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precisamos mesmo de tanto antibiótico?

Faz quase um mês, Enzo teve uma gripe forte, com muita tosse, falta de apetite, conjuntivite um pouquinho de febre. Como a temperatura febril se repetiu por dois dias seguidos, a pediatra dele sugeriu uma passadinha no Pronto Socorro, só para descartarmos infecções ou qualquer probleminha pulmonar. Fomos. Examina daqui, examina dali, o plantonista concluiu que meu filho estava com um princípio de inflamação no ouvido direito. Nada grave. Ok, mãe tranquila, senta um pouco, espera a receita, recebe a receita do médico e… susto!

Além de um antibiótico forte, ele tinha receitado um remédio à base de cortisona para o pequeno. MEODEOS, mas se é só um princípio de uma inflamação leve, para que isso? Perguntei, médico rosnou, enrolou, não respondeu e ameaçou: “melhor tratar para não piorar, né?”. Sim, sim, dr…

Sim, sim, dr my ass! Saí da sala e, na hora, liguei para a pediatra do Enzo, que super estranhou a recomendação da cortisona. O estranhamento com a cortisona foi tamanho que, mesmo 1000% alopática e super “enquadradinha” na medicina mais tradicional possível, a ped pediu o CRM do colega para questionar o moço. Mas manteve o antibiótico. E eu continuei achando um exagero, tendo em vista o quadro.

Pulga-atrás-da-orelha mode “on”, liguei para o homeopata que cuida do Enzo e que me atende desde que eu tinha 4 anos. Levei Enzo lá e, claro, ele cancelou inclusive o antibiótico. Realmente não era nada necessário. Fez uma fórmula, explicou como eu deveria ministrar e, tranquilo como sempre, me disse: “em dois dias ele não tem mais nada”.

Pois é, ele errou. Com a fórmula homeopática, Enzo estava ótimo no dia seguinte! Sem febre, sem vermelhidão nos ouvidos, sem dor. E melhor: sem antibiótico, sem cortisona. E se eu tivesse dado esse monte de drogas comprovadamente desnecessárias para o meu filho? Além dos prejuízos por tomar a medicação em si, ainda teria privado o organismo do Enzo de reagir sozinho e fortalecer seu sistema imune ao lidar com um problema inofensivo.

Quando eu era pequena, esses ciclos normais de inflamação e gripe, pelos quais também passei, foram tratados com muito antibiótico, injeções e remédios, muitos remédios (daqueles com gosto horrível, mas que o fabricante tem a cara de pau de colocar na embalagem que tem sabor de banana. Ah vá… O cara nunca deve ter comido uma banana na vida, mon dieu!).

Aos 4, já tinha tido muitos episódios graves de estomatite e um episódio de paralisação renal. Sim, sim, antibióticos podem causar paralisação dos rins. Ninguém lê bula não? Tudo isso por causa de dores de garganta e febrezinhas inofensivas. Compensa? Faz sentido? Isso é medicina? Isso é “curar” alguém?

Sacou qual é o problema? Remédio mal ministrado vira veneno, confere produção?

Não sou médica, não estudei biológicas, meus conhecimentos nesse campo se limitam ao que eu aprendi no Ensino Médio, plus o que eu li por aqui “googlando”.  Mas tenho algum raciocínio lógico e sei que: 1) antibiótico não é para se tomar à toa, há contraindicações e reações adversas graves; 2) cortisona, em bebê, só mesmo em caso de precisão precisada. Cortisona faz mal para adultos… mesmo para aqueles que realmente têm de tomar. Imagine para bebês.

Não estou fazendo apologia da homeopatia não. Para mim, sempre funcionou (aliás, esse médico que hoje consulta Enzo foi o cara que salvou –literalmente– minha vida aos 4). Mas conheço muita gente para quem a homeopatia é inócua. E sabe? Tanto faz se você vai num homeopata, alopata ou qualquer outro “pata”. Porque o problema é enxergar o sintoma como algo que precisa ser combatido A QUALQUER PREÇO e o mais rápido possível. Sabe matar barata com fuzil? Eu até toleraria esse raciociniozinho raso  de um ignorante em medicina –tipo eu assim– que, assustado, com medo de agravar uma doença, tascasse cortisona num bebê febrilzinho.

Mas não de um profissional formado, que sabe avaliar a gravidade do quadro e que, inclusive, me diz que NÃO É NADA GRAVE. Como assim então dar cortisona? Como assim dar o antibiótico mais forte?

Claro que também não estou propondo que as mães e pais ignorem recomendações dos médicos sempre que eles receitarem antibióticos. Pelamor, nada de cura milagrosa com chá de sei-lá-eu-o-quê! Notem que abri mão da medicação recomendada pelo primeiro médico depois de consultar outros DOIS PROFISSIONAIS DE CONFIANÇA. O homeopata, inclusive, já me prescreveu muita ALOPATIA quando foi necessário. Sei, portanto, que ele tem plena consciência das limitações das medicações homeopáticas e que, se fosse necessário, endossaria o antibiótico mantido pela ped.

