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mas essa escola é diferente

(*)

sugiro clicar pra ampliar a linda ilustra do Decur (*)

“A nossa obra de adultos não consiste em ensinar, mas sim em ajudar a

mente infantil no trabalho de seu desenvolvimento”

Maria Montessori – “Mente Absorvente”

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“Mas sempre tem um que é diferente

Tem sempre um que até surpreende a gente”

Paulo Tatit – “O Rato”

Ele está na escola. Mas essa escola é diferente.

Aqui o uniforme é qualquer roupa confortável. Calça de malha, shorts manchado, camiseta velha, camiseta nova, largona ou curtinha, e também vale só cueca, só calcinha, só fraldinha. Pés descalços, com chinelo, com crocs, só de meias, com tênis, sandália, sem nada, um pé de cada jeito. Pé no chão, pé na areia, pé no pedal, pé na água, pé no pé de fruta; pé dançante, pé pulante, pé veloz. Uniforme, aqui, pode ser tinta. É permitido usar o corpo como suporte para a arte. Menina não tem que usar rosa, nem menino só usa azul. Tem menina de camisetão e menino com saia rodada, girando pra lá e pra cá nas oficinas de dança ou nas histórias que se conta.

Ele está na escola. Mas essa escola é diferente.

Aqui a mochila desconhece personagem, só tem pano, papel não há. Não se carrega caderno ou livro didático. O conhecimento está do lado de fora e ainda nem foi escrito; está todo por ser descoberto, explorado, construído; está nas árvores, nos jogos com os colegas, no pedal da bicicleta; no purê de abóbora, no suco de romã, no abraço, no colo, nos afetos e vínculos, no presente que se ganha espontaneamente do amigo e no presente que se dá. E que não custa dinheiro, só demanda olhar, conexão, proximidade, um papel com canetinha ou tinta guache.

Ele está na escola. Mas essa escola é diferente.

Aqui não tem professor. Ou educador. Ou cozinheiro. Ou porteiro. Aqui tem gente de coração aberto para acolher a infância, para respeitar o outro, para estar presente sem interferir, para dar a mão sem indicar o caminho, para oferecer e oferecer-se. Gente capaz de desvestir a máscara dos títulos (porque eles não importam mesmo) e da “facilidade” da prepotência adultista para ser e estar e promover um ambiente em que as crianças sejam e estejam.

Ele está na escola. Mas essa escola é diferente.

Aqui tem concentração, muito prazer nas atividades e descobertas, criança trabalhando quieta e entregue naquilo que escolheu. Tem muita conversa, de pequeno com pequeno, de grande com pequeno, de grande com grande, de pequeno-com-pequeno-com-grande-com-pequeno-com-grande. E outra coisa que grassa por aqui é ouvido. A escola toda, pode-se dizer, é um ouvidão bem atento (não são as paredes só que têm ouvidos: todo mundo tem). Daqueles que principalmente escutam, ao invés de só ouvir. Tem olhos também. Brotam aos montes, em todo o lugar. Que veem, enxergam e reparam (como diz o Saramago).

Ele está na escola. Mas essa escola é diferente.

Aqui a sala de aula é grande, é ampla, tem sacada, tem jardim, tem escada, refeitório, ateliê, quintal, um vaso com lavanda, um casal de sabiá. E amplia espaços, ao invés de se fechar. Não é gaiola. É asa. Aqui a porta está sempre aberta, e a criança escolhe onde ficar. Pode ser no grupo que está pintando ou no que vai começar a jogar, pode ser ouvir história, pode ser observar. Tem muito tempo de quintal, tem todo o tempo para brincar. Aqui brincar é coisa séria, como só criança consegue ser. Aqui criança tem autonomia, liberdade, é sujeito. Os limites –sim, eles existem- servem só para organizar, facilitar; jamais controlar, submeter, adequar. Limite aqui é leito de rio: ajuda a fluir. Mas a água segue livre pelo curso, que ela mesma vai fazendo (tal qual o caminhante) ao caminhar.

Ele está na escola. Mas essa escola é diferente.

Aqui criança não tem TDAH como se fosse gripe. Gripe, falando nisso, é outra coisa que quase não dá. O que dá muito por aqui é riso, gargalhada, grito, corre-corre, pega-pega, trepa-trepa. Tem umas brigas, umas negociações, umas explosões de raiva. Das naturais, das infantis.  Não carecem de remédio pra aquietar. Nada aqui, aliás, foi talhado para ser quieto. Tudo é movimento e tudo está em seu lugar.

Ele está na escola. Mas essa escola é diferente.

