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mais licença, menos creches

“É preciso uma aldeia para criar uma criança”

provérbio africano

Então a questão carreira x maternidade tem aparecido com força nas minhas relações novamente, seja nas mesas de bar, seja nos meus estudos/inquietações filosóficas, seja nas minhas avaliações sobre convicções pessoais, nos blogs que leio e nas redes sociais. Já abordei o tema várias vezes (aqui, por exemplo; mas também aqui e aqui) e entre ontem e hoje participei de um bate-papo virtual sobre o tema (e outras coisinhas) com algumas queridas no facebook.

Daí encontro esse vídeo, do pediatra José Martins Filho, sobre a importância do vínculo, dos cuidados e do afeto no início da vida da criança, principalmente no período que compreende a gestação e vai até os dois ou três anos.

E, entre muitos pontos essenciais, ele toca no assunto da licença maternidade de fato, não essa aí que temos hoje, que, cá entre nós, não serve para muita coisa. É precisamente a licença maternidade –e outros arranjos trabalhistas que possibilitem à mãe cuidar dos filhos e trabalhar ao mesmo tempo— o que precisa ser colocado em questão quando se fala em carreira (*) x maternidade.

Já contei que, para mim, não existe esse negócio de carreira versus maternidade. O versus entrou na equação apenas porque nossa sociedade (da qual fazemos parte, vale lembrar) não está nem aí para mulheres e crianças (assim como para muitos outros grupos), sejamos sinceros. As necessidades consideradas exclusivamente femininas e as necessidades consideradas exclusivamente infantis são ignoradas solenemente.

[Parêntese: estou falando em maternidade, necessidades femininas, mas não quero excluir a paternidade e os homens da equação. Uso esses termos por duas razões, basicamente: 1) as mulheres ainda são as que assumem a maior parte da responsabilidade na criação dos filhos; ainda é dela que se cobra deixar a carreira para ficar com os filhos ou vice-versa; ainda é a mulher que se coloca em questão em relação à carreira quando vira mãe. 2) algumas funções biológicas só mesmo a mãe pode cumprir (ou cumprir bem), como parir e amamentar. Mas acho os pais fundamentais, acho que há espaço para eles atuarem muito mais e volto a isso daqui a pouco.]

Então, na prática, expomos mulheres à situação dolorosa (torturante, eu diria) e absurda (sob todos os pontos de vista, mas especialmente sob o biológico, orgânico, natural) de ter de escolher entre se sustentar ou ficar com os filhos; de ter de deixar seus filhos muito pequenos com estranhos enquanto se remoem nas firmas para pagar as contas no fim do mês; de ter de se humilhar (como se tivesse pedindo favor) e aceitar pressões psicológicas e até financeiras (ganhar menos do que um colega homem, por exemplo) porque precisa ajustar alguns horários a necessidades do filho (amamentação, saídas para pediatras etc); de ter de abandonar qualquer possibilidade de trabalho remunerado e depender inteiramente de outra pessoa.

É um absurdo obrigar uma mãe a voltar ao trabalho com quatro meses de parida. Assim como é um absurdo obrigá-la a não voltar ao trabalho.

Isso sem falar do ponto de vista da criança, que o vídeo do José Martins aborda bem.

O que mais me incomoda nisso tudo é o pressuposto. Quando discutimos a questão social e publicamente, circulamos (como disco riscado) apenas em dois pontos: creche e maternidade. Partimos, portanto, da ideia de que o ideal é oferecer mais vagas em creches, afastar as crianças de casa, deixá-las mesmo com estranhos e “liberar” a mãe para o trabalho. Uma intervenção cada vez mais precoce do mundo considerado masculino (competição, conquista, poder, obejetivo, busca), socialmente valorizado, no mundo considerado feminino (da conexão, do cuidado, das relações, do encontro), socialmente desvalorizado.  Fica claro porque isso acontece, certo? Se valorizamos mais o trabalho que as relações, o “melhor” é ter creches para as mães deixarem as crianças e cuidarem do que “importa”.

Segundo ponto que me incomoda é que a discussão raramente inclua os homens, os pais. Se fala em creches para as mães, em licença de seis meses para as mães e em mães que largam o trabalho na firma e empreendem, em apoio à mãe empreendedora etc.

Como eu comentei na conversa lá no facebook, para mim o foco está invertido nos dois casos: o dinheiro que o governo e (algumas poucas) empresas gastam com creches seria muito melhor empregado em licenças maternidade e paternidade decentes, um ano no mínimo, dois no ideal (a OMS recomenda amamentação por pelo menos dois anos, lembra?).

Os pais (homens) poderiam ter licenças de fato e assumir parte das tarefas e da troca de afeto com os filhos no dia a dia, liberando a mãe para o trabalho nesse período. E as crianças –com pais e mães ou pais ou mães por perto– cresceriam num ambiente bem mais adequado que numa escolinha abarrotada de crianças sendo “cuidadas” por três ou quatro cuidadoras.

