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uma cama para cinco

Daí que filho está gripado. Daí que o pequeno ainda não sabe ao certo como funciona esse treco complexo que os adultos chamamos “assoar o nariz”. Daí que o problema não é apenas ter de respirar pela boca na maior parte do tempo. Mais complicado é que o catarro não expelido adequadamente se assenta na garganta e gera tosses, muitas tosses.

Daí que essas crises de tosses, às vezes, vêm fortes, bravas, irrompem sem aviso prévio e só param quando Enzo vomita. Vomita de tanto tossir. Daí que, para dormir à noite, fica um tanto mais complicado. Enzo acorda diversas vezes por causa das tosses e os pais mal dormem preocupados com o pequeno. Solução: pai sugere trazer o filho pra cama do casal, já ocupada pelos dois e pela gata (*). Mãe topa e, com o a chegada da criança e do Pimpão (o urso de pelúcia), os cinco se espremem para caber no (pequeno) espaço que lhes compete embaixo do edredom.

Enzo já dormiu na nossa cama antes, claro. Mas nunca desde o início da noite. As vezes em que o bebê divide o colchão com a gente acontecem no finzinho da madrugada, começo da manhã, quando ele acorda me chamando. Em geral, eu costumava levantar e niná-lo até dormir. Depois, berço de novo. Acontece que ele pesa, hoje, 14 kilos e é filho de uma mulher que teve escoliose na infância. Não posso com peso e estava sendo muito, mas muito difícil ninar Enzo por 20, 30 ou até 40 minutos. Foi aí que, coisa de uns dois meses atrás, Dri teve um bela conversa com nosso filho numa dessas madrugadas em que ele queria passar tempo no meu colo antes de dormir de novo. Propôs dormirmos juntos na cama e, daí em diante, eu nem levanto mais para pegá-lo. Dri vai lá e traz Enzo pra deitar do meu lado. Coluna agradeceu horrores.

Mas foi a gripe, por essas vias meio tortas, que botou o pequeno entre a gente desde o comecinho da noite, oficialmente, não como um arremedo de madrugada, mas como o lugar certo para se dormir desde que se deita. E quer saber? Adoramos. Porque é muito bom dormir apertadinho com quem se ama, ué. Porque é divertido. Porque dá uma sensação de aconchego e acolhimento sem igual. Porque sentir filho botando a mãozinha no seu rosto pra ver se você está mesmo ali é de uma ternura difícil de descrever. Porque numa dessas noites, acordei (eu também estou gripada, o que dificulta dormir bem) e vi Enzo enroladinho no papai, cabecinha no ombro, agarrado ao braço do Dri, coisa mais linda. Porque é gostoso e ponto final.

Adotamos a cama compartilhada de vez? Não. Mas mais por causa do Enzo do que nossa. Na terceira noite dormindo com a gente, ele mesmo pediu pra voltar para o berço, creia. Não se acostumou muito com a confusão de gente se virando para lá e para cá a toda hora. E ele é bem espaçoso para dormir, gosta de ficar atravessado, braços e pernas abertas, o que fica meio impossível quando se bota dois adultos, um menino, uma gata e um urso de pelúcia em apenas 1,3o metro de largura.

Mas, depois dessas experiências, me arrependo horrores de não ter compartilhado cama com o pequeno desde sempre. Se tiver um segundo filho, certeza que farei diferente. É como aconteceu com uma amiga minha: primeiro filho, seguiu à risca as indicações e “conselhos” dos “especialistas” de sempre, esses que aparecem em todas as revistas, sites e livros de maternidade. Botou o bebê para dormir em quarto separado logo que voltaram da maternidade. Com a segundinha, o oposto. Botou marido pra dormir com o mais velho e levou a nenê pra cama de casal. Resultado: noites melhores dormidas para todos os envolvidos, amamentação exclusiva sem a menor dificuldade (primogênito complementou), livre-demanda, bebéia tranquila, apegadinha, mas bem mais independente que o irmão mais velho na mesma idade.

Quando Enzo nasceu, eu era ainda mais ignorante sobre a bebezice do que sou hoje. Já tinha descoberto alguns blogs maternos, mas, apesar de interessada em várias ideias novas apresentadas por aqui, o desconhecimento e a insegurança me faziam pender um pouco  mais para o lado “mainstream” da maternidade, aquele que sai mensalmente na “Crescer” e na “Pais & Filhos”, aquele representado lindamente (só que não) na TV pela “Supernanny” e suas ideias autoritárias, desrespeitosas e inócuas de disciplina.

Eu era tão carente de conhecimento e de amadurecimento que projetava um ideal de maternidade –que espelhava, claro, minhas necessidades infantis de ser “perfeita” e “ganhar uma estrelinha no caderno” da sociedade, da família, dos amigos no final do ano–  no qual eu seria melhor mãe tanto mais quieto, educado e obediente fosse meu filho. Quanto mais Enzo se parece com uma boneca, tanto melhor mãe eu seria.

