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as mulheres que existem são melhores

Visitando, hoje cedo, o blog da Flavia Fiorillo –o Mamãe sabe tudo–, descobri essa história incrível aqui.

Daí que a filha de uma fotógrafa fez cinco anos. Daí que a mãe resolveu botar a cabeça para pensar em como poderia homenagear a filha aniversariante. Daí que ela se deparou com uma infinidade de meninas vestidas de barbie ou de princesas disney. Daí que ela resolveu ir pelo caminho inverso.

Escolheu cinco mulheres reais e admiráveis e fotografou a pequena caracterizada de cada uma delas. O resultado: sensacional, lindo e delicado, que você pode conferir aqui. As entrelinhas, nem tão entrelinhas assim: “deixe de lado as barbies e as princesas disney só por um momento e vamos mostrar às nossas garotas mulheres reais que elas podem ser”.

E quer saber? As mulheres reais, que todas as nossas garotas podem ser, são bem (mas bem mesmo) mais interessantes que qualquer princesa disney. Isso fica bem evidente dando só uma olhadinha nas mulheres que Jamie C. Moore, a fotógrafa-mãe, escolheu para a homenagem da filha Emma:

Susan Anthony, feminista que conquistou o direito de voto às americanas

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Coco Chanel, estilista, empresária, inventou o tailler e a calça feminina

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Amelia Earhart, aviadora e primeira mulher a atravessar o Atlântico num voo solo

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Helen Keller, romancista, pensadora e ativista; cega e surda desde criança

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Jane Goodall, primatóloga e antropóloga britânica que estuda a vida dos chimpanzés na Tanzânia há 40 anos; foi o primeiro pesquisador a descobrir que esses animais fabricam e usam ferramentas rudimentares

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Não acho que todas as escolhidas são os melhores modelos femininos ever (eu tiraria algumas, botaria outras), mas tenho certeza de que qualquer uma delas é um exemplo mais saudável para meninas e para meninos do que a princesa Aurora, a “bela adormecida”.

Oferecer esses modelos à filha pequena e, mais que isso, estimulá-la se enxergar na figura dessas mulheres admiráveis é, desculpe o clichê, o melhor presente que a menina poderia ter recebido da mãe. A ação da fotógrafa é também uma proposta de reflexão dupla para nós, mães e pais:

1) temos de nos perguntar constantemente quais são os modelos de mulheres e homens que queremos mostrar a nossos filhos.

2) é possível “pensar fora da caixa” e, mesmo em meio à superexposição de princesas e afins, transmitir outros valores aos pequenos.

O post da Flavia Fiorillo e o trabalho da Jamie C. Moore estão aí pra dar o chacoalhão inicial.

(*) As fotos são daqui, daqui, daqui, dali e dali, respectivamente.

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#festa do Enzo: brigadeiro 70% cacau (parte 3)

No post anterior sobre os preparativos para a festa do Enzo, eu contei sobre umas receitinhas alternativas de brigadeiro, especialmente a de brigadeiro 70% cacau, que são mais saudáveis que o tradicional (que leva achocolatado e margarina, abolida aqui de casa, diga-se).

Ontem, finalmente, conseguimos testar uma das receitas. E a conclusão é que é muito fácil e rápida de fazer. Não levou nem 10 minutos pra ficar pronta, e o ponto certo é bem óbvio, o que não gera aquelas dúvidas todas em quem não está acostumado -como nós- com a receita.

Os ingredientes são:

-1 lata de leite condensado

-1 colher das de sopa de cacau em pó (não vale achocolatado nem aqueles chocolates em pó; tem que ser cacau mesmo. O consolo é que já está bem mais fácil de achar; eu comprei num supermercado)

-20 gramas de manteiga sem sal

-50 gramas de chocolate 70% cacau (em geral, as barras desse tipo têm 100 gramas. Pode ser de qualquer marca, mas quanto melhor for a qualidade do chocolate, melhor o sabor do brigadeiro e mais saudável será o doce, pois chocolates melhores costumam ter menos gordura e menos açúcar na composição).

-Confeitos para decorar (pode ser qualquer um, mas sugiro esses aqui, que são os tipo “split”. Se puder ser de marca boa, chocolate meio amargo, tanto melhor).

Daí é só jogar tudo na panela (menos os confeitos, claro), nem precisa derreter o chocolate à parte. Em alguns minutos, cerca de 6 ou 7, o creme já estará bem homogêneo. Mais um pouquinho e começa a desgrudar bem do fundo da panela.Não espere ferver, ok? Daí já pode desligar o fogo, esperar esfriar, enrolar e confeitar.