Aqui não tem festinha, não tem coreografia ensaiada, pasta com atividades pra pai ver de vez em quando.  Aqui pai e mãe estão dentro da escola o tempo todo. A fotografia é documental, tirada em tempo real. No sentido figurado, mas também no literal, na máquina fotográfica que registra as atividades e que muitas vezes é operada pela criança –que expressa-se a si mesma sem o olhar do adulto a escolher a hora de abrir o obturador. Aqui não tem apresentação de teatrinho, mas dá umas cenas lindas que dá vontade de filmar: abraços apertados e sinceros entre duas amigas depois das férias; um grupo tranquilo de crianças fazendo castelo de areia como se fosse praia (inclusive com raio oblíquo de sol, sombra de árvore protegendo cabecinhas e nada mais no corpo além de cueca, fralda e calcinha); outro grupinho apostando corrida de triciclo com circuito e regras que eles mesmos criaram –e respeitam, sem necessidade de sanção ou ameaça.

Ele está na escola. Mas essa escola é diferente.

Aqui não tem inglês, nem francês, nem alemão e tampouco japonês. Aqui ninguém é bilíngue de nascença, nem sabe escrever antes da hora. Palavra é coisa séria nessa escola. É pra ser dita, sentida, vivida, percebida, manipulada, saboreada, engolida, respirada, ouvida, tocada, corrida, pulada, dormida, abraçada, comida, digerida, cantada, brincada. Aqui não tem informática ou TV. E ninguém parece dar a mínima pra adultos bem sucedidos. Porque aqui, nessa escola, não é de tudo que dá. O que dá mesmo é infância, muita infância, ah, como dá.

(*) Do genial artista argentino Guillermo Decurgez. o Decur. Metáfora perfeita. Daqui ó.

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sem ajuda

Já faz mais de um mês que estamos sem ajuda nenhuma aqui em casa. Até dezembro, vinham minha mãe e minha sogra para dar uma força com o pequeno, de modo que eu pudesse continuar a trabalhar. Ambas quiseram parar no final do ano passado, e Dri e eu começamos a buscar outras alternativas para o Enzo, como escolinha e babá (relatos aqui, ali e acolá).

Chegamos a matriculá-lo numa escola. Ele frequentou três dias, e eu desisti. Estou devendo um post sobre isso, mas ainda não tive tempo para escrever com o cuidado e as informações que merece. A sogra acompanhou de perto a tentativa de escolarização e me apoiou quando eu disse que não manteria o pequeno por lá. Ofereceu ficar mais um tempo, o que foi ótimo, e eis que o tempo acabou no comecinho de junho.

Dessa vez, mais coerente com o que eu sinto, com o que penso, com o que desejo para o Enzo e com o que sei que meu filho quer e precisa, sequer perdi tempo procurando alternativas. A alternativa soy yo! Decidi ficar com ele sem ajuda nenhuma e ponto. Parei de trabalhar? Não! Estou sambando miudinho? Estou! Estou cansada com a rotina dupla? Não! Coração está livre, leve, feliz e aliviado? Sim! Está sendo divertido? Muito! Em muitos sentidos. Planejei um post teórico-filosófico para dividir os nossos motivos para bancar esse arranjo, porém, vou deixar a parte chata pra depois. Começo só contando um pouco sobre como está nossa nova rotina.

