espera que passa

–mamãe, olha, derrubei um monte de leite com cacau na minha roupa!, diz ele, com olhar fundo e baixo, vozinha chorosa.

–ah, filho, por isso você estava chorando?

–é!
–e como você se sentiu?
–eu senti mal, muito mal! porque eu derrubei muito! na perna, na pele… molhou até minha pele!
–e você está melhor agora?
–não! ainda tô triste!
–quer um abraço?
–não.
–um beijo?
–não.
–quer que a mamãe faça alguma coisa pra você ficar mais feliz?
–não, mamãe, você não pode fazer nada pra me deixar alegre. tem que esperar. que passa…

 

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espelho meu

Cada um tem o filho que merece, dizem. E muitas vezes essa frase soa pouco empática e bastante acusatória, como se esse “merecimento” fosse um castigo. Mas gosto de enxergar nela outro sentido. As crianças interagem com aquilo que somos, não com as máscaras. Ouvem o que sentimos, não o que dizemos. Mais que isso: veem e respondem também àquela parte que somos mas não gostaríamos de ser –ou o que não somos, mas gostaríamos de ser. De modo que, em suas muitas demandas, acabam por exigir de nós que, pelo menos, reconheçamos o que nos falta, as nossas ausências todas, e a presença delas na medida em que nos limitam. Se estivermos abertos a isso, os filhos nos colocam em contato direto com nossas pretensas impossibilidades e, portanto, nos facilitam o caminho na direção de deixá-las menos “im”  e mais “possibilidades”. A potência tão à flor da pele nas crianças potencializa a potência em nós.

******

No sentido contrário, também nós enxergamos nos filhos (e não só neles…) aquilo que não queremos ver em nós. Não vemos o que vemos. Vemos o que somos. Em boa parte das vezes em que reagimos com impaciência ou irritação às demandas dos pequenos, estamos reagindo àquilo em nós que nos negamos e reconhecer e que aparece clara e limpidamente no comportamento das nossas crias. Dito de outra forma, os filhos nos revelam duplamente a nós mesmos: quando nos enxergam como somos e se comunicam com o “outro” que vive em nós e também quando nós vemos esse “outro” refletido nas atitudes dos nossos filhos que tanto nos “provocam”.

******

Faz um tempo, levei meu filho a um parque para andar de triciclo. A pedido dele. Chegou lá ele deu duas pedaladas, disse que estava cansado e propôs –meio “choroso”– que eu o empurrasse. Neguei, ele desistiu de brincar. Aquilo me irritou muito. O primeiro pensamento consequente à irritação foi algo como: “ele me faz andar de casa até aqui, nesse calor, porque quer se divertir e acaba sendo incapaz disso. Estou perdendo tempo! Me esforço à toa!”

Fui reconhecendo uma série de “sombras” nesse pensamento: 1) autopiedade e autovitimização.

2) O grau de empatia é quase zero. As palavras que qualificam o outro, no caso, meu próprio filho, são duras e injustas.

3) Eu, adulta, me coloco na condição de vítima da criança, como se a intenção do pequeno fosse realmente me provocar ou prejudicar e como se eu tivesse sido obrigada a acompanhá-lo ao parque ao invés de ter escolhido ou assumido a responsabilidade de fazê-lo como cuidadora que sou. Não fui ao parque coagida. Filho pediu e eu decidi ir, decidi assumir como tarefa de mãe –que de fato é– proporcionar essa oportunidade, percebe? Mas na hora de narrar esse, digamos, acontecimento, escolhi, ainda que inconscientemente, me “desresponsabilizar” e me colocar no papel passivo: “ele me faz vir (…)”.

4) Algo que fiz pelo meu filho e que é uma responsabilidade minha é encarado, talvez inconscientemente, como um favor, como um esforço ou uma concessão, pela qual a criança deveria ser eternamente grata. Superioridade condescendente. Adultismo. Não construí a narrativa como se eu fosse um igual que convive, que cede e negocia com alguém em igualdade (alguém que também me concede, talvez em maior medida inclusive), embora dependente. Mas como aquele que merece ser agradecido por outro pelo simples fato de existir e estar, momentaneamente, presente.

5) Refiro-me a tempo e a esforço como se lidar com outro ser humano e, nessa relação, assumir e cumprir responsabilidades e tarefas, conceder, agir para o bem do outro etc fossem espécies de “investimentos”. A pergunta é: fui ao parque para ver meu filho feliz e lhe garantir oportunidade de ser criança, brincar, experimentar a infância ou levei o pequeno para que ele cumprisse um determinado papel e alcançasse algum objetivo (andar de triciclo tantos minutos e, portanto, cumprir uma hipotética cota diária de atividades físicas para se encaixar em algum padrão)?

6) Do item 5 chega-se ao 6: se me filho cumprisse à risca a expectativa que eu criei, aquilo no qual afirmei que “investi” tempo e esforço, eu teria me sentido certamente uma “mãe melhor”, que tem um filho “feliz”, que brinca com seu triciclo o tempo “adequado” como qualquer criança “normal”.

