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a biblioteca pública e a naturalização do consumo

#artederua,  SP

#artederua, SP

Certas “lógicas” vão se naturalizando sem que a gente se dê conta, mesmo que a gente fuja de todas as formas conscientes dessa naturalização, daí a dificuldade em quebrar os círculos viciosos. Por exemplo: nesse domingo, meu filho esteve pela primeira vez numa biblioteca pública. Por lá folheamos diversos livros, lemos algumas historinhas, e ele gostou muito de uma delas. Quando estávamos pra ir embora, ele pediu que eu comprasse o livro preferido.

–não dá, filho.
–por que não? você não tem dinheiro?
–não é isso. é que esse livro não está à venda.

Me olhou com espanto. Li nos seus olhinhos a dúvida. #Comassim não está à venda? Tem alguma coisa que não esteja à venda?

Fiquei alguns segundos tentando entender a fala dele, a surpresa dele e que discurso –ou realidade– estava implícito naquele espanto. Foi então que percebi. E entendi. E foi aí que ficou claro pra mim esse processo de naturalização, de naturalização do consumo como mediador e provedor das relações, dos prazeres, do ócio, do acesso, da vida; o processo de “coisificação”, “precificação” e “possessão” de tudo, como se viver estivesse à venda (e de fato está, se a gente pensar que até a água, mineral essencial pra vida, é hoje considerado um “bem privado” pra muitas empresas e pessoas).

Meu filho estava naturalizando o consumo como regra.

E, sabe?, nós aqui em casa refletimos muito sobre isso e tomamos muitas medidas práticas pra permitir uma infância menos mediada pelo “ter”. Enzo assiste a pouca TV –o mínimo possível– e quase nada na TV convencional (nem aberta nem fechada); o que rola aqui com mais frequência é Netflix, sem propaganda e oferecendo certa autonomia aos pais para programar aquilo que os filhos vão ver e quando.

Raramente frequentamos lojas de brinquedos e, quando vamos a alguma, sempre escolhemos a de brinquedos educativos, pequena, de bairro. Presente também é o tipo de coisa que damos com parcimônia e agora temos preferido fazer coisas ou construir brinquedos ao invés de comprá-los prontos.

Não estimulamos personagens licenciados por aqui. Enzo já viu e quis “pocoyos”, já viu e achou super legal bonecos dos Backyardigans, já ficou todo empolgado com uma mochila da Dora Aventureira. Confesso que, ali na hora, no calor do momento, diante de olhinhos faiscantes, pedintes e felizes com a possibilidade de materializar um pouco mais um personagem que é muito caro ao pequeno, dei uma balançada. Em muitos desses momentos hesitei em negar e me peguei quase abrindo a bolsa e botando a mão na carteira. É só um boneco. É só uma mochila. É só um brinquedinho. Mas resisti, porque sei que não é só um brinquedinho. 

Marido e eu compramos pouquíssimas coisas pra nós. O básico, o necessário. Acho que filho deve ter me visto em lojas meia dúzia de vezes, quando muito.

Mas o fato é que, apesar disso, a vida que levamos é quase toda mediada pelo consumo. Enzo sempre testemunhou processos em que a regra foi: quero uma coisa, essa coisa tem um valor monetário, se tenho esse valor vou lá e compro. Tudo o que ele tem hoje e com o que se identifica, lhe foi comprado, muitas vezes na presença dele. E mesmo quando não ganha o que pede, a situação remete ao consumo, pela negação ou impossibilidade dele (como a pergunta que o filho me fez na biblioteca deixa muito claro): “não vamos levar isso hoje porque não temos dinheiro para pagar”. Pela sua experiência e experimentação –que é como ele aprende e apreende o mundo– tudo é objeto à venda. Tudo tem um preço a ser pago, e a distância entre o desejo do filho e ele, entre o objeto e a posse –objeto x posse dá outro post, aliás– se traduz em uns quantos reais.

