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tão feliz e selvagem

a capa e o olhar infantil que define a narrativa (*)

a capa e o olhar infantil que define a narrativa (*)

Estou para fazer uma resenha desse livro há um tempo, desde que comprei para a cria, positivamente influenciada por essa outra resenha aqui, da Luciana Conti e seu Gato de Sofá, de quem sou fã e leitora. O livro, no caso, é “Selvagem“, da havaiana Emily Hugues, e conquistou Enzo e eu logo de cara, ainda numa primeira leitura na livraria. É um dos preferidos do filho, e fica fácil entender os vários motivos.

As ilustrações são lindíssimas, fortes (como só as sutilezas e delicadezas podem ser), coloridas, expressivas. Se comunicam muito bem com as crianças. Tanto que o filho atraiu-se especialmente pela capa, pelos olhos imensos, felizes e negros da “menina selvagem”, que fitam o leitor de um modo alegre, desafiador e convidativo.

Quando o desafio é aceito (geralmente prontamente) e o livro é aberto, então se percebe que a escolha da capa não foi aleatória. É uma das muitas metáforas que fazem a obra tão interessante. Explico: uma das coisas mais bacanas de “Selvagem” é a perspectiva narrativa, completamente construída a partir do olhar da menina que, criada com os animais desde bebê, um dia, sem mais nem menos, é arrancada de seu “habitat” e sofre uma tentativa de “civilização”.

Não há, nem sutilmente que seja, o ponto de vista do adulto, moralizador, instando a criança-leitora a contemporizar a frustração e o desencanto da personagem com sua nova vida na cidade. Ao contrário do que acontece nas fábulas e também em obras para adultos com temática similar, não é a menina criada na selva quem precisa ser “salva” ou protegida, mas, sob a ótica dela, é a cidade que está toda “errada”. E assim a narrativa se dá, assumindo claramente um ponto de vista não hegemônico e lançando um olhar bem definido –o da “menina selvagem”– ao mundo que conhecemos e no qual, na verdade, não é preciso se enquadrar.

Outra das metáforas, a principal delas, selvagem x civilizado, pode não ter leitura tão óbvia e é cheia de camadas sutis. Por exemplo: Emily Hugues é uma havaiana radicada em Londres, uma imigrante. Não importa o quão bem sucedida seja na “nova” sociedade que adotou, sempre será uma “outsider“, alguém com costumes,  olhares e perspectivas diferentes. Em geral (e claro que não falo de Hugues em particular, pois não sei de sua história de vida esse tanto) não raramente essas diferenças são vistas pelos “locais” como “erros” a serem “corrigidos”. Não deixa de ser significativo que Hugues inverta o senso comum em “Selvagem” e tache como “errados” justamente aqueles que tentam “corrigir” o espírito livre –e diverso– da menina-personagem.

Mesmo que se tome o caminho mais óbvio e se opte por ler “Selvagem” como a contraposição entre a liberdade da “selva” e o preço conformador da “civilização, a narrativa revela múltiplos significados, entre eles a dicotomia entre criança e adulto. A história, ainda mais da forma como é contada, não deixa de ser também sobre as crianças e o processo de “educação” ao qual as submetemos, como se elas precisassem ser “corrigidas”, “consertadas” e como se suas respostas inatas a questões cotidianas (comer instintivamente com as mãos e brincar destruindo coisas, por exemplo) não dessem conta de prepará-las para o desenvolvimento, sendo necessária a intervenção “civilizatória” do adulto. O que é, precisamente, o contrário.

“os corvos a ensinaram a falar”

Os pequenos identificam-se rapidamente e, em geral, aliam-se à criança “universal” que a “menina selvagem” representa. Perguntei certo dia ao meu filho qual era a parte do livro de que ele mais gostava, e a resposta não poderia ser outra: as cenas em que a personagem é livre e vive na selva com os animais.

