Arquivo da tag: papel

nosso papel nos papéis de gênero

Numa loja de roupas para crianças, um pai, uma mãe e uma menina de três anos. A menina precisava de sapatos. Mas a mãe se encantou mesmo com uma tiara. Enquanto o pai calçava e descalçava os modelos na filha, que, indiferente, continuava brincando com seus livros de colorir, a mãe insistia em botar o acessório na cabeça da pequena.

Mãe colocava. Filha tirava. Mãe colocava de novo. Filha tirava de novo. Mãe trocava o modelo da tiara (“Esse vai servir melhor”). Filha nem deixava ela terminar de encaixar o objeto na cabecinha. Mãe insistia. Filha começava a chorar. Pai intervinha: “ela não gosta disso! Deixa ela”.

A mãe, ela própria, tinha uma dessas na cabeça. Depois da intervenção paterna, mãe ficava amuada, cara fechada, procurando novos modelos de tiara. Assim que dava uma brecha, tentava colocar na menina novamente. A cena se repetiu por três vezes, até que a menina não parou de chorar.

A mãe, entre irritada e decepcionada, quando viu que não teria jeito de convencer a cria a usar o troço na cabeça, ameaçou:

-Quando crescer, vai adorar uma dessas, você vai ver. Aí a mamãe ajuda a escolher umas bem bonitas, para você ir lindona para a escola, para as festas…

A filha interrompeu, ainda com lágrimas nos olhos:

-Não quéio!

-Ah, mas você vai querer! Espera só você ser maior.

**********

A cena, da qual participei involuntariamente (eu e o casal estávamos na mesma loja), me fez pensar em algumas coisas:

ESPELHO, ESPELHO MEU: Queremos tanto, mas tanto, que nossos filhos sejam nossa imagem e semelhança que mal dá para disfarçar. É difícil conceber que, de repente, a cria tem outras inclinações, outros sonhos, outros valores; que mesmo que tenhamos lutado à beça para sermos quem somos, pode ser que os nossos acertos, aos olhos dos filhos, simplesmente não sirvam. Ponto.

Acho, tirando por mim e pelas minhas conversas de travesseiro comigo mesma, que duas coisas doem muito nisso tudo: 1) Aceitar que os filhos podem ser nossos opostos, podem ser opostos inclusive de características nossas que amamos. Porque se o rebento for diferente de você naquele defeito que te aborrece horrores, você vai ficar super feliz. O problema é quando a cria resolve ser diversa em pontos dos quais você se orgulha em você mesmo.

Dá uma impressão de falha, de que você não foi um bom modelo, ou de que o filho está menosprezando aquilo que você é, respeita e admira. Fato é que a gente cria um modelo do que seria o filho ideal, mais ou menos baseado no ideal que fazemos de nós mesmos, e nos esforçamos para enquadrá-lo nisso.

2) Aceitar que não podemos melhorar a nós mesmos e consertar a nossa infância/adolescência/expectativas frustradas com a vida do herdeiro. No fundo, mesmo o item anterior, trata disso: tendemos a projetar nas crianças as nossas frustrações e desejos e dar a eles tudo o que julgamos que nos falta. E “ai” do filho, aquele ingrato que não sabe o valor das coisas, se ele não quiser o que a gente oferece assim, de mão beijada, mas que para nós foi custoso a vida inteira.

Já me peguei várias imaginando a escola ideal pro Enzo. E qual será? A que tem tudo o EU queria que meus colégios tivessem e eles não tinham. Ah, cê jura?

Tenho certeza absoluta de que não ficarei nem um pouco chateada, preocupada, frustrada, decepcionada etc etc etc se Enzo for, por exemplo, gay. Já achava isso antes de ter filho (quando todo preconceituoso me saía com essa pergunta infame “você ia querer um filho gay” em discussões em que eu defendia a orientação sexual). E fiquei mais convicta agora, que sou mãe. Mas se ele for um machista conservador… Aí vai doer. Como lidar com a possibilidade de os filhos não serem o que a gente espera deles, ou seja, uma versão (supostamente) melhorada de nós mesmos?

