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o choro e a chuva

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–Não, mamãe, ele não chorou porque já é adulto, e adultos não choram.

–Por que você acha isso?

–Porque adultos já aprenderam que, se não der pra fazer, têm que tentar fazer de novo até acertar.

–Bom, adultos talvez não fiquem frustrados por não conseguir destampar um pote, mas ficam por outros motivos. Se para criança abir uma tampa é difícil, para um adulto pode ser igualmente difícil realizar um trabalho, por exemplo. E aí adultos choram.

–Mas adultos já sabem. Não precisam chorar. Só bebês e crianças choram. Porque eles não sabem.

–Adultos não sabem tudo. E choram muito também.

–Não choram nada. Porque eu não quero que os adultos chorem.

–Você ficaria com medo se eles chorassem? Se sentiria assustado? Desprotegido?

–Com medo. “Despotregido”.

–Você acha que chorar é uma coisa feia ou errada? Ou que quem chora é frágil? Que adultos que choram não podem te proteger?

–Não sei. As mães às vezes falam que a gente não pode chorar. Não querem que a gente chore.

{Eu, a mãe em questão, quase choro, ali, bem na frente dele, bem na hora}

–É que os adultos –e as mães– erram, filho. Erram muito, erram feio. E falam muita bobagem, como isso.

******

Peguei ele no colo, coloquei bem do meu lado na cama, olhei bem nos seus olhinhos brilhantes e confusos. Ficamos um bom tempo assim, só eu e ele. E então foi que pensei na chuva. E no choro. No choro como chuva, como uma descarga elétrica emocional tão necessária para aliviar nossos sentires quanto a chuva o é pra água aliviar-se cá pra baixo.

–Sabe quando a nuvem fica cinza escura e você diz que está cheia de chuva?

–Ã-hã.

–O que acontece quando a nuvem está bem bem bem cinza e bem bem pesada?

–Chove.

–Chove o quê?

–Água, ué.

–É igual o choro.

Ele me olhou e sorriu, interessado. Curioso.

–Quando você está triste ou frustrado ou com raiva, você se sente mal?

–Ã-hã.

–Parece que tem assim uma coisa meio desconfortável crescendo bem no meio da sua barriga?

–Parece. Eu sinto mal.

–Essa coisa é como se fosse uma nuvem, que vai enchendo, enchendo, enchendo dessas sensações até ficar cinza bem escuro, como a nuvem. Aí precisa chover. E aí você chove.

–Aí eu choro?

–Isso, querido, aí você chora. Quando a nuvem estiver cinza, chore.

Ele sorriu, pediu pra dormir abraçadinho e dormiu.

******

E eu perdi o sono. Quando é que passamos a ser tão babacas? Quando é que passamos, assim, definitivamente, a não acolher mais nada nem ninguém? A ignorar o que há de mais puro, mais belo e mais genuíno? Quando é que passamos a tirar dos filhos o direito de chorar –e não apenas de expressar emoções, mas principalmente de extravasar esses sentimentos? São cri-an-ças. Crianças lidando com um mundão de sensações novas e assustadoras. E não podem sequer chorar. Por que nós, os “adultos” supostamente maduros, não aguentamos um pitizinho. Ta-que-pa-riu!

Choram porque não abriram sozinhas a tampa da tinta guache. Sim! Com todo o direito e toda a razão do mundo. Porque é foda ser criança, ser pequeno, sentir-se indefeso e dependente e não conseguir sequer destarrachar uma porra duma tampinha ridícula. São crianças, mas não idiotas. Sabem-se crianças. Sabem-se limitados pacas em muitas coisas que gostariam de fazer. E foda-se que temos pressa e achamos que chorar pela tampa não-aberta é frescura. Frescura é a nossa, que reclamamos –como o bando de adultos mimados que na verdade somos– por ter de lidar com o sentimento de frustração tão genuíno quando, do alto da nossa “importância”, sequer conseguimos ser empáticos com a dificuldade sincera dos nossos filhos.