No entanto, foi a nuance de “natureza” e de “felicidade” que me chamou a atenção. Natureza, onde vivia a “menina selvagem” antes de ser “resgatada”, pode não ser apenas o strictu sensu, o mundo não manipulado pelo homem, a selva. Há a própria natureza humana, a essência, aquilo em nós que nasce conosco e nos define. As crianças, “felizes e selvagens”, são especialistas em dar vazão a essa essência. Uma criança não pensa”quem sou”, porque ela simplesmente é. E sendo, ela manifesta e concretiza essa natureza.

A narrativa nos conta que a personagem sempre estivera na selva, “e isso fazia sentido”. Depois, reforça que, na civilização, “ela não entendia nada, e ficou infeliz”. A felicidade da menina depende, como a nossa, do que faz sentido para ela, não para qualquer outro grupo. A felicidade, nesse caso, não é uma construção, um objetivo, uma conquista (como parece ser no que acredita o ocidente), mas um estado em que se é aquilo que se é e que se vive o que se é. Para ser feliz basta ser.

eles falavam errado, e ela não entendia nada e ficou infeliz

eles falavam errado, e ela não entendia nada e ficou infeliz

Portanto, a natureza metafórica –e também literal– de que trata “Selvagem” ainda está em choque com a “civilização”, num sentido mais amplo, mais profundo, de possibilidade de existência material e psicológica da natureza original em nós no mundo über “civilizado” e muito violento em que nos metemos.

No fundo, quando as crianças dão piti na fila do supermercado, quando se recusam a comer com garfos, quando se tornam agressivas ou resistentes (aos nossos olhos), quando “fazem manha”, quando não cooperam deliberadamente, quando põem “a casa abaixo” (como faz a personagem em uma cena de “Selvagem”), metaforicamente ou não, podem estar “apenas” (o que não é pouco) sinalizando que, talvez sem perceber, as estamos tirando cada vez mais cedo, mais rápido e mais violentamente da “selva” particular em que fazem sentido e são suas próprias naturezas.

(*) As fotos são minhas mesmo. Tirei do livro do filho. Então, releve 😉

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Serviço:

“Selvagem”, de Emily Hugues (tradução de Maria Luiza X. de A. Borges, do original “Wild”)

40 páginas

Pequena Zahar

1ª edição em 2015

R$ 39,90

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“os pássaros” e a primeira resenha do blog

Prometi aqui pelo menos duas resenhas. Uma sobre “Besame Mucho” e outra sobre “A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra“. E faz tempo. Mas quis o “destino” (a.k.a a autora deste post) que eu “estreasse” resenhando um livro infantil, que me arrebatou desde que li sobre ele neste post aqui, da revista Garatujas Fantásticas (não conhece as garatujas? Corre , que é uma revista independente muy bacana e muy linda sobre o universo infantil).

Os Pássaros” é, antes de qualquer coisa, uma sucessão de imagens lindas, carregadas de força poética e lirismo. Ainda que, juntos, não contassem a história que contam, cada desenho de cada página já seria uma narrativa visual intensa, completa e hipnotizante. É difícil deixar de olhar o livro e igualmente difícil é resistir à tentação de arrancar suas páginas, enquadrá-las todas e colocá-las na parede.

divulgação/editora 34

divulgação/editora 34

Sou fascinada por imagens bonitas. E penso que, para um bebê ou uma criança que ainda não lê, a força artística de um livro é a ilustração, é nas ilustras que eles travam o primeiro contato com a arte, tanto a literatura, a narrativa em si, quanto as artes visuais propriamente. A qualidade visual é, hoje, meu primeiro critério para escolher uma obra e oferecê-la ao meu filho. E Albertine, a artista plástica suíça que desenhou lindamente “Os Pássaros”, facilitou enormemente minha escolha.

Além disso, o escritor Germano Zullo (igualmente suíço), que assina o poético texto da obra e que é responsável pela história que as imagens de Albertine contam, desenvolveu uma narrativa singela, simples, mas carregada de múltiplas nuances e diversos significados. É lírica, é forte, é profunda, mas, ao mesmo tempo, é simples e acessível às crianças de qualquer idade. Tenho a impressão de que “Os Pássaros”, por isso mesmo, é aquele tipo de livro que pode ser lido e relido muitas vezes ao longo da vida, pois vai amadurecendo junto com o leitor. A cada releitura, novas perspectivas e novos sentidos.