7) A expectativa é uma merda. E recai sobre o filho porque, note bem no parágrafo anterior, é cobrança que faço a mim mesma. O “filho perfeito” que imagino faz sentido porque eu preciso ser “a mãe perfeita”, saca?

8) E, ao fim e ao cabo, o mais estarrecedor e talvez menos evidente à primeira vista, mas sem dúvida mais nocivo para a relação mãe-filho e o que mais contribui para uma desconexão e uma falta de presença minhas que, sem dúvida, contribuem para meu filho ser mais dependente (quando pede pra eu empurrá-lo, por exemplo) e menos consciente de si mesmo: o pensamento –a narrativa– gira 100% em torno do meu umbigo. Cadê meu filho –de verdade, não a ideia de um filho– em toda essa situação (desde a irritação e ao longo de todo o pensamento em que conto a mim mesma a razão da irritação)?

Ana Thomaz propõe um exercício (que ela chama de trabalho) muito interessante nesse sentido de expor, por intermédio do outro, aquilo que queremos evitar em nós. É um exercício de autoconhecimento, pois, como ela mesma diz aqui, neste vídeo, a gente não se isola pra se conhecer; a gente só se conhece em relação, na relação com o outro.

Depois de muito trocar sobre isso no grupo de mães e pais do qual faço parte no facebook, me decidi a ir testando esse exercício, que consiste, resumidamente, em: reafirmar a você mesmo as críticas que faz ao outro, como se elas fossem a você.

No caso da minha irritação com o pequeno, naquele momento no parque em que, ambos injuriados, começávamos a voltar para casa, eu classifiquei meu filho como “preguiçoso”. “Ele não se empenha, não se esforça, desiste facilmente ao primeiro obstáculo, mesmo querendo muito determinada coisa”.

Passada talvez uma semana desse episódio, foi quando finalmente reafirmei esse julgamento me colocando dessa vez como alvo não como juíza. “Eu não me empenho, não me esforço, desisto facilmente ao primeiro obstáculo, mesmo querendo muito determinada coisa”.

Então, começou um processo de autoquestionamento, muito sutil e até muito pouco racionalizado ou organizado Fui me fazendo perguntas, deixando algumas inquietações virem à tona e, ao mesmo tempo, deixei as questões todas e as angústias todas seguirem seu rumo, sem tentar encontrar as respostas a: que empenho seria esse? que esforço seria esse? em que medida? o que espero que eu mesma faça para sentir que me empenho e me esforço? pelo quê? que obstáculos são esses? quando desisti facilmente? de quê? o que desejo e não me esforço pra conseguir? qual é a insatisfação comigo mesma que afinal projetei no meu filho?

Segundo a criadora do “método”, Ana Thomaz, não é preciso fazer nada além de reconhecer a sombra refletida no outro para “limpar” as energias estagnadas e dar ao corpo (que ela define também como parte do inconsciente) a senha pra “trabalhar” a situação.

O curioso (pra mim que sou cética mesmo com aquilo que, como é o caso, faz sentido) é que “funcionou”. Reconhecer a “preguiça”, a falta de energia e de determinação –uma certa inércia em mim mesma– fez com que, à revelia de qualquer avaliação consciente ou racional, eu pusesse, sem ao menos me dar conta, diversos projetos que me são caros e que estavam parados novamente em movimento.

Ao mesmo tempo em que, ainda que fundamentalmente eu continue sendo a mesma pessoa, passei a ir pra relação com o filho sem essa “bagagem”, sem essas emoções estagnadas minhas –como a autocensura ou a “autoexpectativa” não atingida– que se interpunham entre a gente.

Deixei de lado uma certa irritação latente, que, como toda irritação latente, não fazia parte do meu encontro com meu filho, mas de minha relação primária mal resolvida comigo mesma.

Descobri, meio por acaso, na prática (e é sempre na experiência que aprendemos porque é na experiência que nosso corpo, nosso inconsciente, sente e elabora) que, ao se abrir aos filhos, ao que eles exigem de nós e também àquilo que exigimos deles (portanto ao nosso reflexo neles), nos franqueamos uma infinidade de possibilidades de autodescoberta e de incorporação da nossa “sombra” àquilo que de fato somos ou podemos ser.

O mais incrível? Depois que eu apenas reconheci que a irritação dirigida supostamente ao meu filho era, na verdade, uma irritação comigo mesma, o pequeno simplesmente abandonou o comportamento “preguiçoso” que me irritou –ou que serviu de veículo pra eu expressar um descompasso que estava relegado à sombra. Uma vez que me vi refletida e aceitei meu reflexo, deixou de ser necessário mirá-lo de novo e de novo e de novo. A ficha caiu.

