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#festa do Enzo: brigadeiro 70% cacau (parte 3)

No post anterior sobre os preparativos para a festa do Enzo, eu contei sobre umas receitinhas alternativas de brigadeiro, especialmente a de brigadeiro 70% cacau, que são mais saudáveis que o tradicional (que leva achocolatado e margarina, abolida aqui de casa, diga-se).

Ontem, finalmente, conseguimos testar uma das receitas. E a conclusão é que é muito fácil e rápida de fazer. Não levou nem 10 minutos pra ficar pronta, e o ponto certo é bem óbvio, o que não gera aquelas dúvidas todas em quem não está acostumado -como nós- com a receita.

Os ingredientes são:

-1 lata de leite condensado

-1 colher das de sopa de cacau em pó (não vale achocolatado nem aqueles chocolates em pó; tem que ser cacau mesmo. O consolo é que já está bem mais fácil de achar; eu comprei num supermercado)

-20 gramas de manteiga sem sal

-50 gramas de chocolate 70% cacau (em geral, as barras desse tipo têm 100 gramas. Pode ser de qualquer marca, mas quanto melhor for a qualidade do chocolate, melhor o sabor do brigadeiro e mais saudável será o doce, pois chocolates melhores costumam ter menos gordura e menos açúcar na composição).

-Confeitos para decorar (pode ser qualquer um, mas sugiro esses aqui, que são os tipo “split”. Se puder ser de marca boa, chocolate meio amargo, tanto melhor).

Daí é só jogar tudo na panela (menos os confeitos, claro), nem precisa derreter o chocolate à parte. Em alguns minutos, cerca de 6 ou 7, o creme já estará bem homogêneo. Mais um pouquinho e começa a desgrudar bem do fundo da panela.Não espere ferver, ok? Daí já pode desligar o fogo, esperar esfriar, enrolar e confeitar.

Na pressa ontem, não enrolamos tudo. Mas já deu pra ter uma ideia de rendimento, o que, pra mim, foi um dos poucos pontos negativos da receita. Vai render, no máximo, mas no máximo mesmo, uns 30 docinhos, o que é relativamente pouco para festa de criança. Claro que não estava esperando fazer uma receita só, mas estou acostumadas com as que rendem entre 45 e 50 unidades. Enfim, conto depois se rendeu mais que isso ou não.

O sabor ficou bem gostoso, descontado nosso grande deslize: esquecemos de comprar manteiga sem sal, usamos a com sal mesmo e, claro, o brigadeiro, bem delicado, acabou ficando meio salgado. Não prejudicou muito, deu pra perceber que vai ficar muito saboroso, mas está meio brochante, confesso.

Já deu pra perceber que sou ótema na cozinha, né?

Ainda falta testar a receita de brigadeiro branco e uma de 70% cacau com creme de leite fresco. Conto e posto as respectivas receitas testadas.

Ah, aqui vai o link de onde tirei a receita de hoje.

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da preocupação materna e do (quase) sobrepeso

Veja só como são as coisas: a mamãe preocupada que o filho come pouco, que deveria comer mais, que a papinha que ela faz não é boa/gostosa/comível, que ela está fazendo alguma coisa errada, que etc etc etc.

Daí tem a consulta mensal com a dra. Pediatra. E Enzo cresceu super bem, percentil 50. Só que engordou “melhor” ainda, percentil 85, o que faz do minimenininho um bebê com… risco de sobrepeso. Conclusão da médica: Enzo come “pouco”, pois tem, literalmente, gordura para queimar. E, no fim das contas, não deve estar comendo tão pouco assim.

O IMC da cria está em 19,9, o que significa quase chegar ao sobrepeso, segundo a tabela da OMS. E o índice veio subindo consistentemente. Aos 3 meses, por exemplo, era só 16,8, ou seja, estava na normalidade. Não sou especialista, mas arrisco algumas razões para isso:

1) Mamadeira 1. O LA é calórico, geralmente mais calórico que o LM. Cada mamadeira com 90 ml tem, em média, 475 calorias. E a cria mama mesmo, sem medo de ser feliz. São 4 ou 5 por dia, de 120 ml a 180 ml cada. Mais um ponto super contra o aleitamento artificial. Se ainda mamasse no peito, certeza que não teria engordado tanto. Não à toa, quando ele ainda mamava mais no peito que na mamadeira, seu IMC era considerado normal. Só ultrapassou a normalidade na medição dos 6 meses, quando Enzo já estava praticamente desmamado.

