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“os pássaros” e a primeira resenha do blog

Prometi aqui pelo menos duas resenhas. Uma sobre “Besame Mucho” e outra sobre “A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra“. E faz tempo. Mas quis o “destino” (a.k.a a autora deste post) que eu “estreasse” resenhando um livro infantil, que me arrebatou desde que li sobre ele neste post aqui, da revista Garatujas Fantásticas (não conhece as garatujas? Corre , que é uma revista independente muy bacana e muy linda sobre o universo infantil).

Os Pássaros” é, antes de qualquer coisa, uma sucessão de imagens lindas, carregadas de força poética e lirismo. Ainda que, juntos, não contassem a história que contam, cada desenho de cada página já seria uma narrativa visual intensa, completa e hipnotizante. É difícil deixar de olhar o livro e igualmente difícil é resistir à tentação de arrancar suas páginas, enquadrá-las todas e colocá-las na parede.

divulgação/editora 34

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Sou fascinada por imagens bonitas. E penso que, para um bebê ou uma criança que ainda não lê, a força artística de um livro é a ilustração, é nas ilustras que eles travam o primeiro contato com a arte, tanto a literatura, a narrativa em si, quanto as artes visuais propriamente. A qualidade visual é, hoje, meu primeiro critério para escolher uma obra e oferecê-la ao meu filho. E Albertine, a artista plástica suíça que desenhou lindamente “Os Pássaros”, facilitou enormemente minha escolha.

Além disso, o escritor Germano Zullo (igualmente suíço), que assina o poético texto da obra e que é responsável pela história que as imagens de Albertine contam, desenvolveu uma narrativa singela, simples, mas carregada de múltiplas nuances e diversos significados. É lírica, é forte, é profunda, mas, ao mesmo tempo, é simples e acessível às crianças de qualquer idade. Tenho a impressão de que “Os Pássaros”, por isso mesmo, é aquele tipo de livro que pode ser lido e relido muitas vezes ao longo da vida, pois vai amadurecendo junto com o leitor. A cada releitura, novas perspectivas e novos sentidos.

Já valeria a compra só por essas razões, mas melhora. Quando sentei com Enzo para ler “Os Pássaros” para ele, ontem, fiquei muito surpresa. Ele mesmo foi “adivinhando” o que aconteceria a seguir com o personagem principal, seu caminhão vermelho e o pequeno e solitário pássaro que fica para trás quando a passarada com a qual ele estava alça voo. Primeira vez que isso acontece. Enzo dialoga com seus livros, brinca com eles, cria histórias próprias para cada desenho, “alimenta” e nina os personagens, mas ainda não tinha costurado uma narrativa que fizesse sentido para a obra toda, como fez dessa vez.

Ficou tão envolvido pelas figuras pintadas com guache, em cores vivas e primárias, que até deu nome ao motorista e ao passarinho: Joaquim e Pêto.

divulgação/editora 34

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Para mim, que já havia aprovado “Os Pássaros” desde a resenha da Garatujas e que fiquei ainda mais arrebata quando o vi ao vivo (tanto que trouxe na mesma hora), o prazer e a interação do Enzo com a obra foi o que animou meu dia. Germano Zullo e Albertine fizeram uma mãe duplamente feliz. E alegraram o coração e a imaginação de mais um menininho.

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Serviço:

“Os Pássaros”, de Germano Zullo e Albertine

72 páginas

Editora 34

1ª impressão 2013

R$ 39

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Arquivado em artes, literatura infantojuvenil