Já valeria a compra só por essas razões, mas melhora. Quando sentei com Enzo para ler “Os Pássaros” para ele, ontem, fiquei muito surpresa. Ele mesmo foi “adivinhando” o que aconteceria a seguir com o personagem principal, seu caminhão vermelho e o pequeno e solitário pássaro que fica para trás quando a passarada com a qual ele estava alça voo. Primeira vez que isso acontece. Enzo dialoga com seus livros, brinca com eles, cria histórias próprias para cada desenho, “alimenta” e nina os personagens, mas ainda não tinha costurado uma narrativa que fizesse sentido para a obra toda, como fez dessa vez.

Ficou tão envolvido pelas figuras pintadas com guache, em cores vivas e primárias, que até deu nome ao motorista e ao passarinho: Joaquim e Pêto.

divulgação/editora 34

divulgação/editora 34

Para mim, que já havia aprovado “Os Pássaros” desde a resenha da Garatujas e que fiquei ainda mais arrebata quando o vi ao vivo (tanto que trouxe na mesma hora), o prazer e a interação do Enzo com a obra foi o que animou meu dia. Germano Zullo e Albertine fizeram uma mãe duplamente feliz. E alegraram o coração e a imaginação de mais um menininho.

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Serviço:

“Os Pássaros”, de Germano Zullo e Albertine

72 páginas

Editora 34

1ª impressão 2013

R$ 39

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dilema revisitado # 2: a escolinha

No domingo, contei aqui que estou enfrentando meio tardiamente uma versão do velho dilema “carreira x maternidade”, só que com uma roupagem nova, mais leve: trabalho em home office e, agora que Enzo é um minimenininho e não mais um bebê, tem ficado mais difícil conciliar as obrigações de mãe com as de jornalista, já que o pequeno (ainda bem) é super ativo, super inteligente e requer cada vez mais atenção por mais tempo. Daí que concluí que preciso de ajuda de algum tipo, seja uma babá ou seja uma escolinha.

Como Dri estava em férias até hoje, resolvemos visitar as escolinhas aqui perto de casa só para termos uma ideia do que há à nossa disposição. Até agora, fomos em uma só. Uma outra visitaremos na quinta e a terceira, na sexta.

Mas essa primeira experiência me deixou um tanto mais simpática às escolinhas que às babás. Gostei bastante do que vi e do que ouvi. Para começar, as salas têm poucas crianças e, já a partir de 1 ano e 2 meses, os bebês deixam o berçário e vão para o maternal. Qual a diferença? As atividades. No maternal, eles já são estimulados a ler, pesquisar, contar, já definem os temas com os quais querem “trabalhar” naquele semestre, plantam, colhem frutas, fazem aulas de culinária e música, teatro e pintura, escultura…Ou seja, deixam de ficar “estacionados” esperando os pais voltarem. Ao invés disso, têm uma vida estimulante de fato.

A escola se diz construtivista. Muitas dizem isso hoje em dia, mas botei alguma fé nessa, ao menos levando em conta o que a coordenadora nos mostrou/explicou. Como eu estava contando, são os próprios alunos que definem temas a serem abordados, que serão trabalhados transversalmente ao longo do semestre ou do ano, em várias, digamos, “disciplinas”. A duração do tema também depende do interesse do grupo.

Por exemplo: a sala do maternal, que abriga os pequenos com idade entre 1 ano e 2 meses e 2 anos, havia escolhido os peixes como tema para o primeiro semestre. Fizeram pesquisas em livros, procurando figuras do animal, assistiram ao “Procurando Nemo” para identificar os peixes, seus “amigos” e habitat, ouviram e fizeram contação de histórias tendo esses bichinhos como protagonistas, colaram, pintaram e “moldaram” peixinhos, fizeram gelatina azul (cor do fundo do mar) nas aulas de culinária, aprenderam a contar enquanto faziam as comidinhas e assim por diante.