******

“Quero ressaltar que não importa se nossa mãe (ou cuidadores) ‘fez tudo certinho’. Não importa se foi uma mãe fenomenal, calma, paciente, sacrificada ou justiceira. O que os filhos necessitam para criar seres alinhados com seu ser essencial e em profunda conexão consigo mesmos, é que seus cuidadores compreendam a si mesmos. Se não tivermos cuidadores adultos e maduros, consciente de seus próprios estados emocionais e sua história, essa sabedoria não será derramada sobre as crianças. Por isso, é pouco provável que as crianças quando cresçam olhem para suas vidas em estado de total consciência. Tornar-nos adultos é tomar as rédeas de nossas vidas, atravessar os bosques para enfrentar de frente nossos dragões internos, olhá-los nos olhos e ao final desse caminho cheio de perigos, decidir quem sou eu. A partir desse momento, seremos totalmente responsáveis pelas decisões que tomamos em nossas vidas em todas as áreas, incluindo a capacidade de não encerrar nossos filhos (se os temos) nos personagens que sejam mais convenientes para nós.”

Trecho do livro “La Biografía Humana: una nueva metodología al servicio de la indagacion personal”, de Laura Gutman, citado recentemente no facebook pela Anna Gallafrio.

 

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o choro e a chuva

(*)

(*)

–Não, mamãe, ele não chorou porque já é adulto, e adultos não choram.

–Por que você acha isso?

–Porque adultos já aprenderam que, se não der pra fazer, têm que tentar fazer de novo até acertar.

–Bom, adultos talvez não fiquem frustrados por não conseguir destampar um pote, mas ficam por outros motivos. Se para criança abir uma tampa é difícil, para um adulto pode ser igualmente difícil realizar um trabalho, por exemplo. E aí adultos choram.

–Mas adultos já sabem. Não precisam chorar. Só bebês e crianças choram. Porque eles não sabem.

–Adultos não sabem tudo. E choram muito também.

–Não choram nada. Porque eu não quero que os adultos chorem.

–Você ficaria com medo se eles chorassem? Se sentiria assustado? Desprotegido?

–Com medo. “Despotregido”.

–Você acha que chorar é uma coisa feia ou errada? Ou que quem chora é frágil? Que adultos que choram não podem te proteger?

–Não sei. As mães às vezes falam que a gente não pode chorar. Não querem que a gente chore.

{Eu, a mãe em questão, quase choro, ali, bem na frente dele, bem na hora}

–É que os adultos –e as mães– erram, filho. Erram muito, erram feio. E falam muita bobagem, como isso.

******

Peguei ele no colo, coloquei bem do meu lado na cama, olhei bem nos seus olhinhos brilhantes e confusos. Ficamos um bom tempo assim, só eu e ele. E então foi que pensei na chuva. E no choro. No choro como chuva, como uma descarga elétrica emocional tão necessária para aliviar nossos sentires quanto a chuva o é pra água aliviar-se cá pra baixo.

–Sabe quando a nuvem fica cinza escura e você diz que está cheia de chuva?

–Ã-hã.

–O que acontece quando a nuvem está bem bem bem cinza e bem bem pesada?

–Chove.

–Chove o quê?

–Água, ué.

–É igual o choro.

Ele me olhou e sorriu, interessado. Curioso.

–Quando você está triste ou frustrado ou com raiva, você se sente mal?

–Ã-hã.

–Parece que tem assim uma coisa meio desconfortável crescendo bem no meio da sua barriga?

–Parece. Eu sinto mal.

–Essa coisa é como se fosse uma nuvem, que vai enchendo, enchendo, enchendo dessas sensações até ficar cinza bem escuro, como a nuvem. Aí precisa chover. E aí você chove.

–Aí eu choro?

–Isso, querido, aí você chora. Quando a nuvem estiver cinza, chore.

Ele sorriu, pediu pra dormir abraçadinho e dormiu.

******

E eu perdi o sono. Quando é que passamos a ser tão babacas? Quando é que passamos, assim, definitivamente, a não acolher mais nada nem ninguém? A ignorar o que há de mais puro, mais belo e mais genuíno? Quando é que passamos a tirar dos filhos o direito de chorar –e não apenas de expressar emoções, mas principalmente de extravasar esses sentimentos? São cri-an-ças. Crianças lidando com um mundão de sensações novas e assustadoras. E não podem sequer chorar. Por que nós, os “adultos” supostamente maduros, não aguentamos um pitizinho. Ta-que-pa-riu!

Choram porque não abriram sozinhas a tampa da tinta guache. Sim! Com todo o direito e toda a razão do mundo. Porque é foda ser criança, ser pequeno, sentir-se indefeso e dependente e não conseguir sequer destarrachar uma porra duma tampinha ridícula. São crianças, mas não idiotas. Sabem-se crianças. Sabem-se limitados pacas em muitas coisas que gostariam de fazer. E foda-se que temos pressa e achamos que chorar pela tampa não-aberta é frescura. Frescura é a nossa, que reclamamos –como o bando de adultos mimados que na verdade somos– por ter de lidar com o sentimento de frustração tão genuíno quando, do alto da nossa “importância”, sequer conseguimos ser empáticos com a dificuldade sincera dos nossos filhos.