Para mim, os pontos centrais do debate sobre carreira versus maternidade são justamente as licenças para quem trabalha em regime de oito horas diárias e o estímulo ao aumento de participação masculina na vida familiar, coisas que o José Martins cita no vídeo, e que não é comum de serem mencionadas, daí eu ter vindo aqui compartilhar.

Isso não resolve o “problema”, que é precisamente uma sociedade que desvaloriza o que há de mais importante, que é a vida, manifestada na criança e na mãe que a pariu. Uma sociedade que desrespeita crianças está fazendo alguma coisa muito errada. Sair fora da caixa é o caminho, o meu caminho. Cada vez mais eu vejo e entendo que posso criar a vida que quiser e que tanto faz como as empresas lidam com a maternidade, porque eu sei como eu vou lidar com a minha e cada pessoa pode lidar com a sua da forma que achar melhor. Mas como nem todo mundo pode –materialmente–ou quer fazer isso por conta própria, acho que a licença materpaterna decente já seria um bom começo, um passo na humanização e no reconhecimento real dos direitos das mães e das crianças.

(*) carreira aqui é mais sinônimo de trabalho remunerado e razoavelmente estável do que de construção de uma jornada profissional “ascendente” e “bem sucedida” no mundo corporativo

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o post da Nine sobre mamíferas e o sustento da família

Sabe quando você tem um post muito importante, que você escreve mentalmente diversas vezes, mas que, por ser tão importante para você e condensar tantas ideias, nunca sai do papel?

Pois eu tenho um assim, que mistura no mesmo saco coisas complexas como maternidade, feminismo, instinto, trabalho, atribuições profissionais, feminino, capitalismo, patriarcado, papel do pai. Já fiz e refiz o texto tantas vezes e com um resultado tão aquém do que eu penso que acabei deixando parado, para marinar as ideias, sabe como?

Mas eis que a Nine publicou hoje está pérola aqui. Pronto, não preciso mais escrever o meu post. Como eu comentei lá, ela redigiu melhor e mais claramente tudo o que eu sempre quis dizer sobre esse assunto. Os pontos altíssimos do texto dela, para mim e segundo minha leitura do que ela escreveu:

-Cumprir nossas funções biológicas a contento (parir, amamentar, acalentar e acolher os filhotes muito pequenos) não pode nos impedir de ganhar nosso sustento. Isso não acontece com nenhum mamífero na natureza, só nessa nossa sociedade disfuncional.

-Papel biológico não tem nada a ver com os papéis de gênero que vivemos. Gênero é uma construção social. Não é porque você ovula e pari que precisa passar a roupa, lavar a louça e fazer o jantar todos os dias.

-Também não precisa ganhar menos que um homem em cargo igual, tampouco é responsabilidade sua apenas sair mais cedo pra levar filho no médico, fazer lição junto ou trabalhar em meio-período pra ficar mais tempo com as crias. Os homens têm responsabilidades domésticas e com suas famílias que não se limitam (quando muito) a pagar contas. Ser pai é muitíssimo mais complexo que isso. E exige um grau de comprometimento com o que é tido como “feminino”, exige doação e entrega.

-Igualdade não significa que tenhamos de ser iguais para ter os mesmos direitos. Falta à revolução feminista o mais importante: devolver a valorização perdida por milênios de patriarcado àquilo que é tido como feminino. É preciso que ser mãe e ser pai (cuidar, acolher, doar-se, valores considerados femininos) seja tão valorizado quanto ser doutora em física quântica ou presidente de multinacional, saca? Que um homem que abdica de um certo crescimento profissional para ficar com os filhos seja admirado, seja socialmente valorizado. Que fazer isso não seja menor, nem seja “trabalho de mulher”. É preciso que os meninos possam ser estimulados a desenvolver o feminino neles, e que nós, mulheres, não precisemos necessariamente almejar o sucesso-padrão (a conquista, a competição, a realização cartesiana, valores tidos como masculinos) para sermos respeitadas e admiradas. Mas que possamos fazer exatamente isso se quisermos.

Fato é que o post dela está muitíssimo melhor que esse meu resumo tosco. Corre, que vale muito a pena.

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reflexões sobre educação e limites depois de uma manhã no “play”

E daí que ainda estou tentando entender alguns códigos de conduta, digamos assim, dos “plays”, pracinhas e afins. Eu não tinha a menor ideia de como as crianças são violentas umas com as outras, especialmente com as pequenas, mais indefesas. E de como isso é super tolerado por mães, pais, babás e similares. Nem imaginava que, para os pais, as “pracinhas” não são locais para CURTIR os filhos, mas para se LIVRAR deles.

