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“Tila Mozae. Põe Macucô”

Domingo, 20h41, trabalhando, ouvindo “I will“, saudade louca do blog bate, resolvo passar por aqui. Me surpreendo: faz quase dois meses que não posto NADA. Céos! E –ironia– justamente num período em que tem tanta coisa rolando por aqui.  Enzo se desenvolve tão rapidamente que, a cada dia, parece que o pai e eu deixamos escapar algum detalhe. “Onde foi mesmo que ele aprendeu isso?” tem sido uma das perguntas mais comuns por aqui.

Ele já fala bem (muito bem) para a idade –e para o pouco tempo desde que se atreveu a soltar as primeiras palavras. Forma frases, dá ordens (“senta, mamãe!”;  “pá lá, papai!”), nomeia o mundo ao seu redor com desenvoltura, paixão e orgulho. Tudo precisa receber um nome agora, de modo que ele passa boa parte do dia apontando para as coisas e repetindo os substantivos relativos a elas. Ou então contando e recontando façanhas dele ou nossas (“bô veja mamãe” sobre quando eu quebrei um copo com cerveja na semana passada; ou “tem agá Queissê”, sobre quando ele achou um copo com água no quarto da “tia” Clarisse, a mulher do meu irmão).

Canta o dia inteiro, um pouco de tudo. Músicas que existem (“cá cá, baion; cá cá, baion”) e outras que ele mesmo inventa (letra, música, harmonia).

Pergunta todos os dias das pessoas e coisas mais queridas, uma atrás da outra: papai? tu Já (tio Zé, meu irmão)?, Noná (minha sogra)? ti Di (tio Diego, amigão aqui de casa), vovô (meu pai)? vovó (minha mãe)?, Queissê? Totó (o cachorro de pelúcia)? Jojó (a gata)? Loló (Léo, o leão de pelúcia)? No looping.

E aí agora deu pra perguntar, de todas essas pessoas, quem tem pipi. Pois é. Cá estou eu explicando diariamente a um bebê:  não, mamãe não tem pipi. Papai tem, tu Já tem, vovó não tem, nem a Queissê… Quer saber? Adouuuuro e dou muita risada com a curiosidade infinita e as tiradas espirituosas.

Ganhou CDs novos e já sabe quem é Mozart, que ele chama de Mozae. “Tila Mozae. Põe macucô”, me pedea quando cansa de ouvir o austríaco e prefere voltar ao bom e velho “Na Casa da Ruth” (projeto bacaníssimo: músicas de Hélio Ziskind sobre poesias de Ruth Rocha, cantadas por Fortuna e pelo Coral Infantil do Sesc Vila Mariana). “Macucô” é como ele chama “macaco”, e refere-se à primeiro faixa do álbum, chamada “Lá vem a macacada”.

Já são 21h. Uma olhada rápida no relógio do note me lembra de que preciso voltar ao trabalho remunerado, que paga as contas aqui de casa e que, no fim das contas (com o perdão da repetição) também é fonte de prazer pra mim. Vou nessa, mas não sem lamentar. Tanta coisa para contar a registrar e eu aqui, ocupada, sem tempo.

Estou terminando vários posts sobre nossa pequena epopeia familiar-educacional, que culminou comigo e com o Dri tirando Enzo da escolinha –aliviados, felizes– depois de apenas três dias. Prometo que conto tudinho, desde a visita às escolas até as razões pelas quais decidimos desescolarizar o pequeno por enquanto.

Enquanto isso, compartilho esse vídeo ótimo do Carlos González (adouuuuuro) falando justamente sobre escolarização de crianças muito pequenas (“A escola infantil não é necessária para as crianças”, dispara ele, logo de cara. González, já disse que te amo?!?). Já deixo, assim, uma pista do que nos levou a optar por adiar a entrada do Enzo no mundo educacional. González fala em catalão, mas as legendas estão em espanhol. Não é ideal, mas não encontrei em português. Dá para entender e vale muito a pena, garanto.

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Arquivado em Maternidade, reflexões

pequeno dicionário amoroso (do Enzo)

Tenho zilhares de assuntos palpitantes para compartilhar por aqui, entre eles a escolinha do Enzo; a resenha do Besame Mucho, do Carlos González, que finalmente terminei de ler; pressões por desfralde e por aí vai.