Pior que não abrir uma tampinha de guache sozinho –coisa pra qual uma criança pequena realmente ainda não tem força e habilidade suficientes– é essa sensação de ter força e habilidade, mas mesmo assim não fazer. Por cegueira. Por preguiça. Por adultismo.

Quanto de abandono e repressão ainda seremos capazes de impor? Quão babacas ainda seremos? Por quanto tempo? Quanto choro nosso foi brutalmente reprimido quando éramos crianças? Quando finalmente cresceremos e nos tornaremos adultos a ponto de acolher as crianças –as que fomos, as que somos e as que geramos?

Vou lá ver a lua –dizem que está linda– que aqui dentro agora chove um bocado.

(*) “Rain”, de Dario Moschetta, veio daqui.

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castigo não é consequência

“Vocês podem fazer o que quiserem, desde que arquem com as consequências”. Essa é uma frase bastante conhecida e usada por pais, cuidadores, educadores ou adultos em posição de poder. Já foi dita para nós, quando crianças, e já foi usada por nós também, como forma de controle do comportamento infantil.

A frase, que até parece logicamente correta, embute duas sacanagenzinhas. A primeira delas –e talvez mais óbvia– é tentar fazer parecer que o interlocutor não está ameaçando o ouvinte, quando na verdade é precisamente isso que está fazendo. De um modo mais sutil, mas ainda assim uma ameaça.

A segunda é confundir propositalmente consequência com castigo. Porque na imensa maioria das vezes em que a frase é proferida, a “consequência” será uma punição, criada e definida pelo sujeito em posição de poder, o que é muitíssimo diferente de consequência natural de qualquer ação.

E a consequência disso é que crescemos confundindo os dois termos e ainda hoje, na educação dos nossos filhos, muitas vezes castigamos –o que é inútil, como bem explica o pediatra catalão Carlos Gonzalez— e, precisamente por isso, impedimos nossos filhos de vivenciarem suas ações para aprenderem com elas –o que seria papel da tal consequência, muitas vezes substituída, em nosso dia a dia, pelas punições.

Estou escrevendo sobre isso agora porque me parece cada mais essencial, para educar meu filho, separar as duas coisas. As crianças, assim como nós, aprendem pelas experiências, experimentando a vida e as consequências de suas ações –que, ao contrário dos castigos e do terror implícito na frase inicial deste post, são boas também. Daí a consequência natural ser muito mais educativa que qualquer punição –até porque leva à reflexão e facilita às crianças construírem a si próprias a partir de si próprias e não de modelos pré-definidos que chegam de fora.

Em seu blogue sobre a psiquiatra e educadora italiana Maria Montessori, Gabriel Salomão distingue muitíssimo bem castigo de consequência –e foi a partir dessa distinção que eu entendi o que era uma coisa e o que era outra, embora nunca tenha sido adepta da punição (só não entendia o que era a tal consequência). Se uma criança derruba comida no chão, a única consequência é chão sujo.

Em geral, quando algo assim acontece, adultos costumamos focar na ação “errada” da criança –a displicência na hora da comida, por exemplo–, e “dar um sermão”, chamar a atenção, brigar, gritar, ofender, humilhar (“você não faz nada direito!”, “ainda não aprendeu a segurar direito essa colher?”) e/ou criar outras punições e castigos além dessas citadas para “evitar” o “erro”. “Derrubou no chão? Então não vai mais brincar com seu brinquedo predileto hoje”.

Quando o castigo é modelo de “educação”, foca-se principalmente a ação, não no aprendizado e muito menos na criança –como se ela fosse má por natureza e precisasse ser consertada, um equívoco imenso, acho que nem preciso dizer. E, além disso, estabelece-se, muitas vezes,  padrões de ação muito mais elevados do que a criança é capaz de seguir.

Só que a consequência da ação fica onde num modelo de educação como esse? Quando e como a criança entrará em contato e vivenciará aquilo que sua ação produziu?

Ao castigar, impedimos a criança de experimentar seu erro (limpando o chão, por exemplo), geralmente punimos de forma completamente desconectada logicamente do que aconteceu (o que sujar o chão tem a ver com brinquedo favorito?) e ainda reforçamos a percepção infantil de amor condicional. Ou seja, um amor condicionado a determinado tipo de comportamento da criança.

Proibir uma criança que, para ficar nesse exemplo, sujou o chão de brincar com seu brinquedo preferido é uma punição que na certa não contribuirá para que a criança consiga controlar-se melhor nas próximas refeições.

Limpar o que sujou sim, ajudará. Isso é consequência, isso é experimentar o “erro”. E aprender com ele. Para Montessori, numa situação como a descrita acima, o que o educador precisa fazer, no máximo, é oferecer à criança um pano e um balde com água e mostrar a ela como fazer a  limpeza. Sem reprimendas. Sem sequer mencionar o “erro”. Sem raiva ou julgamentos. Aliás julgamento deveria ficar sempre longe de qualquer relação –amorosa principalmente. Não é fácil, pois sempre fomos julgados e somos nossos principais julgadores. Mas é um bom exercício de aprendizagem esse, para nós mesmos.

