Arquivo da tag: comida

a omelete, a mãe, o filho e a cebola roxa

(*)

Daí que a mãe se lembra, às 19 h de um domingo, que esqueceu de comprar o frango que faria pro filho. Putaqueopariu! #mãedemerda!  Isso que dá ficar 15 minutos de pernas pro ar, lendo, enquanto bebê dorme! Não se apercebeu ainda, moça,  que “pernas pro ar” não rima com “maternidade”?

Seis palavrões e uma dúzia de xingamentos depois, mãe resolve abrir a geladeira pra ver se salva alguma coisa lá de dentro. Afinal, #mãedemerda ou não, a cria vai jantar daqui a alguns minutos, confere, produção?  E eis que, nessa busca, dá de cara com os ovos. Pensa, faz contas, rememora quantas vezes o filho comeu ovo durante a semana… Uma vez, meia clara. Ok, liberado, pois a pediatra recomenda dar duas vezes por semana, ovo inteiro. Voilàmãe decide então fazer uma omelete em substituição à carne.

Separa dois ovos, um punhado de ervilhas frescas, outro punhado de milho fesco, tomatinhos cereja, umas lasquinhas de mussarela de búfala… Hum, não vai ficar a melhor omelete do mundo, mas deve dar pro gasto. Pelo menos, Enzo come proteína, leguminosas, um carboidrato do bom, o tomate, fibras…

Daí a mãe se lembra de que comprou uma cebola roxa dois dias antes para colocar numa hipotética salada de brócolis que não saiu do papel. Ok, vamos usar a cebola roxa também! Enzo nunca provou, não se sabe se vai gostar, mas tentemos.

Mãe acha muito importante oferecer alimentos e temperos variados para o pequeno. Assim, ele vai se acostumando e ampliando seu paladar e repertório alimentar, digamos assim. A cebola roxa estava na lista fazia um tempo; mãe achou uma ótima oportunidade para testar.

A ideia, a essa altura, é dar uma dourada na cebola antes de misturar à omelete. Um pinguinho de azeite na panela, cebola cortada em pedacinhos pequenos bem fininhos, uma pitada de sal e, depois de um tempo, um pouquinho de água, para dar aquela cozidinha e  para não queimar.

Enquanto a cebola doura, o pai vai preparando a omelete. O filho brinca no chão, sob a supervisão da mãe, que também supervisiona a dita-cuja da cebola. Mas quem resiste a cheiro de cebola na panela? É só o aroma começar a se espalhar que o filho larga os brinquedos todos e pede colo pra ver o prato cheiroso mais de perto.

Aspira uma ou duas vezes a cebola na panela e pede um pouco. Mãe pega a colher, experimenta, já está cozida. Pega outro punhadinho, assopra, dá pro rebento. Agora desce e brinca aí que a mamãe vai terminar o jantar. Ã-hã.

Mal termina de engolir, filho pede cebola de novo. Mãe admira-se. Achou que ele poderia gostar, mas não tanto a ponte de pedir repeteco na cebolinha sem nada. Ok, não faz mal, mais uma colherada de cebola, então.

Mal termina de engolir, filho pede cebola de novo. Mãe dá. Mas faz a ressalva: filho, é para colocar na omelete…

Mal termina de engolir, filho pede cebola de novo. Mãe pensa em negar –pohan, assim não sobra pra omelete–, mas pondera: se o objetivo de colocar a cebola na omelete dele é que ele coma, que diferença faz se for misturadinha lá ou pura na colher? Nenhuma. Mais cebola para o pequeno.

E mais. E mais. E mais. E outra colherada. E outra. E outras. Estabelece-se o seguinte padrão: o filho brinca um pouco enquanto mastiga. Tão logo a cebola acaba, larga o brinquedo, abre a boquinha, gesticula (apontando para o recipiente acebolado) e, para não restar dúvidas do seu desejo, faz um “ahãm” mordendo o nada com a boquinha. Boquinha cheia, volta pro lugar até terminar de mastigar.

E assim vão, mãe e filho, por vários minutos, até que… a cebola acaba! Uma cebola inteirinha! E acaba  bem antes de a omelete ir para o fogo… Da cebola mesmo só sobrou o bafinho para comprovar que tudo nos bebês é fofo, até mau hálito.

(*) Imagem daqui.

Anúncios

4 Comentários

Arquivado em bebezices, lado B, Maternidade

tudo é relativo na maternidade

Sábio mesmo era o Einstein. Tudo é relativo. Tudo mesmo. Veja o meu caso, por exemplo: sou super “cri-cri” com a alimentação do Enzo. Nada de doces, nada de açúcar, nada de biscoitos, nada de comida industrializada (papinha Nestlé só em caso de guerra, como diz a Mari Machado de Sá, do Viciados em Colo). Abri uma ou duas exceções para biscoitos água e sal, mas só até descobrir que água e sal são os ingredientes que menos têm na bolacha. Cortado até das exceções. Ponto.