Daí que, para isso, nada “melhor” que meter as caras nesses livretinhos de auto-ajuda materna aos montes por aí e ouvir os “conselhos” da pitaqueirada de plantão de sempre (o que inclui familiares de todos os graus, médicos, estranhos e até enfermeiras da maternidade. Porque qualquer um, qualquer um mesmo, sempre se sente no direito de te dizer como educar seu filho. Para mim, essa é, sem dúvida, a coisa mais irritante da maternidade). E eu acabei fazendo um pouco isso no começo mesmo.

E os conselhos em geral diziam (e dizem) o seguinte, basicamente (vou exagerar, mas é bem pouco): 1) Filho bom é filho absolutamente submisso e treinadinho pra só chorar quando tiver fome; 2) Mãe que é mãe tem mais o que fazer na vida do que dar peito, dar colo, dar atenção, dar amor etc. Então bote logo esse nenê no lugar dele, que é naturalmente o carrinho, o berço, outro quarto (quanto mais longe do seu, melhor); 3) A vida é dura aí fora, portanto, nada de tratar esse nenê como se ele fosse…er… um… nenê. Ele tem que aprender a se virar, né não? 4) Jamais, em hipótese alguma, coloque seu filho no mesmo quarto que vocês. Isso dá em divórcio por falta de sexo (porque, né?, só é permitido transar na cama e à noite. Se o bebê estiver lá…) e porque o seu marido vai sentir ciúme do filho (lógico, todo homem tem o desenvolvimento emocional de uma criança de quatro anos e vai rivalizar com a própria cria). Além do mais: cama compartilhada gera dependência (bebê tem que nascer adulto já, minha gente!). Pode até ser agradável, delícia mesmo, mas, mãezinha, agora que você tem um filho, tem deixar de lado essas coisinhas à toa, sabe? Maternidade não é gostoso, maternidade é padecer no paraíso, mãezinha, lembra? Maternidade é disciplina. É ensinar seu filho a lidar com esse mundo cruel. Não seja boazinha com ele, não facilite a vida desse bebê, não acostume essa criança no colo, não crie um filhinho-de-mamãe. Supernanny nele! Cantinho do pensamento nele! Deixe chorar no escurinho do quarto, sozinho, no berço, até dormir!

Não comprei toda essa baboseira aí de cima, mas uma parte, infelizmente, sim. Eu achava mesmo que seria uma boa mãe se disciplinasse meu filho desde pitiquinho, se ele “aprendesse” a dormir sozinho desde sempre, se tivesse horários rígidos e mamadas de três em três horas.

Sorte nossa é que mãe tem instinto. Forte. Imperativo. Acho que foi isso que me fez começar a dar mais ouvidos às outras mães da madresfera que aos especialistas de sempre. Foi isso que me fez decidir por botar Enzo dormindo no nosso quarto desde que chegamos do hospital. Não na nossa cama (que pena!), porque eu tinha medo de machucá-lo. Mas no quarto. Ficou dormindo com a gente por quase um ano. E foi ótimo. Mas teria sido ainda melhor se fosse na cama. Calor humano, sabe? E era isso que eu queria, que nosso instinto –o meu e o dele– pedia. Frustramos um desejo bem genuíno. Lamento. E lamento ainda mais agora, que experimentei de fato. Putz, é bom, é o “certo”. Não o certo universal que não acredito nisso. Mas o certo pra mim, entende? Eu já tinha virado, depois de tudo que aprendi na madresfera com tantas mães maravilhosas que encontrei por aqui –e também com González, com Gutman, com Gerhardt, com Odent, com Uplinger–, uma entusiasta teórica da cama compartilhada. Agora, apesar da pouca experiência, virei uma entusiasta prática.

Hoje mesmo, Enzo veio pra nossa cama às 5h45 da matina. E apesar de só ter voltado a dormir às 7h50, foi bom, foi ótimo, foi gostoso, foi natural. Hoje, e cada vez mais, acho mesmo que o lugar das crianças pequenas é com os pais. Fisicamente com os pais. No colo, na cama, grudadinho no sofá. Contato, calor, pele-com-pele, carinho, toque delicado. Isso diz muito, muito mais que qualquer  “eu te amo”.

Fica cada vez mais fica evidente pra mim, como já dizia Montessori há duzentos anos, que as crianças são naturalmente impulsionadas para a independência. É natural, a gente não precisa fazer nada, só estar ali do lado, dando condições para que os filhos deem os próprios passos quando for a hora. E esse é o ponto: quando for a hora. Quando o filho está pronto, ele se vira sozinho sem precisar ser “ensinado”. Ninguém precisa ensinar bebê a dormir sozinho. Se ele ainda não faz isso, é porque precisa de colo, ué! Porque isso é o natural para ele naquele momento de seu desenvolvimento. Não se precisa treinar uma criança a usar o penico. Quando ela estiver pronta, vai partir dela a iniciativa para o desfralde. Não precisa tirar filho da cama dos pais. Quando ele estiver pronto, ele vai pro quarto dele sozinho, como fez Enzo e como fez a Clara, filha da Lígia Moreira Sena, aos 3 anos.