Então que, nesse contexto, não levar à rede de lojas de brinquedos infantis e privilegiar o educativo, o artesanal, o de madeira, o sem pilha-nem-bateria, o orgânico, o que possibilita mais criação, é ótimo. Mas continua sendo consumo. Evitar as propagandas da TV e os programas infantis que estimulam o consumismo é lindo. Mas não evita o contato com o consumo excessivo promovido por nós mesmos –os adultos– sem perceber nem querer. Não comprar licenciados para não inserir o filho na louca roda das porcarias criadas exclusivamente pra arrancar dinheiro e parte da infância das crianças (se acha que exagero nessa descrição, por favor, leia isso aqui) é uma decisão política da qual sou muitíssimo convicta. Mas não é suficiente. Não tem sido suficiente. Porque nós –minha família e quase todo mundo que conheço– vivemos a maior parte do cotidiano comprando coisas e fazendo coisas que precisam ser pagas.

1) Não estou dizendo que a “culpa” seja 100% nossa. Existe um contexto, uma localização geográfica, uma inserção cultural e social, uma época, uma perspectiva etc que favorecem ou não atividades comunitárias e bens compartilhados.

2) Tampouco estou dizendo que para remediar a situação, quebrar o círculo, reduzir a importância do consumo e a sua naturalização como se fosse de fato parte “natural” da vida –e não apenas uma criação social e cultural de um dado momento histórico– seja preciso parar de consumir completamente. Neste momento, no mundo em que vivo, consumir é parte essencial da vida, goste-se mais ou goste-se menos disso. E há muitíssimas “camadas” de consumo. Comprar feijão pra matar a fome é muitíssimo diferente de gastar pequenas fortunas em carros esportivos. Há o consumo. E há o consumismo. Que é bem outra coisa.

lindezas do argentino Decurgez (*)

lindezas do argentino Decurgez (*)

Mas é preciso –e possível e desejável e altamente prazeroso (porque prazer é essencial)– primeiro refletir sobre esse consumo. Depois reduzir esse consumo. E em terceiro –e aqui é onde a gente falha miseravelmente– promover cada vez mais espaços, situações e interações absolutamente não mediadas pelo consumo.

Passeios no parque são de graça, são comunitários, os “bens” estão lá para serem compartilhados. É uma coisa que minha família fez muito pouco até agora, mas que estamos mudando –e o movimento nesse sentido começou pouco antes da já mencionada primeira ida à biblioteca pública.

Praças, ruas, centros culturais estão aí pra serem ocupados, aproveitados, fruídos. E, sabe?, eu que sou louca por um café na rua, por sentar e tomar um chá num lugar agradável, preciso começar a refletir seriamente sobre como meu filho analisa e capta esse meu hábito. Podemos ir a um café ou tomar um suco na padaria (coisas que Enzo ama). Sim, é claro! Mas também podemos levar chá de casa (como já fizemos quando ele era bebê), frutas secas, biscoito caseiro e simplesmente ocupar um espaço público sem pagar nada pra ninguém.

Visitar amigos, parentes, pessoas queridas. Compartilhar mais refeições. A gente raramente faz isso, o que é péssimo, ainda mais com meu histórico de infância italiana na casa do avô napolitano, em que compartilhar refeições deliciosas era lei, era regra. E era das coisas mais afetuosas da vida!

Outro ponto fundamental: vou muito com meu filho a livrarias. Compro muitos livros pra ele. Na verdade, jamais neguei um livro sequer. E compro por conta própria vários de que gosto sem nem perguntar antes se ele “achou legal”. Como nunca pensei antes em levá-lo a uma biblioteca pública? Como ainda não tinha pensado em inscrevê-lo –e a mim também– em bibliotecas e programas de empréstimo de livros? Pra falar a verdade, essa nossa primeira ida a uma biblioteca foi absolutamente não proposital. Cruzamos com uma no caminho, achamos bacaninha e resolvemos entrar.