Portanto, a reflexão aqui é  tão somente sobre se é mesmo necessário dar antibiótico SEMPRE que as crianças têm uma inflamaçãozinha benigna  qualquer. No meu caso (tanto minha experiência quanto a do Enzo),  a resposta é não.

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tudo é relativo na maternidade

Sábio mesmo era o Einstein. Tudo é relativo. Tudo mesmo. Veja o meu caso, por exemplo: sou super “cri-cri” com a alimentação do Enzo. Nada de doces, nada de açúcar, nada de biscoitos, nada de comida industrializada (papinha Nestlé só em caso de guerra, como diz a Mari Machado de Sá, do Viciados em Colo). Abri uma ou duas exceções para biscoitos água e sal, mas só até descobrir que água e sal são os ingredientes que menos têm na bolacha. Cortado até das exceções. Ponto.

Mas eis que Enzo está sem comer NADA há uma semana. E quando eu falo nada eu quero dizer nada mesmo. Não é exagero, não é metáfora, não é no sentido figurado. É literal. Para ser exata, ele tem comido apenas pedaços de ALGUMAS frutas. Ontem, por exemplo, comeu meia banana com granola, a fórceps. Foi preciso distrai-lo com brinquedos, livrinhos e musiquinhas para que eu conseguisse fazê-lo mandar para baixo a metade da bananinha, que já foi a fruta mais adorada ever até ele começar essa greve de fome.

Há explicações, fato. Ele está gripadíssimo, com suspeita de conjuntivite, dois dentes nascendo. Entendo a falta de apetite e a má-vontade com a comida, é natural que ele reaja assim. Acontece, no entanto, que isso não muda nada em termos de necessidades de nutrientes. Com gripe ou sem gripe, com dente ou sem dente, o organismo dele continua precisando se alimentar, confere produção?

Então, depois de uma semana inteira deixando o pequeno decidir se iria comer ou não, ontem cheguei ao limite do “viva e deixe viver”. E apelei, apelei feio, confesso. Imagine a cena:

Mãe faz legumes no vapor, com um tiquinho de manteiga, bem saudáveis. Não é lá boa cozinheira, mas até que a gororoba fica gostosinha. Filho ama arroz. Então, mãe capricha na quantidade de arroz no prato para atrair a cria. Coloca uma porçãozinha tímida dos legumes, amassa bem (filho come sem amassar, mas como está com dentinhos sensíveis, melhor facilitar, né?). Deixa na temperatura ideal e, para completar, bota um tiquinho de sopa de ervilha (só o caldinho), que já foi preferência do rebento.

Tenta uma colherada. Filho derruba tudo no chão. Tenta a segunda. Filho não  aceita. Tenta a terceira. Filho arremessa a colher cheia longe. Tenta a quarta. Filho deixa colocar na boca só pra cuspir, chorando loucamente.

Mãe perde o que sobrou do seu (frágil) bom senso, vira-se pro marido e diz:

-Chega. Ele vai comer essa m… de qualquer jeito hoje!

O marido olha tudo, atônito. Mãe larga o filho com o pai, apoia a colher sobre o prato e parte, resoluta, em direção à cozinha.Volta com duas armas: um pote de requeijão numa mão e um vasilhame com queijo ralado na outra. Marido se mata de rir quando percebe o que a louca mulher vai fazer. E, depois das gargalhadas, oferece apoio irrestrito ao método pouco ortodoxo prestes a ser posto em prática.

Sem pestanejar –para não dar tempo de pensar muito e, de repente, ser tomada de novo pelo bom senso–, mãe enche o prato (antes saudável) com um monte de requeijão e queijo ralado. Acrescenta um pouco de frango (carnes o filho não aceita comer há três semanas), bota tudo de novo no micro-ondas.

Oferece ao filho o grude cheio de porcaria, mas saboroso. O pequeno bate a pratada toda em segundos. Nada de chororô, nada de empurrar a colher, nada de cuspir a comida.

Tudo bem que o menino comeu um monte de suposto queijo fundido com mais um monte de queijo inadequado para a idade dele. Mas –o mais importante– ele COMEU! E mandou ver, sem querer, em brócolis, cenoura, mandioquinha, cará, tomate, frango, ervilhas…No balanço, a mãe acha que compensou. E se sente a mais esperta das mulheres.

Fim da história, comprovo que tudo é relativo. Eu, que fico colocando queijo ralado na macarronada escondida na cozinha; eu, que como pão de forma trancada no banheiro; eu, que dou a maior lição de moral em quem sugere que Enzo pode comer chocolate; eu, que nem gelatina dou pro pequeno (cheia de corantes artificiais, saborizantes, glutamatos e mais um monte de porcarias), acabei minha noite de segunda apelando para o que havia de pior na minha geladeira. Mas quer saber? A incoerência é uma dádiva –às vezes, pelo menos.

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