PAPÉIS DE GÊNERO: Nascemos livres de estereótipos, de papéis, de amarras limitantes, com todas as possibilidades do mundo para explorar. Daí as pessoas mais velhas logo se incumbem de nos mostrar que, bem, não é assim tão simples: se formos meninas, TEMOS de gostar disso, daquilo ou daquilo outro. Se formos meninos, TEMOS de brincar disso, daquilo, daquilo outro.

Daí que, depois da “guerra da tiara”, fiquei pensando o quanto ainda contribuímos, como pais, querendo ou sem querer, para manter um fosso gigantesco entre meninos e meninas, homens e mulheres. Se, por um lado, as crianças só querem saber de brincar livremente (de coisas “de menino” e de coisas “de menina”), por outro, fazemos questão a todo instante de marcar as diferenças de gênero estabelecidas.

Menino só ganha determinado tipo de brinquedo, só se veste com determinada roupa, só assiste a determinados desenhos e programas, é estimulado a ter determinadas atitudes, tudo para reforçar o que se espera deles: que sejam agressivos, exploradores, cheios de iniciativa, racionais, líderes.

Para as meninas, o contrário: estimula-se a passividade, uma visão “mágica” da vida, o romantismo. E, cada vez mais cedo, cobra-se delas que se preocupem com o que toda mulher tem que se preocupar, afinal: ser bonita, se vestir de forma sexy, atrair o homem certo, porque, sem isso, minha filha, sua vida não tem sentido. O único objetivo de vida de uma mulher é ser escolhida pelo cara certo. Então, mexam-se mocinhas, v’ambora colocar tiara, sapatinho de salto, roupinhas fashion que já evidenciem alguns de seus melhores atributos. Nada de se sujar, de correr e suar, de brincar no chão, de abrir os aparelhos eletrônicos pra ver o que tem dentro. Nada de subir em árvore, de andar de skate, de jogar bola. Nada de usar esses shorts feiosos, camisetas, tênis. Nada de se divertir. A beleza tem seu preço, acostumem-se que só piora (depilação, horas num salão fazendo a unha, cirurgias plásticas para corrigir os defeitos imperdoáveis, lipoaspiração que homem não escolhe as gordas etc etc etc).

É ou não é isso que estamos dizendo para as nossas meninas todos os dias? E parece que estamos fazendo isso cada vez mais cedo. Já vi menininhas que mal sabem andar se equilibrando em sapatinhos de salto. Eu me preocupo muito com isso. Até porque tive a sorte de não viver isso de forma tão explícita na minha infância, o que, julgo eu hoje, depois de seis anos de terapia, me fez um bem danado.

Fui livre, fiz tudo o que quis e, primeira neta/sobrinha do lado da minha mãe, cheguei ocupando espaços tanto nas aspirações femininas (da avó, da tia) quanto nas masculinas (avô, tio).

Ao mesmo tempo em que fazia vários programas “de menina” com a minha avó e minha tia (passeios em shoppings, comprinhas, comidinhas, tricô e crochê -a avó tentou ensinar, eu não aprendi-, vestir as roupas da tia, “roubar” a maquiagem dela, brincar de ser ela, ir ao cinema ver filmes “de menina”), tive uma relação bem mais próxima com meu avô e meu tio do que tiveram outras meninas da minha geração com os respectivos.

Meu avô fazia questão de conversar comigo sobre “coisas de menino”, como esportes (ele era fã de Fórmula 1) e independência financeira. Ele sempre me estimulava a estudar, adorava quando eu contava que estava “indo bem” na escola, incentivava que eu pensasse numa carreira e sempre me dizia que “primeiro tenha uma profissão, sua casa e seu carro. Depois pense em amor”. Prático, mas vamos combinar que são conselhos bem diferentes dos dados geralmente a uma menina. Nunca fui cobrada -nem por ele, nem por ninguém- a ter certas posturas de menina.