Então fica aqui meu relato e minha sugestão: se você tem vontade de oferecer cama aos filhos, vai fundo. Porque pode dar muito certo. E porque é bom, bom demais. Aqui tem um post muito bom e muito completo sobre cama compartilhada, com um viés científico, escrito pela Lígia e pela Andrea Mortensen, duas cientistas que pesquisam o tema há tempos. Super recomendo.

(*) Pela verdade dos fatos: a cama é da gata desde sempre. Ela é quem chega primeiro, se espalha e, depois, permite que Dri e eu deitemos no canto que sobra. Não sei se ela tem curtido muito a ideia de dividir seu espaço com Enzo e Pimpão, mas até agora ainda não reclamou…

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o renascimento do parto

"Maternite" (1963), de ninguém menos que Picasso (*)

“Maternite” (1963), de ninguém menos que Picasso (*)

A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda que as cesáreas representem, no máximo, 15% dos partos. No Brasil, no entanto, já atingimos o alarmante número médio de 50% de cesáreas. Isso botando na conta a população parturiente como um todo. Quando se levanta os mesmos números computando apenas as mulheres atendidas por hospitais particulares, a quantidade de cesáreas passa dos 80%, chegando aos 90% em alguns casos. Ou seja, o contrário do que a OMS define como ideal para resguardar a saúde da mãe e do bebê.

O Brasil é, hoje, o país mais “cesarista” de que se tem conhecimento. Na Europa, para uma comparação rápida, as cesáreas somam 25% dos partos. Eu faço parte das estatísticas, fiz uma cesárea (relatos aqui e aqui). E, por tudo o que li sobre isso depois do parto, também me incluo no grupo das que sofreram uma cirurgia desse porte desnecessariamente. Somos maioria, infelizmente, como mostram os números.

Penso que tem muita coisa que explica porque, em questão de duas gerações, as mulheres simplesmente deixaram de parir. Mas duas delas me chamam mais a atenção.

1) O medo: é assustador (e muito) ter outra pessoa crescendo dentro da sua barriga. É muito assustador imaginar como essa pessoa vai sair de lá, especialmente quando você é mãe de primeira viagem e não tem muita ideia de como serão as coisas e do que esperar, de fato, na hora do parto. Por mais que outras pessoas compartilhem suas experiências, só no momento do seu bebê nascer é que você vai saber como um parto funciona para você.

E esse medo vem sendo usado habilmente pela indústria da cesárea para convencer as mães de que, no seu caso, cesárea é fundamental. Indiscutível que cesáreas bem recomendadas salvam e salvaram muitas vidas. Mas acho meio impossível que, de repente, quase todas as mulheres tenham gravidezes de risco ou partos de risco. Desculpe, mas a conta não fecha.

2) O mito: Nada melhor que um bom mito para assustar definitivamente quem já estava com medo. Pois hoje a gente, coletivamente, passou a acreditar que as mulheres não têm condições de parir, que é preciso todo um preparo e um investimento em ginástica, terapias variadas, natação etc etc etc (que nem todas podem pagar) para parir um bebê por vias naturais.

Ou, se você não for masoquista a ponto de fazer questão de sofrer, e tiver grana, pode pagar pelas “maravilhas” da ciência num hospital de ponta. Garantia de cesárea.

Esse é o discurso explícito ou implícito tanto nas rodinhas de mulheres quanto na mídia ou nos consultórios de obstetras por aí. Quem pode ou paga para se preparar para o parto (como se realmente fosse preciso) ou paga para não ter de fazê-lo. E não falo só de quem opta por uma eletiva de cara, não. Falo de quem, como eu, ficou morrendo de medo a gravidez inteira e não teve coragem de bancar, de fato, o próprio parto normal.

É por tudo isso que o documentário “O Renascimento do Parto” está chegando em boa hora. Era para ter sido lançado no ano passado, não foi. Há um mês, mais ou menos, houve uma sessão especial para convidados, e o trailer está rolando pelas redes sociais e madresfera. 

Não assisti à projeção para convidados, mas o promocional me fisgou. Tem Michel Odent, por exemplo, questionando o que vai ser de uma sociedade que não produz mais o “hormônio do amor”, a ocitocina. Nunca tinha pensado nisso. Que mudanças veremos no mundo quando mulher nenhuma parir seu próprio filho?

Pra refletir –e muito.

(*) A bela imagem do gênio espanhol eu peguei daqui ó.

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a vergonha alheia e o respeito pelos sentimentos dos bebês

Sabe o que de mais importante eu tenho aprendido com meu filho? Que “nós”, os adultos, e “eles”, os bebês e crianças, não somos assim tão diferentes quanto o metro e meio de altura a mais (no nosso caso) nos faz crer.