Explico minha surpresa: o que mais tenho visto é o seguinte arranjo: pai ou mãe com filho um pouquinho maior (3 pra cima), que já brinca sozinho, deixa a cria lá no meio da molecada, arranja um local confortável para sentar (longe ou perto, tanto faz), liga o note, o tablet, abre um livro, o jornal e ESQUECE que pariu a criatura que, nesse momento, já está lá no parquinho fazendo uma das seguintes coisas (ou ambas ao mesmo tempo):

a) importunando os menores, seja tentando roubar-lhes os brinquedos, seja tentando impedir-lhes de brincar, seja ameaçando bater mesmo; b) subindo ou descendo perigosamente de algum equipamento, arremessando alguma coisa violentamente e gritando loucamente: “mamãããããe, papaaaaai, olha o que eu consigo fazer”. E sendo ignorado, claro.

No feriado, com Enzo num SESC, tive de –literalmente– fugir sala de brincadeiras afora porque um tal de João resolveu que meu filho –e outros pequenos que ousaram ir brincar também– não poderia tocar nada que ele visse. Vê só: estávamos agachados no tapete de atividades, no nosso canto, brincando com duas almofadas de encaixar. O tal João chegou, olhou a gente de longe, veio em nossa direção. Achei que quisesse brincar, ofereci uma das almofadas. A reação dele: pegou as duas e começou a gritar: “é meu, é meu, é meu”. Saiu correndo.

Ok, deixei para lá, crianças nessa fase (pela qual deduzi que o João está passando) são assim mesmo, tudo é deles. V’ambora com Enzo até o outro canto, onde ele achou outros brinquedos. Eis que o mocinho “é meu, é meu” nos vê e corre para o nosso lado novamente, tentando levar embora o brinquedo pela segunda vez. Não deixei. Gentilmente, disse que estávamos brincando agora, que ele se juntasse a nós. Desistiu por um tempo, foi para longe.

Aí eis que ele viu Enzo escorregando. Veio na nossa direção novamente e tentou impedi-lo. Simples assim, entrando na frente, dizendo “não”. Abri espaço para ele passar, sugeri que ele passasse antes e logo, pois estávamos usando aquele brinquedo, ele entrou na frente, parou, não subia nem saia de lá. Suspendi Enzo no colo, pulei a “subida” no escorrega e desci Enzo, normalmente.

E aí procurei, com os olhos, a mãe do guri. Pohan, não vou pro “play” para ficar cuidando de filho dos outros. Nem para voltar à quarta série e ficar me acotovelando com crianças no parquinho, como se tivesse a idade deles. Quando Enzo “atravessa” a diversão de outras crianças, tenta brincar com o que já tem “dono” ou participar de brincadeiras nas quais não é bem vindo, sou eu mesma que intervenho e mostro a ele que as outras crianças têm limites. É meu papel inseri-lo em certas normas de convivência pacífica com os demais.

Mas cadê a mãe do tal João? Procurei, procurei e então achei uma mulher sentada, láááá longe, lendo o Estadão, sem nem levantar os olhos ocasionalmente para ver onde o filho estava. “Rá, aí está a mãe do João”, pensei. E era mesmo.

Ela só se comunicou com o filho ou interveio na brincadeira dele quando ele levou para o tapete de atividades um brinquedo particular (*). Claro que as outras crianças se interessaram, e o João perdeu a compostura. Se já gritava “é meu, é meu” para o que era de todos, imagine para o que era, de fato, dele. Depois do décimo grito e de  muita choradeira, lá do alto do seu “tô-nem-aí”, a mãe  do João berrou de volta: “brigando de novo, João?”. Por que será, né? E a moça só foi até onde estava o filho longos minutos depois para recolher o tal brinquedo. Seca, quase pisando nas outras crianças, mandou: “Me dá isso que eu vou guardar!”. Pegou, saiu, batendo os pés, sem nem olhar para trás. Sentou, reabriu o jornal e esqueceu do João.

Não é um caso isolado. Já vi acontecer outras vezes coisas parecidas, com Enzo ou com outras crianças menores que o “brincalhão” metido a violento. Parece que o barato da brincadeira não é brincar em si, mas impedir os mais “fracos” de se divertirem, mostrar “força”, “poder”. E o denominador comum desses casos todos são os pais aparentemente ausentes. Não posso falar como é a relação dessas crianças com seus pais em casa, mas nos ambientes coletivos asseguro que é uma lástima.

Pais que dão de ombros pros próprios filhos em pleno fim de semana, normalmente o único momento em que adultos ocupados têm, em tese, tempo de conviver com as crias. Mas esses mesmos adultos (serão adultos mesmo?) estão sempre mais ocupados com seus próprios umbigos, e a insatisfação e raiva das crianças sem atenção acabam sobrando para outros pais e crianças que não têm nada a ver com isso.

Já tive de ler histórias para uma menino cujo nome nem sei, mesmo seus pais estando a menos de dez passos de onde eu estava com Enzo. Eu lia para o meu filho, e o pequeno desconhecido ficava trazendo livrinhos para mim, não para os próprios pais, que viam tudo e continuavam sentados, impassíveis, diante do evidente interesse do filho. Depois de várias historinhas compartilhadas, o menino começou a implicar com Enzo, queria subir no meu colo (!!!), onde Enzo estava, claro, e aí a coisa toda ficou tão estranha que agradeci horrores quando vi que estava na hora de ir almoçar.

