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pequenas dicas

Essa é para crianças –e adultos– que gostam de música: o pessoal do “Pequeno Cidadão” liberou para download uma faixa inédita do novo trabalho do grupo (“Pequeno Cidadão 2”), que será lançado em dezembro. “Mamãe, tamo chegando?” pode ser baixada aqui.

Edgard Scandurra contou que fez a música com seus filhos, no carro, num dia de trânsito caótico em São Paulo. A narrativa é sobre um filho que precisa chegar à casa de um amigo e enfrenta dificuldades numa cidade que não anda. Resultado: passa a viagem fazendo a clássica pergunta: “tamo chegando?” e ainda sugere que, da próxima vez, melhor irem de transporte público. Bem bacana! Pena que Arnaldo Antunes não faça mais parte do grupo.

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Descobri há uns meses esse site aqui, o “Garatujas Fantásticas”, que é uma revista virtual com inspiração no universo infantil. Eles não fazem um jornalismo infantil tradicional, o que é bem bom, porque não infantilizam o leitor. Ao contrário, buscam inspiração em tudo o que é lúdico por aí e contam lá na revista. Uma das editoras, a Thais Caramico, foi responsável pela reformulação do “Estadinho”, suplemento infantil do “Estadão”, e é também redatora do Joca, um jornal só para crianças.

Super recomendo o Garatujas, tanto para ler com os filhos quanto desacompanhada. Eles cobrem muito bem as artes, incluindo a música e a literatura, e sempre tem posts interessantes.

Aliás, um bom exemplo do tipo de conteúdo do site é esse texto sobre o filme “La Educación Prohibida“, um documentário que questiona os modelos educacionais atuais por meio de 45 experiências educativas, realizadas em oito países diferentes.

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No sábado, dia 1/12, na livraria NoveSete, os músicos Sandra Oak e Ramiro Marques apresentam o show “You and Me”, com canções e instrumentos criados especialmente para o projeto. Eles desenvolveram repertório e acessórios musicais exclusivos para estimular o vínculo pais-mãe-filhos. O show começa às 16h, e a livraria fica na rua França Pinto, 97, Vila Mariana.

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dilema revisitado # 2: a escolinha

No domingo, contei aqui que estou enfrentando meio tardiamente uma versão do velho dilema “carreira x maternidade”, só que com uma roupagem nova, mais leve: trabalho em home office e, agora que Enzo é um minimenininho e não mais um bebê, tem ficado mais difícil conciliar as obrigações de mãe com as de jornalista, já que o pequeno (ainda bem) é super ativo, super inteligente e requer cada vez mais atenção por mais tempo. Daí que concluí que preciso de ajuda de algum tipo, seja uma babá ou seja uma escolinha.

Como Dri estava em férias até hoje, resolvemos visitar as escolinhas aqui perto de casa só para termos uma ideia do que há à nossa disposição. Até agora, fomos em uma só. Uma outra visitaremos na quinta e a terceira, na sexta.

Mas essa primeira experiência me deixou um tanto mais simpática às escolinhas que às babás. Gostei bastante do que vi e do que ouvi. Para começar, as salas têm poucas crianças e, já a partir de 1 ano e 2 meses, os bebês deixam o berçário e vão para o maternal. Qual a diferença? As atividades. No maternal, eles já são estimulados a ler, pesquisar, contar, já definem os temas com os quais querem “trabalhar” naquele semestre, plantam, colhem frutas, fazem aulas de culinária e música, teatro e pintura, escultura…Ou seja, deixam de ficar “estacionados” esperando os pais voltarem. Ao invés disso, têm uma vida estimulante de fato.

A escola se diz construtivista. Muitas dizem isso hoje em dia, mas botei alguma fé nessa, ao menos levando em conta o que a coordenadora nos mostrou/explicou. Como eu estava contando, são os próprios alunos que definem temas a serem abordados, que serão trabalhados transversalmente ao longo do semestre ou do ano, em várias, digamos, “disciplinas”. A duração do tema também depende do interesse do grupo.

Por exemplo: a sala do maternal, que abriga os pequenos com idade entre 1 ano e 2 meses e 2 anos, havia escolhido os peixes como tema para o primeiro semestre. Fizeram pesquisas em livros, procurando figuras do animal, assistiram ao “Procurando Nemo” para identificar os peixes, seus “amigos” e habitat, ouviram e fizeram contação de histórias tendo esses bichinhos como protagonistas, colaram, pintaram e “moldaram” peixinhos, fizeram gelatina azul (cor do fundo do mar) nas aulas de culinária, aprenderam a contar enquanto faziam as comidinhas e assim por diante.

Como aqui em casa é tudo fora da caixa, por favor, valorizo muito propostas pedagógicas um pouco mais progressistas, por assim dizer (embora eu ainda me espante que, tendo em vista as opções mais comuns, Piaget seja progressista…). Também gostei do ambiente: casa espaçosa, com quintal amplo, cheio de verde, onde está instalado o play da garotada. Tem tanque de areia ao ar livre e também espaço coberto com diversos brinquedos para os dias de chuva. Há árvores frutíferas (jaboticaba, jaca, mexerica), horta e, melhor de tudo: as crianças realmente consomem esses alimentos colhidos do pé por eles mesmos, sempre que as árvores “dão” alguma coisa.