Na pressa ontem, não enrolamos tudo. Mas já deu pra ter uma ideia de rendimento, o que, pra mim, foi um dos poucos pontos negativos da receita. Vai render, no máximo, mas no máximo mesmo, uns 30 docinhos, o que é relativamente pouco para festa de criança. Claro que não estava esperando fazer uma receita só, mas estou acostumadas com as que rendem entre 45 e 50 unidades. Enfim, conto depois se rendeu mais que isso ou não.

O sabor ficou bem gostoso, descontado nosso grande deslize: esquecemos de comprar manteiga sem sal, usamos a com sal mesmo e, claro, o brigadeiro, bem delicado, acabou ficando meio salgado. Não prejudicou muito, deu pra perceber que vai ficar muito saboroso, mas está meio brochante, confesso.

Já deu pra perceber que sou ótema na cozinha, né?

Ainda falta testar a receita de brigadeiro branco e uma de 70% cacau com creme de leite fresco. Conto e posto as respectivas receitas testadas.

Ah, aqui vai o link de onde tirei a receita de hoje.

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#festa do Enzo: comidinhas saudáveis (parte 2)

Desde o começo do planejamento para a festa de primeiro aniversário do Enzo, um aspecto sempre ficou muito claro para mim: quero comidinhas e bebidinhas que meu filho possa ao menos experimentar. Claro que vai ter doces tradicionais, como brigadeiro, beijinho, cajuzinho. Claro que não dá para liberar geral para esses docinhos. Mas fazendo as guloseimas com alguns cuidados e modificações, é possível deixar Enzo comer um pouquinho.

Daí que o cardápio foi totalmente definido não apenas seguindo o critério do que é ou não saudável, mas do que é ou não saudável para um bebê de um ano. Então o bolo, por exemplo, cujos adultos convidados queriam que fosse de chocolate, vai ser um pão de ló simples com recheio de geleia caseira de frutas vermelhas e creme pâtissier (que leva apenas farinha, açúcar, ovos  e  fava de baunilha) com morangos.

Como a recomendação da OMS é que se evite o consumo de açúcar industrializado antes dos dois anos, o açúcar que será usado em todos os doces, incluindo bolo e creme, vai ser orgânico tipo demerara. O ideal ideal seria usar o mascavo, mas a boleira que está cuidando desse departamento não tem tanta afinidade com esse tipo de açúcar. Ela é muito boa e talentosa e está super disposta a fazer tudo de forma caseira e saudável. Portanto, avaliei que o demerara já estava de bom tamanho.

As receitas tradicionais de brigadeiro também sofreram certas adaptações, digamos. Eu mesma vou fazer usando chocolate de boa qualidade 70% cacau (tem menos açúcar), cacau em pó (açúcar nenhum) e creme de leite fresco no lugar do leite condensado. Tem mais gordura, mas é mais saudável (menos industrializado) e zero açúcar.

Estou avaliando se vamos fazer brigadeiro branco. A tentação insiste que “sim”. Achei uma receita muito apetitosa, com chocolate branco (claro), raspas de limão siciliano e pimenta rosa moída na hora. Curiosa, curiosa para saber como fica, mas aí, nesse caso, seria uma opção não tão saudável.

O beijinho e o cajuzinho também serão feitos com açúcar demerara, mas, nos dois casos, não terei como dispensar totalmente o leite condensado. No beijinho, consigo diminuir a quantidade e colocar um pouco do creme de leite fresco. Já no cajuzinho, não sei. De qualquer forma, se um docinho não for totalmente saudável, no balanço geral, ainda está valendo.

Minha mãe sugeriu hoje doce de abóbora. Achei ótima a ideia, pois Dri está com vontade do doce faz tempo, Enzo ama abóbora e, bem, mais saudável que isso só dando frutas pro bebê, ainda mais que a receita da avó dele é daquelas de antigamente, sabe como? Só vai abóbora, coco, açúcar (demeara, claro) e leite.

Os salgados, confesso, não estão 100% “certificados”. Vamos encomendar coxinhas (fritura!), todo mundo gosta, e calzones de calabresa (!) e queijo. Os calzones são assados, mas, mesmo assim, os recheios deixam a desejar no critério saudabilidade. Para nos redimir -e deixar Enzo comer- também vamos encomendar quiches (feitos pela boleira) e faremos, com a ajuda de uma amiga muito querida, sanduíches de metro com recheios bem gostosinhos e naturebas.