Confesso que não sei o que fazer nessas situações. Fico preocupada com a criança largada, que busca chamar a atenção importunando os demais. Mas fico mais preocupada é com o meu filho e com os outros bebês importunados. E também confesso que não consigo sentir muita empatia pelas mães/pais que largam seus filhos como se o parquinho, o play ou o que quer que seja fosse passe livre para se verem livres das responsabilidades maternas/paternas.

Sabe? Desinteresse é uma violência, né? Especialmente quando os desinteressados são os pais justamente pelos filhos, que precisam tanto da atenção deles para crescer e se desenvolver emocionalmente. Natural que os pequenos reproduzam a violência que sofrem (ainda que de outras formas) com os menores que eles.

Daí que todo mundo fala o tempo todo em limites. “As crianças precisam de limites”. “Eles são malcriados porque não têm limites”. “Falta castigos, falta pulso”. Blá blá blá whiskas sachet, o que falta mesmo, pelo menos aos “valentões” mirins que ando encontrando por aí, é um pouco mais de amor, de presença, de carinho, de interesse GENUÍNO. Só isso já ajudaria muito.

(*) Também continuo tentado entender porque uma mãe ou pai leva a um local coletivo brinquedos que o filho não quer compartilhar com outras crianças. Se seu rebento está naquela fase do “é tudo meu”, melhor manter os brinquedos dele em casa, não? Porque se ele aparecer com as coisas no “play”, é lógico que as outras crianças vão querer brincar também. Ou é difícil demais imaginar isso?

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pitacando no Mamatraca

Hoje estou lá no Mamatraca, pitacando sobre a regulamentação da publicidade infantil. Sou favorável à criação de uma legislação específica que regule a publicidade voltada para crianças (já contei aqui os meus motivos) e estou, portanto, acompanhando com muito interesse o desenrolar da tramitação do PL 5921, que pode ser um primeiro passo nesse sentido.

Também faço parte do coletivo de mães e pais Infância Livre de Consumismo e, como integrante desse grupo aguerrido e cheio de disposição para defender os interesses dos nossos filhos, dei o depoimento que virou este vídeo aqui no portal das queridas Anne Rammi, Priscilla Perlatti, Carol Passuello e Roberta Lippi.

Bóra lá dar uma olhada? Depois volte aqui e me diga o que achou. Publicidade para crianças deve ser melhor regulada? Ou você está satisfeita (o) com as coisas como são hoje em dia?

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a primeira vez que nos ouviram

Terça, dia 3/7, foi um dia histórico. Ok, é meio clichê dizer isso, mas o fato é que foi mesmo. Pela primeira vez um coletivo de pais, um grupo de pais e mães que é só isso mesmo (um grupo e não uma ONG ou uma associação ou qualquer coisa com personalidade jurídica) foi ouvido em uma audiência pública na Câmara Federal.

Para além do fato de eu estar envolvida pessoalmente nisso por participar do Infância Livre de Consumismo (ILC), o coletivo de mães pró-regulamentação publicitária, comemoro essa audiência como mãe e como cidadã. Ir à Brasília é uma prova de força dos cidadãos, daqueles que se organizam e se mobilizam para defender interesses coletivos. É uma mostra inconteste também de que nossa democracia amadureceu, se consolidou, está pronta para ouvir nossas reivindicações diretamente das nossas bocas.

Representantes políticos e organizações são importantes, mas acho que é um passo à frente o cidadão ser ouvido não por que votou nesse ou naquele (muitos dos quais nem representam mesmo seu eleitorado, infelizmente) nem porque faz parte dessa ou daquela ONG. Mas porque é diretamente interessado em algo e tem algo a dizer. Ponto. Isso deve bastar para ser ouvido. E, nesse caso, bastou.

A colega blogueira Tais Vinha (Ombudsmãe) foi quem participou da audiência e falou a deputados, a representantes de instituições, de empresas, de publicitários; a gente que pensa como nós e a gente que pensa diferente. Falou como mãe, não como especialista. Defendeu a regulamentação da publicidade dirigida às crianças, principalmente porque são hipervulneráveis.

“Somos a geração dos superassediados. Da hora que acordam até o momento de dormir, as crianças são bombardeadas pela publicidade do consumo. E cada vez mais as crianças viram alvo de campanhas adultas, pois a publicidade sabe da influência da criança nas decisões de uma casa”, disse em entrevista ao jornal “Estado de Minas”.