Na biblioteca e nas salas de aulas, os livros estão à mão das crianças, que podem pegar quais quiserem, sempre que quiserem. Estão bem cuidados e separados por idade, para que sempre sejam adequados à faixa etária que ocupa a sala. Esqueci de perguntar se os pequenos são estimulados a levar livros de casa para compartilhar com os amigos. Mas já tomei nota e vou tirar essa dúvida. A sala de artes é grande e cheia de materiais que podem ser usados livremente, de acordo com a escolha de cada um. Só não tenho certeza ainda se há um horário definido para isso ou se eles podem ir à sala quando quiserem. Mais uma para checar.

Agora o que mais me deixou feliz mesmo com a escolinha foi o clima.Pode parecer bobagem, mas levo muito em conta como eu me sinto no lugar para avaliá-lo. E nós três (Dri, Enzo e eu) tivemos o mesmo comportamento relaxado na escola, como se estivéssemos em casa. Notamos carinho e cuidado das professoras e berçaristas com os bebês, vimos um monte de crianças aparentemente bem satisfeitas, sentimos uma certa harmonia no ar e, mais importante, percebemos que Enzo esteve muito à vontade o tempo inteiro.

Entrou em várias salas sozinho, mexeu nas coisas, caminhou tranquilamente pela escolinha, escolhendo seu percurso entre o que chamava mais sua atenção, arranjou uma amiguinha no berçário, elegeu um brinquedo por lá, fez amizade com a berçarista, esqueceu de nós dois e ficou por cerca de meia hora só brincando com as novas companheiras, até que tivemos de tirá-lo de lá (era hora de ir embora, afinal).

E aí foi um chororô sem tamanho, com muito ranger de dentes, gritinhos revoltados e lágrimas, um monte de lágrimas. Para mim, foi um ótimo sinal em relação à escola e- mais ainda- uma surpresa e um sinal de que Enzo talvez esteja precisando de atividades mais estimulantes do que ele tem tido aqui em casa (próximo post).

Não estou nada decidida

Parece discurso de uma mãe convencida a deixar seu bebê na escola, né? Mas não é, não. Pelo contrário. Há os contras e eles pesam muito:

1) Quando penso em deixar Enzo 4 ou 6 horas numa escolinha, por mais bacana que seja, não sinto alívio, sinto apreensão. Acho que ele não está pronto, porque penso que um bebê desse tamanho ainda precisa muito de mãe por perto, de coisas familiares, de segurança e proteção que só se encontra no lar.

2) Não gosto nada da ideia de Enzo ter um compromisso, uma obrigação tão pequeno. Se ele pudesse ir à escola quando quisesse, pelo tempo que quisesse seria ótimo. Mas não é assim que funciona.

3) Por mais liberal e bacaninha que seja a escola, há horários, regras, um certo enquadramento desnecessário, especialmente nessa fase. Os horários de almoço e lanche, por exemplo, são bem rígidos, pois é preciso dividir o refeitório de forma a não colocar os muito pequenos para almoçar com os grandões (o colégio tem alunos de até 10 anos). Pior: deve haver horário para aulas de artes, música, literatura, educação física (a confirmar, mas é quase certo). Não gosto disso. Na minha escola ideal, cada um faria atividades lúdicas e artísticas quando quisesse, poderia escolher livremente entre ir tocar um violãozinho ou botar a mão na argila. Não dá para esperar que a criatividade das crianças, ainda mais pequenininhas, aceite o cabresto dos horários mais convenientes para a equipe. Em casa, Enzo é livre como tem de ser e passa o dia inventando novos desafios, exercitando a curiosidade, a criatividade, o raciocínio. Bola brincadeirinhas, nos envolve, cansa delas, troca por outras, vai ali na cozinha pedir uma fruta ou leite, volta a brincar, pega um livro, devolve o livro, enfim, exercita suas múltiplas capacidades sem amarras. Limites podem ser importantes, mas quando têm um objetivo educacional, o que não é o caso dos limites impostos nos colégios (não sou nada fã de “disciplina” por disciplina).

4) Os pediatras que respeito indicam colocar os pequenos nas escolas depois de completarem 2 ou 3 anos. E não apenas por causa das viroses e doencinhas, mas por conta da necessidade de afeto e atenção exclusiva que demanda antes dessa faixa etária.

5) Acho que em casa, sob meu olhar e meu carinho, Enzo estará melhor, ainda que privado de um certo desenvolvimento e de uma sociabilização que a escola promoveria.

Digamos que essa visita à escola (e as próximas, sobre as quais conto depois) me deixaram mais tranquila em relação às possibilidades de desenvolvimento do  Enzo, em relação às opções pedagógicas que teremos, à maturidade e independência do meu minimenininho (que parece pronto para ser um tanto mais livre e para novas amizades), em relação a como ele vai lidar com o futuro colégio. Também me mostraram diversos pontos a refletir em relação à maternidade que estou exercendo. Há muito o que melhorar e vou voltar nesse assunto no próximo post.

