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com a cria nos braços

Na semana passada, assisti a alguns vídeos e entrevistas que a Anna Gallafrio, Life Coach especializada em mães, concedeu ao Mamatraca. O conteúdo é muito bom, reflexivo, recomendo. Mas o que me chamou mais atenção, no entanto (talvez pelas convicções que eu vim alimentando por aqui desde que me tornei mãe), foi ver que a Anna estava trabalhando com a filha mais nova, Corinna, 100% à tiracolo (às vezes mamando).

Essas imagens, especialmente a tranquilidade da pequena no sling enquanto a mãe cumpria sua jornada profissional, me emocionaram muito. Estavam ali, materializadas para quem quisesse ver, muitas das ideias que tive, tenho e que compartilhei/o com várias mães blogueiras (como as queridas Mariana Sá e Nine) sobre o falso dilema carreira x maternidade. Não precisamos escolher. Não há escolhas. O que há, ainda, é um mundo profissional (e social e cultural etc etc etc) profundamente separado (das) e hostil às nossas necessidades naturais e humanas mais profundas, como a de acolher nossos filhos e de sermos acolhidos quando bebês.

Essa dicotomia só “existe” porque o mundo do trabalho nos desumaniza quando não nos oferece a possibilidade de exercermos uma tarefa que nos garanta o sustento (e também alguma parcela de satisfação) enquanto cuidamos dos nossos filhos. Nos desumaniza também porque sua lógica desvaloriza nossas emoções, sentimentos e afetos. E sobrevaloriza todo o resto, incluindo a racionalidade (que supostamente nos garantiria igualdade e justiça, veja só) e um punhado de distrações.

Na hora em que vi o vídeo da Anna, me lembrei da Licia Ronzulli, a deputada italiana que, em 2010, foi ao trabalho no Parlamento Europeu com a filha no sling. A foto dela amamentando e, ao mesmo tempo, votando no Parlamento correu as redes socias. Ao contrário de ter sido uma exceção à regra, Ronzulli continou levando a filha ao trabalho, pelo menos até 2012.

em 2010 (*)

em 2010 (*)

e no ano passado (**)

e no ano passado (**)

Não vou discutir a questão de o ambiente não ser adequado para uma criança pequena crescer, até porque não sei com qual periodicidade a menina vai ao Parlamento com a mãe nem quais atividades lúdicas ela faz lá ou em outros ambientes. Suspeito até que, ainda que ela estivesse lá, com a mãe, 4 horas por dia, 5 dias por semana, seria mais saudável que estar com estranhos nas escolinhas que eu conheço por aqui. Mas essa é outra conversa.

Lembrei também, ao ver a silenciosa, sutil e profunda “revolução” da Anna Gallafrio, desta ideia genial aqui: um espaço de co-work em que os filhos não são apenas aceitos, mas muito, muito bem vindos em um ambiente projetado para os pais, mas também para as crianças que estarão por perto. Aqui tem um caminho do meio, não? Aqui tem um caminho natural, não? Para manter a metáfora que a Nine usa com frequência, desconheço leoa que deixe os filhos com a vizinha pra caçar. Sou mamífera. Quero caçar com a cria nos braços!

ambiente recebe bem mães, pais e filhos para ... trabalhar (***)

ambiente recebe bem mães, pais e filhos para … trabalhar (***)

 

Ah, já quase ia esquecendo: está aí abaixo o vídeo que mais me tocou, de todos os que vi da Anna com a Corinna (e não por acaso, como toda a série com ela no Mamatraca, fala de carreira e maternidade):

Imagens de: (*) G1, (**) Mirror e (***) Garatujas Fantásticas

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Arquivado em Maternidade, paternidade, profissão, reflexões