Não há lado bom no castigo. E só aprendizado onde há experiência, onde a vida pode ser experimentada.

ADENDO (dia 12/9, às 00h31): nos comentários, a Jaqueline Lima, do Ver de Mãe, comentou sobre um texto dela que trata de como encaramos o erro das crianças –e os nossos também. Recomendadíssimo! Para ler, vá por aqui; vale muito a pena e também tem a ver com a questão do castigo x consequência.

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a biblioteca pública e a naturalização do consumo

#artederua,  SP

#artederua, SP

Certas “lógicas” vão se naturalizando sem que a gente se dê conta, mesmo que a gente fuja de todas as formas conscientes dessa naturalização, daí a dificuldade em quebrar os círculos viciosos. Por exemplo: nesse domingo, meu filho esteve pela primeira vez numa biblioteca pública. Por lá folheamos diversos livros, lemos algumas historinhas, e ele gostou muito de uma delas. Quando estávamos pra ir embora, ele pediu que eu comprasse o livro preferido.

–não dá, filho.
–por que não? você não tem dinheiro?
–não é isso. é que esse livro não está à venda.

Me olhou com espanto. Li nos seus olhinhos a dúvida. #Comassim não está à venda? Tem alguma coisa que não esteja à venda?

Fiquei alguns segundos tentando entender a fala dele, a surpresa dele e que discurso –ou realidade– estava implícito naquele espanto. Foi então que percebi. E entendi. E foi aí que ficou claro pra mim esse processo de naturalização, de naturalização do consumo como mediador e provedor das relações, dos prazeres, do ócio, do acesso, da vida; o processo de “coisificação”, “precificação” e “possessão” de tudo, como se viver estivesse à venda (e de fato está, se a gente pensar que até a água, mineral essencial pra vida, é hoje considerado um “bem privado” pra muitas empresas e pessoas).

Meu filho estava naturalizando o consumo como regra.

E, sabe?, nós aqui em casa refletimos muito sobre isso e tomamos muitas medidas práticas pra permitir uma infância menos mediada pelo “ter”. Enzo assiste a pouca TV –o mínimo possível– e quase nada na TV convencional (nem aberta nem fechada); o que rola aqui com mais frequência é Netflix, sem propaganda e oferecendo certa autonomia aos pais para programar aquilo que os filhos vão ver e quando.

Raramente frequentamos lojas de brinquedos e, quando vamos a alguma, sempre escolhemos a de brinquedos educativos, pequena, de bairro. Presente também é o tipo de coisa que damos com parcimônia e agora temos preferido fazer coisas ou construir brinquedos ao invés de comprá-los prontos.

Não estimulamos personagens licenciados por aqui. Enzo já viu e quis “pocoyos”, já viu e achou super legal bonecos dos Backyardigans, já ficou todo empolgado com uma mochila da Dora Aventureira. Confesso que, ali na hora, no calor do momento, diante de olhinhos faiscantes, pedintes e felizes com a possibilidade de materializar um pouco mais um personagem que é muito caro ao pequeno, dei uma balançada. Em muitos desses momentos hesitei em negar e me peguei quase abrindo a bolsa e botando a mão na carteira. É só um boneco. É só uma mochila. É só um brinquedinho. Mas resisti, porque sei que não é só um brinquedinho. 

Marido e eu compramos pouquíssimas coisas pra nós. O básico, o necessário. Acho que filho deve ter me visto em lojas meia dúzia de vezes, quando muito.

Mas o fato é que, apesar disso, a vida que levamos é quase toda mediada pelo consumo. Enzo sempre testemunhou processos em que a regra foi: quero uma coisa, essa coisa tem um valor monetário, se tenho esse valor vou lá e compro. Tudo o que ele tem hoje e com o que se identifica, lhe foi comprado, muitas vezes na presença dele. E mesmo quando não ganha o que pede, a situação remete ao consumo, pela negação ou impossibilidade dele (como a pergunta que o filho me fez na biblioteca deixa muito claro): “não vamos levar isso hoje porque não temos dinheiro para pagar”. Pela sua experiência e experimentação –que é como ele aprende e apreende o mundo– tudo é objeto à venda. Tudo tem um preço a ser pago, e a distância entre o desejo do filho e ele, entre o objeto e a posse –objeto x posse dá outro post, aliás– se traduz em uns quantos reais.

