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curtinhas (ou nem tanto) do fim de semana

Conseguimos emendar o feriadão, o que foi ótimo, pois aproveitamos bastante para descansar, curtir uns dias de preguiça em família, conversar (na correria do dia a dia, até uma simples e prosaica conversa entre Dri e eu acaba sempre sendo adiada), adiantar pendências domésticas (sempre elas) e passear bastante, apesar do friozinho que fez aqui em SP.

Na quinta, fomos numa livraria que eu adoro. Olha um livro aqui, vê a orelha de outro ali, leva Enzo brincar na seção para crianças acolá e o bebê começa a chorar. Ok, eu amo a livraria; o Enzo tolera. O marido tinha ficado com o pequeno enquanto eu passeava pelas prateleiras. Quando ele quis dar a olhadinha dele, peguei Enzo e fui pra fora; a inquietação do neném deixava claro que seu prazo de validade para ambientes internos tinha vencido.

Acontece que lá fora a coisa não melhorou muito. Tentei colocá-lo no carrinho, o que piorou a situação. Pega no colo de novo, Enzo acalma por dois segundos e resolve que tem que mexer em tudo o que não pode, como extintores de incêndio, adesivos de promoção das vitrines, cartazes de lojas. Pergunto: como distrair um bebê impacientíssimo, que está estrilando loucamente no seu colo?

Repondo: começando a cantar feito uma louca, chacoalhando a cria, abaixando e levantando com a cria no colo, fazendo de conta que vai derrubá-la no chão (Enzo ri que só quando faço isso), correndo, rodopiando pelos corredores do shopping enquanto todo mundo olha para você com cara de espanto, atravessando a rua fazendo o maior barulho só pro filho rir… Ou seja, dando uma banana para o bom senso, a auto-imagem e a vergonha própria.

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Já li por aí (ou melhor, por aqui, pela madresfera) que bebê tem uma espécie de sensor: é só pai/mãe botar o garfo na boca, encostar a cabeça no travesseiro, ajeitar o bumbum na cadeira, começar a molhar o cabelo no banho que o bebê apita (leia-se: acorda).

Pois eis que o Dri provou e ampliou essa teoria no feriado. Enzo brincou sozinho, alegre, bem disposto, risonho como ele só, nenhum pitizinho, nenhuma lagriminha. Isso até começarem na TV os programas preferidos do pai, por exemplo. Porque foi só o árbitro apitar o começo do jogo Alemanha x Portugal que o pequeno abriu o berreiro.

E fora de casa a regra também se aplica. Foi só o pai chegar na porta da livraria que o pequeno acordou chorando loucamente. Foi só o pai começar a saborear o almoço de domingo que o neném resolveu que era hora de reclamar. Foi só o pai decidir dar uma passadinha naquela loja de que ele tanto gosta que a avó teve de intervir, pois filho estava inconsolável no carrinho.

Daí que Dri concluiu que bebês são à prova de diversão paterna.

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Antes do Enzo nascer, eu achava minha gata pesada. Brincava com ela, reclamando, que estava meio gordinha. Imagina, pelo contrário, a Jóh sempre foi esbelta e bem mignon. Mas, pra mim, 4,5 kgs era um peso e tanto. E como virava e mexia eu tinha de pegar a moçoilinha no colo (ela sempre estava e está aprontando várias), os quilinhos me pareciam multiplicados por 10.

Mas aí, meu bem, eu virei mãe. E aí eu descobri o que é peso de verdade. Pois o meu minimenininho pesa nada desprezíveis 11,5 kgs e AMA colo. Carrinho, pro Enzo, é castigo. Daí que passei 4 horas com ele no shopping no sábado e daí que foram 4 horas com ele no colo.

De volta em casa, precisei ir buscar a Jóh, que tinha fugido até a porta do apê vizinho (explico: sei-lá-porque ela é apaixonada pelo tapete do casal). E descobri que ela é LEVE FEITO PLUMA. Ou ela emagreceu ou eu fiquei mais forte. Tudo na vida é uma questão de referência.

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Estava com Enzo numa outra livraria, seção infantil, e lá um pai, com cara de cansado, escuta o filho, de uns 6 anos, ler um livro pra ele. Página vai, página vem, o menino termina. Pai comemora:

-Ótimo, Joãozinho*, vamos embora agora?

-Peraí, pai, ainda falta ler aquele ali.

-Joãozinho, já disse que seria só mais esse.

-Mas pai, aquele outro ali é ainda mais legal!

-Tá bom, mas só mais esse e depois a gente vai embora sem discussão. Promete?

-Prometo, pai.

Página vai, página vem, o menino acaba a leitura.

-Joãozinho, coloca no lugar e vamos embora.

-Pai, deixa só eu ler de novo aquele outro que eu li antes desse?

-Mas você tinha prometido ir embora agora. Estou cansado. Já deixei você ler muito. Vamos para casa.

-Mas pai, eu achei que esse fosse mais legal. Mas agora acho que mais legal era o outro. Deixa eu ler o outro de novo só mais essa vez, vai?

-Joãozinho, você já leu aquele três vezes hoje!

-Mas na quarta eu vou tirar a dúvida de qual é mais legal! E aí vou acertar aquele trecho que eu sempre erro e que você sempre me corrige! Treino, pai, treino!

-Tá bom. Mas depois EU vou embora.

Pai desiste, sai batendo os pés e deixa o filho lendo para o irmão mais velho. Os dois ainda brincam um pouco depois que a leitura termina e só aí vão procurar o pai, que estava com cara de poucos amigos, sentadinho, esperando perto dos caixas.

Dois pensamentos: 1) nunca confie na promessa de uma criança em loja de brinquedos (ou de livros).

2) Lembrei, com muuuita inveja desse pai, desse comercial aqui, lembra? Eu juro que quero que Enzo peça pra não sair da livraria e que faça “birra” pra eu comprar brócolis! 🙂

* O nome do menino não era exatamente Joãozinho, mas confesso que não lembro…

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Arquivado em artes, bebezices, brincar, lado B, paternidade