Ah, claro, as bebidas: cerveja (não pode faltar, todo mundo é cervejeiro por aqui), um ou outro vinho (meu pai gosta, a namorado do meu irmão também, eu até tomo, os tios tomam um pouco), e suco, muito suco natural. Vou comprar alguns, como os de uva (integral, orgânico, sem açúcar ou conservantes) e fazer outros (laranja, maracujá com gengibre, limão com couve, tangerina). Tudo sem açúcar para o Enzo poder beber livremente.

Falta eu testar algumas coisas, como as receitas novas de brigadeiro e alguns dos sucos. No caso do brigadeiro, preciso ver qual vai ser a consistência do doce e o rendimento. Já dos sucos, é bom eu descobrir com quanto tempo de antecedência vai ser necessário fazê-los para não perderem sabor ou ficarem ruins. Se for o caso, preparo os sucos algumas horas antes da festa. Do contrário, posso deixar alguns prontos na noite anterior, para facilitar.

Cardápio definido, preciso confessar, é um alívio. E olha que só conseguimos bater o martelo nisso tudo nesse fim de semana, depois que decidimos reduzir a lista de convidados (longa história que contei no post anterior, que sumiu. Estou dando uma olhada nisso, pois sumiu sumido mesmo, hoje à tarde). Em resumo, como o salão de festas do prédio da minha mãe, onde será a festa, tem lotação máxima de 40 pessoas, prevista no regulamento, acabamos decidindo chamar mesmo só os realmente mais chegados.

Fato é que estamos satisfeitos por poder oferecer ao Enzo comidinhas que ele realmente possa comer. Fiquei em dúvida quanto a isso, não sabia se conseguiria mesmo montar um “menu” que satisfizesse o meu filho, que ele pudesse comer e que também agradasse os convidados. Só resta o brigadeiro dar certo, o que, tendo em vista minha vasta experiência culinária e minha grande paciência para cozinhar -só que não-, é um desafio e tanto.

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a inocência versão materna

A mãe é consumista. Mas não exatamente daquelas consumistas “tradicionais”, viciadas em comprar sapatos, roupas, tecnologia ou maquiagem importada. Na verdade, foi bem recentemente que a mãe descobriu o que é Sephora. Também não faz muito tempo que ela ficou sabendo que existe um troço chamado “iluminador“.  O make dessa moça, quando muito, se limita a rímel preto. Ponto. E a peça de roupa mais nova que ela ostenta no guarda-roupas tem, sei lá, quase um ano já.

O que a mãe consome, então, minhagente? Livros. Ela é louca por livros, não pode ver livros interessantes que quer todos. E tem um monte deles já. Vários deles não lidos ainda. Sabe a história da consumista ensandecida que compra mais e mais pares de sapatos mesmo que tenha centenas deles intactos no armário? A mãe é assim, só que com livros. É uma espécie de Imelda Marcos da leitura, só que com menos dinheiro e, claro, menos livros do que a Imelda tinha em sapatos.

Daí que ela pediu o que de Natal & aniversário (ela nasceu em janeiro…)? Livros, claro. Para todo mundo. Então, ela ganhou a mesma coisa do marido, da sogra, do pai e dela mesma. Quatro livros novos, recém-chegados, com aquele delicioso cheirinho de papel (iPad, espere por ela sentado, viu?), colocados na estante da sala, logo atrás do livro que ela estava lendo naquele momento.

E isso era comecinho de 2012. E aí a mãe resolve fazer uma resolução de ano novo, ela que nunca ligou muito para essas coisas. Resolveu resolver ler TODOS os livros novos e mais o que estava pela metade em 2011, o que dá a vergonhosa quantia de apenas quatro livros e uma metade. Mãe sabia que é pouco. Mas sabia também que não poderia querer muito mais que isso, já que ela é uma recém-mãe, 100% dedicada à cria, mas que trabalha em casa, o tempo é curto, mal dá para respeitar os prazos que os editores dão…

Resolveu ser parcimoniosa na sua resolução. Melhor resolução humilde cumprida, que uma toda ousada mas largada na metade.

E daí que, agora, passados quatro meses do compromisso assumido dela-com-ela-mesma, mãe fez a primeira contabilidade: 20…páginas lidas, o que resulta em nem meio livro (trazido de 2011) completamente vencido. E daí que, no cômputo geral, mãe descobre o óbvio: era uma moça inocente, muito inocente.

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maternidade é competição?