  • As horas avançam em velocidade diferente por aqui. Estou quase achando que operamos um fuso-horário próprio, que não condiz com o do restante do mundo. Porque Enzo tem almoçado às 15h! Porque tem dias (e são vários) em que acorda às 11h! Isso mesmo levando em conta que eu havia decidido –e tenho me esforçado um bocado nesse sentido– ajeitar nossa rotina inclusive em relação –advinha?– aos horários. Não sei explicar ainda o que acontece, mas eu pisco e já é meio-dia; pisco de novo e são três da tarde; se piscar outra vez marido já está em casa e o pequeno nem tomou banho. Vou parar de piscar. Será que ajuda?
  • Todos os dias saímos pela manhã. Frequentemente perco a hora de voltar para dar almoço. Enzo não dorme mais à tarde.
  • Ainda não sei bem como resolver a alimentação do Enzo.  Minha mãe estava cozinhando para a gente uma vez por semana para congelarmos os pratos. Acontece que o horário dela no trabalho mudou e, para facilitar, ela voltou a estudar à noite. Não tem mais conseguido ajudar com isso. Por enquanto, estamos fazendo as coisas triviais e que praticamente se cozinham sozinhas, tipo arroz e carne moída, pois ainda há comida congelada. Tem funcionado bem também comprar peitos de frango, temperar e congelar. Na hora do sufoco, é só descongelar e grelhar. Outra: cozinho brócolis, couve-flor, espinafre e congelo. Depois, ao longo da semana, é rápido e fácil simplesmente dourar na manteiga ou no azeite. Mas a comida ainda é uma incógnita. Ainda não tive de cozinhar propriamente, não sei como vou encaixar isso nas tarefas diárias.
  • Não foram nem uma nem duas vezes em que eu terminei o dia tendo derrubado diversas coisas no chão, de sopa pela cozinha toda até leite na sala e restos de comida no quarto. Sou bem mais desastrada do que imaginei. Vocação zero para manter tudo arrumado, organizado, no lugar.
  • Descobri que é ótimo só limpar a casa quando realmente der vontade. Tenho feito assim aqui. E tudo está mais limpo do que antes, porque dá mais vontade do que eu achei que daria e porque o filho adora “me ajudar” na limpeza. Ele tem um rodinho e uma vassourinha de brinquedo e se diverte muito “varrendo” comigo. Já organizamos até o quarto dele e o meu guarda-roupas juntos, coisa que eu jurava ser impossível de fazer com ele acordado. Claro que isso vale pra mim, que nunca liguei muito pra limpeza de casa. Tem gente que precisa que tudo esteja limpíssimo e organizadíssimo. Aí esse meu exemplo não vale. Mas, no meu caso, simplesmente priorizo estar com Enzo, como já contei aqui. Sobre esse tema em especial, recomendo também esse post aqui, da Anne Rammi.
  • Arrumar a cama, coisa rápida normalmente, tem levado mais de meia hora. Porque Enzo adora “umar” comigo, é fã de “niguizar” as coisas, de modo que não rola simplesmente esticar os lençois com ele olhando. O moço quer participar. É preciso brincar com o filho antes, durante e, não raras vezes, depois. E daí começar tudo de novo. Ou desistir e deixar desarrumado mesmo, minha opção predileta.
  • Às 18h estou tão exausta, mas tão exausta, que já cochilei diversas vezes no sofá nesse horário, enquanto Enzo brincava na sala.
  • Tenho usado muito o celular para responder e-mails, ler textos, pesquisar na internet, ler notícias. É mais prático que ligar o note e não chama tanto a atenção do pequeno. Dá pra adiantar um pouco o trabalho dessa forma. Também tenho lido livros pelo aparelhinho. Sim, senhores, estou lendo muito no celular. Baixei quatro leitores diferentes, comprei alguns e-books que me interessavam e estou testando. Facilita muito a vida, é verdade. De outro modo, não teria lido três livros em um mês. Mas as obras de que estou gostando vou comprar impressas. Ainda sou do tipo que só consegue chamar de livro o objeto de papel em si. Adoro o cheiro, adoro pegar, adoro o formato, adoro ver as capas, a diagramação, a arte. De todo o modo,o celular funciona horrores para aquelas horas em que você está perto do filho, mas ele não demanda de fato sua participação (e também não te deixa trabalhar).
  • Eu só estou conseguindo mesmo trabalhar à noite, o que significa que meu expediente começa depois das 20h30, 21h, quando marido já chegou, se instalou e pode assumir de vez o pequeno. Mesmo assim, arrisquei fazer algumas entrevistas ao londo do dia, porque não tem como falar com fonte de madrugada. Deu tudo certo, mas foi difícil, bem difícil. O que ajudou: colocar o microfone do telefone no “mute”. Assim, eu ouço o entrevistado, mas ele é poupado de saber que meu filho pequeno está chorando loucamente, pedindo que eu desligue (“dá tchau pa ele, mamãe!”). E eu também me poupo do constrangimento (dá vergonha, embora não devesse dar. Mas isso é assunto pra outra conversa).
  • Não tive problemas com prazo, pelo contrário, estou entregando antes da hora. Mas isso se deve ao fato de eu ter apurado as duas matérias que estou tocando antes da sogra parar de vir. Ou seja, com poucas exceções, o que sobrou para fazer nesses textos foram algumas entrevistas e escrever propriamente. Mesmo assim, demorei bem mais do demoraria para bater os textos.

Estou tateando aqui e ali ainda, é verdade. E está sendo bem complicado cumprir a agenda. Mas esse arranjo é bem mais coerente com a mulher que eu sou, com a mãe que eu sou, com os valores nos quais eu acredito que simplesmente botar Enzo na escolinha. Eu ouço o Carlos González, eu ouço a Ana Thomaz, eu leio a Montessori e eu não consigo achar uma única razão para escolarizar meu filho pequeno que não seja a minha conveniência.

Eles todos –e toda a minha convicção– gritam que não, não é bom escolarizar bebês. “A escola infantil não é necessária para as crianças”, diz o Gonzalez, neste vídeo. E não é mesmo. Ensinar coisas a gente também pode ensinar em casa (dá uma olhada nas ideias ótimas da Dayane, do Mama Mia!). Enzo conta até 20, sabe todas as cores, formas geométricas como quadrado, triângulo e até hexágono. Reconhece todas as letras do alfabeto. Nunca foi pra escolinha.