Então que, nesse contexto, não levar à rede de lojas de brinquedos infantis e privilegiar o educativo, o artesanal, o de madeira, o sem pilha-nem-bateria, o orgânico, o que possibilita mais criação, é ótimo. Mas continua sendo consumo. Evitar as propagandas da TV e os programas infantis que estimulam o consumismo é lindo. Mas não evita o contato com o consumo excessivo promovido por nós mesmos –os adultos– sem perceber nem querer. Não comprar licenciados para não inserir o filho na louca roda das porcarias criadas exclusivamente pra arrancar dinheiro e parte da infância das crianças (se acha que exagero nessa descrição, por favor, leia isso aqui) é uma decisão política da qual sou muitíssimo convicta. Mas não é suficiente. Não tem sido suficiente. Porque nós –minha família e quase todo mundo que conheço– vivemos a maior parte do cotidiano comprando coisas e fazendo coisas que precisam ser pagas.

1) Não estou dizendo que a “culpa” seja 100% nossa. Existe um contexto, uma localização geográfica, uma inserção cultural e social, uma época, uma perspectiva etc que favorecem ou não atividades comunitárias e bens compartilhados.

2) Tampouco estou dizendo que para remediar a situação, quebrar o círculo, reduzir a importância do consumo e a sua naturalização como se fosse de fato parte “natural” da vida –e não apenas uma criação social e cultural de um dado momento histórico– seja preciso parar de consumir completamente. Neste momento, no mundo em que vivo, consumir é parte essencial da vida, goste-se mais ou goste-se menos disso. E há muitíssimas “camadas” de consumo. Comprar feijão pra matar a fome é muitíssimo diferente de gastar pequenas fortunas em carros esportivos. Há o consumo. E há o consumismo. Que é bem outra coisa.

lindezas do argentino Decurgez (*)

lindezas do argentino Decurgez (*)

Mas é preciso –e possível e desejável e altamente prazeroso (porque prazer é essencial)– primeiro refletir sobre esse consumo. Depois reduzir esse consumo. E em terceiro –e aqui é onde a gente falha miseravelmente– promover cada vez mais espaços, situações e interações absolutamente não mediadas pelo consumo.

Passeios no parque são de graça, são comunitários, os “bens” estão lá para serem compartilhados. É uma coisa que minha família fez muito pouco até agora, mas que estamos mudando –e o movimento nesse sentido começou pouco antes da já mencionada primeira ida à biblioteca pública.

Praças, ruas, centros culturais estão aí pra serem ocupados, aproveitados, fruídos. E, sabe?, eu que sou louca por um café na rua, por sentar e tomar um chá num lugar agradável, preciso começar a refletir seriamente sobre como meu filho analisa e capta esse meu hábito. Podemos ir a um café ou tomar um suco na padaria (coisas que Enzo ama). Sim, é claro! Mas também podemos levar chá de casa (como já fizemos quando ele era bebê), frutas secas, biscoito caseiro e simplesmente ocupar um espaço público sem pagar nada pra ninguém.

Visitar amigos, parentes, pessoas queridas. Compartilhar mais refeições. A gente raramente faz isso, o que é péssimo, ainda mais com meu histórico de infância italiana na casa do avô napolitano, em que compartilhar refeições deliciosas era lei, era regra. E era das coisas mais afetuosas da vida!

Outro ponto fundamental: vou muito com meu filho a livrarias. Compro muitos livros pra ele. Na verdade, jamais neguei um livro sequer. E compro por conta própria vários de que gosto sem nem perguntar antes se ele “achou legal”. Como nunca pensei antes em levá-lo a uma biblioteca pública? Como ainda não tinha pensado em inscrevê-lo –e a mim também– em bibliotecas e programas de empréstimo de livros? Pra falar a verdade, essa nossa primeira ida a uma biblioteca foi absolutamente não proposital. Cruzamos com uma no caminho, achamos bacaninha e resolvemos entrar.

Penso, hoje, depois de meu filho ter revelado tão ingenuamente a naturalização do consumo que existe em mim, que é difícil, mas urgente, repensar muito mais do que apenas a superfície. É clichê, mas é verdade: sair da zona de conforto. Porque, sinceramente, não assistir a TV, não ter uma coleção de licenciados, não gastar dinheiro com as porcarias plásticas que piscam-deitam-rolam-e-tocam-música na loja da rede, privilegiar brinquedos artesanais, tudo isso me deixa absolutamente confortável. É um tipo de atitude política muito fácil pra mim por causa de uma série de preferências –estéticas até– e de uma série de convicções. Mas é limitada e serve muito mais como uma limpadora de consciências –a minha, no caso– do que de fato como uma alternativa ao consumo non stop em que se vive. 

Prova disso eu tive no domingo.

No entanto, privilegiar de verdade o não-consumo e procurar reduzir de fato as atividades consumo-mediadas, aí sim, confesso, vai me incomodar, vai me desalojar, vai me confrontar. Porque a naturalização do consumo é minha também, não apenas da “sociedade”, essa entidade mística que a gente ama culpar, mas que não existe por si só. Há o grupo, mas há também responsabilidades pessoais e a nossa parcela de consentimento e omissão –ou não. E há coisas que definitivamente precisam ser desnaturalizadas. Porque meu filho não é target de publicitário ou indústria de brinquedos. Porque eu não sou público-alvo. Porque é preciso, cada vez mais, que as crianças –e nós adultos– sintam e percebam que há vida pra além do que pode ser pago, do que está a venda, do que pode ser possuído. Na verdade, talvez só haja vida aí, nesse lugar onde não é preciso ter nada. Porque todos somos.

