caged para se obter a variação do estoque de empregos formais no interior).

Só que tem sempre um porém, né? E, nesse caso, o porém é o seguinte: quando se é uma pessoa desorganizada como eu, home office pode ser muito, muito, muito caótico. Em todos os sentidos, mas principalmente em relação ao horário. Por mais que na redação ninguém tenha hora pra chegar nem hora pra sair, por mais que frequentemente os repórteres estendam seu expediente até bem tarde da noite (até pra esperar os colegas redatores/fechadores ficarem livres e ir com eles tomar umas no bar pé-sujo ali da esquina), o horário de trabalho acaba.

Em casa, não.

Na semana passada, por exemplo, trabalhei até perto das 4h todas as madrugadas e, de quinta para sexta, virei sem dormir. O saldo, entre outras coisas, foi pressão 7 x 5, dor de cabeça e muuuuita dor de garganta.

Ter muita coisa para fazer -meu caso- ajuda a explicar o horário nada ortodoxo. Estava apurando uma capa bem bacana, mas bem complexa também, com muitas variáveis a serem esmiuçadas, muitas informações de segunda mão para serem checadas, muitas fontes para ouvir (sei lá, acho que falei com mais de 50 pessoas, fácil, fácil) e, consequentemente, muito trabalho, terminada a apuração, para organizar, escrever e editar isso tudo.

Plus: também estava apurando, ao mesmo tempo, outras duas matérias, que entrego agora no começo da semana (a capa era para sexta), e, para uma delas, tive de ir a uma coletiva na quinta. Marcada para às 10h30, a entrevista com a fonte acabou acontecendo só às 13h. Cheguei em casa às 15h, o que atrapalhou bastante o andamento das outras pendências.

Acontece que, reconheço, se eu fosse um tantinho mais organizada, as coisas renderiam mais. E não falo de organização no trabalho, pois para isso sou organizada até demais. Tenho uns métodos de apuração que são quase manias. Quando não consigo, por alguma razão, por exemplo, atualizar a lista que faço com todos os contatos de todas as fontes e o status de como estão as conversações, fico tão incomodada que parece que não trabalhei naquele dia.

A desorganização a que me refiro -e que suga bastante o tempo- é das outras coisas: é a desorganização de não guardar nada no lugar certo e aí não conseguir achar aquela blusinha pra jogar em cima da camiseta quando está frio; é a desorganização de não tirar pratinhos e canequinhas e potinhos de dentro da geladeira e aí “perder” a comida; é a desorganização de nunca saber ao certo onde está mesmo a ração da gata; é a desorganização de comer-falar-com-fonte-atualizar-apuração-tomar-remédio-ler-release-tudo-ao-mesmo-tempo-agora; é a desorganização de nunca lembrar de deixar separadas as frutas que Enzo vai comer naquele dia e ter de interromper o trabalho para separá-las quando as mães pedem; é a desorganização de decidir ler só mais um pouquinho antes de dormir e aí notar que, putz, o “mais um pouquinho” durou quase uma hora e meia que eu não tinha; é a desorganização de não respeitar rotinas e horários (como hora para almoçar, para tomar um café, para descansar, para dormir)…

E, por último, mas não menos importante, é A desorganização de se acostumar a avançar noite e madrugada trabalhando e CONTAR com isso como se fosse, de fato, dia útil, hora útil de trabalho. Aí, a pessoa (no caso, eu) planeja seu dia incluindo como regra o que deveria ser exceção. E, a cada vez que eu faço isso, fica mais difícil quebrar o círculo e reduzir um pouco a jornada.

Comecei essa semana acordando bem cedo. Estou saindo da cama às 6h30, junto com o Dri. Espero que esse novo horário me “derrube” à noite e me ajude a conseguir limitar um pouco as coisas aqui no escritório. Sei que preciso disso. Mas, por enquanto, sem querer ser pessimista, são 22h30 e estou #semsono, avançando no trabalho, #semhorapraparar.

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as 10 frases que eu mais falo pro Enzo…

…e que ele ignora solenemente. Não necessariamente nessa ordem:

1) Na boca não.

2) Cospe isso que você colocou na boca, filho.

3) Não morde a mamãe!

4) Chega de comer pão, Enzo.

5) Não puxa o rabo da Jóh!

6) Deixe a gata em paz!

7) Só mais essa colherzinha, vai?

8) Assim você vai quebrar o micro-ondas (ou a TV ou meu celular ou o computador ou qualquer coisa tecnológica com botões que ele aperta em looping no repeat).

9) Não pode colocar a mão dentro do lixo, filho!

10) Vamos dormir agora?

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eu faço tudo errado

-Insisto, peço, imploro quando Enzo não quer comer.

-Tiro o pequeno do cadeirão se ele chora e dou comida onde ele quer, ainda que seja brincando no chão.

-Levo o bebê para comer no sofá da sala, pois acho que ele prefere. E eu prefiro também.

-Dou comida para ele no meu colo.

-Ainda não o ensinei a dormir no berço; nino-o todas as vezes para adormecer.

-Dou mamadeira antes de dormir.

-Brinco de pega-pega com ele à noite, quando deveria acalmá-lo para facilitar o sono.

-Dificilmente digo um não. Às vezes, deveria.

-Tomo atitudes esquizofrênicas com ele: num dia acho que preciso ser mais dura e enérgica, noutro, que preciso ser mais compreensiva.

-Sou ignorante sobre muitas coisas do universo dos bebês.

-Nem sempre entendo o que Enzo quer.

-Quando dou bronca nele, frequentemente rio. Não resisto às mil e uma carinhas e caretinhas que ele faz.

-Digo não, mas depois deixo fazer o que estava supostamente proibido.

-Deixo ele me morder.

-Ligo a TV para ele se distrair.

-Não cumpro a rotina que eu mesma estabeleço.

-Deixo Enzo dormir até a hora que quiser, mesmo que seja depois do meio dia.

-Deixo Enzo dormir na hora que quiser, mesmo que seja depois da meia noite.

#mãedemerda mode on.

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