Mas isso nem é o mais importante. Não pressiono pra ele saber mais e mais coisas. Ele sabe o que sabe porque se interessa genuinamente e a gente só vai dando a ele o que pede. Ao contrário, é justamente também pra fugir dessa loucura por saber cada vez mais cedo, por aprender cada vez mais cedo que quero o pequeno em casa. Não temos pressa. Quero que as coisas aconteçam a seu tempo, não preciso de um filho gênio nem de um filho “carreirista”, desses treinados pra passar em vestibular e em processos de seleção de trainee de multinacional desde sempre (na busca por escolinhas, no ano passado, encontrei uma que tinha apostilas do Anglo pra bebês de 1 ano e meio! Cataploft! Caí pra trás! Não podia imaginar que a sandice chegasse a isso, juro!).

Crianças de até três anos não precisam “socializar”, pelo contrário. Precisam de cuidado e atenção exclusivos. Estão na fase do “tudo é meu”, do começo da noção do “eu” como algo separado do “outro”. Não gostam da companhia de outros bebês. porque isso nem lhes serve de alguma coisa ainda.

Há quem diga o contrário? Há. E eu já li esses caras também. Mas não me convenceram.

Daí que essa mãe que eu sou hoje acredita em bebê em casa, nessas coisas que diz o González. E essa mãe, que acredita nessas coisas, não pode simplesmente pegar o filho pela mãe e estacionar numa escolinha, compreende? Daí que, apesar e por causa dessas coisas todas que eu contei aí em cima, estou muito feliz, muito mais do que estava há pouco, quando a rotina era mais leve, mas pairava sobre a cabeça a nuvem da dúvida, da pergunta “o que vou fazer quando a sogra não vier mais”? O que vou fazer? Nada. E tudo. Tudo o que importa.

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“Tila Mozae. Põe Macucô”

Domingo, 20h41, trabalhando, ouvindo “I will“, saudade louca do blog bate, resolvo passar por aqui. Me surpreendo: faz quase dois meses que não posto NADA. Céos! E –ironia– justamente num período em que tem tanta coisa rolando por aqui.  Enzo se desenvolve tão rapidamente que, a cada dia, parece que o pai e eu deixamos escapar algum detalhe. “Onde foi mesmo que ele aprendeu isso?” tem sido uma das perguntas mais comuns por aqui.

Ele já fala bem (muito bem) para a idade –e para o pouco tempo desde que se atreveu a soltar as primeiras palavras. Forma frases, dá ordens (“senta, mamãe!”;  “pá lá, papai!”), nomeia o mundo ao seu redor com desenvoltura, paixão e orgulho. Tudo precisa receber um nome agora, de modo que ele passa boa parte do dia apontando para as coisas e repetindo os substantivos relativos a elas. Ou então contando e recontando façanhas dele ou nossas (“bô veja mamãe” sobre quando eu quebrei um copo com cerveja na semana passada; ou “tem agá Queissê”, sobre quando ele achou um copo com água no quarto da “tia” Clarisse, a mulher do meu irmão).

Canta o dia inteiro, um pouco de tudo. Músicas que existem (“cá cá, baion; cá cá, baion”) e outras que ele mesmo inventa (letra, música, harmonia).

Pergunta todos os dias das pessoas e coisas mais queridas, uma atrás da outra: papai? tu Já (tio Zé, meu irmão)?, Noná (minha sogra)? ti Di (tio Diego, amigão aqui de casa), vovô (meu pai)? vovó (minha mãe)?, Queissê? Totó (o cachorro de pelúcia)? Jojó (a gata)? Loló (Léo, o leão de pelúcia)? No looping.

E aí agora deu pra perguntar, de todas essas pessoas, quem tem pipi. Pois é. Cá estou eu explicando diariamente a um bebê:  não, mamãe não tem pipi. Papai tem, tu Já tem, vovó não tem, nem a Queissê… Quer saber? Adouuuuro e dou muita risada com a curiosidade infinita e as tiradas espirituosas.

Ganhou CDs novos e já sabe quem é Mozart, que ele chama de Mozae. “Tila Mozae. Põe macucô”, me pedea quando cansa de ouvir o austríaco e prefere voltar ao bom e velho “Na Casa da Ruth” (projeto bacaníssimo: músicas de Hélio Ziskind sobre poesias de Ruth Rocha, cantadas por Fortuna e pelo Coral Infantil do Sesc Vila Mariana). “Macucô” é como ele chama “macaco”, e refere-se à primeiro faixa do álbum, chamada “Lá vem a macacada”.

Já são 21h. Uma olhada rápida no relógio do note me lembra de que preciso voltar ao trabalho remunerado, que paga as contas aqui de casa e que, no fim das contas (com o perdão da repetição) também é fonte de prazer pra mim. Vou nessa, mas não sem lamentar. Tanta coisa para contar a registrar e eu aqui, ocupada, sem tempo.

Estou terminando vários posts sobre nossa pequena epopeia familiar-educacional, que culminou comigo e com o Dri tirando Enzo da escolinha –aliviados, felizes– depois de apenas três dias. Prometo que conto tudinho, desde a visita às escolas até as razões pelas quais decidimos desescolarizar o pequeno por enquanto.