Pior que não abrir uma tampinha de guache sozinho –coisa pra qual uma criança pequena realmente ainda não tem força e habilidade suficientes– é essa sensação de ter força e habilidade, mas mesmo assim não fazer. Por cegueira. Por preguiça. Por adultismo.

Quanto de abandono e repressão ainda seremos capazes de impor? Quão babacas ainda seremos? Por quanto tempo? Quanto choro nosso foi brutalmente reprimido quando éramos crianças? Quando finalmente cresceremos e nos tornaremos adultos a ponto de acolher as crianças –as que fomos, as que somos e as que geramos?

Vou lá ver a lua –dizem que está linda– que aqui dentro agora chove um bocado.

(*) “Rain”, de Dario Moschetta, veio daqui.

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o momento especial

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Recentemente, fiz um curso para aumentar a conexão e melhorar a relação com meu filho, organizado pelo Marcelo Michelsohn e baseado em princípios de “parenting by conection” (dê uma olhada no site da organização Hand in Hand Parenting, da Patty Wipfler) e de educação ativa (Margarita Valencia, Rebeca Wild e a experiência no Pestalozzi do Equador).

Marcelo é “pai ativo” há alguns anos e está reorganizando novamente a vida profissional para compartilhar suas experiências e aprendizados com outros pais e –principalmente– para estar mais presente na vida dos dois filhos pequenos. Fiz uma entrevista recente com ele, publicada no Mamatraca, que pode ser lida aqui ó.

Optei pelo curso –depois de virar leitora assídua do blog do Marcelo– principalmente porque a “fase da birra” é mesmo extenuante emocionalmente (para os filhos principalmente, sejamos sinceras, mas nós sucumbimos primeiro, afinal nunca nos ensinaram a lidar com nossas próprias emoções), e eu estava me tornando a mãe que se afasta ou a mãe que chilica, ambas opostas à mãe que desejo ser e que meu filho merece -e de que precisa.

Curso ótimo, me ensinou muito sobre as crianças, sobre como lidam com sentimentos, sobre como evidenciam nós que os adultos ainda precisamos resolver em nossas próprias bases emocionais e padrões mentais, sobre como se comunicam e sobre do que precisam. 

Plus é que Marcelo dá diversas referências para quem quiser se aprofundar. Já assisti a um webnário da Patty Wipfler e estou lendo –com muito entusiasmo, porque é ótimo– o “Etapas del desarrollo” (estapas do desenvolvimento) da Rebecca Wild. Vai virar uma resenha pro blog, mas, desde já, recomendo.

Dentre muitas práticas cotidianas que Marcelo apresenta e sugere que usemos na relação com nossos filhos, há uma chamada “Momento Especial“, que consiste em oferecer aos filhos (a um deles de cada vez) algum tempo diário de atenção exclusiva, de forma presente e entusiasmada, vivendo, de fato, o presente (quem leu Laura Gutman ou Carlos González vai se lembrar de que eles sugerem coisas do tipo também). Nesse momento, vale fazer qualquer coisa que o filho queira. Ele manda na pauta.

Não há exatamente um objetivo com essa ação, faz-se pelo processo: estar com os filhos, demonstrar interesse genuíno, compartilhar momentos importantes, conectar-se. No entanto, arrisco que há –digamos– efeitos colaterais, tais como aproximar pais e filhos, aumentar a intimidade, a confiança, a compreensão, a comunicação.

Comecei a fazer isso com o meu filho há cerca de dois meses e quero relatar o que aconteceu já na minha primeira experiência, porque foi muito surpreendente e revelador.

………………………….

Faz um tempo que percebi que quando começamos bem o dia, tendo estado juntos de fato ao acordar, as coisas fluem muito mais facilmente ao longo do dia, tanto pra mim quanto pro filho. Então resolvi ir por esse caminho e oferecer um tempo só pra ele, logo cedo.

