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comer bem fora de casa

Adoro sair por aí sem rumo ou com rumo certo: voltar pra casa só na hora em que der na telha. Na prática da vida de mãe, isso significa ajeitar zentas coisas para cuidar de não faltar nada ao pequeno enquanto a família se diverte explorando a cidade (ou a viagem). Porque, depois do nascimento dos filhos, sair sem lenço e sem documento no sol de quase dezembro pode. O que não pode é sair sem fralda, sem troca de roupas, sem a bebechila, sem cobertor, sem os brinquedos preferidos, sem o Pimpão, sem o copinho de água, sem chá e, especialmente, sem comida. É, não rola sair sem comidas, no plural mesmo, pro rebento. 

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Porque, na rua, as opções em geral ou são pouco saudáveis (fast-food para o almoço, bolacha para o lanche…) ou pouco confiáveis ou ambas. Ainda mais se seu filho ainda é pequeno, meu caso.

Daí que depois de frustrar boas oportunidades de passeios (ou de esticadas) por falta do que dar ao Enzo, acho que cheguei no que considero um arranjo quase ideal para aproveitar bem longas horas fora de casa nos finais de semana sem prejudicar a alimentação do pequeno. Por prejudicar leia-se: deixá-lo sem comer quantidade e variedade adequadas e/ou dar porcarias em substituição à comida de verdade. O que tem dado certo por aqui é o seguinte:

1) Levo sempre o almoço do Enzo com a gente, numa mala térmica tradicional. Procuro seguir algumas regrinhas pra isso dar certo.

  • A primeira delas é só levar alimentos muito frescos. Costumo escolher, pra esse fim, os recém-preparados ou, se for lançar mão de algum congelado, descongelo na manhã do passeio, no máximo uma hora antes. Os congelados, claro, são sempre alimentos feito em casa, nada de industrializados (prato pronto congelado pro filho e papinhas prontas, aqui em casa, só em caso de guerra, como já me disse uma vez a Mari Sá);
  • Separo o que preciso levar nos potes sem BPA (se forem plásticos), adequados para o transporte, com tampas que isolem bem o conteúdo. É importante também fechar a tampa tirando o máximo possível de ar de dentro do pote, como se estivesse preparando para congelar. Mas mantenho tudo na geladeira até a hora de sair de casa.
  • Escolho alimentos fáceis de comer “por aí”, de que o Enzo goste e que sejam menos perecíveis. Massas costumam cumprir bem esse papel. Molhos com carnes e legumes complementam bem o carboidrato e deixam o prato mais equilibrado. Se vou a algum lugar relativamente perto, coloco na “marmita” mais legumes e vegetais. Um trio de muito sucesso aqui é fusili com ovo cozido e brócolis dourado com cebolas;
  • Evito sair com muitas horas de antecedência em relação ao almoço. Enzo costuma almoçar entre 12h30 e 13h. Não saio de casa às 8h, por exemplo. O alimento que levo fica cerca de 2 a 3 horas apenas fora da geladeira, sempre acondicionado na mala térmica e ao abrigo do calor e do sol.
  • A mala térmica tem de ser bem boa, daquelas que realmente isola o alimento e mantém a temperatura resfriada por algumas horas;
  • Sempre almoçamos num local em que, caso seja necessário, Enzo possa comer alguma coisa. Não dá pra ir almoçar num barzinho, daqueles que servem petiscos e feijoada, por exemplo. Tem que ser um local em que haja alguma coisa segura, relativamente saudável e palatável. Vai que a comida estraga no vai-e-vem do passeio…

2) Programo o passeio para estarmos sempre próximos de um bom restaurante por quilo (ou bom PF, mas, nesse caso, só conheço um que vale a pena) ou de uma boa casa de massas. No caso do quilo, nunca pego alimentos crus e peço carnes bem passadas. Se o assunto é massa, geralmente evito os molhos, mesmo o de tomate, a menos que eu conheça bem o local.

3) Levo copo, pois água mineral se compra em qualquer lugar. E levo pelo menos uma mamadeira com chá de ervas que faço para ele em casa. Na falta de suco natural (¹) confiável, o chá cumpre pelo menos o papel de matar a sede do menino que não é lá muito fã de água.

