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mãmãmãmãmãmã

(POST escrito originalmente em 15 de abril de 2012).

Pois parece que Enzo resolveu fazer tudo-ao-mesmo-tempo-agora: está andando (com apoio, claro) e “falando”. Há uns dias soltou um mãmãmãmã para pedir para sair do carrinho. E gostou da coisa.

Claro que ele ainda não liga o nome à pessoa. Não está, portanto, chamando a mim exatamente, mas a qualquer adulto que possa tirá-lo da situação que o desagrada.

Mas toda vez que ele chama, eu mesma tento atender, converso com ele e procuro correlacionar o mãmãmãmã com frases do tipo: “Mamãe está indo” ou “Fala, filho, mamãe está aqui”.

A ideia é que, aos poucos, ele vá associando o mãmãmãmã, que é uma evolução natural (com consoante, por exemplo) de sons mais simples que ele já emitia, à palavra mamãe (mais próxima) e a outras palavras simples do cotidiano.

O barato nisso tudo é ver que ele começou o processo de aquisição da fala, não apenas por dominar sons mais complexos, mas por começar ele mesmo a diferenciar seus balbucios e a atribuir sentindo próprio a cada um deles, diminuindo as vezes em que usa o choro como forma de expressão.

Para pedir coisas para brincar, por exemplo, ele não emprega o mãmãmãmã. Nesses casos, Enzo gesticula muito, muito empolgado, solta gritinhos e gargalhadinhas e se joga na direção do objeto. Quando já está brincando, costuma conversar muito comigo e com o brinquedo, sempre com sons como aaaaaaaa, êêêêêê, aaaaêêê, aaaaauuuuu, geralmente seguidos de risadinhas ou gritinhos de comemoração.

Já o mãmãmãmã ele reserva para situações bem específicas. Por exemplo: quando quer descer do sofá, em momentos em que quer ele mesmo pegar um brinquedo que está longe e nós precisamos ajudá-lo a andar até lá, na hora em que a fome aperta, no momento em que quer dormir, quando pede colo, quando pede para trocar de colo, na hora de reclamar de alguma coisa…

Não sei se ajudou-até acho que sim-, mas Enzo recentemente adquiriu habilidades com a língua, como fazer sons colocando-a entre os dentes e soprando (aquele barulhinho de carro). Ele também já encosta -todo orgulhoso, copiando o que fazemos para ele- a língua no céu da boca e depois a abaixa, fazendo “tló”, sabe como? E nos provoca a fazer isso o tempo todo. Ri muito quando ele “puxa” a brincadeira e nós embarcamos na dele -o que é sempre.

Agora a gente começa a ensiná-lo a falar outras palavras. É cedo, claro. Mas como a aquisição da fala é um processo constante e que depende de estímulo, quando percebo que há oportunidade, estimulo. Dri também, claro. Estamos, por exemplo, lendo mais para ele. Líamos antes, mas acontece que agora ele presta mais atenção ao que falamos, repara nos sons, observa os movimentos que fazemos com os lábios e língua e, não raras vezes, tenta tocar nossas línguas para “acompanhar” melhor a movimentação.

Então estamos aproveitando mais todo esse interesse, com resultados interessantes: um bebê tagarela, balbuciante, que fala sozinho e com a gente por longos períodos, que canta para si mesmo e que começa a prestar uma atenção diferente, mais interessada e tendente a copiar, a tudo o que dissemos e a tudo o que ele ouve, especialmente se pode VER o que está OUVINDO.

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Arquivado em bebezices, Maternidade