2) Mamadeira 2. Enzo acostumou a dormir chupetando o peito. Como não mama mais, transferiu o aconchego para o bico da mamadeira, de modo que prefere dormir mamando. Sei que preciso desacostumá-lo disso. Se ainda fosse o seio, ok. Mas a mamadeira nem gera vínculo nem nada, só atrapalha, pois o bebê acaba mamando mais do que precisaria, só pelo hábito. E, aos 8 meses, ele já come outras 5 refeições por dia (2 papinhas e 3 frutas). Tantas mamadeiras dispensáveis, portanto. Faz um tempo que tento dissociar soninhos do dia das mamadas; vou ter que me empenhar mais nisso.

3) Chorou, mamou. Tenho o péssimo hábito (blame on meus ancestrais italianos) de achar que Enzo sempre quer comer. Ele dá uma choradinha mais aguda ou insistente e já saco logo a mamadeira ou a papinha ou uma fruta. Claro que testo outras hipóteses antes de dar de comer, mas tendo a achar que ele sempre está com fome. Não sabia -ainda- que isso estava sendo prejudicial, até porque estava ligeiramente encanada com o suposto pouco apetite da cria. Bom, hora de começar a desvincular comida de choro, pois. Talvez Enzo até esteja mesmo acostumado a se acalmar com a comida. Mas isso não é legal nem do ponto de vista emocional.

4) Excesso de legumes. A dra. Ped acha que estou colocando legumes demais na comida dele. Na papinha de hoje, por exemplo, tem batata, beterraba, abóbora, além do espinafre e da leguminosa (no caso, lentilha). Segundo ela, não são necessários três tipos de legumes por refeição, nem legumes tão calóricos, com tanto carboidrato (da batata eu já conhecia a fama, mas, sinceramente, não tinha ideia de que os outros dois também eram do grupo dos “engordativos”).

Sempre coloco diversos tipos para variar na cor (e nas vitaminas, consequentemente). Prato colorido é mais saudável, sabe como? Acontece que isso é válido do ponto de vista de oferecer vitamina, mas não funciona para evitar calorias. A recomendação da dra. é dar um legume calórico combinado com um de baixíssima caloria (tipo chuchu ou abobrinha) na mesma refeição (mais o cereal, a leguminosa e o vegetal folhoso). No dia seguinte, substituir esse legume calórico por outro de mesmo teor de caloria, mas de cor (vitamina) diferente.

Fez sentido pra mim. E acho que pode ajudar inclusive Enzo a experimentar os alimentos individualmente. Porque eu já estava querendo parar de fazer “papinha” propriamente e começar a dar os alimentos amassados, mas separados. A médica liberou e, com menos legumes na lista, isso será mais fácil. Também estou engrossando a comida aos poucos, seguindo recomendações da Mari (nos coments daqui ó) e da Ped.

O quase sobrepeso não é nada sério, claro.  Quando Enzo começar a gastar mais calorias, engatinhar, andar, vai emagrecer naturalmente. Nem vou encanar com coisa de “regime” pelamor, que não se faz isso com bebês. Mas acho bacana prestar atenção para oferecer alimentação cada vez mais equilibrada e evitar excessos, ainda mais frutos de hábitos ruins.

E nunca é cedo demais para uma dieta que favoreça saúde, bem estar e que vá, desde agora, ensinando Enzo a comer bem. Uma coisa com a qual nós, mães dessa geração, temos de lidar sempre é com um certo “fantasma” da obesidade infantil, infelizmente uma quase epidemia: 15% das crianças são obesas no mundo. No Brasil, índice um pouco menor, 10%. *

* Dados e mais infos daqui, daqui e daqui.

PS: Vou organizar melhor a alimentação do Enzo criando um cardápio semanal, até para dar conta de intercalar esses legumes todos sem que o pequeno perca em variedade. Isso também vai ajudar a variar mais os pratos, que Enzo enjoa facilmente. Pra isso, vou ter de dar uma boa pesquisada nas propriedades (calóricas e vitamínicas) dos alimentos. Quando tiver sistematizado tudo, posto aqui, junto com algumas receitas prometidas.