Mas eis que Enzo está sem comer NADA há uma semana. E quando eu falo nada eu quero dizer nada mesmo. Não é exagero, não é metáfora, não é no sentido figurado. É literal. Para ser exata, ele tem comido apenas pedaços de ALGUMAS frutas. Ontem, por exemplo, comeu meia banana com granola, a fórceps. Foi preciso distrai-lo com brinquedos, livrinhos e musiquinhas para que eu conseguisse fazê-lo mandar para baixo a metade da bananinha, que já foi a fruta mais adorada ever até ele começar essa greve de fome.

Há explicações, fato. Ele está gripadíssimo, com suspeita de conjuntivite, dois dentes nascendo. Entendo a falta de apetite e a má-vontade com a comida, é natural que ele reaja assim. Acontece, no entanto, que isso não muda nada em termos de necessidades de nutrientes. Com gripe ou sem gripe, com dente ou sem dente, o organismo dele continua precisando se alimentar, confere produção?

Então, depois de uma semana inteira deixando o pequeno decidir se iria comer ou não, ontem cheguei ao limite do “viva e deixe viver”. E apelei, apelei feio, confesso. Imagine a cena:

Mãe faz legumes no vapor, com um tiquinho de manteiga, bem saudáveis. Não é lá boa cozinheira, mas até que a gororoba fica gostosinha. Filho ama arroz. Então, mãe capricha na quantidade de arroz no prato para atrair a cria. Coloca uma porçãozinha tímida dos legumes, amassa bem (filho come sem amassar, mas como está com dentinhos sensíveis, melhor facilitar, né?). Deixa na temperatura ideal e, para completar, bota um tiquinho de sopa de ervilha (só o caldinho), que já foi preferência do rebento.

Tenta uma colherada. Filho derruba tudo no chão. Tenta a segunda. Filho não  aceita. Tenta a terceira. Filho arremessa a colher cheia longe. Tenta a quarta. Filho deixa colocar na boca só pra cuspir, chorando loucamente.

Mãe perde o que sobrou do seu (frágil) bom senso, vira-se pro marido e diz:

-Chega. Ele vai comer essa m… de qualquer jeito hoje!

O marido olha tudo, atônito. Mãe larga o filho com o pai, apoia a colher sobre o prato e parte, resoluta, em direção à cozinha.Volta com duas armas: um pote de requeijão numa mão e um vasilhame com queijo ralado na outra. Marido se mata de rir quando percebe o que a louca mulher vai fazer. E, depois das gargalhadas, oferece apoio irrestrito ao método pouco ortodoxo prestes a ser posto em prática.

Sem pestanejar –para não dar tempo de pensar muito e, de repente, ser tomada de novo pelo bom senso–, mãe enche o prato (antes saudável) com um monte de requeijão e queijo ralado. Acrescenta um pouco de frango (carnes o filho não aceita comer há três semanas), bota tudo de novo no micro-ondas.

Oferece ao filho o grude cheio de porcaria, mas saboroso. O pequeno bate a pratada toda em segundos. Nada de chororô, nada de empurrar a colher, nada de cuspir a comida.

Tudo bem que o menino comeu um monte de suposto queijo fundido com mais um monte de queijo inadequado para a idade dele. Mas –o mais importante– ele COMEU! E mandou ver, sem querer, em brócolis, cenoura, mandioquinha, cará, tomate, frango, ervilhas…No balanço, a mãe acha que compensou. E se sente a mais esperta das mulheres.

Fim da história, comprovo que tudo é relativo. Eu, que fico colocando queijo ralado na macarronada escondida na cozinha; eu, que como pão de forma trancada no banheiro; eu, que dou a maior lição de moral em quem sugere que Enzo pode comer chocolate; eu, que nem gelatina dou pro pequeno (cheia de corantes artificiais, saborizantes, glutamatos e mais um monte de porcarias), acabei minha noite de segunda apelando para o que havia de pior na minha geladeira. Mas quer saber? A incoerência é uma dádiva –às vezes, pelo menos.

2 Comentários

Arquivado em lado B

#festa do Enzo: comidinhas saudáveis (parte 2)

Desde o começo do planejamento para a festa de primeiro aniversário do Enzo, um aspecto sempre ficou muito claro para mim: quero comidinhas e bebidinhas que meu filho possa ao menos experimentar. Claro que vai ter doces tradicionais, como brigadeiro, beijinho, cajuzinho. Claro que não dá para liberar geral para esses docinhos. Mas fazendo as guloseimas com alguns cuidados e modificações, é possível deixar Enzo comer um pouquinho.

