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ele anda

Essa notícia eu precisava compartilhar: oficialmente, Enzo anda! Faz uns dois dias, ele estava caminhando apoiado nos móveis, como faz há uns meses, e, de repente, soltou as mãozinhas. Vacilou, estendeu os bracinhos para a frente em busca de equilíbrio, esperou o momento certo, pendeu um pouquinho para lá e para cá, firmou-se e, finalmente, deu seus passos sem apoio nenhum.

Ele já tinha feito isso uma outra vez, e outras vezes aqui e ali. Mas eram tão raras essas vezes e tão rápidas: 2, 3 passinhos apenas. Considerei mais um ensaio do que efetivamente começar a andar. Mas anteontem, não. Meu minimenininho soltou-se dos apoios de vez, com coragem, sem medos nem vacilos. Um passo depois do outro e lá se foram vários minutos andando de lá pra cá, daqui pra lá, perseguindo a gata, indo e voltando da cozinha, explorando o próprio quarto…

Caindo às vezes, é verdade. Mas levantando sozinho, engatinhando um pouquinho para descansar, levantando de novo e de novo e de novo. E andando, andando, andando. E rindo, rindo muito. Enzo achou o máximo andar sozinho. Ele caminhava um pouco e logo olhava pra mim, pra gargalhar, obviamente feliz, entre e surpreso e satisfeito pela própria conquista.

Meu bípede, agora, é um bípede ambulante, cheio de si, que só quer saber de andar sozinho. Pega a nossa mão para começar a caminhada, mas logo larga, projeta os bracinhos pra frente, ri e, feliz, segue sem nosso amparo.

Fizemos vários vídeos, orgulhosos dessa conquista do pequeno. Posto mais tarde.

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o primeiro sapato

Daí que agora que Enzo é bípede e, embora ainda seja um bípede que, pra ser bípede, dependa de uma forcinha de outros bípedes, resolvemos que era hora do moçoilinho ter sapatos. Porque, né?, na qualidade de bebê, ele ainda não tinha ganhado nenhum modelo de calçado. Dri e eu sempre achamos que seria uma bobagem obrigar um bebê que só fica no colo ou que só engatinha a usar um troço incômodo que serviria pra nada, naquele momento.

O objetivo de ensiná-lo a usar os sapatos agora, na verdade, é dar mais liberdade a ele. Faz um tempo, desde que ganhou confiança para ficar em pé, que Enzo pede para descer do colo ou sair do carrinho quando estamos na rua ou em lojas, restaurantes etc. Como sabe o que é capaz de fazer, não aceita mais ficar longos períodos restrito ao colo ou a qualquer outro meio de transporte.

Então achamos que havia chegado a hora de comprar tênis e deixar o minimenininho explorar, na vertical, com suas próprias pernocas gordinhas, o mundo aí fora. Primeiro, pensei em um calçado que fosse com velcro,  para facilitar a nossa vida na hora de vestir no bebê, que não é nada adepto dessa coisa inventada pela civilização e popularmente conhecida como “roupa”. Imaginamos que ele não seria muito fã de sapato.

Como sou meio louca ansiosa, num dia decidi que compraria os sapatos e, no outro, já queria que Enzo saísse de casa calçado! Daí que fui pro shopping resolvida a comprar o primeiro par que servisse, para ele usar naquele dia mesmo. Experimenta daqui, experimenta dali e os modelos de velcro não calçavam bem, não se ajustavam com segurança ao pé gordinho da cria, saíam com facilidade, de modo que acabei levando um de cadarço mesmo. Porque, como disse, sou meio louca ansiosa e não quis esperar e procurar um de velcro que se adequasse melhor. Não saí 100% satisfeita da loja, mas pelo menos iria poder botar Enzítolo no chão do shopping, meu objetivo imediato.

Só que, é preciso dizer, Enzo não ficou assim tão satisfeito com o tênis quanto eu (quase) fiquei. Chorou, chorou, chorou; tentou tirar zentas vezes, indignadíssimo por não conseguir; teve dificuldades para andar, caiu, se revoltou; não conseguiu sair do lugar por longos minutos, chorou de novo, até que, de repente, mais por insistência do que por ter achado boa a ideia de andar de tênis, ele acabou conseguindo trocar uns passinhos, com muita dificuldade.

Daí que, aos trancos e barrancos, ele foi se arrastando com o tênis, que pesava nos pés, incomodava, o fazia tropeçar. Ok, eu já esperava por isso, sabia que não seria assim tão fácil a adaptação, afinal, Enzo sempre andou com os pés praticamente no chão (de meias), estava condicionado a sustentar apenas aquele peso e já sabia a medida dos pezinhos, de modo que não se atrapalhava mais com eles como estava fazendo com o sapato. Peguei ele no colo de novo quando vi que estava sendo chato para ele aquela experiência e fomos continuar o passeio.