Penso, hoje, depois de meu filho ter revelado tão ingenuamente a naturalização do consumo que existe em mim, que é difícil, mas urgente, repensar muito mais do que apenas a superfície. É clichê, mas é verdade: sair da zona de conforto. Porque, sinceramente, não assistir a TV, não ter uma coleção de licenciados, não gastar dinheiro com as porcarias plásticas que piscam-deitam-rolam-e-tocam-música na loja da rede, privilegiar brinquedos artesanais, tudo isso me deixa absolutamente confortável. É um tipo de atitude política muito fácil pra mim por causa de uma série de preferências –estéticas até– e de uma série de convicções. Mas é limitada e serve muito mais como uma limpadora de consciências –a minha, no caso– do que de fato como uma alternativa ao consumo non stop em que se vive. 

Prova disso eu tive no domingo.

No entanto, privilegiar de verdade o não-consumo e procurar reduzir de fato as atividades consumo-mediadas, aí sim, confesso, vai me incomodar, vai me desalojar, vai me confrontar. Porque a naturalização do consumo é minha também, não apenas da “sociedade”, essa entidade mística que a gente ama culpar, mas que não existe por si só. Há o grupo, mas há também responsabilidades pessoais e a nossa parcela de consentimento e omissão –ou não. E há coisas que definitivamente precisam ser desnaturalizadas. Porque meu filho não é target de publicitário ou indústria de brinquedos. Porque eu não sou público-alvo. Porque é preciso, cada vez mais, que as crianças –e nós adultos– sintam e percebam que há vida pra além do que pode ser pago, do que está a venda, do que pode ser possuído. Na verdade, talvez só haja vida aí, nesse lugar onde não é preciso ter nada. Porque todos somos.

(*) Mais sobre o talentoso artista argentino Guillermo Decurgez aqui ó.

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a importância dos outros

Já fui mais favorável às datas comemorativas “comerciais”. Mesmo assim, e apesar de saber que elas têm como objetivo estimular o consumo e o consumismo, acho válido, sob certos aspectos, o fato de elas existirem. São um ritual, uma marcação, e essas coisas têm lá sua importância.

Por exemplo: sempre comemoramos o Dia dos Namorados aqui em casa, com presente e tudo o mais, ainda que seja um presente simbólico (uma barra de chocolate diferente, uma cerveja que o marido estava querendo, um café da manhã caprichado na cama…). Podemos nos dar esses mimos e fazer a comemoração em qualquer dia? Claro que sim. E fazemos. Mas como a rotina e a correria são uma ameaça constante a esses momentos, é bom saber que, se não der para ter esses momentos com a frequência ideal, pelo menos vamos contar com uma “forcinha” das datas comemorativas.

Evidente que não adianta nada comemorações mecânicas, homenagens frias e desdém no restante do ano. Mas estou falando de casos em que as datas só ajudam, uma vez que, claro, elas sozinhas não resolvem nada.

Tudo isso para dizer que -agora mais que nunca- o Dia das Mães é bacana demais para comemorar, juntar a família, socializar, ritualizar. E fizemos de tudo isso um pouco ontem: almoçamos com minha mãe, minha sogra, meu pai, meu irmão e a namorada e meu cunhado. Estivemos cercados de muito carinho, afeto e bom papo, e Enzo comemorou ainda mais, pois teve à disposição o colo das duas avós, do avô e dos tios ao mesmo tempo. Tanto que ele ficou tão excitado que só conseguiu dormir depois da meia-noite.

Além disso, a data foi também importante para refletir. Refleti muito -e sem culpas nem crises- não apenas sobre meu papel como mãe e o que eu significo para Enzo, mas também sobre o meu “não-papel”, ou seja, sobre o espaço que preciso deixar para os outros na vida do Enzo.

Por partes: sobre as mães, sua importância e seus limites, recomendo a leitura de alguns posts ótimos de colegas blogueiras que foram muito inspiradores.

1) Lígia, a Cientista que Virou Mãe, fez dois posts muito bons sobre a capa da Time americana dessa semana, que estampou uma mãe amamentando o filho de três anos ao lado da seguinte pergunta: “Você é mãe o suficiente?” A matéria -que eu ainda li- suscitou boas questões, que Lígia expôs muito bem. Veja o post 1 aqui e o 2 nesse outro link.