Enquanto isso, compartilho esse vídeo ótimo do Carlos González (adouuuuuro) falando justamente sobre escolarização de crianças muito pequenas (“A escola infantil não é necessária para as crianças”, dispara ele, logo de cara. González, já disse que te amo?!?). Já deixo, assim, uma pista do que nos levou a optar por adiar a entrada do Enzo no mundo educacional. González fala em catalão, mas as legendas estão em espanhol. Não é ideal, mas não encontrei em português. Dá para entender e vale muito a pena, garanto.

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dilema revisitado # 3: as reflexões sobre maternagem

Contei aqui e aqui que estou com muito trabalho, precisando arranjar ainda mais trabalho e com pouco tempo para dar conta das responsabilidades de jornalista e das tarefas de mãe. Daí que,  mesmo querendo que Enzo fique só comigo até ter pelo menos dois anos, acabamos cogitando, Dri e eu, colocá-lo numa escolinha. Estivemos em algumas, conversamos muito a respeito, ouvimos as nossas mães, assuntamos por aí com quem já tem babás (o que pode ser uma opção para o pequeno ficar comigo e, ao mesmo tempo, eu ter mais tempo), e a pesquisa toda, embora não tenha rendido uma decisão, deu frutos: muita reflexão e algumas auto-repreensões, que eu compartilho.

A primeira delas: Enzo cresceu, tem outras necessidades, não tolera mais ficar só dentro de casa e, por mais que eu tente oferecer a ele um ambiente estimulante, nada substitui o aprendizado que ele tem quando sai de casa, quando vai para a rua, anda por aí, se encontra com outras crianças, conhece novos ambientes.

Exemplo: o pequeno está no auge daquela fase em que eles querem subir e descer qualquer coisa. Moramos em apartamento, aqui não há degraus ou desníveis. Tento improvisar degrauzinhos com caixotes, por exemplo, mas Enzo só se diverte mesmo quando sobe e desce (ad infinitum, diga-se) escadarias reais. Ou seja, fora de casa.

Até aí, tudo bem. O problema -que justifica a repreensão de mim para mim mesma- é que demorei horrores para notar isso e, consequentemente, para começar a oferecer uma rotina de passeios e atividades extra-lar para o Enzo. Foi só quando visitamos a primeira escola, e eu pude ver como ele estava afoito por um contato maior e mais livre em outros ambientes, que comecei a levá-lo diariamente para brincar fora do apartamento.

A segunda repreensão explica a primeira: mesmo trabalhando em casa, ao lado do pequeno, fui ausente e me afastei do Enzo. Prova disso é que nem percebi que meu minimenininho estava crescendo, tendo outras necessidades. Na correria, na tentativa de dar conta de tudo, perdi a mão. E, sem desculpa nem autoindulgência, confesso que perdi a paciência também. É bem mais fácil trabalhar profissionalmente que cuidar (de) e educar filho. Daí que a saída mais agradável para o impasse trabalho x filho acabou sendo privilegiar um pouco mais o trabalho. Não na prática, que com o bebê acordado praticamente não dá para trabalhar. Mas na intenção, sabe como? Estava com Enzo querendo estar trabalhando. Claro que não era uma opção consciente, mas não deixava de ser um tipo de escolha. Resultado: nem trabalhava nem me dedicava a contento ao Enzo e ainda ficava irritadíssima e distante emocionalmente do pequeno.

De modo que, como resposta, meu filho, que era um doce de menino, foi ficando cada vez mais irritadiço, impaciente, exigente, mal criado. Ao meu afastamento emocional, ele reagiu da única forma que conhece.

E eu, que esperava enfrentar as “birras” (odeio essa palavra pela carga negativa em relação aos pequenos, mas na falta de outra melhor…) só quando Enzo tivesse chegado aos 2, tive de lidar com isso um ano antes.

E como eu lidei com isso? Pois é, essa é a repreensão número 3. Ao invés de me implicar na situação para entender o que efetivamente estava acontecendo para justificar tanta mudança -e tão repentina- no pequeno, passei um bom tempo perguntando: “o que está acontecendo com ELE?”.  A pergunta mais adequada, claro, teria sido: “O que está acontecendo COMIGO? E COM A GENTE?”. Cheguei a levar Enzo à pediatra, na tentativa de obter uma “luz” dela sobre razões que explicassem a inquietação tão grande num menino tão pequeno.

A resposta dela foi a mais desestimulante possível: brigue mais com ele.

Eu sabia que não tinha nada a ver com falta de limites. Conheço meu filho. Mas ainda não tinha percebido que minha atitude displicente e impaciente é que estava causando a reação irritadiça e a ansiedade no Enzo. Foi só a ida à escola e o tempo que levamos refletindo sobre essas alternativas que, por caminhos paralelos, me fizeram enxergar o quadro todo.

De prático, portanto, nada relativo a escolas e babás, mas ao meu comportamento e à minha dedicação ao meu filho.