Pulga atrás da orelha: quando foi que a maternidade/paternidade virou competição? Ser mãe/pai é competir? O “desempenho” dos filhos é o que mede a qualidade da maternagem/paternagem (ok, essa palavra não existe, mas vou me permitir a licença poética)? É justo cobrar dos (ou esperar que os) filhos sejam os primeiros em sei-lá-o-que para que mães/pais ganhem sei-lá-o-que na comparação com outras/os mães/pais? Ou nós estamos tão acostumados à competição que nem percebemos a doideira que é tratar os filhos como se fossem competidores e/ou troféus?

Não tenho as respostas. Não tenho nenhuma delas, na verdade. Mas tenho pensado muito nisso, especialmente depois de encontros casuais que tenho tido com outras mães. Parece que há certos marcos de “desempenho” esperados para os filhos que servem, na verdade, para as mães medirem o “sucesso” delas e das crias.

Por exemplo: engatinhar é um desses marcos. Rola uma comparação deliberada para se saber qual bebê já engatinha ou começou a engatinhar primeiro, como se isso realmente significasse alguma coisa. O que se ganha quando um neném é “precoce” nessa área? Eu não sei, mas as mães parecem saber. Um google despretensioso vai mostrar que a idade “ideal” para começar a engatinhar é entre seis meses e um ano. Qualquer pediatra com dois neurônios funcionando vai dizer que, nesse período, o que vale mesmo é respeitar o tempo de cada criança. Mas experimenta dizer isso para as mães.

Dia desses ouvi de uma delas, cujo filho com 5 meses “quase engatinha”, que o “segredo” para a precocidade (que ela deve achar uma qualidade a ser copiada) do rebento é que ela nunca o pega no colo. Deixando o filho sozinho, sem colo, ela conseguiu que ele desenvolvesse habilidades motoras mais cedo. E ela critica as mães que fazem o contrário.

Pergunto: 1) Que vantagem o filho leva com isso? 2) Não seria melhor ter colo de mãe enquanto isso é fundamental –até para estimular o desenvolvimento neurológico e as sinapses– e deixar para estimular a evolução motora quando for a hora (ou fazer as duas coisas ao mesmo tempo)? 3) Essa mãe já refletiu sobre a importância da autoestima na vida do filho? Será que já pensou que “se virar sozinha”, nessa idade, não é algo desejável para uma criança?

Filosofia de botequim (que eu A-DO-RO! Pena que não esteja tomando cerveja por esses dias. Do contrário, confesso, já estaria com uma bem gelada a me fazer companhia): vivemos em uma sociedade altamente competitiva, que estimula ainda mais competição como se isso fosse o único caminho para uma prometida prosperidade. Nós pais, perdidinhos da silva, achamos que o melhor para os filhos é que já nasçam competindo, que já nasçam na frente, chegando antes dos outros bebês em qualquer lugar que seja.

É uma síndrome de maternagem desenvolvimentista, sabe como? A preocupação principal deixa de ser o bem estar, a felicidade, o crescimento saudável e no tempo de cada criança, o respeito às etapas e ao ritmo do filho. O objetivo torna-se desenvolver -o quanto antes, de forma “otimizada”- tudo o que tiver que ser desenvolvido no menor espaço de tempo possível.

E daí a competição: se meu filho engatinha antes, ponto para mim, que consegui estimulá-lo e desenvolvê-lo mais rápido. Se ele anda primeiro, ótimo. Se fala primeiro, então, nossa, eu poderia ganhar um Nobel da maternagem.

O natural sequer é considerado. E o tempo, que nos submete a todos, é solenemente ignorado na busca ansiosa por alcançar, via filhos, a ponta, o pódio, o primeiro lugar de qualquer coisa que seja. Os filhos são superestimulados e, paradoxalmente, recebem menos atenção do que mereciam, já que “aprender a se virar sozinho” virou mantra. Na maternagem desenvolvimentista hegemônica,  quanto antes os bebês ficarem independentes, melhor. Mesmo que isso custe (se é que alguém ainda se preocupa com isso) boa parte da formação afetiva e emocional desse neném.

E essa “nova” forma de maternar -não por acaso- cai como uma luva numa sociedade consumista e individualista que parece que desaprendeu a ter filhos. Enquanto não consome, filho não se insere nesse contexto. Para mim, parece fato que, ao passo que a ciência evolui e permite que casais que jamais teriam filhos concebam, coletivamente, perdemos a capacidade de nos reproduzir a contento, pois perdemos -e nos orgulhamos disso- habilidades fundamentais para maternar/paternar:

-Não temos mais tempo: não esperamos nossos filhos crescerem e se desenvolverem; queremos acelerar os processos todos. Não temos tempo, nem nossos filhos tem, para esperar as etapas normais e apropriadas.

