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duas receitas prometidas

Eis que há uns 2 ou 3 meses, quando Enzo começou a comer papinhas, eu prometi que socializaria as receitinhas aprovadas pelo meu minimenininho. Contei que estava com dificuldades para encontrar dicas de alimentação e que, tão logo achasse alguma coisa bacana que valesse para Enzo e para mim, postaria por aqui.

Dia vai, dia vem, e essa moça atarefada -e ligeiramente atrasada- que vos escreve acabou não postando receita nenhuma. Falta de tempo para organizar tudo, já que a maioria das papinhas que dão certo saíram da minha cabeça. Daí que hoje, finalmente, estou com duas receitinhas prontas, escritas, anotadinhas, devidamente registradas no Livro de Receitas do Minimenininho. Voilà, espero que sejam úteis:

PAPINHA VEGETARIANA

1/2 xícara das de chá de ervilha seca

1/2 maço de brócolis ninja

2 mandioquinhas médias picadas e sem casca

2 cenouras médias picadas e sem casca

2 abobrinhas médias picadas, sem casca nem sementes

1/2 cebola média

1 colher das de chá de azeite extra-virgem

O preparo é simples: Colocar o azeite a cebola numa panela, deixar dourar um pouco. Depois, acrescentar as ervilhas (lavadas) e os demais ingredientes, com exceção do brócolis. Acrescentar água suficiente para cobrir os vegetais e ainda sobrar um dedo. Deixar em fogo alto até levantar fervura, depois colocar em fogo baixo e cozinhar até que os ingredientes estejam macios. Acrescentar o brócolis e deixar no fogo até o brócolis ficar macio e cozido. Amasse com o garfo até atingir a consistência recomendada pelo seu pediatra (ou aquela com a qual seu filho esteja habituado).

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FRANGO COM LENTILHA

1/2 xícara das de chá de lentilhas

2 filés bem frescos de peito de frango

2 chuchus médios picados e sem casca

1/2 abóbora tipo paulista média picada, sem casca e sem sementes

2 xícaras das de chá de escarola picada (aproximadamente)

1/2 cebola média picada

Salsinha a gosto (eu uso quase uma xícara)

1/2 colher das de chá de azeite extra-virgem

Preparo: Em uma panela, colocar a cebola, 1 colher de azeite, a lentilha e os legumes. Deixar dourar rapidamente e cobrir com água, colocando o suficiente para cobrir os alimentos e ainda sobrar um dedo, aproximadamente. Deixar em fogo alto até ferver e depois reduzir para fogo baixo. Colocar os filés de frango juntamente com meia colher de azeite em outra panela, deixar em fogo baixo e tampar para que o frango cozinhe em sua própria água. Se for preciso, acrescente um pouco de água (mas bem pouco). Quando a carne estiver cozida (eu sempre corto em vários pedaços para me certificar de que o interior está pronto), tirar a tampa da panela e deixar o frango dourar por mais alguns minutos. Em seguida, desfie o frango utilizando dois garfos (um segura a carne, o outro desfia).  Reserve.

Quando os legumes e a lentilha estiverem macios, acrescente a escarola bem picada e a salsinha e espere por mais cinco ou dez minutos, até que a escarola mude de cor. Aí acrescente o frango desfiado e deixe mais uns cinco minutos em fogo baixo. Antes de servir, amasse com o garfo até atingir a consistência recomendada pelo seu pediatra (ou aquela com a qual seu filho esteja habituado).

As receitas são sugestões, baseadas na orientação da pediatra do Enzo, na Cartilha do Ministério da Saúde, e no conhecimento popular que diz que uma dieta balanceada é aquela “colorida” (com vegetais de cores diferentes, pois cada cor evidencia um certo tipo de componente ou vitamina contido no alimento).

Procuro sempre colocar ao menos um carboidrato, uma leguminosa (ervilha, lentilha, feijões etc), um legume e uma verdura. A papinha pode ser servida com arroz, e os vegetais podem ser oferecidos separadamente ao bebê, ao invés de tudo junto, como eu sugiro na receita. E, claro, o ideal é sempre conversar com o pediatra para se certificar de que seu filho pode comer esses alimentos, feitos dessa forma.

Uma preocupação que eu tenho é sempre que possível oferecer alimentos orgânicos. Apesar de aumento da oferta de orgânicos, eu confesso que não tenho encontrado legumes desse tipo com muita facilidade. Há sempre orgânicos nos supermercados que frequento, mas em geral são sempre os mesmos; há pouca variedade. De qualquer forma, a dica é procurar orgânicos e sempre, sempre os alimentos mais frescos possíveis. E ouvir as informações dos funcionários dos supermercados. Eles sempre sabem quais são os vegetais mais novos, os que estão “na época”, os que são mais macios… Informações valiosas, portanto, especialmente se você, como eu, é 100% urbana e demorou horrores para descobrir a diferença entre escarola e catalonia.

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Arquivado em livro de receitas do minimenininho

maternidade real

A mãe tem um prazo apertadíssimo, que está dando o maior trabalho: não acha fontes; ninguém sabe do assunto; os que sabem não querem falar; há pouca informação disponível em locais confiáveis; o tema é compleeeeexo; ela nunca escreveu sobre isso, de modo que também está aprendendo; muitos interesses em conflito, daí que são zentas versões diferentes e uma jornalista vendida na situação, que precisa escrever uma capa em 3 dias.