1) Estamos saindo diariamente para passear, às vezes uma, às vezes duas vezes. Vamos a locais diferentes, alternados, e estou procurando relaxar quanto a antigas encucações para deixar Enzo brincar no chão, pegar folhinhas, mexer na terra…

2) No quesito trabalho, recorri à ajuda das mães (como já contei). Não é a solução ideal, mas como paliativo vem funcionando bem, até que Dri e eu decidamos a melhor alternativa. Mesmo nos dias em que as mães não podem vir, me policio muito para estar mesmo 100% com Enzo, relaxada. Isso tem me custado alguns atrasos, é verdade, mas não se pode ter tudo, e, conscientemente dessa vez, optei pelo meu filho.

3) Sempre que noto o pequeno mais nervoso ou impaciente, o que tem acontecido cada vez mais raramente, pergunto primeiro a mim mesma se EU estou nervosa ou impaciente, se EU estou agindo de modo diferente, se EU estou sendo menos carinhosa ou menos presente.

Tem dado muito certo, mesmo com as falhas todas a que todas nós estamos sujeitas, e tenho ganhado muitos sorrisos, abraços, beijinhos babados e gargalhadinhas, daquelas que valem o dia.

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dilema revisitado # 2: a escolinha

No domingo, contei aqui que estou enfrentando meio tardiamente uma versão do velho dilema “carreira x maternidade”, só que com uma roupagem nova, mais leve: trabalho em home office e, agora que Enzo é um minimenininho e não mais um bebê, tem ficado mais difícil conciliar as obrigações de mãe com as de jornalista, já que o pequeno (ainda bem) é super ativo, super inteligente e requer cada vez mais atenção por mais tempo. Daí que concluí que preciso de ajuda de algum tipo, seja uma babá ou seja uma escolinha.

Como Dri estava em férias até hoje, resolvemos visitar as escolinhas aqui perto de casa só para termos uma ideia do que há à nossa disposição. Até agora, fomos em uma só. Uma outra visitaremos na quinta e a terceira, na sexta.

Mas essa primeira experiência me deixou um tanto mais simpática às escolinhas que às babás. Gostei bastante do que vi e do que ouvi. Para começar, as salas têm poucas crianças e, já a partir de 1 ano e 2 meses, os bebês deixam o berçário e vão para o maternal. Qual a diferença? As atividades. No maternal, eles já são estimulados a ler, pesquisar, contar, já definem os temas com os quais querem “trabalhar” naquele semestre, plantam, colhem frutas, fazem aulas de culinária e música, teatro e pintura, escultura…Ou seja, deixam de ficar “estacionados” esperando os pais voltarem. Ao invés disso, têm uma vida estimulante de fato.

A escola se diz construtivista. Muitas dizem isso hoje em dia, mas botei alguma fé nessa, ao menos levando em conta o que a coordenadora nos mostrou/explicou. Como eu estava contando, são os próprios alunos que definem temas a serem abordados, que serão trabalhados transversalmente ao longo do semestre ou do ano, em várias, digamos, “disciplinas”. A duração do tema também depende do interesse do grupo.

Por exemplo: a sala do maternal, que abriga os pequenos com idade entre 1 ano e 2 meses e 2 anos, havia escolhido os peixes como tema para o primeiro semestre. Fizeram pesquisas em livros, procurando figuras do animal, assistiram ao “Procurando Nemo” para identificar os peixes, seus “amigos” e habitat, ouviram e fizeram contação de histórias tendo esses bichinhos como protagonistas, colaram, pintaram e “moldaram” peixinhos, fizeram gelatina azul (cor do fundo do mar) nas aulas de culinária, aprenderam a contar enquanto faziam as comidinhas e assim por diante.

Como aqui em casa é tudo fora da caixa, por favor, valorizo muito propostas pedagógicas um pouco mais progressistas, por assim dizer (embora eu ainda me espante que, tendo em vista as opções mais comuns, Piaget seja progressista…). Também gostei do ambiente: casa espaçosa, com quintal amplo, cheio de verde, onde está instalado o play da garotada. Tem tanque de areia ao ar livre e também espaço coberto com diversos brinquedos para os dias de chuva. Há árvores frutíferas (jaboticaba, jaca, mexerica), horta e, melhor de tudo: as crianças realmente consomem esses alimentos colhidos do pé por eles mesmos, sempre que as árvores “dão” alguma coisa.

Na biblioteca e nas salas de aulas, os livros estão à mão das crianças, que podem pegar quais quiserem, sempre que quiserem. Estão bem cuidados e separados por idade, para que sempre sejam adequados à faixa etária que ocupa a sala. Esqueci de perguntar se os pequenos são estimulados a levar livros de casa para compartilhar com os amigos. Mas já tomei nota e vou tirar essa dúvida. A sala de artes é grande e cheia de materiais que podem ser usados livremente, de acordo com a escolha de cada um. Só não tenho certeza ainda se há um horário definido para isso ou se eles podem ir à sala quando quiserem. Mais uma para checar.