Expliquei a ele que teríamos quinze minutos pra fazer qualquer coisa que ele quisesse. O primeiro pedido: “vamos sair!” Argumentei que não daria tempo, que ele escolhesse algo para fazermos em casa. “Ler o ‘Livro da Chuva’”(**), pediu. Sentamos no sofá e imediatamente ele mudou de ideia: “Mamãe, quélo pintar o sofá com giz pastel”.

Isso veio à tona porque ele havia ganhado o giz pastel dois dias antes, quis desenhar no sofá assim que abriu a embalagem,  não deixei. Na hora em que neguei, ficou bravo, jogou vários longe, mas não chorou.

No dia dessa primeira experiência de Momento Especial, novamente trouxe essa proposta, respondi que usamos apenas papel para pintar. Sugeri colocarmos as folhas sobre o sofá. Ele saiu bravo.  Mas não chorou. Insisti no limite. Se fechou no meu quarto, me mandou embora, mas não chorou. Agachei e fique do lado de fora, porta encostada, falando que ficaria ali esperando por ele. Baixou a guarda, abriu a porta, sentou no meu colo. Quis saber por que não poderia pintar com giz no sofá. Não falei muito (hoje sei que explicar não é tão bacana para crianças pequenas), mas expliquei. Ele se satisfez, voltou pro sofá querendo novamente ler o “Livro da Chuva”.

Zerei o cronômetro e resolvi recomeçar o Momento Especial. Pegamos o livro e li duas ou três vezes, conforme ele foi pedindo “mais”. Na hora em que anunciei que teria de levantar para terminar o meu café e para começar minhas tarefas do dia, ele, contrariado, reparou no barulho do chuveiro (marido estava tomando banho para sair) e começou o diálogo inesperado:

“Ah, mamãe, não! O papai está tomando banho! Não quélo que ele tome banho!”

Antes do curso, talvez eu tomasse isso como um pedido deslocado ou achasse simplesmente que ele implicou com o chuveiro ou com o banho ou com o pai sem motivo aparente. Talvez achasse que implicou com qualquer coisa para tentar “atrasar” a retomada das minhas tarefas. Talvez eu ficasse intimamente irritada. Não que fosse deixá-lo falando sozinho, mas certeza que não continuaria o diálogo tão tranquila e tão presente quanto fiz nessa ocasião.

“Por que não, filho?”

“Por que ele vai trabalhar! Não quélo que ele trabalhe!”

“Você sente falta do papai durante o dia?”

“É!”, disse, quase chorando.

“Queria que ele ficasse em casa?”

“É.”

“O que você gostaria de fazer com ele se ele pudesse ficar?”

“Brincar de ‘papai bagunçou’” (é uma brincadeira só deles. Eles vão pro meu quarto, geralmente quando Dri chega à noite, e bagunçam tudo enquanto fingem arrumar minha cama. Fazia muito tempo que não brincavam disso, retomaram justamente duas noites antes do Momento Especial).

………………………….

Foi assim, sem mais nem menos, que meu filho verbalizou a saudade que sente do pai, coisa que nunca fez. Foi assim também que deixou entrever como sentiu falta do pai nesse período em que eles pararam a brincadeira (ficaram uns bons meses sem brincar de “papai bagunçou”).  A gente vinha reparando que Dri e ele estavam se afastando. E por isso resolvemos retomar a brincadeira noturna diariamente. Mas não imaginei que o efeito “reconectador” fosse tão imediato, que o “papai bagunçou” fosse assim tão importante para a relação deles.

E só fiquei sabendo disso porque, surpreendentemente pra mim, logo no primeiro Momento Especial, Enzo já se sentiu à vontade para dividir esses sentimentos. E fui para esse encontro com ele sem expectativa de coisa nenhuma. Não esperava nem que a gente realmente conseguisse fazer um momento relaxado e verdadeiramente especial logo na primeira tentativa. Porque parece meio óbvio que as crianças precisam desses momentos de dedicação exclusiva e entusiasmada. Mas dificilmente a gente consegue fazer isso normalmente. A gente se dedica pacas aos filhos, mas, em geral, fazendo outra coisa, como trabalhar pra pagar a escola, preparar o almoço, dar um banho, fazer as compras de alimentos etc.