O que acontece então? Acontece que a tal maternidade real fica mais real ainda:

1) Mamãe, essa coleira convicta que acha mesmo que lugar de filho é no colimdimamãe, começa a tentar convencer Enzo de que, talvez, colimdimamãe não seja assim tão bom. Filho chora lá no sofá, depois de uns minutos distraído. Mamãe ainda está no começo daquele e-mail importantão que pode definir muito da bagunça em que a apuração se encontra. E aí a cria continua chorando, enquanto mamãe faz força pra ignorar, tentando se concentrar pra terminar a p… do e-mail. Filho chora mais, mamãe tenta dialogar, depois de dar uma espichada de olho e ver que está tudo ok. “Mamãe já vai, espera só mais um pouquinho”. Mais choro. Mais “calma, filho”. Mais mãe tentando se concentrar pra terminar mais rápido. Finito! Mãe termina o e-mail. Olha pro filho, feliz, pra dar a boa notícia. Silêncio. Filho deitadinho no sofá, segurando a naninha, dormiu. Na prática, mamãe fez o que, na teoria, as moças que pensam como ela não deveriam fazer: deixar bebê chorando, sem resposta, até adormecer. Mamãe suspira, triste, ajeita Enzo no sofá pra ele dormir melhor e corre pro notebook aproveitar o tempo, que o tempo “ruge”.

2) Mamãe vai ao freezer pegar papinhas para dar almocinho ao recém-acordado minimenininho, que brinca feliz e contente no carrinho (coisa rara, minhagente, beeeeem rara). Descongela a papinha, dando graças aos céus por ter tido a brilhante ideia de deixar várias prontas congeladas, e começa a servir o bebê. Mas acontece que Enzitolino está muito mais interessado em continuar brincando do que em comer.  Mamãe, em condições normais de temperatura e pressão, não insistiria. Guardaria a papinha por mais alguns minutos e ofereceria depois. Respeitaria a inclinação do guri. Aliás, não teria nem oferecido, já ciente de que a cria estava dando de ombros pra essas necessidades da natureza. Aproveitaria, pois, a tranquilidade para deixar pronta a frutinha da sobremesa. O que a mamãe faz de fato? Insiste. “Ah, Enzo, só mais essa colheradinha, vai”. “Filho, come mais essa”. “Não cospe tudo, está tão gostosa”. “Isso, gargalha mesmo que a mamãe aproveita e bota mais uma colher na sua boca”. Resultado: muxoxo, chororô, 20 minutos de queda de braço, com Enzitolino derrotando mamãe e sua colher cheia de ervilhas-e-beterrabas-e-abóboras-e-espinafres de lavada. Nem metade do potinho foi consumido, Enzo agora está irritado e mamãe, frustrada e atrasada.

3) Todo mundo sabe que não se deve dar mamadeira aos bebês quando eles não querem comida. Mamãe também sabe. Só que mamãe tem pressa. Lembra que Enzo não comeu direito? Pois é, então agora Enzo está com fome. Só que mamãe está atrasada e não pode ficar outros 20 minutos dando comida de novo (lembra que ela, contrariando suas mais sábias determinações, insistiu à beça com o bebê?). Pois eis que ela tem a brilhante ideia de dar a mamadeira. Mamãe prepara em dois minutos, bebê mama em outros cinco minutos. Almoço resolvido. Resolvido? Será? Mamadeira não é almoço, mamãe sabe. E suspira, arrependida. Mas o que está feito, está feito. E mamãe corre pro notebook que o tempo, ah, esse “ruge”.

4) Todo mundo sabe que os bebês devem comer ao menos três porções de frutas por dia. Mamãe também sabe. Acontece que ela não teve tempo de ir comprar frutinhas fresquinhas. Acontece que ela olha na geladeira, esperando pela redenção, e só encontra uma (sim, UMA) ameixa, madura demais. Mamãe analisa a fruta, vira, desvira, cheira, chacoalha, parece boa, parece estragada, deixa pra lá que eu não vou ter coragem de dar isso ao Enzo. Gosto amargo da frustração combinado com o gosto azedo de que p. de mãe eu sou, sabe como? “Ah, não, filho, não tem nem fruta!”, a mãe desabafa, com a cara mais feia do mundo, porque Enzitolino para tudo o que está fazendo e encara a mãe, sério. E mãe devolve o pequeno no sofá e volta pro note, um tanto aliviada de não ter dado nada, porque demoraria ainda mais amassar fruta, botar bebê no cadeirão, botar babador, dar fruta, brincar com Enzo brincando com a fruta, tirar babador, tirar bebê do cadeirão. E aí a mãe se dá conta de que, secretamente, comemora não ter alimentado direito seu filho, deosdoceu! E aí fica triste de novo, mas pega o telefone e liga pro próximo de sua looooonga lista de fontes.

E passa o dia se sentindo a mãe mais porcaria de todas as mães, de todos os mundos, de todos os planetas, de todos os tempos, de todas as galáxias. E quase liga pro marido pra encher o saco dele desabafar. E quase liga pra própria mãe pra encher o saco dela desabafar. E, atrasada, liga pra fonte pra encher o saco dela entrevistar.

Balanço do dia: culpa-materna-nível-máximo MODE ON convicto.

Conclusão inconteste: maternidade real sucks!

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