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Arquivado em livro de receitas do minimenininho, Maternidade

o livro de receitas do minimenininho

Clichê, mas fato:  maternidade muda a gente; muda nossas perspectivas e, por consequência, muda praticamente tudo. Quem me conhece sabe que não cozinho. Adoro comer bem, me interesso por gastronomia (pop), um dos meus sonhos de consumo é completar a coleção de livros do Jamie Oliver (shame on me) e, quando dá tempo, confesso que até assisto aqueles realities de chefs (Top Chef, Master Chef, Batalha dos Cupcakes, Great Food Truck Race, os do Gordon Ramsey…céus!).

Porém, cozinho quase nada. Em geral, quando temos de cozinhar, quem assume a liderança das panelas é o Dri, que faz um ótimo trabalho, diga-se. Claro que me viro bem no trivial; o problema não é falta de habilidade, mas de vontade mesmo. O basicão é chato demais de fazer. Já os pratos mais elaborados, cuja elaboração me atrai mais, bem, nesse caso, boto a culpa na conta do tempo. Confesso, sempre que tenho um tempinho livre, prefiro investi-lo lendo um livro-revista-jornal ou vendo um filme ou tuitando, ou blogando, ou lendo a blogosfera (mamífera e não-mamífera) ou passeando com a família ou bebendo (suco) com pessoas queridas.

Mas eis que ontem me surpreendo comprando um caderno de… receitas! Isso mesmo, daqueles que as avós tinham para anotar receitinhas tipo: “Pudim de leite Moça da Maricota”, “Rosca doce da tia Nena”, “Empadão de frango da Alzira” (as receitas da Vó Mimi sempre tinham algum nome próprio associado. Acho que ela só incorporava ao caderno receitinhas já testadas “pelazamiga”). Só que esse caderno, ao invés de receitas das amigas da minha avó, estará recheado de pratinhos e papinhas e suquinhos do Enzo.

A ideia não surgiu de uma pretensão gastronômica dessa mãe, mas da mais absoluta necessidade de me organizar para dar conta dessa nova fase da vida do bebê. Desorganizada que sou e pouco afeita às panelas, o único jeito de manter alguma lógica na alimentação do Enzo é escrever receitas, dicas, montar cardápios semanais, colocar no papel o peso que cada grupo de alimentos deve ter e, daí em diante, combinar os ingredientes.

Porque, convenhamos, as orientações pediátricas não são lá muito intuitivas. Se, na nossa infância -e nas gerações anteriores- as mães iam introduzindo os sólidos na dieta na base da tentativa e erro e do “bom senso” (sopinhas de legumes, arrozinho-e-feijãozinho batidos no liquidificador, caldinho de carne), hoje é quase preciso fazer um minicurso de nutrição para iniciar a alimentação dos pequenos.

Por exemplo: a recomendação da pediatra do Enzo, que é uma fofa e tenta sempre “traduzir” o “mediquês” para mim, é: desde sempre, oferecer uma dieta equilibrada. Nada de evitar esse ou aquele grupo de alimentos. Então, as papinhas seriam compostas sempre por um sem-número de combinações entre cereais, carnes (proteína animal), tubérculos, leguminosas (proteína vegetal) e folhas verdes. Só que as mudanças nas combinações desses ingredientes devem ser feitas um a um. Não dá para trocar couve por escarola e arroz por quinoa na mesma papinha. Como eu, a desorganizada que não gosta de cozinhar, vai dar conta disso tudo a contento se não for com um livrinho bem feito de receitas à tira-colo?

É assim que está surgindo, aos poucos, o livro de receitas do meu “minimenininho”. Porque, agora que vai comer sólidos, acho que posso promover o Enzo de bebê para minimenino, né? É um passo importante na evolução dos pimpolhos começar a se alimentar de outras fontes que não a mãe. Já li diversas vezes, dita por pessoas diferentes, uma expressão que afirma mais ou menos que o corpo dos bebês não os proveem de tudo o que eles precisam, restando ao corpo da mãe a tarefa de complementar o filho em necessidades tão básicas quanto comer, dormir, se mover, controlar as emoções etc. Acho genial essa definição de quanto bebês e mamães são um só. Assim como acho que o início desse “desligamento” e dessa “individuação” é uma etapa importantíssima para nós e para eles. Começar a comer -ao invés de basicamente se alimentar do que a mãe produz ou mesmo de LA- é um passo nessa direção, dentre tantos que Enzo já está dando (nessa fase, eles começam a perceber também que não SÃO a mãe. Enzitolino tem ficado carente, carente…).