Mas decidi começar o ano do blog com um post sobre algo que tem nos feito bem felizes, a nós e ao Enzo: a fala. O pequeno, que já tagarelava em idioma próprio, agora resolveu aderir, aos poucos e com muito charme, ao Português. Isso é  muito bacana, porque representa um avanço e tanto na nossa comunicação com o pequeno.

Além de ser muito divertido e impressionante assistir à facilidade com a qual os bebês vão adquirindo a linguagem, é também um alívio para todo mundo –e imagino que seja um ainda maior para os filhos– quando o choro (que significa tudo e qualquer coisa) cede lugar à conversa e às palavras.

Enzo começou a falar como quem não quer nada, um mamã aqui, um papá ali –e faz tempo. Foi incrementando o vocabulário aos poucos e, de repente, desembestou a repetir, do jeito que consegue, quase tudo o que falamos e que, de alguma forma, o interesse ou se vincula ao seu mundo. E daí que em poucas semanas (desde que percebemos mais foco dele na aquisição da linguagem) já tem um vocabulário de pouco mais de trinta palavras. Também já forma “frases” simples, como “cuco mamã”, quando quer pedir o meu suco, por exemplo.

E eu, claro, não fugi à tradição de criar um dicionário para “traduzir” o que Enzo diz e o que ele acha que diz. É divertido à beça, não? Aí vai minha seleção com as palavras mais frequentes do minimenininho:

Mamã: autoexplicativo

Papá: idem

Djodjó: A gata, Johanna, que a gente chama de Ioió. O nome dela sempre vem acompanhado por um longo “aaaaa”, o que faz com que ele sempre a chame por “aaaaa Djodjó”. Interjeição total.

Vovó: autoexplicativo também (e ele pronuncia direitinho)

Vovô: idem

Noná: a mãe do Dri que, ao invés de “vovó” em português, ensinou o pequeno a chamá-la de “nonna”.

Tu Já ou ti Já ou tu Jé: tio Zé que, no caso, é meu irmão.

Ti Di: o tio Di (de Diego), um amigo nosso que ele adora.

: é o Léo, o leãozinho de pelúcia que ele arrasta pra frente e pra trás o dia inteiro.

Tulalá: celular.

Cá-o: carro.

Boló: bolacha, biscoito e congêneres. Pede todos os dias, eu sempre digo que não tem. Ele esquece por algum tempo, depois volta e tenta de novo.

Bola: bola mesmo.

Póca: pipoca. Assim como a “boló”, essa ele pede diariamente e, da mesma forma, nunca leva.

Zúl: azul, a cor. Mas ele chama assim, na verdade, qualquer objeto azul.

Au-au-au: autoexplicativo.

Ú-a: lua. Essa ele aprendeu ouvindo “O Rato“, da Palavra Cantada.Fofo, né? Aliás, toda vez que tocamos essa música (e são muitas vezes por dia, acredite…), preciso levar Enzo até a janela pra ele procurar pela lua.

: alô. Pode ser no telefone, no “tulalá”, no interfone, nas mãozinhas… Ele fala “lô” o dia inteiro.

Bolê: bambolê. Essa é nova. Até anteontem, ele chamava bambolê de “bototu”, sabe-se-lá porque.

Botetê: sabonete, que virou sua nova diversão preferida, pra desespero do restante da família.

Batatá: batata.

Mananá: banana, a fruta predileta.

Nona: além de vovó, é também usada pra designar cenoura, o legume predileto.

Cocó: carne de frango ou carnes em geral.

Ága: água (que ele quase nunca pede pra beber, só quer é pra brincar).

Cuco: suco.

Tê: chá.

Tetê: leite.

: quebrou.

Abô: acabou.

Uvá: uva (é louca por uva passas).

Mão: autoexplicativo.

Mamão: idem

Adê ou Etê: CD (no caso, o “Músicas Curiosas”, da Palavra, que ele ouve literalmente o dia inteiro).

Jiji: xixi.

Coco: cocô.

Nanon, Non ou Nononon: não (coisa que ele fala suave ou enfaticamente, dependendo do caso).

Puja: pizza.

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