Num dos trechos que mais me marcaram em “A maternidade e o encontro com a própria sombra“, da Gutman, ela desafia os pais a: 1) lembrarem quando foi que conseguiram passar ao menos 15 minutos dedicando-se integralmente e entusiasmadamente aos filhos, sendo companhia pra eles e 2) passarem esses 15 minutos, ao menos, diariamente com os pequenos. Foi a primeira vez –quando li esse trecho– que me dei conta que estar presente é muito diferente de ser presente, de oferecer presença, de fazer-se presente do ponto de vista da criança.

O que ficou muito claro dessa experiência inicial do Momento Especial pra mim é que as crianças sabem perfeitamente como se comunicar, como se expressar. Precisam apenas sentir que há ouvidos. E essa segurança, essa sensação, está diretamente ligada ao vínculo, à conexão, à qualidade da relação em cada momento. A criança precisa sentir que está amparada pra abrir o coração (como todos nós, aliás). E essa abertura não se dá num momento pré-determinado, como muitas vezes com adultos, mas no momento em que a criança sente a conexão mais potente. Por exemplo depois de uma entrega mater/paterna genuína, integral, entusiasmada, como é o caso do que se faz no Momento Especial.

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(*) A imagem vem daqui (loja do Etsy) e é uma aquarela da artista israelense Liz Kapiloto.

(**) “Livro da Chuva” é como meu filho chama o “Poesia na Varanda“, de Sonia Junqueira e Flavio Fargas.

 

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com colo também se anda

Daí que desde antes do Enzo nascer, sou gentilmente (quase sempre) bombardeada com “sugestões” provavelmente bem intencionadas sobre como não devo proceder com meu filho. No topo da lista de proibições, claro, o colo, esse vilão. Começou com a GO, que teimava em me “ensinar”, em quase todas as consultas, como eu deveria educar o bebê em gestação. Pegar no colo não era uma das formas de ter um filho educadinho, segundo ela.

Depois, ainda com Enzo na barriga, amigos, parentes e até passantes desconhecidos na rua fizeram questão de dar sua contribuição. Enzo nasceu, a pressão aumentou e foi num crescente conforme as pessoas perceberam que eu dava -e dou- colo sim. Muito colo. Colo à vontade, o que significa que Enzítolo passava e passa boa parte do dia de carona na mamãe aqui.

Os conselheiros oscilavam entre os que tinha dó de mim e queriam me ajudar a “domar” meu pequeno tiraninho (“é só dizer não. Ele vai chorar um pouquinho, depois passa”) e aqueles que me julgavam má mãe (“dizer não é sinônimo de amor, é sua responsabilidade”).

Parece que todo mundo se indignava com minha disposição de dar colo e com minha indisposição de dar ouvidos aos pitacos, avisos e ameaças.

-Esse menino vai ficar mimado demais!

-Esse menino não vai te respeitar!

-Esse menino não vai ter limites!

-Esse menino viciou em colo!

-Esse menino deveria estar mais independente de você!

-Esse menino já deveria estar engatinhando (ãhã!) e só não engatinha porque você não deixa ele livre (ãhã!).

Lançando mão de toda a paciência com a qual eu fui contemplada, dava sorrisinhos e dizia: quando ele se sentir mais autônomo e quiser explorar mais o mundo, vai naturalmente se desinteressando no meu colo. Fiquem sossegados.

Era a minha forma polida de dizer: gentes, meu filho e eu sabemos o que é melhor pra nós. Dou de ombros se você acha que colo não se dá. O meu é do Enzo sempre que ele quiser. Sorry se eu não faço parte dessa confraria que acha que mãe não pode dar colo a filho, que colo estraga. O que estraga mesmo é falta de amor. Não tenho a menor pressa pra que Enzo ande, ele vai levar o tempo dele, sacou?