Já o meu tio me levava com ele para todos os lugares, inclusive para as quadras de futebol, para dar voltas de moto pela cidade (desde o 4 anos) e para os bares com os amigos (ah, os anos 80!). Foi ele quem me ensinou a dirigir (aos 14 anos, mas não conte para ninguém) e quem me deu de presente, quando eu tinha uns 10, um super mega master blaster carrinho de rolimã, com freios, encosto e carpete.

Então, sem cobranças para ser isso ou aquilo e com passe livre para efetivamente aproveitar a companhia dos familiares queridos, tive o melhor dos “dois” mundos, que, para mim, nunca foram dois, eram sempre o mesmo.

Sou mãe de menino. Sei que as coisas são mais injustas com as meninas, mas digo sem medo que os papéis são limitantes para os mocinhos também. E se Enzo não gostar de carros? E se Enzo quiser cozinhar, gostar de poesia, for mais romântico (não estou querendo dizer o homem que dá flores, essa bobagem, mas aquele que vê a vida sob o prisma das emoções)? E se Enzo curtir brincar de bonecas, cuidar, oferecer carinho? E se ele não se identificar com o estereótipo do “macho alfa”?

Há um tempo, uma colega cujo filho (uns 3 ou 4 anos) gostava de flores, fotografia e culinária, ouviu piadinhas maldosas sobre a sexualidade do garoto na redação da revista em que trabalhávamos. É, na redação, onde, supostamente, somos todos “mente aberta”. Ãhã. Somos sim, viu?

Sinceramente, se Enzo for tudo isso que descrevi, por mim, ótemo! Mas o que quero dizer, usando Enzo como exemplo, é que há inúmeras possibilidades diferentes da hegemônica para os meninos também. Poder tomar a iniciativa e ser mais ativo que passivo, ter uma dose de agressividade é uma coisa ótima, pela qual a gente -gênero feminino-, ainda luta. Mas ser OBRIGADO a fazer isso SEMPRE também não é legal. O machismo vitimiza os homens também.

Tento oferecer múltiplas oportunidades ao Enzo, de carrinhos (embora ele ainda não tenha nenhum com o qual brincar) a bonecas. Outro dia, numa loja de brinquedos educativos, vi um menininho todo feliz brincando com uma cozinha de madeira. Por que não? Se quiser, Enzo vai ter uma. E, para querer, a cozinha tem que ser oferecida a ele como opção.

Sempre me pergunto: será que faço mesmo isso? Que ofereço inúmeras possibilidades? Ou sem perceber limito meu filho e exijo dele que se encaixe em certos padrões sociais? A mãe da tiara tem tanta certeza de que a filha vai se adequar que até já anteviu isso: “quando crescer, você vai gostar”. Nada contra. Mas será que a menina vai gostar mesmo ou terá sido  induzida a gostar por ter aprendido que é assim que “as meninas fazem”?

Será que temos tido consciência do nosso papel na disseminação dos papéis de gênero? É isso mesmo que queremos? Uma filha princesinha e um filho guerreiro? Se for, ok. Mas e se não for e acabar sendo porque nem conseguimos nos questionar a respeito? Somos -todos nós- frutos da sociedade em que vivemos. E essa mãe da tiara -pegando a tiara como exemplo dessa limitação de papéis de gênero- também deve ter sido ensinada a gostar de tiaras. Mas será que precisamos mesmo reproduzir isso ad infinitum?

Veja, não estou dizendo que as mulheres só gostam das tiaras porque foram ensinadas assim. Tem gente que gosta mesmo. Tem mulher que gosta mesmo de ocupar e viver os papéis tradicionais. Tem gente que vive os papéis tradicionais em partes. As coisas não são só brancas e pretas, afinal, há nuances variadas. Mas nem falo disso, pois aí não há problemas.

O problema começa quando pensamos em todas as outras meninas e meninos que, bem, gostariam e poderiam ter ido além disso (sem juízo de valor nesse “além”) e não foram porque menino “é assim”, menina “é assado”.