4) Preparo diversas opções de lanche para garantir que Enzo não passe fome (quantidade) e que tenha algo saudável para comer mesmo se encasquetar que não quer determinada coisa.  As opções que fazem muito sucesso por aqui, pelo sabor, pela praticidade e porque são saudáveis:

  • Banana. Autoexplicativa, mas vamos lá: não fica preta, mantém sabor e consistência originais e é a coisa mais fácil do mundo de descascar, né?
  • Mexerica: mesmo caso da banana, também se conserva bem, já que dá pra levar por aí com casca.
  • Frutas secas e castanhas variadas: Enzo ama damasco, figo seco, uvas passas, castanha de caju e castanha-do-Pará. Levo tudo junto ou separado, depende de como estiver o gosto dele. Tem dias que só quer castanha, outros que prefere só damasco e tem os dias em que quer os dois, mas cada um de uma vez. Só tomo alguns cuidados: Damasco solta o intestino e, infelizmente, a maioria das marcas de damasco seco coloca enxofre na fruta para não perder a cor. Portanto, dou com parcimônia. No caso das uvas, sempre leio os ingredientes e só compro as que não têm nem açúcar nem conservantes. Há orgânicas muito boas no mercado. Castanhas sempre sem sal e, mesmo assim, em pequenas quantidades. As de Pará, por exemplo, pico em pedaços menores e ofereço duas ou três, no máximo.
  • Maçãs e outras frutas desidratadas: uma das melhores invenções do homem! 😉 Enzo ama as maçãs, que são realmente muito gostosas. E o melhor: não têm açúcar nem nenhum tipo de conservador, realçador de sabor, nada dessas porcarias. É só a fruta desidratada mesmo. São muito práticas (vêm prontas para o consumo) e costumam ser vendidas em pacotes de 30 ou 50 gramas, em supermercados ou casas de produtos naturais.

Por que me preocupo tanto com alimentação a ponto de não aceitar exceção (vulgo comer porcaria) nem nos finais de semana? Por causa disso aqui:

E disso aqui também:

Mas, mais importante, porque: se é possível só comer coisas boas (e é!), ainda que seja fora de casa, pra que dar porcarias para o Enzo?

(¹) Suco natural é natural mesmo, não de caixinha, bebida que faz parte daquele grupo de produtos pseudo saudáveis: estão cheios de açúcar, corantes, conservantes… Enzo não consome.

PS: a minha estratégia de conservação dos alimentos é minha mesmo. Nunca perguntei pra ninguém (a não ser pra minha mãe) sobre isso. Está dando certo, nunca estraguei nenhuma “marmita”. Se você não estiver segura de levar almoço por aí sem refrigerar de fato –o que acho prudente–, sugiro que pergunte ao pediatra como fazer.

(*) Foto daqui ó.

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Arquivado em livro de receitas do minimenininho, Maternidade, viagens & passeios

tudo é relativo na maternidade

Sábio mesmo era o Einstein. Tudo é relativo. Tudo mesmo. Veja o meu caso, por exemplo: sou super “cri-cri” com a alimentação do Enzo. Nada de doces, nada de açúcar, nada de biscoitos, nada de comida industrializada (papinha Nestlé só em caso de guerra, como diz a Mari Machado de Sá, do Viciados em Colo). Abri uma ou duas exceções para biscoitos água e sal, mas só até descobrir que água e sal são os ingredientes que menos têm na bolacha. Cortado até das exceções. Ponto.

Mas eis que Enzo está sem comer NADA há uma semana. E quando eu falo nada eu quero dizer nada mesmo. Não é exagero, não é metáfora, não é no sentido figurado. É literal. Para ser exata, ele tem comido apenas pedaços de ALGUMAS frutas. Ontem, por exemplo, comeu meia banana com granola, a fórceps. Foi preciso distrai-lo com brinquedos, livrinhos e musiquinhas para que eu conseguisse fazê-lo mandar para baixo a metade da bananinha, que já foi a fruta mais adorada ever até ele começar essa greve de fome.

Há explicações, fato. Ele está gripadíssimo, com suspeita de conjuntivite, dois dentes nascendo. Entendo a falta de apetite e a má-vontade com a comida, é natural que ele reaja assim. Acontece, no entanto, que isso não muda nada em termos de necessidades de nutrientes. Com gripe ou sem gripe, com dente ou sem dente, o organismo dele continua precisando se alimentar, confere produção?