"Mother and Child", obra da Susan Stockdale (*)

“Mother and Child”, obra da Susan Stockdale (*)

A “descoberta” começou num inocente passeio de domingo, há umas três semanas. Enzo estava correndo numa arquibancada, segurando minha mão. Mesmo assim, tropeçou e levou um tombinho bem leve. Reagiu super mal, chorou horrores, gritou, saiu correndo, não aceitou conforto, afago, palavras amigáveis, nada, nada, nada. Qualquer tentativa de aproximação, preocupação ou acolhimento era recebida com gritos, choros e palavras de ordem: “Não! Não! Não! Não!”

No meio dos protestos, ele começou a dizer que estava “bavo”, “bavo”, “bavo” e, sem querer-querendo, deu a deixa de que eu precisava para tentar um diálogo. “Bravo por que, filho?” O pequeno começou a apontar em direção às pessoas que estavam na quadra. Olhava para as crianças –com as quais estivera brincando até pouco antes do tombinho–, apontava para elas, gesticulava com a testa franzida, olhos cheios de lágrima e, em seguida, mostrava o local onde tinha caído. E recomeçava a chorar. “Bavo, bavo, bavo”.

Fiquei confusa com aquela gesticulação toda, os balbucios, o choro, a “baveza”. Demorou um pouco, confesso, mas a ficha caiu. E quando caiu, não tive dúvidas, mas perguntei: “Você ficou com vergonha, filho?”.

-Aaaaah! Gonha, gonha, gonha!

Pronto, o filho voltou a sorrir. Eu tinha entendido, finalmente, o que ele estava tentando me dizer. E aí se acalmou imediatamente, veio se sentar no meu colo e conversamos longamente sobre o tombo, a raiva (que ele traduziu como “bavo”), a vergonha. Perguntei se ele tinha ficado envergonhado por cair simplesmente ou por cair na frente das pessoas. E descobri que a frustração foi por ambas as coisas, mas mais por ser num local público, cheio de gente.

Descobri que Enzo, apesar da pouca idade, é muito exigente consigo, não gosta de errar. Pior ainda se o erro for cometido com testemunhas. Expliquei que todo mundo cai, que todo mundo já caiu. Dri e eu mostramos a ele algumas cicatrizes e sinais, contamos como e quando nos machucamos daquele jeito. E isso tranquilizou o pequeno, pelo menos em relação àquele tombo.

E –mais importante– descobri que, embora ainda um bebê, meu filho já tem noção de si mesmo, sentimentos complexos  e uma vida emocional que, em geral, gostamos de atribuir apenas aos adultos. Quando uma criança cai e chora, na maioria das vezes, nos esforçamos ao máximo para sufocar o choro, minimizar os sentimentos dela, diminuir a importância do que essa criança está sentindo. A resposta padrão é sempre “não foi nada”, ou “logo passa” ou ainda o infame “antes de casar, sara” (eu detestava ouvir isso!).

Costumamos menosprezar os sentimentos das crianças. Dizemos que, se choram “demais” porque caíram, são “manhosas”, “birrentas”, “carentes”, “querem chamar a atenção”. Não somos empáticos com elas, não nos colocamos em seus lugares, não procurarmos enxergar o mundo pelos olhos delas e aí perdemos a oportunidade de perceber que elas somos nós. Que elas sentem como nós, só que com mais intensidade (ainda não têm o arcabouço racional, fisicamente falando inclusive, que nos permite organizar emoções e lidar melhor com as questões emocionais).

Carlos González (de novo ele, eu sei, mas fazer o que se o cara é bom?) foi o primeiro que me alertou, em seu ótimo “Besame Mucho“, para esse, digamos, fenômeno. Ele sustenta, e eu concordo, que tratamos as crianças como quase-pessoas, não como pessoas propriamente. Não respeitamos –e sequer admitimos– os sentimentos delas, não imaginamos que também se envergonham, que também se irritam, que se assustam, que se frustram e que todo esse emaranhado de emoções precisa ser expressado.

Quando um filho expressa o que sente, tratamos logo de dizer que “passa” ou que aquilo é “manha” e, portanto, o melhor a fazer é ignorar.

Por que fazemos isso? “Sei lá” seria a resposta mais honesta. Mas vou chutar outras alternativas. Uma delas é que somos ignorantes mesmo. Ponto. Sabemos pouquíssimo sobre a psicologia e o desenvolvimento emocional dos bebês e das crianças muito pequenas, dito por uma das mais reputadas especialistas no assunto, a britânica Sue Gerhardt.

(((Ela é psicoterapeuta e estudiosa da neurologia de bebês e crianças ainda na primeira infância. Escreveu o altamente recomendável “Why Love Matters” (infelizmente ainda sem edição em português), que evidencia como o amor e o tratamento carinhoso e respeitoso nos primeiros três anos de vida modificam para melhor a estrutura física do cérebro.)))