Como aqui em casa é tudo fora da caixa, por favor, valorizo muito propostas pedagógicas um pouco mais progressistas, por assim dizer (embora eu ainda me espante que, tendo em vista as opções mais comuns, Piaget seja progressista…). Também gostei do ambiente: casa espaçosa, com quintal amplo, cheio de verde, onde está instalado o play da garotada. Tem tanque de areia ao ar livre e também espaço coberto com diversos brinquedos para os dias de chuva. Há árvores frutíferas (jaboticaba, jaca, mexerica), horta e, melhor de tudo: as crianças realmente consomem esses alimentos colhidos do pé por eles mesmos, sempre que as árvores “dão” alguma coisa.

Na biblioteca e nas salas de aulas, os livros estão à mão das crianças, que podem pegar quais quiserem, sempre que quiserem. Estão bem cuidados e separados por idade, para que sempre sejam adequados à faixa etária que ocupa a sala. Esqueci de perguntar se os pequenos são estimulados a levar livros de casa para compartilhar com os amigos. Mas já tomei nota e vou tirar essa dúvida. A sala de artes é grande e cheia de materiais que podem ser usados livremente, de acordo com a escolha de cada um. Só não tenho certeza ainda se há um horário definido para isso ou se eles podem ir à sala quando quiserem. Mais uma para checar.

Agora o que mais me deixou feliz mesmo com a escolinha foi o clima.Pode parecer bobagem, mas levo muito em conta como eu me sinto no lugar para avaliá-lo. E nós três (Dri, Enzo e eu) tivemos o mesmo comportamento relaxado na escola, como se estivéssemos em casa. Notamos carinho e cuidado das professoras e berçaristas com os bebês, vimos um monte de crianças aparentemente bem satisfeitas, sentimos uma certa harmonia no ar e, mais importante, percebemos que Enzo esteve muito à vontade o tempo inteiro.

Entrou em várias salas sozinho, mexeu nas coisas, caminhou tranquilamente pela escolinha, escolhendo seu percurso entre o que chamava mais sua atenção, arranjou uma amiguinha no berçário, elegeu um brinquedo por lá, fez amizade com a berçarista, esqueceu de nós dois e ficou por cerca de meia hora só brincando com as novas companheiras, até que tivemos de tirá-lo de lá (era hora de ir embora, afinal).

E aí foi um chororô sem tamanho, com muito ranger de dentes, gritinhos revoltados e lágrimas, um monte de lágrimas. Para mim, foi um ótimo sinal em relação à escola e- mais ainda- uma surpresa e um sinal de que Enzo talvez esteja precisando de atividades mais estimulantes do que ele tem tido aqui em casa (próximo post).

Não estou nada decidida

Parece discurso de uma mãe convencida a deixar seu bebê na escola, né? Mas não é, não. Pelo contrário. Há os contras e eles pesam muito:

1) Quando penso em deixar Enzo 4 ou 6 horas numa escolinha, por mais bacana que seja, não sinto alívio, sinto apreensão. Acho que ele não está pronto, porque penso que um bebê desse tamanho ainda precisa muito de mãe por perto, de coisas familiares, de segurança e proteção que só se encontra no lar.

2) Não gosto nada da ideia de Enzo ter um compromisso, uma obrigação tão pequeno. Se ele pudesse ir à escola quando quisesse, pelo tempo que quisesse seria ótimo. Mas não é assim que funciona.

3) Por mais liberal e bacaninha que seja a escola, há horários, regras, um certo enquadramento desnecessário, especialmente nessa fase. Os horários de almoço e lanche, por exemplo, são bem rígidos, pois é preciso dividir o refeitório de forma a não colocar os muito pequenos para almoçar com os grandões (o colégio tem alunos de até 10 anos). Pior: deve haver horário para aulas de artes, música, literatura, educação física (a confirmar, mas é quase certo). Não gosto disso. Na minha escola ideal, cada um faria atividades lúdicas e artísticas quando quisesse, poderia escolher livremente entre ir tocar um violãozinho ou botar a mão na argila. Não dá para esperar que a criatividade das crianças, ainda mais pequenininhas, aceite o cabresto dos horários mais convenientes para a equipe. Em casa, Enzo é livre como tem de ser e passa o dia inventando novos desafios, exercitando a curiosidade, a criatividade, o raciocínio. Bola brincadeirinhas, nos envolve, cansa delas, troca por outras, vai ali na cozinha pedir uma fruta ou leite, volta a brincar, pega um livro, devolve o livro, enfim, exercita suas múltiplas capacidades sem amarras. Limites podem ser importantes, mas quando têm um objetivo educacional, o que não é o caso dos limites impostos nos colégios (não sou nada fã de “disciplina” por disciplina).