Agora o que mais me deixou feliz mesmo com a escolinha foi o clima.Pode parecer bobagem, mas levo muito em conta como eu me sinto no lugar para avaliá-lo. E nós três (Dri, Enzo e eu) tivemos o mesmo comportamento relaxado na escola, como se estivéssemos em casa. Notamos carinho e cuidado das professoras e berçaristas com os bebês, vimos um monte de crianças aparentemente bem satisfeitas, sentimos uma certa harmonia no ar e, mais importante, percebemos que Enzo esteve muito à vontade o tempo inteiro.

Entrou em várias salas sozinho, mexeu nas coisas, caminhou tranquilamente pela escolinha, escolhendo seu percurso entre o que chamava mais sua atenção, arranjou uma amiguinha no berçário, elegeu um brinquedo por lá, fez amizade com a berçarista, esqueceu de nós dois e ficou por cerca de meia hora só brincando com as novas companheiras, até que tivemos de tirá-lo de lá (era hora de ir embora, afinal).

E aí foi um chororô sem tamanho, com muito ranger de dentes, gritinhos revoltados e lágrimas, um monte de lágrimas. Para mim, foi um ótimo sinal em relação à escola e- mais ainda- uma surpresa e um sinal de que Enzo talvez esteja precisando de atividades mais estimulantes do que ele tem tido aqui em casa (próximo post).

Não estou nada decidida

Parece discurso de uma mãe convencida a deixar seu bebê na escola, né? Mas não é, não. Pelo contrário. Há os contras e eles pesam muito:

1) Quando penso em deixar Enzo 4 ou 6 horas numa escolinha, por mais bacana que seja, não sinto alívio, sinto apreensão. Acho que ele não está pronto, porque penso que um bebê desse tamanho ainda precisa muito de mãe por perto, de coisas familiares, de segurança e proteção que só se encontra no lar.

2) Não gosto nada da ideia de Enzo ter um compromisso, uma obrigação tão pequeno. Se ele pudesse ir à escola quando quisesse, pelo tempo que quisesse seria ótimo. Mas não é assim que funciona.

3) Por mais liberal e bacaninha que seja a escola, há horários, regras, um certo enquadramento desnecessário, especialmente nessa fase. Os horários de almoço e lanche, por exemplo, são bem rígidos, pois é preciso dividir o refeitório de forma a não colocar os muito pequenos para almoçar com os grandões (o colégio tem alunos de até 10 anos). Pior: deve haver horário para aulas de artes, música, literatura, educação física (a confirmar, mas é quase certo). Não gosto disso. Na minha escola ideal, cada um faria atividades lúdicas e artísticas quando quisesse, poderia escolher livremente entre ir tocar um violãozinho ou botar a mão na argila. Não dá para esperar que a criatividade das crianças, ainda mais pequenininhas, aceite o cabresto dos horários mais convenientes para a equipe. Em casa, Enzo é livre como tem de ser e passa o dia inventando novos desafios, exercitando a curiosidade, a criatividade, o raciocínio. Bola brincadeirinhas, nos envolve, cansa delas, troca por outras, vai ali na cozinha pedir uma fruta ou leite, volta a brincar, pega um livro, devolve o livro, enfim, exercita suas múltiplas capacidades sem amarras. Limites podem ser importantes, mas quando têm um objetivo educacional, o que não é o caso dos limites impostos nos colégios (não sou nada fã de “disciplina” por disciplina).

4) Os pediatras que respeito indicam colocar os pequenos nas escolas depois de completarem 2 ou 3 anos. E não apenas por causa das viroses e doencinhas, mas por conta da necessidade de afeto e atenção exclusiva que demanda antes dessa faixa etária.

5) Acho que em casa, sob meu olhar e meu carinho, Enzo estará melhor, ainda que privado de um certo desenvolvimento e de uma sociabilização que a escola promoveria.

Digamos que essa visita à escola (e as próximas, sobre as quais conto depois) me deixaram mais tranquila em relação às possibilidades de desenvolvimento do  Enzo, em relação às opções pedagógicas que teremos, à maturidade e independência do meu minimenininho (que parece pronto para ser um tanto mais livre e para novas amizades), em relação a como ele vai lidar com o futuro colégio. Também me mostraram diversos pontos a refletir em relação à maternidade que estou exercendo. Há muito o que melhorar e vou voltar nesse assunto no próximo post.

Mas ainda não acho que seja hora do pequeno ir pra escola. Por outro lado, também não sei se quero uma babá. Por ora, vou tateando as opções (entrei em contato com agências para assuntar a contratação de uma babá) e agradecendo mega o socorro das mães. Agradeço também quem deu dicas preciosas no facebook (alô, Tamine, Silvia, Claudia!) e o comentário muito inspirador da Ingrid no post anterior.