Defendeu politicamente os argumentos que nós, mães e pais, debatemos há anos virtual e presencialmente: Taís -e os outros convidados pró-infância, pró-regulamentação, como a representante do Conselho Federal de Psicologia, Roseli Goffman e o representante da Procuradoria dos Direitos do Cidadão do MPF, Domingos Savio Dresch da Silveira- argumentaram, principalmente, que:

1) Criança é hipervulnerável, não diferencia o que é real e o que é manipulação no discurso publicitário;

2) Criança não deveria ser alvo de publicidade, pois nem comprar pode, segundo do Código de Defesa do Consumidor;

3) Regulamentar a propaganda infantil não tem nada a ver com censura, tendo em vista que se trata de um discurso comercial, que pode e deve ser regulamentado. A Constituição Federal protege a liberdade de expressão da imprensa e dos cidadãos, que não estão sendo ameaçadas pelo projeto de regulamentação da publicidade para crianças. Até nos EUA, meca do capitalismo, o discurso comercial não é protegido pela Primeira Emenda, que protege a liberdade de expressão;

4) Em relações comerciais, há sempre um lado vulnerável que deve ser protegido: o consumidor. Se as relações comercias já não são equânimes quando envolvem apenas adultos, que dirá com crianças no meio;

5) A responsabilidade da proteção à infância e da educação é dos pais, sim. Mas é também do Estado (poder público) e da sociedade, o que legitima, sem dúvidas, uma regulamentação;

6) Regulamentar a publicidade não significa que o Estado vai interferir na vida privada das famílias. Se a propaganda à criança for proibida ou limitada, as empresas poderão continuar anunciando seus produtos aos pais, que, com capacidade para isso, irão decidir se compram ao não determinado produto para os filhos.

Para quem quiser saber mais sobre a audiência e sobre o PL que regulamenta a publicidade, vá por aqui e assista / ouça à reunião (só funciona se aberto em Internet Explorer; não rola em outro navegador). Ou entre aqui e conheça mais um pouco o ILC, formado por mães como eu e você, cheias de tarefas, atividades, compromissos, mas que se uniram informalmente para defender a infância dos filhos.

Ah, Tais Vinha conta está contando, lá no MMqD, a experiência ímpar de nós, pais e mães, termos sido ouvidos pela primeira vez pela Câmara; clique nesse link aqui.

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nosso papel nos papéis de gênero

Numa loja de roupas para crianças, um pai, uma mãe e uma menina de três anos. A menina precisava de sapatos. Mas a mãe se encantou mesmo com uma tiara. Enquanto o pai calçava e descalçava os modelos na filha, que, indiferente, continuava brincando com seus livros de colorir, a mãe insistia em botar o acessório na cabeça da pequena.

Mãe colocava. Filha tirava. Mãe colocava de novo. Filha tirava de novo. Mãe trocava o modelo da tiara (“Esse vai servir melhor”). Filha nem deixava ela terminar de encaixar o objeto na cabecinha. Mãe insistia. Filha começava a chorar. Pai intervinha: “ela não gosta disso! Deixa ela”.

A mãe, ela própria, tinha uma dessas na cabeça. Depois da intervenção paterna, mãe ficava amuada, cara fechada, procurando novos modelos de tiara. Assim que dava uma brecha, tentava colocar na menina novamente. A cena se repetiu por três vezes, até que a menina não parou de chorar.

A mãe, entre irritada e decepcionada, quando viu que não teria jeito de convencer a cria a usar o troço na cabeça, ameaçou:

-Quando crescer, vai adorar uma dessas, você vai ver. Aí a mamãe ajuda a escolher umas bem bonitas, para você ir lindona para a escola, para as festas…

A filha interrompeu, ainda com lágrimas nos olhos:

-Não quéio!

-Ah, mas você vai querer! Espera só você ser maior.

**********

A cena, da qual participei involuntariamente (eu e o casal estávamos na mesma loja), me fez pensar em algumas coisas:

ESPELHO, ESPELHO MEU: Queremos tanto, mas tanto, que nossos filhos sejam nossa imagem e semelhança que mal dá para disfarçar. É difícil conceber que, de repente, a cria tem outras inclinações, outros sonhos, outros valores; que mesmo que tenhamos lutado à beça para sermos quem somos, pode ser que os nossos acertos, aos olhos dos filhos, simplesmente não sirvam. Ponto.

Acho, tirando por mim e pelas minhas conversas de travesseiro comigo mesma, que duas coisas doem muito nisso tudo: 1) Aceitar que os filhos podem ser nossos opostos, podem ser opostos inclusive de características nossas que amamos. Porque se o rebento for diferente de você naquele defeito que te aborrece horrores, você vai ficar super feliz. O problema é quando a cria resolve ser diversa em pontos dos quais você se orgulha em você mesmo.

Dá uma impressão de falha, de que você não foi um bom modelo, ou de que o filho está menosprezando aquilo que você é, respeita e admira. Fato é que a gente cria um modelo do que seria o filho ideal, mais ou menos baseado no ideal que fazemos de nós mesmos, e nos esforçamos para enquadrá-lo nisso.

2) Aceitar que não podemos melhorar a nós mesmos e consertar a nossa infância/adolescência/expectativas frustradas com a vida do herdeiro. No fundo, mesmo o item anterior, trata disso: tendemos a projetar nas crianças as nossas frustrações e desejos e dar a eles tudo o que julgamos que nos falta. E “ai” do filho, aquele ingrato que não sabe o valor das coisas, se ele não quiser o que a gente oferece assim, de mão beijada, mas que para nós foi custoso a vida inteira.