Daí que o cardápio foi totalmente definido não apenas seguindo o critério do que é ou não saudável, mas do que é ou não saudável para um bebê de um ano. Então o bolo, por exemplo, cujos adultos convidados queriam que fosse de chocolate, vai ser um pão de ló simples com recheio de geleia caseira de frutas vermelhas e creme pâtissier (que leva apenas farinha, açúcar, ovos  e  fava de baunilha) com morangos.

Como a recomendação da OMS é que se evite o consumo de açúcar industrializado antes dos dois anos, o açúcar que será usado em todos os doces, incluindo bolo e creme, vai ser orgânico tipo demerara. O ideal ideal seria usar o mascavo, mas a boleira que está cuidando desse departamento não tem tanta afinidade com esse tipo de açúcar. Ela é muito boa e talentosa e está super disposta a fazer tudo de forma caseira e saudável. Portanto, avaliei que o demerara já estava de bom tamanho.

As receitas tradicionais de brigadeiro também sofreram certas adaptações, digamos. Eu mesma vou fazer usando chocolate de boa qualidade 70% cacau (tem menos açúcar), cacau em pó (açúcar nenhum) e creme de leite fresco no lugar do leite condensado. Tem mais gordura, mas é mais saudável (menos industrializado) e zero açúcar.

Estou avaliando se vamos fazer brigadeiro branco. A tentação insiste que “sim”. Achei uma receita muito apetitosa, com chocolate branco (claro), raspas de limão siciliano e pimenta rosa moída na hora. Curiosa, curiosa para saber como fica, mas aí, nesse caso, seria uma opção não tão saudável.

O beijinho e o cajuzinho também serão feitos com açúcar demerara, mas, nos dois casos, não terei como dispensar totalmente o leite condensado. No beijinho, consigo diminuir a quantidade e colocar um pouco do creme de leite fresco. Já no cajuzinho, não sei. De qualquer forma, se um docinho não for totalmente saudável, no balanço geral, ainda está valendo.

Minha mãe sugeriu hoje doce de abóbora. Achei ótima a ideia, pois Dri está com vontade do doce faz tempo, Enzo ama abóbora e, bem, mais saudável que isso só dando frutas pro bebê, ainda mais que a receita da avó dele é daquelas de antigamente, sabe como? Só vai abóbora, coco, açúcar (demeara, claro) e leite.

Os salgados, confesso, não estão 100% “certificados”. Vamos encomendar coxinhas (fritura!), todo mundo gosta, e calzones de calabresa (!) e queijo. Os calzones são assados, mas, mesmo assim, os recheios deixam a desejar no critério saudabilidade. Para nos redimir -e deixar Enzo comer- também vamos encomendar quiches (feitos pela boleira) e faremos, com a ajuda de uma amiga muito querida, sanduíches de metro com recheios bem gostosinhos e naturebas.

Ah, claro, as bebidas: cerveja (não pode faltar, todo mundo é cervejeiro por aqui), um ou outro vinho (meu pai gosta, a namorado do meu irmão também, eu até tomo, os tios tomam um pouco), e suco, muito suco natural. Vou comprar alguns, como os de uva (integral, orgânico, sem açúcar ou conservantes) e fazer outros (laranja, maracujá com gengibre, limão com couve, tangerina). Tudo sem açúcar para o Enzo poder beber livremente.

Falta eu testar algumas coisas, como as receitas novas de brigadeiro e alguns dos sucos. No caso do brigadeiro, preciso ver qual vai ser a consistência do doce e o rendimento. Já dos sucos, é bom eu descobrir com quanto tempo de antecedência vai ser necessário fazê-los para não perderem sabor ou ficarem ruins. Se for o caso, preparo os sucos algumas horas antes da festa. Do contrário, posso deixar alguns prontos na noite anterior, para facilitar.

Cardápio definido, preciso confessar, é um alívio. E olha que só conseguimos bater o martelo nisso tudo nesse fim de semana, depois que decidimos reduzir a lista de convidados (longa história que contei no post anterior, que sumiu. Estou dando uma olhada nisso, pois sumiu sumido mesmo, hoje à tarde). Em resumo, como o salão de festas do prédio da minha mãe, onde será a festa, tem lotação máxima de 40 pessoas, prevista no regulamento, acabamos decidindo chamar mesmo só os realmente mais chegados.

Fato é que estamos satisfeitos por poder oferecer ao Enzo comidinhas que ele realmente possa comer. Fiquei em dúvida quanto a isso, não sabia se conseguiria mesmo montar um “menu” que satisfizesse o meu filho, que ele pudesse comer e que também agradasse os convidados. Só resta o brigadeiro dar certo, o que, tendo em vista minha vasta experiência culinária e minha grande paciência para cozinhar -só que não-, é um desafio e tanto.

9 Comentários

Arquivado em Maternidade