Nós não sabemos porque os bebês agem como agem e tendemos, então, a avaliar suas ações pelo conhecimento que temos do mundo emocional adulto. Logo, um bebê que ignora um “não” está “testando limites” ou simplesmente testando a paciência dos pais, desafiando. Se chora por alguma coisa que não compreendemos ou que, para nós, não tem importância, então são “manhosos”, “choram para chamar a atenção”. Se ficam irritadiços “à toa”, são “mimados” ou “não tem limites”.

São poucas as vozes discordantes. Duas delas já citadas. Tanto Gonzalez quanto Gerhardt defendem que, assim como os adultos, crianças têm mau humor, dias ruins, se impacientam e estressam com coisas aparentemente banais, mas que podem ser, na verdade, “gotas d’água” em processos emocionais desgastantes que ficam alheios aos adultos. Afinal, bebês não falam ou não falam bem e –plus– entendem muito pouco do que acontece consigo mesmos para expressar com exatidão o que sentem e porque sentem.

Também dizem claramente o seguinte: suportamos adultos “dando chiliques”, sendo grosseiros, se comportando mal. Ninguém vê um adulto nervoso e diz: “ah, seu manhoso, está bravo por quê? Quer um motivo real para ficar bravo? Vem cá!”. Nosso esforço, ao contrário, é sempre no sentido de tentar: a) entender o motivo da explosão e 2) acalmar o dito cujo. Por que não fazer o mesmo com nossos filhos, tão mais frágeis, inconstantes e realmente necessitados desse tipo de apoio?

Até os especialistas mais “mainstream”, que reproduzem o senso comum e esta postura desconfiada em relação às boas intenções das crianças, como o pediatra norteamericano Harvey Karp (autor, entre outros, de “O bebê mais feliz do pedaço” e “A criança mais feliz do pedaço“), reconhecem que é preciso muito mais de empatia que de desconfiança na hora de educar filhos. Karp diz em várias passagens de seus livros que acredita que os bebês sintam de forma muito parecida com a nossa, com o agravante de que entendem ainda menos do que “a gente grande”  sobre o que estão sentindo, o que, claro, aumenta a reação.

Alguns estudiosos levantam boas hipóteses sobre o funcionamento, por assim dizer, dos bebês (lá vamos nós falar de novo do González, da Gerhardt, do Winicott). Parte deles chegou a provar teorias interessantes (caso dos citados e também de Melanie Klein, John Bowlby), mas essas teorias não repercutiram entre a maioria dos pediatras, profissionais de saúde (física e mental)  e das mães da nossa geração  (ou da geração das nossas mães).

Arrisco dizer que não repercutiram porque eram –e são– francamente contrárias (sob um ponto de vista bem limitado) ao “espírito do tempo” das nossas gerações. Quem ia querer saber de colo em tempo integral se o “bacana”, o “moderno” é mãe que tem carreira? Quem ia querer saber do prazer da amamentação se prazer mesmo a gente encontra é no shopping?

Estou exagerando na descrição só pra mostrar as contradições. Não acho que mulher não deva ter carreira (eu tenho uma e amo!), ou que não possa gastar com o que bem entender ou que seja culpada disso ou daquilo. Só usei esses exemplos pra dizer que a sociedade do consumo, que ganhou força incrível depois das duas guerras do século passado, nos fez crer em um monte de coisas, infantilizou toda uma geração, só pra vender mais. Nesse contexto, olhar o outro de frente, com maturidade e respeito, não faz sentido. Se for uma criança então, piorou. Soma-se a isso o fato de que a infância já não era mesmo muito respeitada mundo afora (a “invenção” da infância é bem recente) e pronto. O pouco de conhecimento que temos sobre a vida psíquica das crianças pequenas vem sendo ignorado de propósito há tempos.

Daí, voltando pro meu exemplo prosaico e singelo, meu filho, tão pequeno, me dá um bela de uma lição e traduz, em atos, o que esses caras todos aí de cima levaram anos estudando. Ele sente sim. “Tombinho”, pra mim, é coisa séria pra ele. E, sim, mamãe, é preciso respeitar e acolher, ajudar o pequeno a processar a vergonha, o medo, a frustração e a raiva, que são sentimentos humanos, tanto dos “grandes” quanto dos “pequenos”.

Dizem o próprio Karp e, com muito mais propriedade, a Laura Gutman (**) que somos nós, pais/mães e adultos, que precisamos nomear os sentimentos dos filhos para ajudá-los a entender o que se passa com eles e, dessa forma, aprender a lidar (um pouco melhor) com as emoções. E foi precisamente na medida em que eu nomeei a vergonha de Enzo que o sentimento passou a fazer sentido e o choro perdeu sua função primordial, a comunicação.