Já me peguei várias imaginando a escola ideal pro Enzo. E qual será? A que tem tudo o EU queria que meus colégios tivessem e eles não tinham. Ah, cê jura?

Tenho certeza absoluta de que não ficarei nem um pouco chateada, preocupada, frustrada, decepcionada etc etc etc se Enzo for, por exemplo, gay. Já achava isso antes de ter filho (quando todo preconceituoso me saía com essa pergunta infame “você ia querer um filho gay” em discussões em que eu defendia a orientação sexual). E fiquei mais convicta agora, que sou mãe. Mas se ele for um machista conservador… Aí vai doer. Como lidar com a possibilidade de os filhos não serem o que a gente espera deles, ou seja, uma versão (supostamente) melhorada de nós mesmos?

PAPÉIS DE GÊNERO: Nascemos livres de estereótipos, de papéis, de amarras limitantes, com todas as possibilidades do mundo para explorar. Daí as pessoas mais velhas logo se incumbem de nos mostrar que, bem, não é assim tão simples: se formos meninas, TEMOS de gostar disso, daquilo ou daquilo outro. Se formos meninos, TEMOS de brincar disso, daquilo, daquilo outro.

Daí que, depois da “guerra da tiara”, fiquei pensando o quanto ainda contribuímos, como pais, querendo ou sem querer, para manter um fosso gigantesco entre meninos e meninas, homens e mulheres. Se, por um lado, as crianças só querem saber de brincar livremente (de coisas “de menino” e de coisas “de menina”), por outro, fazemos questão a todo instante de marcar as diferenças de gênero estabelecidas.

Menino só ganha determinado tipo de brinquedo, só se veste com determinada roupa, só assiste a determinados desenhos e programas, é estimulado a ter determinadas atitudes, tudo para reforçar o que se espera deles: que sejam agressivos, exploradores, cheios de iniciativa, racionais, líderes.

Para as meninas, o contrário: estimula-se a passividade, uma visão “mágica” da vida, o romantismo. E, cada vez mais cedo, cobra-se delas que se preocupem com o que toda mulher tem que se preocupar, afinal: ser bonita, se vestir de forma sexy, atrair o homem certo, porque, sem isso, minha filha, sua vida não tem sentido. O único objetivo de vida de uma mulher é ser escolhida pelo cara certo. Então, mexam-se mocinhas, v’ambora colocar tiara, sapatinho de salto, roupinhas fashion que já evidenciem alguns de seus melhores atributos. Nada de se sujar, de correr e suar, de brincar no chão, de abrir os aparelhos eletrônicos pra ver o que tem dentro. Nada de subir em árvore, de andar de skate, de jogar bola. Nada de usar esses shorts feiosos, camisetas, tênis. Nada de se divertir. A beleza tem seu preço, acostumem-se que só piora (depilação, horas num salão fazendo a unha, cirurgias plásticas para corrigir os defeitos imperdoáveis, lipoaspiração que homem não escolhe as gordas etc etc etc).

É ou não é isso que estamos dizendo para as nossas meninas todos os dias? E parece que estamos fazendo isso cada vez mais cedo. Já vi menininhas que mal sabem andar se equilibrando em sapatinhos de salto. Eu me preocupo muito com isso. Até porque tive a sorte de não viver isso de forma tão explícita na minha infância, o que, julgo eu hoje, depois de seis anos de terapia, me fez um bem danado.

Fui livre, fiz tudo o que quis e, primeira neta/sobrinha do lado da minha mãe, cheguei ocupando espaços tanto nas aspirações femininas (da avó, da tia) quanto nas masculinas (avô, tio).

Ao mesmo tempo em que fazia vários programas “de menina” com a minha avó e minha tia (passeios em shoppings, comprinhas, comidinhas, tricô e crochê -a avó tentou ensinar, eu não aprendi-, vestir as roupas da tia, “roubar” a maquiagem dela, brincar de ser ela, ir ao cinema ver filmes “de menina”), tive uma relação bem mais próxima com meu avô e meu tio do que tiveram outras meninas da minha geração com os respectivos.

Meu avô fazia questão de conversar comigo sobre “coisas de menino”, como esportes (ele era fã de Fórmula 1) e independência financeira. Ele sempre me estimulava a estudar, adorava quando eu contava que estava “indo bem” na escola, incentivava que eu pensasse numa carreira e sempre me dizia que “primeiro tenha uma profissão, sua casa e seu carro. Depois pense em amor”. Prático, mas vamos combinar que são conselhos bem diferentes dos dados geralmente a uma menina. Nunca fui cobrada -nem por ele, nem por ninguém- a ter certas posturas de menina.