4) Os pediatras que respeito indicam colocar os pequenos nas escolas depois de completarem 2 ou 3 anos. E não apenas por causa das viroses e doencinhas, mas por conta da necessidade de afeto e atenção exclusiva que demanda antes dessa faixa etária.

5) Acho que em casa, sob meu olhar e meu carinho, Enzo estará melhor, ainda que privado de um certo desenvolvimento e de uma sociabilização que a escola promoveria.

Digamos que essa visita à escola (e as próximas, sobre as quais conto depois) me deixaram mais tranquila em relação às possibilidades de desenvolvimento do  Enzo, em relação às opções pedagógicas que teremos, à maturidade e independência do meu minimenininho (que parece pronto para ser um tanto mais livre e para novas amizades), em relação a como ele vai lidar com o futuro colégio. Também me mostraram diversos pontos a refletir em relação à maternidade que estou exercendo. Há muito o que melhorar e vou voltar nesse assunto no próximo post.

Mas ainda não acho que seja hora do pequeno ir pra escola. Por outro lado, também não sei se quero uma babá. Por ora, vou tateando as opções (entrei em contato com agências para assuntar a contratação de uma babá) e agradecendo mega o socorro das mães. Agradeço também quem deu dicas preciosas no facebook (alô, Tamine, Silvia, Claudia!) e o comentário muito inspirador da Ingrid no post anterior.

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porquinho criativo

Descobri o Vitório, o porquinho simpático protagonista do livro “O Sonho de Vitório”, buscando opções de artes para fazer com Enzo. Entrei quase por acaso no site de uma livraria e lá estava uma atividade de lançamento do livro. Não pudemos ir, mas achei a proposta tão bacana que fui atrás de mais informações na editora, baixei o “press kit” (textos e imagens que a editora disponibiliza aos jornalistas) e, no dia seguinte, corri para o livreiro mais próximo em busca do Vitório. Foi amor à primeira vista. Não resisti e trouxe o porquinho criativo comigo, para o Enzo.

Daí que hoje estou lá no Minha Mãe que Disse entrevistando ninguém menos que a ilustradora Veridiana Scarpelli, a criadora do Vitório. Vale a pena dar uma olhada. Vá por aqui.

A entrevista é a segunda da série de bate-papos com escritores infantojuvenis, que começou com o Pedro Bandeira.

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Pedro Bandeira


Hoje estou lá no MMqD entrevistando ninguém menos que Pedro Bandeira. O autor de “O Fantástico Mistério de Feiurinha” e “A Droga da Obediência” já se tornou um clássico e é muito querido por quem, como eu, cresceu lendo nos anos 80.

Foi uma delícia fazer a entrevista com ele (por e-mail, respondida lindamente), escrever o texto, editar. Enfim, revivi muitas histórias marcantes da minha infância e adolescência no processo, tirei os livros do armário, reli trechos. Agradeço mega o Pedro, pela disponibilidade e paciência; e as meninas do MMqD (especialmente a gatona da Mari), pelo espaço.

Falando em espaço, orgulho em anunciar que, com essa entrevista, estreio uma série mensal lá no portal, entrevistando outros autores de literatura infantojuvenil, um por mês. Bacana né? E diz aí: não dava para ter primeiro entrevistado melhor que Pedro Bandeira, né?

Pra dar água na boca, só um trechinho do Pedro aqui:

MMqDQual a importância, na sua opinião, dos pais participarem da leitura dos filhos? E quais os limites? Um pai de adolescente deve participar da leitura do filho tanto quanto um pai de criança na primeira infância?