2) A Mari Zanotto, do Pequeno Guia Prático, escreveu O POST do Dia das Mães, publicado no portal MMqD, sobre as muitas culpas maternas e o inevitável choque entre as nossas necessidades pessoais o que é “melhor” para nossos filhos. Corajosamente, ela conta que, cinco anos depois de ter parido a Alice, primogênita, está se permitindo reservar mais tempo para si mesma, ainda que isso signifique menos tempo com os pequenos. Com seu humor delicioso, o post fica ainda mais redondo, apesar do tema-pedrada que ela escolheu. Me identifiquei muito e acho que quase todas nós vamos nos identificar também, tanto em relação às necessidades que temos quanto sobre a culpa que atendê-las nos causa. Para ler (recomendadíssimo se você ainda não leu), vá por aqui.

3) Para rir, vá até aqui, no Mãe de Duas, e dê uma olhadinha na homenagem cheia de humor e -por que não?- ironia que a Priscilla Perlatti fez para nossa “categoria” (devíamos fundar um sindicato…).

4) Por fim, ainda sugiro uma passadinha no Potencial Gestante, da Luíza Diener: nesse post aqui, ela definiu -de certa forma poeticamente- o que é ser mãe. Identificação instantânea, especialmente em relação a comer escondida (tenho feito muito isso nesses dias em que Enzo decidiu que tudo o que eu como ele PRECISA comer também, rá!).

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Agora chegamos noutro ponto importante das reflexões: o meu “não-papel”. Sabe o que de mais importante eu descobri nesse Dia das Mães? Que Enzo adora conviver com outras pessoas. Por conta própria, ele já expandiu seu próprio universo, já busca outras referências, outro tipo de atenção, outros colos, outros carinhos e outras brincadeiras. Nosso mundo Enzo-Mamãe-Papai-gata é, claro, essencial, mas (já) não basta.

É impressionante como ele fica mais tranquilo (apesar de excitadíssimo), mais feliz, mais atento/focado, mais risonho, menos chorão e menos irritadiço quando há outras pessoas em casa. Com as avós, por exemplo, tem uma relação de carinho e cumplicidade que é deliciosa de ver. Mas não é só com elas. Basta ter alguém diferente por aqui que meu minimeninho deixa vir à tona com ainda mais força seu lado “mr. simpatia”.

E ele não faz isso só para chamar a atenção, não. É genuíno. Enzo fica genuinamente mais feliz quando em contato com um universo de gente mais amplo que apenas nós quatro (contando com a Joh, a gata que AMA).

Sabe? Pensando bem -que foi o que eu fiz ontem- é fácil de entender. Os outros, com suas outras referências, outros pontos de vista, outras infâncias e outras histórias de vida, enriquecem muito as experiências do Enzo, seja lidando com ele diretamente seja mostrando a mim e ao Dri coisas que podemos fazer com e para o Enzo que antes não fazíamos.

Exemplos? Meu primo (que fazia anos que eu não via) foi a primeira pessoa a colocar Enzo em pé no chão, há cerca de três meses, quando veio conhecer o pequeno. Meu filho já ficava mais ou menos em pé sobre o sofá, mas nunca tinha botado os pezinhos no chão simplesmente porque isso ainda não tinha passado nem pela minha cabeça nem pela do marido. Resultado é que, desde então, começamos a botar Enzo no chão com frequência e isso representou um salto no desenvolvimento motoro dele. Hoje, ele praticamente já anda e, a seu jeito, engatinha super bem.

No sábado à noite, outro exemplo, um amigo muito querido veio nos visitar. Enzo também adora esse “tio”, a ponto de, só de ele estar por perto, o mocinho ficar quietinho e comportado em situações em que, normalmente, estaria dando um escândalo (como tirar do banho, secar o cabelo, trocar a fralda).