Não dizia nada disso porque é inútil. E também porque o que interessava mesmo é que eu sabia que, quando chegasse o momento ideal para o Enzo -não para os outros- ele mesmo procuraria sua autonomia física.

Pois bem, meu minimenininho já é um bípede! Se locomove bem apoiando-se nos móveis e no sofá e anda um bocado segurando nas minhas mãos. Ainda não engatinha, nem sei se vai pular essa fase (eu pulei). Não que eu ache adequado saltar etapas. Pelo contrário, mesmo andando, tento estimulá-lo a engatinhar também, pois é importante para o equilíbrio e até para o desenvolvimento da leitura (parece que engatinhar estimula áreas do cérebro que serão requisitadas durante o processo de alfabetização). Mas o moço gosta mesmo é de andar.

E, mesmo com todo o colo que teve e ainda tem, ele mesmo, como eu dizia, começou a se interessar em outras coisas, passou a querer menos colo e a valorizar seus momentos livres, nos quais treina seu andar e sente-se autônomo para ir onde quiser. Não é lindo ver e participar disso? Não é lindo saber que é possível estimular o desenvolvimento dos pequenos sem, no entanto, negar-lhes o carinho, a proteção e a segurança de que necessitam?

Enzo ama colo. Ama contato. Brinca, anda, se diverte, mas sempre comigo por perto. E faço questão de estar fisicamente próxima, sem carrinho, sem cercadinho, sem nenhuma barreira entre nós, pois sei que isso faz meu filho mais feliz, mais seguro, mais pronto para dar seus passinhos, literais e figurados.

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teste de violência obstétrica – dia internacional da mulher – blogagem coletiva

Será que blogagem coletiva com um dia de atraso vale? Tomara que sim, pois ontem não deu tempo de terminar o post, e é um tema sobre o qual venho querendo escrever faz tempo. Quem chamou a blogagem foram os blogs Cientista Que Virou Mãe, Parto do Princípio e Mamíferas e, entre os objetivos, a ideia é debater o assunto e divulgar o teste de violência obstétrica, que pode ser respondido anonimamente aqui.

Vou começar contando minha experiência. Acho que o que eu vivi pode jogar luz sobre um aspecto da violência obstétrica que fica, por vezes, esquecido, que é a violência sofrida não no parto em si, mas ao longo do pré-natal e da gestação. Em geral, é também uma violência mais difícil de combater, pois mais sutil, concretizada por palavras, conceitos e manipulação.

Minha GO é cesarista. Ponto. Notei isso mais ou menos na metade da gestação, conforme ia lendo e aprendendo coisas -aqui na blogosfera, principalmente. As informações que eu encontrava, inclusive em sites da OMS e da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) não batiam com “diagnósticos” feitos pela GO. Tive a confirmação da preferência dela pela cesárea quando li isso aqui, ótimo texto do Parto do Princípio mostrando mitos e fatos sobre PN.

E o que faz um GO cesarista, além de tentar forçar uma cesárea na “hora H”? Passa toda a gestação da paciente tentando convencê-la de que a cesárea é melhor, muito melhor, que um parto normal, especialmente se for uma cesárea eletiva.

ABRE PARÊNTESE: Não sou melhor do que ninguém, nem estou aqui para vomitar minhas verdades. Cada um é dono de si e sabe o que faz. Portanto, sem julgamentos -mesmo- e com todo o respeito a quem faz eletiva, digo que cesárea marcada sempre esteve completamente fora de cogitação para mim. Acho um desrespeito profundo ao bebê “nascê-lo” com data e hora marcada, quando ele obviamente ainda não está pronto para isso. Se estivesse, teria nascido. Ponto. De todas as ideias relativas a parto e maternidade que “viraram moda” nos últimos anos, acho que essa é a mais nociva e fútil de todas. É uma violência fazer um bebê nascer à força, é começar a vida nesse mundo de meodeos sendo desrespeitado em seu direito mais básico. FECHA PARÊNTESE.