De lá pra cá Enzo fala muito, muito mesmo sobre sentimentos. Virou um “bavinho”, pois qualquer pequena frustração que tem, corre me contar anunciando que está “bavo”. Até faz graça com isso, é preciso dizer, e às vezes fica “bavo” de mentirinha. De todo o modo, também é preciso dizer, praticamente não faz “birra” no sentido clássico do termo e simplesmente não chora mais para expressar qualquer sentimento que tenha. Sempre fala o que está sentindo e isso resolve ou alivia o conflito, seja dele com ele mesmo seja dele com a gente (quando negamos alguma coisa, por exemplo).

Além do mais, as crises de frustração, que duravam bem mais, agora são rápidas e levam, em geral, o tempo de uma conversa. Também sinto que a ligação e a confiança mútuas aumentaram. Sei que essa confiança vai fazer a diferença no nosso relacionamento –e no relacionamento dele com outras pessoas– quando for maior e isso, por si só, já será muito.

****

(*) Susan Stockdale é uma artista norteamericana, ilustradora de livros infantis, que eu conheci fuçando no Etsy (loja virtual de arte, design e quinquilharias bonitinhas diversas). A imagem, aliás, é de lá mesmo, vá por aqui se quiser mais detalhes.

(**) Recomendo muito uma série de vídeos de uma palestra da Gutman sobre seu livro “El poder del discurso materno“. Aqui embaixo, o primeiro trecho de 7, que valem a pena.

Dá pra ir assistindo às outras partes pelo próprio navegador do You Tube (por aqui). Altamente recomendável.

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quem tem um olho é rei

[“Quando as situações injustas são correntes, perdemos a noção de liberdade” ]

Laura Gutman

Que nome você daria a uma situação em que uma pessoa usasse a força para submeter outras à vontade dela? E que nome você daria à mesma cena caso a primeira pessoa usasse não a força física, mas a manipulação psicológica? Eu chamaria de violência. Tanto quanto eu chamaria de violência um assalto, um sequestro, um tapa na cara, uma agressão qualquer.

E me espanto muito quando poucas pessoas acham violentos os nascimentos hoje em dia. Vou explicar. Li esse post da Anne Rammi e, coincidentemente, uma pessoa muito querida passou por situação semelhante a uma das narradas no texto dela: informações pela metade e omissão de informações que culminaram numa cesárea desnecessária (como são a imensa maioria das cesáreas).

Fico aqui pensando com meus botões: o corpo que vai parir é da parturiente; a carne que vai ser cortada é dela também; a cirurgia vai agredir o útero da grávida; é o filho dela que vai retirado do ventre à força, com violência (sim, sim, nascer sem TP é, em geral, uma violência para o bebê); é o filho dela que não vai poder usufruir do cordão umbilical até que pare de pulsar; é esse recém-nascido que não vai poder ser afagado pela mãe nas primeiras horas, que não vai começar a mamar quando seu impulso de sucção é maior, que poderá ter sua amamentação prejudicada…

Essa mulher não tem o direito de decidir o que quer fazer de seu corpo e que tipo de parto deseja dar ao filho? Ser cortada, manipulada, exposta a uma cirurgia não deveria ser uma decisão de quem vai sofrer esse procedimento? Minha vontade sobre meu próprio corpo não deveria ser soberana?

Como fazer tudo isso se sonegam informações? Se alguém mente e diz que a única saída é uma cesárea, e aí a parturiente consente com a cesárea, esse consentimento é válido? Ela consentiu mesmo? Ou foi manipulada  e enganada para consentir?

Como decidir sofrendo uma pressão psicológica desde antes de engravidar? Como optar por um parto normal com a segurança necessária se médicos, mídia e senso comum fazem de conta o tempo todo (com má fé ou não) que PN é mais inseguro que uma cesárea, que parto em casa é mais arriscado que parto hospitalar? Como não ter medo de parir e acabar, por isso, recorrendo a uma cirurgia, aceitando a cirurgia e naturalizando a cirurgia como se ela fosse a via usual, adequada, própria para o nascimento?

O que fazer se os médicos partem do pressuposto de que um bebê precisa nascer antes da 40ª semana quando, na própria literatura médica, nada comprova esse “procedimento padrão”, dito pelos próprios médicos? Na teoria, todo mundo sabe –e ouve dos GOs– que a gestação normal numa humana vai de 38 a 42 semanas. Quem espera chegar à 42ª? Por que não? Quem foi que convencionou um limite de 40 semanas? E mais importante: por quê?

Colo fechado, quadril estreito, pouca dilatação, bebê grande demais, bebê “velho” demais, placenta “velha”, cordão enrolado no pescoço… Quantos argumentos curtos e grossos são dados às pressas para convencer mães a evitarem o PN sem que ao menos os médicos se deem ao trabalho de explicar o que esse monte de coisa quer dizer? Não podem explicar o inexplicável? Não podem dizer que, salvo raríssimas exceções, todas as mulheres dilatam, por exemplo? Não podem dizer que, na verdade, o problema com a sua dilatação é que ela não está acontecendo no tempo que o médico quer e que é mais lucrativo pro hospital?