Pois eis que vejo, de longe, um bebê com um tênis de uma marca de que eu gosto muito, da qual eu mesma tenho vários calçados. Adoro desde que ainda era moda nos anos 80, continuei adorando depois que todo mundo odiou nos anos 90 e, agora que é cool de novo, ainda amo. Sou uma moça fiel, afinal. Como é que não pensei nisso antes? Como não passou pela minha cabeça de louca fã comprar um desses pro Enzo?

Lá fomos nós experimentar mais sapatos no pequeno… Quem sabe esse não fica melhor? E sabe o quê? Enzo amou esse! Porque é de velcro, muuuuito mais fácil e rápido de vestir; porque é bem mais leve; porque tem uma forma mais adequada ao pezinho do Enzo, calçou melhor; porque não deu a ele a impressão de que o pé cresceu do nada (como o outro, maior); porque a sola é mais baixinha e fininha, o que facilita a adaptação; porque, no fim das contas, tem um corte, um peso e um tamanho mais próximos do formato que Enzo já conhecia -e dominava- dos próprios pezinhos. Sem contar que o velcro facilita o ajuste, o pé não fica “dançando” dentro do tênis.

Não que ele tenha se acostumado 100%, muito pelo contrário. Vestir o calçado ainda é uma briga e, não raras vezes, requer a habilidade de dois adultos.

ABRE PARÊNTESE: Fiquei pensando que fazer os pequenos se acostumarem a certas obrigações/facilidades/exigências (chame como quiser) da civilização é uma tarefa necessária, mas inglória, que começa na roupa e no sapato. É difícil convencer um serzinho acostumado ao contato livre com o próprio corpo e ao controle de andar literalmente com os próprios pés que ele precisa ficar “preso” a um monte de pano ou a um calçado que, vamos combinar, são coisas incômodas mesmo. FECHA PARÊNTESE.

De qualquer forma, Enzo agora está na fase do “estou me acostumando”. De vez em quando ama usar o tênis, de vez em quando odeia e, na maioria das vezes, suporta com restrições (quando dá na veneta, arranca e joga longe mesmo ou simplesmente tira do pé disfarçadamente. Vai que a gente não vê e perde, né? Suspeito que ele torça secretamente por essa opção).

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primeiros passos

Enzo andou hoje! E eu é que fiquei sem fôlego. Estou meio que sem acreditar até agora -e olha que já faz umas duas horas. Foi tão tranquilo e natural que ele nem se deu conta do que estava fazendo. Estávamos ambos na sala; eu sentada no sofá, ele no chão. Como sempre faz, o minimenininho se apoiou na estante, se levantou, catou um brinquedinho e ficou mexendo nele, absorto (ele fica tão compenetrado que até franze as sobrancelhas, parece prestes a descobrir o Bóson de Higgs. Parece o Sheldon, para orgulho do pai, rá!).

Enquanto observava o objeto -nem lembro o que era, confesso, o bebê se desencostou da estante. Até aí, ok, ele já fez isso zentas vezes. Fica em pé sem apoio por cada vez mais tempo, numa boa.

Mas eis que, de repente, ele olhou para mim, que estava sentada bem em frente. Sorriu. Percebi que ele queria me alcançar e estendi o braço para ele se apoiar, mas Enzo, que segurava o brinquedo com as duas mãos e continuava olhando fixamente para ele,  nem notou o apoio oferecido, nem notou que estava completamente sem NENHUM apoio. Como se sempre tivesse feito isso, simplesmente andou.

Deu um, dois, três passinhos. Começou a se desequilibrar quando ia trocar o pé par dar o quarto passo. Amparei, ele continuou a caminhar sem perceber a mudança, alcançou meus joelhos, mordeu minha perna, deu a risadinha delícia que sempre dá quando me morde e eu protesto com um “ai ai ai ai” de brincadeira, sentou novamente e tocou a vida.

E eu, abestada, saí ligando pro Dri, pro meu pai, pra minha mãe, pro meu irmão, saí mandando e-mail pra família inteira e, claro, assim que o pequeno dormiu e eu, finalmente, almocei, vim aqui, contar pras mãe tudo.

É lindo ou não é? Meu minimenininho está cada vez mais menininho.

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maternidade é competição?