Voltando às tentativas de convencimento, foi exatamente o que minha GO fez comigo, ao longo das 36 semanas de gestação (sim, Enzo nasceu pré-termo). Desde o começo, deixei claro que queria PN. Nunca duvidei da minha capacidade de parir meu filho, minha mãe teve PN, minha avó teve PN, cresci ouvindo relatos de PN e sempre achei PN a coisa mais natural do mundo quando se pensa em parir um bebê (e acontece que é, né?, a coisa mais natural do mundo…). E as cesáreas que presenciei de perto sempre me pareceram dolorosas, recuperação difícil, aquela coisa de cirurgia. De modo que disse à GO na primeira consulta que queria PN, sem discussão.

Acontece que, na 14ª semana, o ultrassom indicou que minha placenta estava “baixa”. A ultrassonografista, médica, não se preocupou, explicou que até a 20ª semana ainda tinha tempo para “subir”, que não era nada preocupante. Mas a GO cesarista já me “diagnosticou” com placenta prévia (que só é diagnosticada assim depois de 20 ou 25 semanas) e tascou um “ó, não vai dar pra ser normal, porque você TEM placenta prévia”.

Para azar dela -e sorte minha-, no ultrassom seguinte, com 18 para 19 semanas, a placenta já estava normal. Só que ela continuou tratando a coisa como se eu fosse ter cesárea. Tive de lembrá-la de que meu parto seria normal algumas vezes durante a consulta.

Pensa que ela desistiu? Nada! Passado um tempo, ela “encontrou” outro “problema”: Enzo ainda não teria virado, nem se encaixado na posição de nascer. Que que ela me sugere, com calendário na mão? “Vamos marcar a cesárea, já que não vai rolar normal”? Agora me pergunta quantas semanas de gravidez: 22, 23. Que bebê PRECISA ter virado e estar encaixado para nascer com 22 semanas?? Devolvi essa pergunta para ela e reforcei: será normal, nada de marcar coisa nenhuma.

A terceira tentativa veio quando, às 30 semanas, eu me autodiagnostiquei com colestase gestacional. Sim, porque por ela eu estava só com alergia por ter comido três rodelas de abacaxi uns 15 dias antes dos sintomas (coceiras pelo corpo) começarem. A colestase é uma doença que pode surgir na gravidez, ninguém sabe ao certo porque, e consiste numa deficiência do fígado de excretar corretamente a bile, que se acumula no sangue gerando uma coceira dos infernos pelo corpo inteiro. Eu simplesmente não conseguia dormir e, mesmo no inverno, tomava banho frio na madrugada.

Em geral, a colestase é benigna, mas pode diminuir a concentração de vitamina K no sangue, que ajuda na coagulação. Grávidas com essa doença precisam acompanhar direitinho a evolução dela, pois, a partir de um determinado ponto, pode levar à hemorragia no parto. Para as que chegam nesse estágio, antes de parir é preciso tomar injeções de vitamina K, que serão reforçadas logo após o nascimento do bebê.

Enfim, achei estranho o diagnóstico de alergia, pesquise e encontrei essa doença no google. Sintomas batiam com os meus e por minha conta procurei um gastro; por minha conta pedi a ele os exames que medem as taxas de bile no sangue e por minha conta levei a ela, que DESCONHECIA a tal colestase (ok, é rara. Zero vírgula zero nada de mulheres têm, mas se eu achei…). Daí que quando ela soube do diagnóstico, tascou um “vai ter que ser cesárea”. Mas até dois segundos antes, ela NEM SABIA que isso existia, deosdoceu! Como é que no segundo seguinte já sabia que impediria o PN? Claro que não impede, só para registrar.