Pois o tio, brincando com Enzo, fez uma coisa que fascinou meu bebê. E foi uma coisa simples, que eu mesma poderia ter feito, mas não fiz porque nunca pensei nisso: ele ficou escondendo e mostrando uma tampinha de garrafa ao Enzo que, às gargalhadas, tentava descobrir onde o objeto estava escondido. Pronto: Enzo agora quer brincar disso com a gente a toda hora, o que evidencia a importância da brincadeirinha e o prazer que gerou. E não partiu de nós, mas de alguém de “fora” do nosso círculo familiar imediato.

Nós, pais, somos limitados, apesar de todo o esforço que fazemos para satisfazer as necessidades dos pequenos, apesar de todo o conhecimento e crescimento que perseguimos. Abrir espaço para os outros na nossa vida e na vida dos nossos filhos é parte do nosso papel. Assumir esse “não-papel”, aceitar que esse espaço não nos pertence, é essencial. E não apenas para ensinar os pequenos a se socializarem, mas para enriquecer mesmo a vida deles e a nossa. E para, aos pouco, ir dando às crianças a liberdade que, um dia, vão reivindicar.

De resto, e meio atrasada, feliz Dia das Mães! 😉

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a alma do negócio

Na semana passada, no blog do MMqD, a Pérola Boudakian escreveu um post ótimo sobre a publicidade para crianças. Entre outras coisas, ela fez uma entrevista super bacana com duas das blogueiras mais ativas nesse campo: a Mari Sá, do Viciados em Colo, e a Tais Vinha, do Ombudsmãe. Recomendo uma boa lida.

Muitos dos argumentos de ambas já foram expostos por aqui, mas ressalto duas coisas. 1) Tais lembra -muito bem- que as crianças ainda não conseguem diferenciar muito bem o que é fantasia do que é imaginário. Para elas, é ainda mais nociva a mensagem -largamente difundida pela publicidade- de que é preciso consumir para ser alguém. E, pior, essa mensagem vem sendo direcionada aos nossos filhos por intermédio de concessões públicas de comunicação que, em tese, deveriam nos ajudar a formar uma sociedade de cidadãos, não uma legião de consumidores.

2) Já a Mari dá exemplos muito tristes de crianças assumindo comportamentos que já seriam nocivos em adultos, que dirá em crianças: uma amiga da filha cuspiu um chocolate porque não queria engordar; outras deixam de brincar pois estão vestidas como gente grande (salto, cabelo “feito”). Esse comentário também me deu a impressão de que, para as meninas, assim como para as mulheres, no mundo machista em que vivemos, o fardo é mais pesado. Parece que delas se exige mais. Mais uma razão para regulamentarmos a publicidade infantil: igualdade de gêneros.

E acabei voltando a esse assunto também porque a leitora Patrícia, que comentou lá no post do MMqD, sugeriu um documentário sobre o tema, disponível no YouTube. Já tinha ouvido falar, mas assisti a ele apenas ontem. Recomendo muito. Trata-se do “Criança: A Alma do Negócio”, da Estela Renner (diretora do “Amores Expressos“, uma vídeo série que registrou os bastidores da criação de romances para uma série de literatura com o mesmo nome).

O documentário mostra, por exemplo, crianças dando seus depoimentos sobre como a publicidade direciona seus hábitos, gostos e opções. E, claro, ouve pais e especialistas, que apontam os estragos que a propaganda podem fazer na autoestima e na autoimagem dos pequenos.

Vale a pena dar uma boa olhada.

Já disse que ainda não sei bem qual seria o modelo ideal de regulamentação e regulação de publicidade infantil. Mas o marido -que é favorável à proibição total- saiu-se com um argumento que acho válido compartilhar. Nossa legislação proíbe menores de 18 anos de assinarem qualquer contrato de compra, venda, prestação de serviço etc. Isso porque entende que quem tem menos de 18 ainda não tem elementos suficientes para decidir autonomamente por adquirir ou se desfazer de algo, nem para entrar de igual para igual numa negociação. Então, se já partimos desse pressuposto, é um contra-senso imaginar que os pequenos -que não podem comprar- podem ser alvos de propagandas, certo?

 

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