Minha reflexão é sobre se, quando e como nós, pais, sem perceber, somos os principais responsáveis não por alargar os horizontes dos pequenos, apoiar os filhos e acolhê-los como são; mas por tolhê-los, limitá-los, cobrá-los e exigir deles que sejam algo que não são. Esse não é o tipo de mãe que eu quero ser. O mundo vai dar a “gaiola” para o Enzo. Eu quero dar as asas. Por isso, sinceramente, espero todos os dias refazer e refazer essa reflexão.

3 Comentários

Arquivado em gênero, Maternidade, reflexões

a importância dos outros

Já fui mais favorável às datas comemorativas “comerciais”. Mesmo assim, e apesar de saber que elas têm como objetivo estimular o consumo e o consumismo, acho válido, sob certos aspectos, o fato de elas existirem. São um ritual, uma marcação, e essas coisas têm lá sua importância.

Por exemplo: sempre comemoramos o Dia dos Namorados aqui em casa, com presente e tudo o mais, ainda que seja um presente simbólico (uma barra de chocolate diferente, uma cerveja que o marido estava querendo, um café da manhã caprichado na cama…). Podemos nos dar esses mimos e fazer a comemoração em qualquer dia? Claro que sim. E fazemos. Mas como a rotina e a correria são uma ameaça constante a esses momentos, é bom saber que, se não der para ter esses momentos com a frequência ideal, pelo menos vamos contar com uma “forcinha” das datas comemorativas.

Evidente que não adianta nada comemorações mecânicas, homenagens frias e desdém no restante do ano. Mas estou falando de casos em que as datas só ajudam, uma vez que, claro, elas sozinhas não resolvem nada.

Tudo isso para dizer que -agora mais que nunca- o Dia das Mães é bacana demais para comemorar, juntar a família, socializar, ritualizar. E fizemos de tudo isso um pouco ontem: almoçamos com minha mãe, minha sogra, meu pai, meu irmão e a namorada e meu cunhado. Estivemos cercados de muito carinho, afeto e bom papo, e Enzo comemorou ainda mais, pois teve à disposição o colo das duas avós, do avô e dos tios ao mesmo tempo. Tanto que ele ficou tão excitado que só conseguiu dormir depois da meia-noite.

Além disso, a data foi também importante para refletir. Refleti muito -e sem culpas nem crises- não apenas sobre meu papel como mãe e o que eu significo para Enzo, mas também sobre o meu “não-papel”, ou seja, sobre o espaço que preciso deixar para os outros na vida do Enzo.

Por partes: sobre as mães, sua importância e seus limites, recomendo a leitura de alguns posts ótimos de colegas blogueiras que foram muito inspiradores.

1) Lígia, a Cientista que Virou Mãe, fez dois posts muito bons sobre a capa da Time americana dessa semana, que estampou uma mãe amamentando o filho de três anos ao lado da seguinte pergunta: “Você é mãe o suficiente?” A matéria -que eu ainda li- suscitou boas questões, que Lígia expôs muito bem. Veja o post 1 aqui e o 2 nesse outro link.

2) A Mari Zanotto, do Pequeno Guia Prático, escreveu O POST do Dia das Mães, publicado no portal MMqD, sobre as muitas culpas maternas e o inevitável choque entre as nossas necessidades pessoais o que é “melhor” para nossos filhos. Corajosamente, ela conta que, cinco anos depois de ter parido a Alice, primogênita, está se permitindo reservar mais tempo para si mesma, ainda que isso signifique menos tempo com os pequenos. Com seu humor delicioso, o post fica ainda mais redondo, apesar do tema-pedrada que ela escolheu. Me identifiquei muito e acho que quase todas nós vamos nos identificar também, tanto em relação às necessidades que temos quanto sobre a culpa que atendê-las nos causa. Para ler (recomendadíssimo se você ainda não leu), vá por aqui.

3) Para rir, vá até aqui, no Mãe de Duas, e dê uma olhadinha na homenagem cheia de humor e -por que não?- ironia que a Priscilla Perlatti fez para nossa “categoria” (devíamos fundar um sindicato…).