Mas ainda não acho que seja hora do pequeno ir pra escola. Por outro lado, também não sei se quero uma babá. Por ora, vou tateando as opções (entrei em contato com agências para assuntar a contratação de uma babá) e agradecendo mega o socorro das mães. Agradeço também quem deu dicas preciosas no facebook (alô, Tamine, Silvia, Claudia!) e o comentário muito inspirador da Ingrid no post anterior.

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o rei está de cueca!

Apesar de eu ter trabalhado horrores no fim de semana de 19 e 20 de maio -acabo deixando para escrever as matérias quando o Dri está em casa para cuidar do Enzo, pois preciso de bastante concentração na hora de redigir-, consegui dar umas fugidinhas bem bacanas durante a tarde de sábado, 19/5. Embora fizesse um friozinho aqui em SP, estava um sol lindo, céu aberto, delícia de flanar com o bebê por aí.

Descobri que ia rolar uma contação de histórias pertinho de casa e arrisquei ir. Sei que Enzo é bem bebê ainda, que não compreende ainda o conteúdo que está sendo narrado, nem consegue ficar muito tempo prestando atenção na mesma coisa. Mas sei também que compreende a entonação das palavras, que capta a atmosfera festiva, que gosta do contanto com outras pessoas, que tem prazer em ficar perto de outras crianças (ainda que por pouco tempo e no meu colo) e que responde muito bem à música. Não sabia se teria música, mas achei que sim. E fomos lá, Enzo e eu, destemidos, no sling.

Geralmente, quando vou percorrer “longas” distâncias a pé, prefiro levar o bebê no carrinho, pois não aguento muito o peso do pimpolho (11,2 kg!). E dá preguiça, confesso. Mas no sábado, resolvi que a ocasião pedia um corpo-a-corpo com a cria, deu vontade e pronto, fomos slingando juntos até o local da contação.

Chegamos uns 10 minutos atrasados, o que prejudicou um pouco, pois Enzo ficou mais longe do que deveria do casal de contadores. Como a concentração dos bebês nessa idade ainda é bastante fluida, facilitaria um contato mais próximo com a pessoa que fala. Mas, mesmo assim, ele ficou bastante interessado.

Prestou atenção em cada detalhe, na entonação da voz, no jeito de andar e falar da contadora, nas risadas que ela dava, nas pausas, nos objetos que segura e, principalmente, na música. Toda vez em que se tocava o violão ou em que os contadores cantavam alguma coisa, Enzo fixava ainda mais o olhar, parecia se divertir mais.

Claro que o interesse exclusivo pela história teve prazo de validade. Durou uns 20 minutos, tempo de terminar  o primeiro conto. Pouco depois de começar o segundo, uma adaptação do clássico “A Roupa Nova do Imperador“, do Hans Christian Andersen, Enzo resolveu que queria mesmo era descer do colo, andar (se segurando em mim, que ele ainda não anda sozinho), passear por entre as pessoas e, enfim, subir no banquinho e brincar com a fresta entre um pedaço e outro da madeira do banco.

Ele se divertiu à beça, conheceu gente nova (várias mães de crianças e, em especial, uma mãe cujo filho também chama-se Enzo), riu para toda essa gente, subiu no banco, desceu do banco, tirou o tênis várias vezes, sentou, levantou novamente, investigou texturas e formas e, assim que terminou a segunda contação, resolveu que era hora de ir embora.

Saldo muito positivo, na minha avaliação. Primeiro porque acho importante começar a introduzir Enzo em atividades lúdicas, artísticas, sociais. As contações entraram para a nossa agenda semanal. Segundo porque noto, como já disse, que ele adora se relacionar com outras crianças. E levá-lo a ambientes em que haja crianças virou uma prioridade. Terceiro porque confirmei que ele fica muito mais alegre quando faz alguma atividade diferente da cotidiana. O bebê definitivamente não gosta de rotina.

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Nesse fim de semana agora (26 e 27/5), optamos por um passeio ao ar livre no domingo e também foi ótimo. Na noite do sábado, aniversário da minha mãe, fomos com ele a uma pizzaria com playground. Resumo da ópera: passei boa parte do jantar do lado de fora, no parquinho, brincando com Enzo (no colo) ou levando-o para ver as outras crianças brincarem. E foi impressionante ver como ele já entende o que se passa. Ele ficou muito, mas muito atento mesmo às atividades dos meninos maiores. E riu muito, muito mesmo, de todas as traquinagens. Tanto que, quando o parque esvaziou, acabei cedendo e deixando que ele escorregasse no escorregador. Claro, segurando em mim e no pai, nós dois é que fomos “escorregando” Enzo, com toda a segurança. Mas não deu pra não deixar ele ao menos provar o gostinho, depois de ter se divertido tanto assistindo à diversão dos outros.

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E o que tem a ver o título do post com tudo isso? Bem, na adaptação que os contadores fizeram do conto do Andersen, o rei (ou imperador) estava de cueca, não nu. 🙂

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