Pedro Bandeira: A Arte deve ser apresentada às crianças pelos seus pais. Educação é um problema da família, não da escola. A escola entra tarde demais na vida da criança. Eis porque surgem tantas dificuldades para se trabalhar com crianças que, em casa, já não tenham sido previamente apresentadas às delícias da Literatura, da Música, do Teatro. Nos países adiantados, os professores não adotam livros de literatura para seus alunos, pois eles já os leem em casa, oferecidos por seus pais. No Brasil, como isso historicamente não acontece, nossos pobres professores são obrigados a complementar tudo aquilo que as famílias de seus alunos deixaram de fazer… Isso tem de mudar, se quisermos que o Brasil melhore.

Para ler tudim, corre lá, ou melhor, aqui.

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30 melhores livros da “Crescer”

Correria, correria, correria. Prazo pra cumprir, festa pra organizar, um bebê insone, uma mãe cansada, com dor de garganta e olheiras mais evidentes que o usual. Como se vê, o fim de semana foi de trabalho e tentativas de descanso em casa. Daí que só passei rapidamente pra recomendar uma visitinha a este link aqui, que lista os 30 melhores livros de 2012 segundo a revista “Crescer“.

Vou confessar que nunca confiei muito nesse tipo de listas. A ideia de alguém definir o que é um livro “melhor” ou “pior”, de cara, já me desagrada. Vai saber com qual critério o cara escolheu esse ou aquele… E se meu filtro for outro? Além disso, sempre tendo a achar que as listas vão ser recheadas de livros tipos best sellers, como são, por exemplo, as listas de textos sobre gravidez.

Mas resolvi dar uma olhada e me surpreendi muito e positivamente. Muitos títulos bacanas, diversos entre si, nada comerciais (no sentido de literatura industrial, feita pra ser consumida em larga escala, sem muita qualidade), com argumentos que me estimularam a dar um pulo na livraria mais próxima e conferir. E, mais legal de tudo, alguns recomendados para bebês a partir de 1 ano, o que não é muito usual (difícil fazer literatura pra essa faixa etária), mas é super valorizado aqui em casa, tendo em vista a idade do Enzo.

Conferi ao vivo e aprovei, por exemplo, o “Ops“, de Marilda Castanha. Acabei trazendo pra casa, rá! Também vi e não resisti ao “Adivinha o quanto eu te amo – o livro fofinho“, também indicado para bebês. O recomendado pela “Crescer” é a versão integral, não a fofinha, mas acho que, mesmo assim, vale.

Outro super interessante é o “Na floresta do bicho-preguiça“, de Anouck Boisrobert e Louis Rigaud. As lindas ilustrações (do tipo pop-up) vão mostrando, página por página,  a devastação da floresta do título. Lírico, de fazer pensar. Só que esse é pra crianças um pouquinho maiores.

Prometo um post só com livros para bebês. Tenho outras dicas além desses dois aí de cima, e a Luciana Conti, do Gato de Sofá (blog que eu super recomendo, aliás), indicou dois títulos bem bacanas que vou compartilhar. Mas faço isso quando tiver um pouquinho mais de tempo. Por agora, sugiro a olhadela básica lá no site da revista. Sei que as mães mais experientes -ou com filhos maiores- já devem conhecer a lista. Mas pras outras, que chegaram agora na maternidade, como eu, #ficadica.

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literatura infantojuvenil latinoamericana e formação de leitores

Sorry pelos palavrões (literalmente) do título, mas, em tempos em que estou procurando ter mais contato com a literatura infantojuvenil para começar a montar uma biblioteca decente pro Enzo (que, até agora, só tem livros de banho, tadinho), acabei encontrando essa entrevista bem bacana com a escritora argentina María Teresa Andruetto, autora recém-traduzida no Brasil e ganhadora -veja só- do prêmio Hans Christian Andersen 2012, considerado por aí o Nobel da escrita para crianças.