Eu sigo tendo certeza de que manipular alguém para submeter o corpo desse alguém à vontade de outrem é nada mais que violência. E é uma violência dissimulada, travestida de “milagre da medicina”. Se as cesáreas –muito válidas e necessárias para salvar vidas quando prescritas adequadamente– fossem mesmo necessárias na proporção que são usadas hoje nos hospitais particulares, então estaríamos admitindo que mais de 80% das grávidas estariam mortas não fosse a cirurgia, que mais de 80% das parturientes chegaram à maternidade correndo risco, a despeito de terem acesso ao pré-natal mais eficiente ever. Estranho, não?

Não quero dizer que quem pariu de PN é melhor que quem pariu via cesárea. Pelamor, mulherada, vamos superar essa coisa de mais e menos; melhor ou pior, ok? Quero dizer só o que disse: estamos sofrendo violência e nem nos damos conta. Sequestraram um dos últimos bastiões da liberdade e da sexualidade livre da mulher, que era o parto; um dos poucos espaços onde a patrulha machista (feminina ou masculina) não se metia. Lá ninguém julgava, não dava palpites, não dizia que era “feio”, “pecado”, “proibido”. Não era preciso refrear emoções, era permitido gritar feito bicho, bater, ficar de cócoras, sangrar, gemer, uivar. E tudo era permitido.

Era.

Porque agora podemos ser “higiênicas”, “limpas”, “rápidas”, “quietinhas”, “passivas”. A passividade, tão valorizada como “característica” feminina, chegou ao parto. Basta tomarmos uma anestesia, alguém nos amarra as mãos e participamos tão ativamente do nosso parto quanto querem que participemos: nada.

Vamos ficar quietas até quando? 

**********

De onde saiu isso? Daqui, daqui, daqui e daqui. E, claro, daqui e daqui. Recomenda as leituras. A mulherada da madresfera finalmente está tirando as garras pra fora, no ótimo sentido. Rumo ao maternismo.

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o autocontrole segundo Enzo

O pequeno está em casa, mas sob os cuidados da avó. A mãe também está em casa, mas trancada no escritório, trabalhando. A avó escova os dentes, pequeno agarrado às suas pernas. Ele pede a pasta de dentes para brincar. Ela dá. Ele pede para abrir. Ela abre. Ele brinca um pouco, lambuza os dedos, lambe, prova. Ela olha, supervisiona, pega a pasta de volta.

Ele ralha. Quer brincar mais. Ela acha que tudo bem, mas não quer que ele coma mais pasta. Devolve o tubo tampado. Ele não gosta. Quer que ela abra. Ela não abre. Ele resmunga com ela, aponta de novo para a tampa, mais incisivo. Ela diz que não. Ele ameaça uma reação, pura explosão de raiva, mas para.

Larga a avó para trás e segue, sereno e controlado, em direção ao escritório onde está a mãe. Chega lá, empurra a porta. A mãe desvia os olhos do teclado, encara o filho, que, calmamente, ajoelha-se no chão, na frente da mãe. Ele olha para ela, dono da situação, quase sorrindo. Certifica-se de que ela continua com os olhos fixados nele e então –e só então– começa a dar um piti daqueles: se joga para trás, grita, bate as mãos e os pés, reclama, chora.

Ninguém poderá acusá-lo de não ter autocontrole.

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laura gutman: só lendo

Comecei a ler a Laura Gutman. Quem é mãe blogueira e frequentadora assídua da madresfera sabe bem de quem estou falando.Para quem ainda não sabe, Laura Gutman é uma psicóloga argentina, especializada em amamentação e no atendimento a crianças e casais. “Militante” da criação por apego, é fundadora da Escola Capacitação Crianza, onde atende mães e bebês e promove cursos para profissionais da saúde e doulas.

Laura escreveu o que acho que seja o mais importante livro sobre maternidade da nossa geração,  “A maternidade e o encontro com a própria sombra“,  justamente o que estou lendo agora, numa “sentada” só (impossível parar de ler!). Entre (muitas) outras coisas, ela mostra de que forma emoções que consideramos “ruins” e que pretendemos não reconhecer (a nossa “sombra”) se refletem nos nossos filhos.

Ela fala de gravidez, de parto, de amamentação, de comportamentos e doenças infantis, do papel dos homens, do prazer das crianças (e da nossa reação a ele), de limites e comunicação, de sono, de violência. E escreve sobre tudo isso com uma profundidade que eu não tinha encontrado antes em nenhum  “especialista”  que ousei ler.

A leitura de  “Maternidade”  é, ao mesmo tempo, prazerosa e dolorida. Gutman afaga e acolhe na medida em que nos ajuda a reconhecer que muitas das nossas falhas são “explicáveis”por um sistema de coisas que é alheio à nossa vontade; mostra que a maioria das nossas inclinações maternas –aquilo que a gente tem vontade genuína de fazer de bom pros filhos, mas que a sociedade recrimina–são heranças femininas que carregamos conosco há milênios e que, em última análise (como já disse Carlos González), permitiram a sobrevivência da espécie humana por essas bandas.