– Não temos mais disponibilidade: prioridade é o que vem em primeiro lugar. Não dá para ter vários primeiros lugares na nossa lista. E, em geral, mesmo querendo priorizar nossos filhos, na prática, priorizamos o que paga as contas. Porque, afinal, as contas precisam ser pagas, e vivemos numa sociedade esquizofrênica que nos faz escolher entre filhos e ganha-pão.

-Não temos mais paciência: sou tecnológica, adoro os avanços todos da ciência, mas acho que o mundo super conectado, que nos leva a trabalhar como loucos (ao invés de nos poupar tempo, como seria de se supor) também nos faz acostumar com um ritmo irreal e não-natural de vida. Queremos adiantar tudo, queremos tudo para ontem, levamos o imediatismo a um outro nível. Não queremos para já, queremos que já esteja pronto quando começarmos a desejar o que quer que seja.

-Não respeitamos o que é natural: bacana mesmo é o artificial, é o que acelera processos, “facilita” processos, substitui o que seria natural por algo mais adequado à nossa vida corrida, cosmopolita, sem qualquer ligação com instintos, ancestralidade, com as heranças que gerações anteriores levaram milênios para aperfeiçoar e nos legar.

E, veja, não estou apontando o dedo para ninguém. Também me incluo nisso tudo aí, também sou fruto disso tudo aí, também reproduzo isso tudo aí, também já me flagrei cobrando a mim mesma sobre o desenvolvimento do Enzo e planejando quais as habilidades dele eu vou querer “acelerar”.

Não aponto dedos não apenas porque teria de começar por mim mesma e porque não estou aqui para isso, mas, principalmente, porque não há exatamente responsáveis. A sociedade caminhou para onde estamos, nos trouxe até aqui, nos estimula. Somos consequência do mundo em que vivemos, dos valores do nosso tempo, da ciência e das informações de que dispomos, daquilo que nós e que os outros consideramos importante, ainda que discordemos um pouco (não vivemos numa ilha). Somos filhos do tal zeitgeist, o “espírito do tempo”.

E o espírito do nosso tempo é extremamente competitivo, individualista, frenético,workaholic (vida pessoal, esse palavrão, não gera lucro para as empresas capitalistas, afinal), artificial, contraditório, caótico, precoce, imediatista, consumista e eternamente insatisfeito. Por que as mães ficariam de fora?

O que nos resta, então? Refletir, refletir, refletir. Debater, debater, debater. Transformar, transformar, transformar. E olhar para os nosso filhos, acima de tudo, com os olhos livres desses óculos todos que nos fazem ver os pequenos sob o prisma do que o mundo quer deles, não do que eles querem do mundo e podem dar a ele.

Fácil não é. Mas também não é impossível. Minha segunda resolução -já colocada em prática- é respeitar as inclinações do Enzo e o tempo dele. Quando ele quer brincar no chão, tentar engatinhar, tentar andar, ajudo, estimulo, fico do lado. Quando ele quer colo, sombra e água fresca, é isso que dou. Quando me cobram largar meu filho, não dar colo, deixá-lo “independente”, não estou mais me calando. Digo que optei por uma maternagem na contra-mão mesmo, sinto muito, mas não vou na sua casa dar pitaco, né? Plis, não faça isso na minha. Faço isso por mim, mas também pelas outras mães. Circular conhecimento. Esse é o nome do jogo.

Também decidi -faz tempo, o que faz dela minha primeira resolução- priorizar mesmo Enzo. Meu tempo é dele. Ponto. Isso me custa correrias extras no trabalho, mas vale muitíssimo a pena. Qualidade também é quantidade nesse caso. E como eu posso (tem mãe com bem menos sorte), não vejo razão para não fazer isso.

E -terceira resolução, que na verdade é consequência de uma resolução maior (fugir dos modismos consumistas)- optei por mudar um pouco as coisas com a festa de um ano do Enzo. Estava planejando contratar especialistas e buffet para fazerem o aniversário dele. Mas mudei de ideia e vou fazer tudo (com exceção dos salgados). Não quero inserir Enzo desde sempre nessa coisa capitalista de competição pela festinha de aniversário mais “bacana” (leia-se mais cara e cheia de coisas supérfluas). Quero uma festa linda, claro, mas feita por nós, cumprindo todas as etapas, participando de todos os processos, com as nossas possibilidades reais, sem disfarces dados por especialistas.

Meu bolo não vai ter três andares e pasta americana. Mas vai ser delicioso, feito com muito amor, bem bonito, saudável, orgânico e sem porcarias. Enzo vai poder comer o próprio bolo!

Enfim, estou refletindo. E saindo da caverna.

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