(*) Mais sobre o talentoso artista argentino Guillermo Decurgez aqui ó.

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o tapinha não só dói como se reproduz

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Algumas considerações minhas sobre a aprovação da “Lei da Palmada”:

1) Não há interferência indevida do Estado na vida familiar, privada, particular. O Estado tem o dever de proteger a vida das pessoas e é precisamente isso que está fazendo agora. O corpo do outro é do outro, não pertence a ninguém além do outro. Não é porque o outro calhou de ser seu filho que o corpo dele virou “privado”. O corpo de uma pessoa é inviolável; ninguém pode bater em ninguém. Ninguém pode bater em criança; criança também é alguém, seu corpo também é inviolável. Óbvio. Seja um “tapinha”, um soco, um chute, um tacape na cabeça.

2) O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) já previa proteção para casos mais graves de agressão física. Mas não dizia nada sobre o famigerado “tapinha educativo”. A mudança que a “Lei da Palmada” realiza é justamente nesse ponto. Dá nome certo à violência do tapa na cara, do beliscão, do grito, da humilhação: violência e ponto. Mas, ao contrário do que muita gente tem dito, uma mãe que deu uma “palmada” no filho não será presa. A ideia da lei não é mandar pais e mães pra cadeia, minha gente (apesar do raciocínio binário de muitos pais violentos não dar conta de uma ação educativa que não seja punitiva). Nomeando a violência e a inscrevendo no ECA, na lei, o objetivo é conscientizar os pais que ainda não entenderam que há formas não-violentas de educar e que são essas as que melhor criam condições para uma sociedade mais justa e menos violenta (que, em tese, todos queremos). Melhor dizendo:

3)  há formas não-violentas de educar. “Tapinha educativo” não ensina absolutamente nada, exceto se o cuidador em questão quiser ensinar violência (praticar ou submeter-se a). Um exemplo bem basiquinho: imagine que tem lá uma criança fazendo qualquer coisa que o cuidador considere errada. Daí o cuidador dá uns gritos, lá de longe, mandando a criança parar. Como o poder é impotente, e a criança é potência pura, a criança OBVIAMENTE não para. Aí o cuidador vai lá e dá um tapa na criança. Vamos considerar que se pretendesse evitar que a criança se machucasse. Com o tapa, será que a criança aprendeu que o comportamento mais seguro seria não mexer naquele determinado objeto? Não, né? Porque tudo o que o adulto fez para ajudar a criança a compreender o perigo ou os limites seguros para se agir foi… nada!

4) Ainda que “tapinha” fosse mesmo educativo, que “funcionasse” instrumentalmente em algum nível, há coisas que não se faz por princípio, sabe? Porque a gente se pretende civilizados, inteligentes. A gente se pretende de alguma forma uma sociedade que usa razão, empatia, que convive e que abre mão conscientemente do uso da violência em função de uma convivência baseada em sentimentos mais “elevados” ou, dito de outra forma, com menos potencial lesivo. É como a tortura, entende?; ainda que “funcione” (e nem estou dizendo que funciona), não dá pra apoiar, aceitar, legitimar. Bater em criança está fora de questão.

5) Violência é SEMPRE, SEMPRE, SEMPRE a perda de controle de quem violenta. Não é nada além disso. Não é educação, não é amor, não é nada. É só perda de controle. É só o uso de vantagens física e emocional, relativas ao poder, para controlar o comportamento de alguém pelo medo e pela dor ao invés de o indivíduo que violenta sentir ele próprio a dor que lhe compete. O comportamento do outro gera no sujeito agressivo uma sensação que ele não suporta. Não suportando, ele vai lá e agride. Perda de controle sobre si mesmo.

6) A responsabilidade pelo que se sente é sempre de quem sente. O que significa dizer que se a mãe se encoleriza com um comportamento do filho, a responsabilidade pela cólera é absolutamente da mãe. JAMAIS do filho. A mãe tem de olhar pra si mesma e entender as razões pelas quais sente-se dessa forma. Educar, colocar limites, enfrentar conflitos e lidar com as diversas demandas dos filhos não deveria causar raiva. Se causa, tem alguma coisa erra aí –com o cuidador– que precisa ser investigada –pelo cuidador. Bater no filho pra passar a raiva não vai resolver nada (além de ser uma covardia em muitos aspectos).

7) Violência gera violência. A absoluta falta de destreza para lidar com as próprias emoções a ponto de agredir alguém é algo que se aprende. Se aprende ao levar um tabefe. Se aprende ao ser humilhado. Se aprende ao ter a autoestima destroçada por pais violentos.