Mas também é soco no estômago porque nos força a reconhecer que a parte de nós que nos esforçamos tanto para esconder nossos filhos trazem à luz. É difícil engolir que, de repente, aquela atitude que tanto irrita na criança é apenas RESPONSABILIDADE sua ou a manifestação externa, no bebê, de um conflito SEU.

Também pode ser complicado para algumas mães refletir sobre a maternidade que praticam. Gutman, assim como González, adota o ponto de vista do bebê. Ou seja, não se preocupa muito em passar a mão na cabeça das mães. Ao contrário, aponta como funciona a psiquê dos pequenos, a “fusão” com a mãe nos dois primeiros anos de vida, a “exterogestação”, que dura os primeiros nove meses, e a consequente importância que a figura materna tem na formação da personalidade das crianças. Sem medo de cutucar as mães, ela mostra o IDEAL de maternidade para a CRIANÇA (não para a mãe, nem para o marido, tampouco para o mercado de trabalho).

Enfim, muito mais do que um manual do tipo “faça isso, não faça aquilo”, o livro é uma espécie de “reflexão guiada” sobre si mesma e sobre o universo da formação da personalidade dos bebês. É profundo e libertador.

Mesmo ainda na metade, recomendo. Ainda ruminando o que tenho lido, separei algumas frases para compartilhar por aqui:

“O selvagem torna todas as mulheres saudáveis. Sem o lado selvagem, a psicologia feminina fica desprovida de sentido”.

“O mundo seria outro se as salas de parto fossem menos silenciosas, se no início da relação entre os seres humanos houvesse espaço para as emoções, se a desumanização não abrangesse as áreas da boa vinda ao mundo”.

“Quando as situações injustas são correntes, perdemos a noção de liberdade”.

“Talvez este [o parto] seja o espaço mais sutil encontrado por toda a sociedade para se permitir exercer o controle, os maus-tratos e o ódio sobre o poder infinito das mulheres que estão parindo”.

“Quando [o bebê] mama com mais frequência, isso não acontece, necessariamente, pelo fato de o leite não ser suficiente. Pelo contrário, é porque é um bebê ativo, conectado e feliz”.

“Um bebê se constitui um ser humano na medida em que está em total comunicação com o outro, de preferência a mãe. (…) o tempo todo de colo, calor, abrigo, movimento, ritmo”.

“A possibilidade de sugar, ingerir e satisfazer a fome deveria estar disponível cada vez que o bebê pedisse”.

“Deveríamos refletir sobre o poder que exercemos sobre elas [as crianças], na posição de adultos, dizendo arbitrariamente quando é justo oferecer alimento e quando isso não é adequado ou merecido”.

“A alma não registra o tempo”.

“Somos uma sociedade extremamente violenta com nossas crias. Insistimos em não atender as queixas dos bebês, que dependem exclusivamente do cuidado dos adultos”.

Esse são só alguns exemplos, o livro é repleto de ideias complexas, que precisamos “marinar”  com calma. Para quem se interessou, também recomendo um vídeo que as meninas do Mamatraca fizeram para registrar a palestra da Gutman no Brasil. Elas editaram as melhores partes do seminário, que podem ser conferidas aqui ó.

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bebê decide

São 4h da manhã, e bebê decide que é hora de acordar.

Não satisfeito com acordar às 4h, bebê decide que madrugada é hora de chorar.

Não satisfeito com chorar, bebê decide que madrugada é hora de mamar.

Não satisfeito com mamar, bebê decide que madrugada é hora de mamãe, não de papai.

Não satisfeito com mamãe, bebê decide que madrugada é hora de montar suas pecinhas de encaixar.

Não satisfeito com as pecinhas, bebê decide que madrugada é hora de correr pela casa.

Não satisfeito com a corrida, bebê decide que madrugada é hora de brincar com a gata.

Não satisfeito com a gata, bebê decide que madrugada é hora de guardar e desguardar objetos.

Não satisfeito com o guarda-desguarda, bebê decide que madrugada é hora de encaixar o outro jogo de pecinhas.

Não satisfeito com o segundo jogo, bebê decide que madrugada é hora de colinho.

Não satisfeito com o colinho, bebê decide que madrugada é hora de chão.

Não satisfeito com o chão, bebê decide que madrugada é hora de mais colinho para tentar dormir.

Não satisfeito com a tentativa, bebê decide que madrugada é hora de andar na cozinha.

Não satisfeito com a cozinha, bebê decide que madrugada é hora de mamar de novo.

Não satisfeito com a mamadeira, bebê decide que madrugada é hora de ninar.

Não satisfeito com as ninadas, bebê decide que madrugada é hora de dormir no colinho da mamãe.

E aí já são 7h da manhã.

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