Pulga atrás da orelha: quando foi que a maternidade/paternidade virou competição? Ser mãe/pai é competir? O “desempenho” dos filhos é o que mede a qualidade da maternagem/paternagem (ok, essa palavra não existe, mas vou me permitir a licença poética)? É justo cobrar dos (ou esperar que os) filhos sejam os primeiros em sei-lá-o-que para que mães/pais ganhem sei-lá-o-que na comparação com outras/os mães/pais? Ou nós estamos tão acostumados à competição que nem percebemos a doideira que é tratar os filhos como se fossem competidores e/ou troféus?

Não tenho as respostas. Não tenho nenhuma delas, na verdade. Mas tenho pensado muito nisso, especialmente depois de encontros casuais que tenho tido com outras mães. Parece que há certos marcos de “desempenho” esperados para os filhos que servem, na verdade, para as mães medirem o “sucesso” delas e das crias.

Por exemplo: engatinhar é um desses marcos. Rola uma comparação deliberada para se saber qual bebê já engatinha ou começou a engatinhar primeiro, como se isso realmente significasse alguma coisa. O que se ganha quando um neném é “precoce” nessa área? Eu não sei, mas as mães parecem saber. Um google despretensioso vai mostrar que a idade “ideal” para começar a engatinhar é entre seis meses e um ano. Qualquer pediatra com dois neurônios funcionando vai dizer que, nesse período, o que vale mesmo é respeitar o tempo de cada criança. Mas experimenta dizer isso para as mães.

Dia desses ouvi de uma delas, cujo filho com 5 meses “quase engatinha”, que o “segredo” para a precocidade (que ela deve achar uma qualidade a ser copiada) do rebento é que ela nunca o pega no colo. Deixando o filho sozinho, sem colo, ela conseguiu que ele desenvolvesse habilidades motoras mais cedo. E ela critica as mães que fazem o contrário.

Pergunto: 1) Que vantagem o filho leva com isso? 2) Não seria melhor ter colo de mãe enquanto isso é fundamental –até para estimular o desenvolvimento neurológico e as sinapses– e deixar para estimular a evolução motora quando for a hora (ou fazer as duas coisas ao mesmo tempo)? 3) Essa mãe já refletiu sobre a importância da autoestima na vida do filho? Será que já pensou que “se virar sozinha”, nessa idade, não é algo desejável para uma criança?

Filosofia de botequim (que eu A-DO-RO! Pena que não esteja tomando cerveja por esses dias. Do contrário, confesso, já estaria com uma bem gelada a me fazer companhia): vivemos em uma sociedade altamente competitiva, que estimula ainda mais competição como se isso fosse o único caminho para uma prometida prosperidade. Nós pais, perdidinhos da silva, achamos que o melhor para os filhos é que já nasçam competindo, que já nasçam na frente, chegando antes dos outros bebês em qualquer lugar que seja.

É uma síndrome de maternagem desenvolvimentista, sabe como? A preocupação principal deixa de ser o bem estar, a felicidade, o crescimento saudável e no tempo de cada criança, o respeito às etapas e ao ritmo do filho. O objetivo torna-se desenvolver -o quanto antes, de forma “otimizada”- tudo o que tiver que ser desenvolvido no menor espaço de tempo possível.

E daí a competição: se meu filho engatinha antes, ponto para mim, que consegui estimulá-lo e desenvolvê-lo mais rápido. Se ele anda primeiro, ótimo. Se fala primeiro, então, nossa, eu poderia ganhar um Nobel da maternagem.

O natural sequer é considerado. E o tempo, que nos submete a todos, é solenemente ignorado na busca ansiosa por alcançar, via filhos, a ponta, o pódio, o primeiro lugar de qualquer coisa que seja. Os filhos são superestimulados e, paradoxalmente, recebem menos atenção do que mereciam, já que “aprender a se virar sozinho” virou mantra. Na maternagem desenvolvimentista hegemônica,  quanto antes os bebês ficarem independentes, melhor. Mesmo que isso custe (se é que alguém ainda se preocupa com isso) boa parte da formação afetiva e emocional desse neném.

E essa “nova” forma de maternar -não por acaso- cai como uma luva numa sociedade consumista e individualista que parece que desaprendeu a ter filhos. Enquanto não consome, filho não se insere nesse contexto. Para mim, parece fato que, ao passo que a ciência evolui e permite que casais que jamais teriam filhos concebam, coletivamente, perdemos a capacidade de nos reproduzir a contento, pois perdemos -e nos orgulhamos disso- habilidades fundamentais para maternar/paternar:

-Não temos mais tempo: não esperamos nossos filhos crescerem e se desenvolverem; queremos acelerar os processos todos. Não temos tempo, nem nossos filhos tem, para esperar as etapas normais e apropriadas.