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literatura infantojuvenil latinoamericana e formação de leitores

Sorry pelos palavrões (literalmente) do título, mas, em tempos em que estou procurando ter mais contato com a literatura infantojuvenil para começar a montar uma biblioteca decente pro Enzo (que, até agora, só tem livros de banho, tadinho), acabei encontrando essa entrevista bem bacana com a escritora argentina María Teresa Andruetto, autora recém-traduzida no Brasil e ganhadora -veja só- do prêmio Hans Christian Andersen 2012, considerado por aí o Nobel da escrita para crianças.

Lançado em abril, o primeiro livro da María Teresa que chegou por aqui foi “A Menina, o Coração e a Casa” (Global Editora, 2012, tradução de Marina Colasanti, indicado para maiores de 10 anos). Eu ainda não li, mas a narrativa conta a história de Tina, uma menina que vive apenas com o pai. Embora veja a mãe aos domingos, a pequena sofre com a ausência e com a distância e, ao mesmo tempo, constrói laços fortes com o irmão Pedro, portador de síndrome de Down (mais sobre o livro aqui e aqui).

Na entrevista, concedida à revista “CartaCapital“, María Teresa fala sobre coisas bem importantes, como a difícil circulação da literatura latinoamericana na própria América Latina e o papel da escola na formação de leitores [“A escola é o lugar onde a brecha entre leitores e não leitores (reflexo de outras brechas sociais) pode ser minimizada“].

Achei que valia a pena compartilhar. O link, novamente, é esse aqui.

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Ainda sobre escritos literários, li recentemente -e por acaso- algumas entrevistas e textos sobre o futuro da literatura infantil e, consequentemente, da literatura como forma de expressão e arte. Na edição de junho da  “Revista E” (do SESC), por exemplo, o crítico literário Davi Arrigucci Jr. questiona a permanência do romance como gênero em um mundo cada vez mais complexo.

Nos comentários deste post aqui, no blog “A Biblioteca de Raquel“, um leitor escreveu algo que nunca tinha passado pela minha cabeça, mas que é óbvio: as pessoas letradas das gerações anteriores liam muito mais -e tinham uma formação cultural mais sólida-  porque os livros eram  uma das principais -senão única- forma de entretenimento num mundo em que não havia rádio, TV, internet, energia elétrica e todo mundo dormia às oito da noite.

Daí que, óbvio novamente, com tantas opções e com opções cada vez mais dinâmicas, é um desafio e tanto formar leitores hoje em dia, estimular os pequenos a baixar os níveis de atividade cerebral, ensiná-los a se concentrar numa coisa de cada vez, mostrar que é bacana puxar o freio de mão e contemplar as coisas com o vagar e a solidão que a literatura merece e exige. Isso sem contar os complicadores sociais e financeiros todos.

E é claro que é muito desejável -ou até imprescindível- que os pequenos tomem gosto de verdade pela leitura. Não apenas porque ler pode ser um prazer imenso, mas também pelo que disse María Teresa à revista:

“Uma sociedade leitora é, sem dúvida, mais crítica, mais reflexiva e pensante. Também está mais aberta a novas experiências, porque um livro é uma porta a outras vivências distintas da nossa, um modo de ver o mundo pelos olhos dos outros, como dizia Darcy Ribeiro”.

ABRE PARÊNTESE: Quando eu era mais nova, trabalhei numa ONG ligada à educação no litoral de SP. Fazia o jornal deles e, eventualmente, conversava com os alunos do Ensino Médio sobre profissões (no caso, sobre a minha). Numa dessas conversas, estava eu lá toda prosa “dando conselhos” para os meninos passarem no vestibular. Sugeri que pegassem os livros clássicos da literatura nacional na biblioteca das escolas e lessem, que isso ajudaria nisso, naquilo e blábláblá. Lindo, até que uma menina, que estava muito interessada por sinal, me interrompeu e disse: “Legal, mas não tem livros na biblioteca da minha escola”. E aí todo mundo, antes quieto, concordou e começou a contar como NÃO tinha LIVROS na BIBLIOTECA ou -pior- como NÃO TINHA BIBLIOTECA na escola. Clique! Caiu a ficha e, talvez pela primeira vez, saquei que o mundo não era minha vidinha classe média. FECHA PARÊNTESE.

Esse tema tem ocupado minhas caraminholas por esses dias. Será que vou ser capaz de despertar o interesse do Enzo por literatura? Será que a escola vai ser capaz de ajudar nisso? Será que ir com ele a livrarias e bibliotecas (coisa que começamos a fazer com mais frequência agora) será mesmo estimulante? Aposto nisso e estou francamente disposta a inserir Enzo no mundo das artes, que acho fundamental para suportarmos, entendermos, melhorarmos, alegrarmos e darmos sentido à vida.

Não se espante nem se canse se você começar a achar posts mais frequentes sobre artes por aqui 🙂

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