Então, depois de uma semana inteira deixando o pequeno decidir se iria comer ou não, ontem cheguei ao limite do “viva e deixe viver”. E apelei, apelei feio, confesso. Imagine a cena:

Mãe faz legumes no vapor, com um tiquinho de manteiga, bem saudáveis. Não é lá boa cozinheira, mas até que a gororoba fica gostosinha. Filho ama arroz. Então, mãe capricha na quantidade de arroz no prato para atrair a cria. Coloca uma porçãozinha tímida dos legumes, amassa bem (filho come sem amassar, mas como está com dentinhos sensíveis, melhor facilitar, né?). Deixa na temperatura ideal e, para completar, bota um tiquinho de sopa de ervilha (só o caldinho), que já foi preferência do rebento.

Tenta uma colherada. Filho derruba tudo no chão. Tenta a segunda. Filho não  aceita. Tenta a terceira. Filho arremessa a colher cheia longe. Tenta a quarta. Filho deixa colocar na boca só pra cuspir, chorando loucamente.

Mãe perde o que sobrou do seu (frágil) bom senso, vira-se pro marido e diz:

-Chega. Ele vai comer essa m… de qualquer jeito hoje!

O marido olha tudo, atônito. Mãe larga o filho com o pai, apoia a colher sobre o prato e parte, resoluta, em direção à cozinha.Volta com duas armas: um pote de requeijão numa mão e um vasilhame com queijo ralado na outra. Marido se mata de rir quando percebe o que a louca mulher vai fazer. E, depois das gargalhadas, oferece apoio irrestrito ao método pouco ortodoxo prestes a ser posto em prática.

Sem pestanejar –para não dar tempo de pensar muito e, de repente, ser tomada de novo pelo bom senso–, mãe enche o prato (antes saudável) com um monte de requeijão e queijo ralado. Acrescenta um pouco de frango (carnes o filho não aceita comer há três semanas), bota tudo de novo no micro-ondas.

Oferece ao filho o grude cheio de porcaria, mas saboroso. O pequeno bate a pratada toda em segundos. Nada de chororô, nada de empurrar a colher, nada de cuspir a comida.

Tudo bem que o menino comeu um monte de suposto queijo fundido com mais um monte de queijo inadequado para a idade dele. Mas –o mais importante– ele COMEU! E mandou ver, sem querer, em brócolis, cenoura, mandioquinha, cará, tomate, frango, ervilhas…No balanço, a mãe acha que compensou. E se sente a mais esperta das mulheres.

Fim da história, comprovo que tudo é relativo. Eu, que fico colocando queijo ralado na macarronada escondida na cozinha; eu, que como pão de forma trancada no banheiro; eu, que dou a maior lição de moral em quem sugere que Enzo pode comer chocolate; eu, que nem gelatina dou pro pequeno (cheia de corantes artificiais, saborizantes, glutamatos e mais um monte de porcarias), acabei minha noite de segunda apelando para o que havia de pior na minha geladeira. Mas quer saber? A incoerência é uma dádiva –às vezes, pelo menos.

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maternidade real

A mãe tem um prazo apertadíssimo, que está dando o maior trabalho: não acha fontes; ninguém sabe do assunto; os que sabem não querem falar; há pouca informação disponível em locais confiáveis; o tema é compleeeeexo; ela nunca escreveu sobre isso, de modo que também está aprendendo; muitos interesses em conflito, daí que são zentas versões diferentes e uma jornalista vendida na situação, que precisa escrever uma capa em 3 dias.

O que acontece então? Acontece que a tal maternidade real fica mais real ainda:

1) Mamãe, essa coleira convicta que acha mesmo que lugar de filho é no colimdimamãe, começa a tentar convencer Enzo de que, talvez, colimdimamãe não seja assim tão bom. Filho chora lá no sofá, depois de uns minutos distraído. Mamãe ainda está no começo daquele e-mail importantão que pode definir muito da bagunça em que a apuração se encontra. E aí a cria continua chorando, enquanto mamãe faz força pra ignorar, tentando se concentrar pra terminar a p… do e-mail. Filho chora mais, mamãe tenta dialogar, depois de dar uma espichada de olho e ver que está tudo ok. “Mamãe já vai, espera só mais um pouquinho”. Mais choro. Mais “calma, filho”. Mais mãe tentando se concentrar pra terminar mais rápido. Finito! Mãe termina o e-mail. Olha pro filho, feliz, pra dar a boa notícia. Silêncio. Filho deitadinho no sofá, segurando a naninha, dormiu. Na prática, mamãe fez o que, na teoria, as moças que pensam como ela não deveriam fazer: deixar bebê chorando, sem resposta, até adormecer. Mamãe suspira, triste, ajeita Enzo no sofá pra ele dormir melhor e corre pro notebook aproveitar o tempo, que o tempo “ruge”.

