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o rei está de cueca!

Apesar de eu ter trabalhado horrores no fim de semana de 19 e 20 de maio -acabo deixando para escrever as matérias quando o Dri está em casa para cuidar do Enzo, pois preciso de bastante concentração na hora de redigir-, consegui dar umas fugidinhas bem bacanas durante a tarde de sábado, 19/5. Embora fizesse um friozinho aqui em SP, estava um sol lindo, céu aberto, delícia de flanar com o bebê por aí.

Descobri que ia rolar uma contação de histórias pertinho de casa e arrisquei ir. Sei que Enzo é bem bebê ainda, que não compreende ainda o conteúdo que está sendo narrado, nem consegue ficar muito tempo prestando atenção na mesma coisa. Mas sei também que compreende a entonação das palavras, que capta a atmosfera festiva, que gosta do contanto com outras pessoas, que tem prazer em ficar perto de outras crianças (ainda que por pouco tempo e no meu colo) e que responde muito bem à música. Não sabia se teria música, mas achei que sim. E fomos lá, Enzo e eu, destemidos, no sling.

Geralmente, quando vou percorrer “longas” distâncias a pé, prefiro levar o bebê no carrinho, pois não aguento muito o peso do pimpolho (11,2 kg!). E dá preguiça, confesso. Mas no sábado, resolvi que a ocasião pedia um corpo-a-corpo com a cria, deu vontade e pronto, fomos slingando juntos até o local da contação.

Chegamos uns 10 minutos atrasados, o que prejudicou um pouco, pois Enzo ficou mais longe do que deveria do casal de contadores. Como a concentração dos bebês nessa idade ainda é bastante fluida, facilitaria um contato mais próximo com a pessoa que fala. Mas, mesmo assim, ele ficou bastante interessado.

Prestou atenção em cada detalhe, na entonação da voz, no jeito de andar e falar da contadora, nas risadas que ela dava, nas pausas, nos objetos que segura e, principalmente, na música. Toda vez em que se tocava o violão ou em que os contadores cantavam alguma coisa, Enzo fixava ainda mais o olhar, parecia se divertir mais.

Claro que o interesse exclusivo pela história teve prazo de validade. Durou uns 20 minutos, tempo de terminar  o primeiro conto. Pouco depois de começar o segundo, uma adaptação do clássico “A Roupa Nova do Imperador“, do Hans Christian Andersen, Enzo resolveu que queria mesmo era descer do colo, andar (se segurando em mim, que ele ainda não anda sozinho), passear por entre as pessoas e, enfim, subir no banquinho e brincar com a fresta entre um pedaço e outro da madeira do banco.

Ele se divertiu à beça, conheceu gente nova (várias mães de crianças e, em especial, uma mãe cujo filho também chama-se Enzo), riu para toda essa gente, subiu no banco, desceu do banco, tirou o tênis várias vezes, sentou, levantou novamente, investigou texturas e formas e, assim que terminou a segunda contação, resolveu que era hora de ir embora.

Saldo muito positivo, na minha avaliação. Primeiro porque acho importante começar a introduzir Enzo em atividades lúdicas, artísticas, sociais. As contações entraram para a nossa agenda semanal. Segundo porque noto, como já disse, que ele adora se relacionar com outras crianças. E levá-lo a ambientes em que haja crianças virou uma prioridade. Terceiro porque confirmei que ele fica muito mais alegre quando faz alguma atividade diferente da cotidiana. O bebê definitivamente não gosta de rotina.

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Nesse fim de semana agora (26 e 27/5), optamos por um passeio ao ar livre no domingo e também foi ótimo. Na noite do sábado, aniversário da minha mãe, fomos com ele a uma pizzaria com playground. Resumo da ópera: passei boa parte do jantar do lado de fora, no parquinho, brincando com Enzo (no colo) ou levando-o para ver as outras crianças brincarem. E foi impressionante ver como ele já entende o que se passa. Ele ficou muito, mas muito atento mesmo às atividades dos meninos maiores. E riu muito, muito mesmo, de todas as traquinagens. Tanto que, quando o parque esvaziou, acabei cedendo e deixando que ele escorregasse no escorregador. Claro, segurando em mim e no pai, nós dois é que fomos “escorregando” Enzo, com toda a segurança. Mas não deu pra não deixar ele ao menos provar o gostinho, depois de ter se divertido tanto assistindo à diversão dos outros.

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E o que tem a ver o título do post com tudo isso? Bem, na adaptação que os contadores fizeram do conto do Andersen, o rei (ou imperador) estava de cueca, não nu. 🙂

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amo muito isso tudo

Não não, não estou falando daquela rede de hambúrgueres que tem como símbolo o palhaço R. O “amo muito isso tudo” é, claro, uma referência ao atual slogan da tal empresa de fast-trash-food, mas só está aqui porque resume muito bem o que quero dizer sobre outra coisa e…bem…me permiti essa licença -digamos- poética. Blame on the adman que bolou a frase, ué.