Já o meu tio me levava com ele para todos os lugares, inclusive para as quadras de futebol, para dar voltas de moto pela cidade (desde o 4 anos) e para os bares com os amigos (ah, os anos 80!). Foi ele quem me ensinou a dirigir (aos 14 anos, mas não conte para ninguém) e quem me deu de presente, quando eu tinha uns 10, um super mega master blaster carrinho de rolimã, com freios, encosto e carpete.

Então, sem cobranças para ser isso ou aquilo e com passe livre para efetivamente aproveitar a companhia dos familiares queridos, tive o melhor dos “dois” mundos, que, para mim, nunca foram dois, eram sempre o mesmo.

Sou mãe de menino. Sei que as coisas são mais injustas com as meninas, mas digo sem medo que os papéis são limitantes para os mocinhos também. E se Enzo não gostar de carros? E se Enzo quiser cozinhar, gostar de poesia, for mais romântico (não estou querendo dizer o homem que dá flores, essa bobagem, mas aquele que vê a vida sob o prisma das emoções)? E se Enzo curtir brincar de bonecas, cuidar, oferecer carinho? E se ele não se identificar com o estereótipo do “macho alfa”?

Há um tempo, uma colega cujo filho (uns 3 ou 4 anos) gostava de flores, fotografia e culinária, ouviu piadinhas maldosas sobre a sexualidade do garoto na redação da revista em que trabalhávamos. É, na redação, onde, supostamente, somos todos “mente aberta”. Ãhã. Somos sim, viu?

Sinceramente, se Enzo for tudo isso que descrevi, por mim, ótemo! Mas o que quero dizer, usando Enzo como exemplo, é que há inúmeras possibilidades diferentes da hegemônica para os meninos também. Poder tomar a iniciativa e ser mais ativo que passivo, ter uma dose de agressividade é uma coisa ótima, pela qual a gente -gênero feminino-, ainda luta. Mas ser OBRIGADO a fazer isso SEMPRE também não é legal. O machismo vitimiza os homens também.

Tento oferecer múltiplas oportunidades ao Enzo, de carrinhos (embora ele ainda não tenha nenhum com o qual brincar) a bonecas. Outro dia, numa loja de brinquedos educativos, vi um menininho todo feliz brincando com uma cozinha de madeira. Por que não? Se quiser, Enzo vai ter uma. E, para querer, a cozinha tem que ser oferecida a ele como opção.

Sempre me pergunto: será que faço mesmo isso? Que ofereço inúmeras possibilidades? Ou sem perceber limito meu filho e exijo dele que se encaixe em certos padrões sociais? A mãe da tiara tem tanta certeza de que a filha vai se adequar que até já anteviu isso: “quando crescer, você vai gostar”. Nada contra. Mas será que a menina vai gostar mesmo ou terá sido  induzida a gostar por ter aprendido que é assim que “as meninas fazem”?

Será que temos tido consciência do nosso papel na disseminação dos papéis de gênero? É isso mesmo que queremos? Uma filha princesinha e um filho guerreiro? Se for, ok. Mas e se não for e acabar sendo porque nem conseguimos nos questionar a respeito? Somos -todos nós- frutos da sociedade em que vivemos. E essa mãe da tiara -pegando a tiara como exemplo dessa limitação de papéis de gênero- também deve ter sido ensinada a gostar de tiaras. Mas será que precisamos mesmo reproduzir isso ad infinitum?

Veja, não estou dizendo que as mulheres só gostam das tiaras porque foram ensinadas assim. Tem gente que gosta mesmo. Tem mulher que gosta mesmo de ocupar e viver os papéis tradicionais. Tem gente que vive os papéis tradicionais em partes. As coisas não são só brancas e pretas, afinal, há nuances variadas. Mas nem falo disso, pois aí não há problemas.

O problema começa quando pensamos em todas as outras meninas e meninos que, bem, gostariam e poderiam ter ido além disso (sem juízo de valor nesse “além”) e não foram porque menino “é assim”, menina “é assado”.

Minha reflexão é sobre se, quando e como nós, pais, sem perceber, somos os principais responsáveis não por alargar os horizontes dos pequenos, apoiar os filhos e acolhê-los como são; mas por tolhê-los, limitá-los, cobrá-los e exigir deles que sejam algo que não são. Esse não é o tipo de mãe que eu quero ser. O mundo vai dar a “gaiola” para o Enzo. Eu quero dar as asas. Por isso, sinceramente, espero todos os dias refazer e refazer essa reflexão.

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amo muito isso tudo

Não não, não estou falando daquela rede de hambúrgueres que tem como símbolo o palhaço R. O “amo muito isso tudo” é, claro, uma referência ao atual slogan da tal empresa de fast-trash-food, mas só está aqui porque resume muito bem o que quero dizer sobre outra coisa e…bem…me permiti essa licença -digamos- poética. Blame on the adman que bolou a frase, ué.