2) Mamãe vai ao freezer pegar papinhas para dar almocinho ao recém-acordado minimenininho, que brinca feliz e contente no carrinho (coisa rara, minhagente, beeeeem rara). Descongela a papinha, dando graças aos céus por ter tido a brilhante ideia de deixar várias prontas congeladas, e começa a servir o bebê. Mas acontece que Enzitolino está muito mais interessado em continuar brincando do que em comer.  Mamãe, em condições normais de temperatura e pressão, não insistiria. Guardaria a papinha por mais alguns minutos e ofereceria depois. Respeitaria a inclinação do guri. Aliás, não teria nem oferecido, já ciente de que a cria estava dando de ombros pra essas necessidades da natureza. Aproveitaria, pois, a tranquilidade para deixar pronta a frutinha da sobremesa. O que a mamãe faz de fato? Insiste. “Ah, Enzo, só mais essa colheradinha, vai”. “Filho, come mais essa”. “Não cospe tudo, está tão gostosa”. “Isso, gargalha mesmo que a mamãe aproveita e bota mais uma colher na sua boca”. Resultado: muxoxo, chororô, 20 minutos de queda de braço, com Enzitolino derrotando mamãe e sua colher cheia de ervilhas-e-beterrabas-e-abóboras-e-espinafres de lavada. Nem metade do potinho foi consumido, Enzo agora está irritado e mamãe, frustrada e atrasada.

3) Todo mundo sabe que não se deve dar mamadeira aos bebês quando eles não querem comida. Mamãe também sabe. Só que mamãe tem pressa. Lembra que Enzo não comeu direito? Pois é, então agora Enzo está com fome. Só que mamãe está atrasada e não pode ficar outros 20 minutos dando comida de novo (lembra que ela, contrariando suas mais sábias determinações, insistiu à beça com o bebê?). Pois eis que ela tem a brilhante ideia de dar a mamadeira. Mamãe prepara em dois minutos, bebê mama em outros cinco minutos. Almoço resolvido. Resolvido? Será? Mamadeira não é almoço, mamãe sabe. E suspira, arrependida. Mas o que está feito, está feito. E mamãe corre pro notebook que o tempo, ah, esse “ruge”.

4) Todo mundo sabe que os bebês devem comer ao menos três porções de frutas por dia. Mamãe também sabe. Acontece que ela não teve tempo de ir comprar frutinhas fresquinhas. Acontece que ela olha na geladeira, esperando pela redenção, e só encontra uma (sim, UMA) ameixa, madura demais. Mamãe analisa a fruta, vira, desvira, cheira, chacoalha, parece boa, parece estragada, deixa pra lá que eu não vou ter coragem de dar isso ao Enzo. Gosto amargo da frustração combinado com o gosto azedo de que p. de mãe eu sou, sabe como? “Ah, não, filho, não tem nem fruta!”, a mãe desabafa, com a cara mais feia do mundo, porque Enzitolino para tudo o que está fazendo e encara a mãe, sério. E mãe devolve o pequeno no sofá e volta pro note, um tanto aliviada de não ter dado nada, porque demoraria ainda mais amassar fruta, botar bebê no cadeirão, botar babador, dar fruta, brincar com Enzo brincando com a fruta, tirar babador, tirar bebê do cadeirão. E aí a mãe se dá conta de que, secretamente, comemora não ter alimentado direito seu filho, deosdoceu! E aí fica triste de novo, mas pega o telefone e liga pro próximo de sua looooonga lista de fontes.

E passa o dia se sentindo a mãe mais porcaria de todas as mães, de todos os mundos, de todos os planetas, de todos os tempos, de todas as galáxias. E quase liga pro marido pra encher o saco dele desabafar. E quase liga pra própria mãe pra encher o saco dela desabafar. E, atrasada, liga pra fonte pra encher o saco dela entrevistar.

Balanço do dia: culpa-materna-nível-máximo MODE ON convicto.

Conclusão inconteste: maternidade real sucks!

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