Estou pesquisando e inventando receitas de papinhas que vou compartilhar aqui no blog, depois de devidamente testadas e aprovadas (critérios para entrarem definitivamente no livro de receitas). Tive muita dificuldade para achar receitas factíveis, especialmente para as primeiras refeições salgadas. O que se encontra por aí são papinhas tão elaboradas e carregadas de ingredientes “pesados” (fígado, por exemplo) que o bom senso pisca aquele sinal de alerta que talvez seja melhor não começar a alimentar um bebê com esse tipo de alimento.

Acho que a primeira dica que posso dar, antes mesmo de uma receita, são de algumas leituras interessantes, para não dizer obrigatórias, que estão servindo para mim como um manual, uma espécie de carta de navegação.

1-) Aqui tem a cartilha 10 Passos para a Alimentação Saudável para Menores de Dois Anos. É de 2010, foi elaborada pelo Ministério da Saúde e pela IBFAN Brasil, uma rede internacional pelo direito de amamentar. Também leva o selo da Organização Pan-Americana da Saúde e segue diretrizes da OMS.

Graficamente bem organizada, é fácil de consultar e tem informações bem básicas, mas muito úteis na hora do perrengue que é definir cardápio, decidir quando e como dar carnes, que legumes usar, se repete ou não legumes e papinhas, se insiste ou não se o bebê não quiser, qual importância da alimentação e do leite na dieta dos pequenos e aquela longa lista de etc que as mammas sabemos.

Também fala de coisas um tantinho mais complexas, como experimentar ou não doces e industrializados, mesmo os mais “saudáveis”, como iogurtes. Segundo a cartilha, não se deve deixar crianças nessa faixa etária experimentarem esse tipo de produtos. Parece óbvio, mas eu mesma já fui instada por um bocado de gente a deixar Enzo experimentar um “pedacinho” disso e daquilo para ele não “passar vontade” (como se ele soubesse o gosto que essas coisas têm). E mais: açúcar e doces só depois de um ano, NO MÍNIMO.

E recomenda que, a partir dos seis meses, a mãe sempre ofereça ao bebê água tratada, filtrada e fervida.

2-) Para quem quiser aprofundar mais e entender de onde vem a cartilha e ainda ter acesso a algumas informações mais, digamos, científicas (com bibliografia e tudo o mais), vale a pena dar uma olhadinha nesse link aqui, que é do Guia Alimentar para Crianças Menores de Dois Anos. O que eu tenho foi editado em 2002, também pelo Ministério da Saúde e pela Organização Pan-Americana da Saúde. É basicamente o mesmo material, só que voltado a profissionais de saúde, portanto mais “técnico”, menos superficial.

Por isso, tem algumas informações bastante importantes que o Manual não tem: quantidade ideal de calorias/dia para os bebês e crianças, de quais fontes essas calorias devem vir, tabelas nutricionais, além de recomendações que, pelo menos para mim, eram desconhecidas. Exemplo? Suco de frutas ou de vegetais e sopas são “refeições” desaconselhadas, pois não conseguem suprir o neném das calorias necessárias. Não que seja proibido dar suco, por exemplo, mas não pode substituir almoço ou jantar.

3-) E para quem amamenta exclusivamente no peito, também recomendo a leitura deste texto do pediatra espanhol Carlos Gonzalez, que a blogosfera mamífera já conhece- ama- idolatra (e com razão), portanto, dispensa apresentações. Trata-se de um trecho de um dos livros do Gonzalez, publicado no blog Família Nesguinha, da Gab, que descobri procurando orientações para introdução de sólidos na dieta do Enzo. Gostei muito tanto do trecho que ela selecionou para publicar quanto do blog.

Encontrei, ainda, algumas dicas de receitas que estão na fila para serem testadas aqui em casa nesse endereço aqui. Reforço que ainda não testei nenhuma delas, mas a primeirinha deve ser feita em breve, só que com carne de frango.

E, só para não passar em branco, recomendo, claro, que qualquer dieta seja baseada nas orientações do pediatra. Se o pediatra do seu filho dá orientações diferentes das receitas que se encontra aqui e ali, melhor checar com ele se é possível dar mesmo aqueles ingredientes ao bebê. O mesmo vale para as cartilhas. São orientações gerais, que podem não servir para alguns casos específicos. Eu mesma, por exemplo, ainda não pretendo dar carne para o Enzo, (longa lista de razões que explico depois, prometo) embora a cartilha me autorize e incentive a fazer isso.

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