4) Por fim, ainda sugiro uma passadinha no Potencial Gestante, da Luíza Diener: nesse post aqui, ela definiu -de certa forma poeticamente- o que é ser mãe. Identificação instantânea, especialmente em relação a comer escondida (tenho feito muito isso nesses dias em que Enzo decidiu que tudo o que eu como ele PRECISA comer também, rá!).

**********

Agora chegamos noutro ponto importante das reflexões: o meu “não-papel”. Sabe o que de mais importante eu descobri nesse Dia das Mães? Que Enzo adora conviver com outras pessoas. Por conta própria, ele já expandiu seu próprio universo, já busca outras referências, outro tipo de atenção, outros colos, outros carinhos e outras brincadeiras. Nosso mundo Enzo-Mamãe-Papai-gata é, claro, essencial, mas (já) não basta.

É impressionante como ele fica mais tranquilo (apesar de excitadíssimo), mais feliz, mais atento/focado, mais risonho, menos chorão e menos irritadiço quando há outras pessoas em casa. Com as avós, por exemplo, tem uma relação de carinho e cumplicidade que é deliciosa de ver. Mas não é só com elas. Basta ter alguém diferente por aqui que meu minimeninho deixa vir à tona com ainda mais força seu lado “mr. simpatia”.

E ele não faz isso só para chamar a atenção, não. É genuíno. Enzo fica genuinamente mais feliz quando em contato com um universo de gente mais amplo que apenas nós quatro (contando com a Joh, a gata que AMA).

Sabe? Pensando bem -que foi o que eu fiz ontem- é fácil de entender. Os outros, com suas outras referências, outros pontos de vista, outras infâncias e outras histórias de vida, enriquecem muito as experiências do Enzo, seja lidando com ele diretamente seja mostrando a mim e ao Dri coisas que podemos fazer com e para o Enzo que antes não fazíamos.

Exemplos? Meu primo (que fazia anos que eu não via) foi a primeira pessoa a colocar Enzo em pé no chão, há cerca de três meses, quando veio conhecer o pequeno. Meu filho já ficava mais ou menos em pé sobre o sofá, mas nunca tinha botado os pezinhos no chão simplesmente porque isso ainda não tinha passado nem pela minha cabeça nem pela do marido. Resultado é que, desde então, começamos a botar Enzo no chão com frequência e isso representou um salto no desenvolvimento motoro dele. Hoje, ele praticamente já anda e, a seu jeito, engatinha super bem.

No sábado à noite, outro exemplo, um amigo muito querido veio nos visitar. Enzo também adora esse “tio”, a ponto de, só de ele estar por perto, o mocinho ficar quietinho e comportado em situações em que, normalmente, estaria dando um escândalo (como tirar do banho, secar o cabelo, trocar a fralda).

Pois o tio, brincando com Enzo, fez uma coisa que fascinou meu bebê. E foi uma coisa simples, que eu mesma poderia ter feito, mas não fiz porque nunca pensei nisso: ele ficou escondendo e mostrando uma tampinha de garrafa ao Enzo que, às gargalhadas, tentava descobrir onde o objeto estava escondido. Pronto: Enzo agora quer brincar disso com a gente a toda hora, o que evidencia a importância da brincadeirinha e o prazer que gerou. E não partiu de nós, mas de alguém de “fora” do nosso círculo familiar imediato.

Nós, pais, somos limitados, apesar de todo o esforço que fazemos para satisfazer as necessidades dos pequenos, apesar de todo o conhecimento e crescimento que perseguimos. Abrir espaço para os outros na nossa vida e na vida dos nossos filhos é parte do nosso papel. Assumir esse “não-papel”, aceitar que esse espaço não nos pertence, é essencial. E não apenas para ensinar os pequenos a se socializarem, mas para enriquecer mesmo a vida deles e a nossa. E para, aos pouco, ir dando às crianças a liberdade que, um dia, vão reivindicar.

De resto, e meio atrasada, feliz Dia das Mães! 😉

Deixe um comentário

Arquivado em Maternidade, reflexões