8) Adultos que defendem a palmada porque “apanharam e estão bem/sobreviveram/são educados etc (fill the blanks)”, poderiam refletir sobre a Síndrome de Estocolmo e sobre a adolescência, também conhecida como aquela fase da vida em que a gente começa a descobrir os próprios valores, interiorizar-se e aceitar que os pais não são perfeitos. É quando a gente amadurece o suficiente para aceitar que, mesmo amando os pais, mesmo valorizando tudo o que fizeram pela gente, eles erraram feio, erram feio e a gente não precisa fazer a mesma coisa, se essa coisa não serve mais. É preciso uma boa dose de maturidade para cortar esse cordão umbilical sutil com os pais e seguir a vida autônoma, sem dependências e sem demonização.

9) Adultos bacanas que apanharam não são bacanas porque apanharam, mas APESAR de terem apanhado.

10) Para aqueles que ainda não conhecem formas de realmente educar seus filhos sem o que o senso comum oferece como alternativa (agressões, ameaças, supernanny e castigos), mas se interessam por uma relação mais autêntica e respeitosa com os filhos, recomendo algumas leituras, começando por:

a) essa seleção aí abaixo de textos das cientistas Lígia Moreiras Sena e Andréia C. K. Mortensen (uma das administradoras da ótima comunidade Crescer sem violência):

http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2013/02/educacao-sem-violencia-porque-bater-nao.html

http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/11/postagem-coletiva-19-de-novembro-dia.html

http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2013/04/como-o-mau-jornalismo-incentiva.html

http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2014/03/dos-direitos-radicais-das-criancas.html

O blog da Lígia, o “Cientista que virou mãe“, aliás, é todo ele altamente recomendável. Lígia e Andréia acabaram de lançar um livro justamente sobre como –e por que– educar sem palmadas.

b) o blog “Conexão Pais e Filhos“, do Marcelo Michelsohn, é basicamente um amontoado de exemplos de educação ativa e da educação pela conexão, ambas correntes absolutamente não-violentas. E absolutamente eficazes (sou testemunha, sou aluna do Michelsohn, sou leitora de Rebeca Wild, da educação ativa, e de Patty Wipfler, da educação pela conexão). Aqui um post dele essencial sobre o tema. Mas todos são ótimos, pois ajudam a entender a educação sob outro prisma, que não o da dominação-poder-controle. Michelsohn dá aulas sobre conexão entre pais e filhos. Haverá novas turmas, basta dar uma olhada no blog dele.

c) falando em Patty Wipfler, ela coordena uma instituição nos EUA, a Hand in Hand Parenting, que dissemina muita informação sobre educação pela conexão, educação respeitosa e não violenta. Os cursos e livros são, naturalmente, pagos. Mas há conteúdo grátis para se ter uma ideia do tipo de perspectiva educativa.

d) outro ótimo blog para se entender a natureza das crianças e das relações saudáveis que podemos estabelecer com elas –e que também dá muitas ideias e subsídio para quem assume uma educação não-violenta– é este aqui, o “Lar Montessori”, escrito por Gabriel Salomão, professor montessoriano e ex-aluno de colégio que aplicava o método desenvolvido pela médica italiana Maria Montessori. Aqui também a “palmada” é cientificamente rechaçada. Montessori, há quase 100 anos, já sabia que, além de eticamente questionável, bater é ineficaz.

e) há também a criação por apego, que prega respeito na relação com o filho, inclusive na hora de se colocar limites. Aqui um blog ótimo, do Thiago Queiroz, o Paizinho, Vírgula!, sobre o tema.

f) além dos blogs, há os livros. Sim, educar dá trabalho e exige empenho, aprendizado, entrega, como tudo o que realmente vale a pena nessa vida. Eu começaria (como de fato comecei) pelo “Besame Mucho“, do Carlos González. Tem o “Unconditional Parenting“, do Alfie Kohn. E “Etapas del Desarrollo“, da Rebeca Wild. Recomendo “A maternidade e o encontro com a própria sombra” e “O poder do discurso materno“, ambos da Laura Gutman. E ainda “Mente Absorvente” e “A Criança“, da Montessori, além do já citado “Educar sem violência“, da Lígia e da Andréia.

g) finalmente, mas não menos importante: vídeos da Ana Thomaz acho essenciais nessa jornada. Já cansei de recomendá-los aqui. Mas valem cada segundo. Começaria por esse aqui, depois iria pra esse e pra esse outro aqui.

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PS: leia também a “Lei da Palmada”. Aqui ó.

PS2:  Para quem diz que “quem cuida do meu filho sou eu”, seguinte: ok, cuidar você pode. Melhor: cuidar você deve. O que não pode é bater. Entendeu?

Se violência é educação, posso bater em você também? Porque, segundo meus parâmetros, pai que bate em criança precisa aprender muita coisa.

PS3: a imagem lindíssima que ilustra/complementa o post é do artista e ilustrador argentino Guillermo Decurgez, o Decur. Ele tem um perfil artístico no feissy, este blog e uma loja bacana no Etsy.

 

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