Daí, então, que tive de ficar uns dias longe da madresfera (amey essa palavra, dona Mari viciada em colo). Muito trabalho, mas muito mesmo, mal conseguia responder e-mails profissionais urgentes, mal e porcamente respondia familiares e deixei sem respostas a pessoa fofa, querida e talentosa que está cuidando do bolo de aniversário do Enzo (ah, vou deixar details pra depois, mas estou organizando a festa do meu minimenininho e, lógico, tenho zentas coisas para contar, minhazamiga).

Plus: deu algum tilt no meu gmail, de modo que fiquei sem acesso a alguns arquivos remotos e descobri, 15 dias depois, que um monte de e-mails que eu mandei/recebi não chegou aos respectivos destinatários.

Daí que rolou, por força maior, um jejum de blogagem, de leitura de blogs, de acesso às redes sociais etc. Dessa experiência de abstinência severa, especificamente em relação à madresfera (meu post mais recente publicado, excetuando-se os de ontem e esse, data de 12 de abril), tenho alguns comentários e uma conclusão. Comentários:

1) Blogar vicia. Não sei se é um processo químico, psíquico, social, motoro, físico, quântico, alquimístico, místico, matemático ou gramático. Mas a coisa impregna, minha gente. E quando você precisa passar um tempo longe da blogagem, seu corpo todo reage. Não vou mentir dizendo que tive tremedeiras, que gritei, que precisei ser amarrada na cama para não abrir o wordpress. Mas confesso que foi fisicamente ruim deixar de blogar. Tive até dores de estômago. E foi emocionalmente ruim deixar de blogar. Senti uma falta louca de escrever, de dividir, de compartilhar, de organizar as ideias, de registrar as coisas. Foi punk. E foi chato.

2) Ficar sem blogar alucina. Como ex-fumante (dos 17 aos 20, 1 maço por dia), sei bem que é a coisa mais fácil do mundo a gente divagar loucamente quando está com muita vontade de fazer uma coisa, mas não pode. Logo que parei de fumar, costumava me imaginar fumando, dava algumas “desligadas” eventuais, ao longo do dia mesmo, e, quando percebia, estava divagando, fumando de mentirinha. Fiz a mesma coisa com o blog. Digamos que esse período de abstinência foi um dos mais produtivos ever. Escrevi uns centos posts mentais.

A gente sempre faz isso, né? Vai tomar banho? Escreve um post mental. Vai à feira? Outro. Esperando para entrevistar uma fonte? Post de novo. Na hora de dormir? Ah, aí são uns dois ou três. Mas dessa vez, tendo em vista que eu sabia que não iria conseguir abrir o blog e escrever no dia seguinte, parece que as ideias fervilhavam mais, numa velocidade maior ainda. Sonhei com posts até, o que nunca tinha acontecido antes. Foram tantas ideias novas, mas tantas ideias novas que, mesmo na correria, anotei algumas para ver se viram posts de fato em breve.

3) A falta que azamiga faz. Senti muita saudade. Mesmo. Não só de blogar, mas, principalmente, das mães da madresfera e dos respectivos rebentos. Saudade de gente que eu nunca vi ao vivo, mas que é tão presente, mas tão presente, que parece amigo de infância, sabe como? Senti falta de trocar ideias, de debater nos comentários, de deixar comentários, de receber comentários, daquele sorriso gostoso e sincero que a gente dá quando lê um relato bacana, quando uma mãe e um filho comemoram alguma conquista ou quando uma mãe confessa dessas coisas inconfessáveis da maternidade, e a gente pensa: “putz, igual que nem eu”.

Senti falta, na verdade, do convívio, de conviver (mesmo que virtualmente) com essas moças, mocinhas e mocinhos que foram se tornando tão importantes para mim nessa nossa pracinha. Fiquei imaginando como estariam as Alices, o Arthur, os Lucas, a Leah, o xará do Enzo, a Nina, o João, a Laura… Queria saber as novidades, queria tricotar!

Impressionante como eu gosto das meninas dessa madresfera! Claro que a gente sabe que os vínculos são vínculos, não importa que a origem seja no mundo “real” ou no mundo “virtual” (cada vez mais real). Mas, lógico, a experiência é a forma mais completa de conhecimento: uma coisa é saber na teoria, outra é saber na prática; e eu soube na prática que meus vínculos virtuais na madresfera são bem fortes.

4) Subestimei a importância da blogagem. Que eu gosto de blogar não era novidade para ninguém. Nem para mim. Mas, confesso, não sabia que gostava tanto assim. Confesso, novamente, que subestimei a importância da blogagem na minha vida. Já deveria ter caído a ficha, mas, às vezes, sou meio lerda: blogar não é acessório, é essencial. É terapêutico. É contato com o mundo, ainda mais quando, como eu, se trabalha em casa. É aprendizado. É maternar de maneiras diferentes. É crescer e melhorar como mãe. É aperfeiçoar. É dizer e é ouvir, tudo ao mesmo tempo. É vivenciar a maternidade em outros níveis. É escrever. É refletir.

E, nesse sentido, foi um aprendizado e tanto passar esse período afastada. Daí que concluí, então, o óbvio: amo muito isso tudo!

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