– Não temos mais disponibilidade: prioridade é o que vem em primeiro lugar. Não dá para ter vários primeiros lugares na nossa lista. E, em geral, mesmo querendo priorizar nossos filhos, na prática, priorizamos o que paga as contas. Porque, afinal, as contas precisam ser pagas, e vivemos numa sociedade esquizofrênica que nos faz escolher entre filhos e ganha-pão.

-Não temos mais paciência: sou tecnológica, adoro os avanços todos da ciência, mas acho que o mundo super conectado, que nos leva a trabalhar como loucos (ao invés de nos poupar tempo, como seria de se supor) também nos faz acostumar com um ritmo irreal e não-natural de vida. Queremos adiantar tudo, queremos tudo para ontem, levamos o imediatismo a um outro nível. Não queremos para já, queremos que já esteja pronto quando começarmos a desejar o que quer que seja.

-Não respeitamos o que é natural: bacana mesmo é o artificial, é o que acelera processos, “facilita” processos, substitui o que seria natural por algo mais adequado à nossa vida corrida, cosmopolita, sem qualquer ligação com instintos, ancestralidade, com as heranças que gerações anteriores levaram milênios para aperfeiçoar e nos legar.

E, veja, não estou apontando o dedo para ninguém. Também me incluo nisso tudo aí, também sou fruto disso tudo aí, também reproduzo isso tudo aí, também já me flagrei cobrando a mim mesma sobre o desenvolvimento do Enzo e planejando quais as habilidades dele eu vou querer “acelerar”.

Não aponto dedos não apenas porque teria de começar por mim mesma e porque não estou aqui para isso, mas, principalmente, porque não há exatamente responsáveis. A sociedade caminhou para onde estamos, nos trouxe até aqui, nos estimula. Somos consequência do mundo em que vivemos, dos valores do nosso tempo, da ciência e das informações de que dispomos, daquilo que nós e que os outros consideramos importante, ainda que discordemos um pouco (não vivemos numa ilha). Somos filhos do tal zeitgeist, o “espírito do tempo”.

E o espírito do nosso tempo é extremamente competitivo, individualista, frenético,workaholic (vida pessoal, esse palavrão, não gera lucro para as empresas capitalistas, afinal), artificial, contraditório, caótico, precoce, imediatista, consumista e eternamente insatisfeito. Por que as mães ficariam de fora?

O que nos resta, então? Refletir, refletir, refletir. Debater, debater, debater. Transformar, transformar, transformar. E olhar para os nosso filhos, acima de tudo, com os olhos livres desses óculos todos que nos fazem ver os pequenos sob o prisma do que o mundo quer deles, não do que eles querem do mundo e podem dar a ele.

Fácil não é. Mas também não é impossível. Minha segunda resolução -já colocada em prática- é respeitar as inclinações do Enzo e o tempo dele. Quando ele quer brincar no chão, tentar engatinhar, tentar andar, ajudo, estimulo, fico do lado. Quando ele quer colo, sombra e água fresca, é isso que dou. Quando me cobram largar meu filho, não dar colo, deixá-lo “independente”, não estou mais me calando. Digo que optei por uma maternagem na contra-mão mesmo, sinto muito, mas não vou na sua casa dar pitaco, né? Plis, não faça isso na minha. Faço isso por mim, mas também pelas outras mães. Circular conhecimento. Esse é o nome do jogo.

Também decidi -faz tempo, o que faz dela minha primeira resolução- priorizar mesmo Enzo. Meu tempo é dele. Ponto. Isso me custa correrias extras no trabalho, mas vale muitíssimo a pena. Qualidade também é quantidade nesse caso. E como eu posso (tem mãe com bem menos sorte), não vejo razão para não fazer isso.

E -terceira resolução, que na verdade é consequência de uma resolução maior (fugir dos modismos consumistas)- optei por mudar um pouco as coisas com a festa de um ano do Enzo. Estava planejando contratar especialistas e buffet para fazerem o aniversário dele. Mas mudei de ideia e vou fazer tudo (com exceção dos salgados). Não quero inserir Enzo desde sempre nessa coisa capitalista de competição pela festinha de aniversário mais “bacana” (leia-se mais cara e cheia de coisas supérfluas). Quero uma festa linda, claro, mas feita por nós, cumprindo todas as etapas, participando de todos os processos, com as nossas possibilidades reais, sem disfarces dados por especialistas.

Meu bolo não vai ter três andares e pasta americana. Mas vai ser delicioso, feito com muito amor, bem bonito, saudável, orgânico e sem porcarias. Enzo vai poder comer o próprio bolo!

Enfim, estou refletindo. E saindo da caverna.

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