Lançado em abril, o primeiro livro da María Teresa que chegou por aqui foi “A Menina, o Coração e a Casa” (Global Editora, 2012, tradução de Marina Colasanti, indicado para maiores de 10 anos). Eu ainda não li, mas a narrativa conta a história de Tina, uma menina que vive apenas com o pai. Embora veja a mãe aos domingos, a pequena sofre com a ausência e com a distância e, ao mesmo tempo, constrói laços fortes com o irmão Pedro, portador de síndrome de Down (mais sobre o livro aqui e aqui).

Na entrevista, concedida à revista “CartaCapital“, María Teresa fala sobre coisas bem importantes, como a difícil circulação da literatura latinoamericana na própria América Latina e o papel da escola na formação de leitores [“A escola é o lugar onde a brecha entre leitores e não leitores (reflexo de outras brechas sociais) pode ser minimizada“].

Achei que valia a pena compartilhar. O link, novamente, é esse aqui.

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Ainda sobre escritos literários, li recentemente -e por acaso- algumas entrevistas e textos sobre o futuro da literatura infantil e, consequentemente, da literatura como forma de expressão e arte. Na edição de junho da  “Revista E” (do SESC), por exemplo, o crítico literário Davi Arrigucci Jr. questiona a permanência do romance como gênero em um mundo cada vez mais complexo.

Nos comentários deste post aqui, no blog “A Biblioteca de Raquel“, um leitor escreveu algo que nunca tinha passado pela minha cabeça, mas que é óbvio: as pessoas letradas das gerações anteriores liam muito mais -e tinham uma formação cultural mais sólida-  porque os livros eram  uma das principais -senão única- forma de entretenimento num mundo em que não havia rádio, TV, internet, energia elétrica e todo mundo dormia às oito da noite.

Daí que, óbvio novamente, com tantas opções e com opções cada vez mais dinâmicas, é um desafio e tanto formar leitores hoje em dia, estimular os pequenos a baixar os níveis de atividade cerebral, ensiná-los a se concentrar numa coisa de cada vez, mostrar que é bacana puxar o freio de mão e contemplar as coisas com o vagar e a solidão que a literatura merece e exige. Isso sem contar os complicadores sociais e financeiros todos.

E é claro que é muito desejável -ou até imprescindível- que os pequenos tomem gosto de verdade pela leitura. Não apenas porque ler pode ser um prazer imenso, mas também pelo que disse María Teresa à revista:

“Uma sociedade leitora é, sem dúvida, mais crítica, mais reflexiva e pensante. Também está mais aberta a novas experiências, porque um livro é uma porta a outras vivências distintas da nossa, um modo de ver o mundo pelos olhos dos outros, como dizia Darcy Ribeiro”.

ABRE PARÊNTESE: Quando eu era mais nova, trabalhei numa ONG ligada à educação no litoral de SP. Fazia o jornal deles e, eventualmente, conversava com os alunos do Ensino Médio sobre profissões (no caso, sobre a minha). Numa dessas conversas, estava eu lá toda prosa “dando conselhos” para os meninos passarem no vestibular. Sugeri que pegassem os livros clássicos da literatura nacional na biblioteca das escolas e lessem, que isso ajudaria nisso, naquilo e blábláblá. Lindo, até que uma menina, que estava muito interessada por sinal, me interrompeu e disse: “Legal, mas não tem livros na biblioteca da minha escola”. E aí todo mundo, antes quieto, concordou e começou a contar como NÃO tinha LIVROS na BIBLIOTECA ou -pior- como NÃO TINHA BIBLIOTECA na escola. Clique! Caiu a ficha e, talvez pela primeira vez, saquei que o mundo não era minha vidinha classe média. FECHA PARÊNTESE.

Esse tema tem ocupado minhas caraminholas por esses dias. Será que vou ser capaz de despertar o interesse do Enzo por literatura? Será que a escola vai ser capaz de ajudar nisso? Será que ir com ele a livrarias e bibliotecas (coisa que começamos a fazer com mais frequência agora) será mesmo estimulante? Aposto nisso e estou francamente disposta a inserir Enzo no mundo das artes, que acho fundamental para suportarmos, entendermos, melhorarmos, alegrarmos e darmos sentido à vida.

Não se espante nem se canse se você começar a achar posts mais frequentes sobre artes por aqui 🙂

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