Daí, então, que tive de ficar uns dias longe da madresfera (amey essa palavra, dona Mari viciada em colo). Muito trabalho, mas muito mesmo, mal conseguia responder e-mails profissionais urgentes, mal e porcamente respondia familiares e deixei sem respostas a pessoa fofa, querida e talentosa que está cuidando do bolo de aniversário do Enzo (ah, vou deixar details pra depois, mas estou organizando a festa do meu minimenininho e, lógico, tenho zentas coisas para contar, minhazamiga).

Plus: deu algum tilt no meu gmail, de modo que fiquei sem acesso a alguns arquivos remotos e descobri, 15 dias depois, que um monte de e-mails que eu mandei/recebi não chegou aos respectivos destinatários.

Daí que rolou, por força maior, um jejum de blogagem, de leitura de blogs, de acesso às redes sociais etc. Dessa experiência de abstinência severa, especificamente em relação à madresfera (meu post mais recente publicado, excetuando-se os de ontem e esse, data de 12 de abril), tenho alguns comentários e uma conclusão. Comentários:

1) Blogar vicia. Não sei se é um processo químico, psíquico, social, motoro, físico, quântico, alquimístico, místico, matemático ou gramático. Mas a coisa impregna, minha gente. E quando você precisa passar um tempo longe da blogagem, seu corpo todo reage. Não vou mentir dizendo que tive tremedeiras, que gritei, que precisei ser amarrada na cama para não abrir o wordpress. Mas confesso que foi fisicamente ruim deixar de blogar. Tive até dores de estômago. E foi emocionalmente ruim deixar de blogar. Senti uma falta louca de escrever, de dividir, de compartilhar, de organizar as ideias, de registrar as coisas. Foi punk. E foi chato.

2) Ficar sem blogar alucina. Como ex-fumante (dos 17 aos 20, 1 maço por dia), sei bem que é a coisa mais fácil do mundo a gente divagar loucamente quando está com muita vontade de fazer uma coisa, mas não pode. Logo que parei de fumar, costumava me imaginar fumando, dava algumas “desligadas” eventuais, ao longo do dia mesmo, e, quando percebia, estava divagando, fumando de mentirinha. Fiz a mesma coisa com o blog. Digamos que esse período de abstinência foi um dos mais produtivos ever. Escrevi uns centos posts mentais.

A gente sempre faz isso, né? Vai tomar banho? Escreve um post mental. Vai à feira? Outro. Esperando para entrevistar uma fonte? Post de novo. Na hora de dormir? Ah, aí são uns dois ou três. Mas dessa vez, tendo em vista que eu sabia que não iria conseguir abrir o blog e escrever no dia seguinte, parece que as ideias fervilhavam mais, numa velocidade maior ainda. Sonhei com posts até, o que nunca tinha acontecido antes. Foram tantas ideias novas, mas tantas ideias novas que, mesmo na correria, anotei algumas para ver se viram posts de fato em breve.

3) A falta que azamiga faz. Senti muita saudade. Mesmo. Não só de blogar, mas, principalmente, das mães da madresfera e dos respectivos rebentos. Saudade de gente que eu nunca vi ao vivo, mas que é tão presente, mas tão presente, que parece amigo de infância, sabe como? Senti falta de trocar ideias, de debater nos comentários, de deixar comentários, de receber comentários, daquele sorriso gostoso e sincero que a gente dá quando lê um relato bacana, quando uma mãe e um filho comemoram alguma conquista ou quando uma mãe confessa dessas coisas inconfessáveis da maternidade, e a gente pensa: “putz, igual que nem eu”.

Senti falta, na verdade, do convívio, de conviver (mesmo que virtualmente) com essas moças, mocinhas e mocinhos que foram se tornando tão importantes para mim nessa nossa pracinha. Fiquei imaginando como estariam as Alices, o Arthur, os Lucas, a Leah, o xará do Enzo, a Nina, o João, a Laura… Queria saber as novidades, queria tricotar!

Impressionante como eu gosto das meninas dessa madresfera! Claro que a gente sabe que os vínculos são vínculos, não importa que a origem seja no mundo “real” ou no mundo “virtual” (cada vez mais real). Mas, lógico, a experiência é a forma mais completa de conhecimento: uma coisa é saber na teoria, outra é saber na prática; e eu soube na prática que meus vínculos virtuais na madresfera são bem fortes.

4) Subestimei a importância da blogagem. Que eu gosto de blogar não era novidade para ninguém. Nem para mim. Mas, confesso, não sabia que gostava tanto assim. Confesso, novamente, que subestimei a importância da blogagem na minha vida. Já deveria ter caído a ficha, mas, às vezes, sou meio lerda: blogar não é acessório, é essencial. É terapêutico. É contato com o mundo, ainda mais quando, como eu, se trabalha em casa. É aprendizado. É maternar de maneiras diferentes. É crescer e melhorar como mãe. É aperfeiçoar. É dizer e é ouvir, tudo ao mesmo tempo. É vivenciar a maternidade em outros níveis. É escrever. É refletir.

E, nesse sentido, foi um aprendizado e tanto passar esse período afastada. Daí que concluí, então, o óbvio: amo muito isso tudo!

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