E, dali em diante, em toda consulta, ela fazia questão de tentar me convencer a agendar a data da cesárea, mesmo eu dizendo que queria normal. E ela: “mas escolhe, só pro caso”. Só pro caso de quê? A verdade é que ela ficou morrendo de medo da “doença desconhecida” e queria adiantar o parto do Enzo, numa cesárea eletiva, claro. A pressão era tamanha que eu cheguei a procurar outras GOs, já quase parindo. O problema é que não achei nenhuma em quem confiasse para trocar naquela altura dos acontecimentos. E por pior que fosse o jeito da minha GO de conduzir a situação, eu confiava nela tecnicamente, ela é minha gineco desde os 14 anos, enfim… Fiquei com medo de mudar e me arrepender.

Eu já estava suficientemente estressada por estar lidando com uma doença raríssima, que eu desconhecia, que me dava um incômodo horrível e ainda atrapalhava meu sono (só coça à noite, a porcaria da colestase). Tive medo, claro, de evoluir a ponto de prejudicar minha absorção de vitamina K, tive muito medo do parto. E a GO, para me “tranquilizar”, depois que leu sobre a doença, toda hora fazia questão de dizer que o fígado é órgão mais importante do corpo segundo a medicina chinesa, que eu tomasse cuidado, que era sério o que eu tinha, que era melhor fazer o parto logo e blá blá blá.

Claro que a responsabilidade não é só da GO e de sua pressão dos infernos, mas não tenho dúvidas de que ela contribuiu e muito para o resultado: minha pressão arterial começou a subir consistentemente a partir da 32ª semana. Eu, que sempre tive pressão 11 x 8, 10 x 7, não conseguia mais abaixar de 14 x 10.  No dia em que pari, minha pressão estava a 22 x 18, não tinha mais nada de líquido amniótico, havia risco de sofrimento fetal e risco de eclâmpsia (para mim). Eu entrei em trabalho de parto, o que foi ótimo, tive até dilatação de 8 centímetros, mas não pudemos esperar a natureza agir por causa das condições gerais apontadas acima. A cesárea, afinal, foi necessária. E é ótimo que exista a cesárea quando há necessidade dela. Não sou contra cesáreas a priori, elas salvam vidas. Mas só quando são NECESSÁRIAS.

Mas me pergunto: a minha teria mesmo sido necessária se a GO não pressionasse tanto desde o começo? Se não me assustasse tanto quando soube da colestase? Se não fosse cesarista? Se fosse entusiasta do parto normal? Porque risco por risco, há bem menos no normal, inclusive de hemorragias. Ali, na hora, foi necessária, mas teríamos chegado a esse estado de coisas se a condução do pré-natal tivesse sido diferente?

Claro que o que aconteceu comigo é um nada perto da violência obstétrica pela qual passam diversas mulheres, é nada perto de relatos sofridos de maus tratos, de abandono, de imperícia e de cesáreas totalmente desnece(s)áres, feitas totalmente contra a vontade das mães. Mas achei que valia relatar, pois sei que isso acontece em diversos consultórios por aí, sei que muitas mães são manipuladas para “escolher” cesáreas ao invés de PNs, são estimuladas a agendar cesáreas, sob o argumento (que eu ouvi várias vezes) de que depois das 38 semanas “tudo bem nascer a qualquer hora”.

No curso de pais que Dri e eu fizemos, só eu e mais umas três ou quatro mães -de uma sala lotada- queriam parto normal. Por que será? A que tipo de informações erradas as gestantes são submetidas para temerem o PN e acharem a cesárea melhor? Mentir, manipular, submeter não são formas de violência? Acho que sim, e são sutis, difíceis de serem percebidas. E é a esse tipo de violência que várias mães da nossa geração são submetidas antes e durante a gravidez, culminando nesses números ridículos de cesáreas no Brasil.

Minha GO dizia que cesárea era mais segura. Uma ova. Cesárea é uma cirurgia abdominal de alta complexidade, 7 camadas são laceradas, há mais risco de hemorragia e a recuperação é um outro parto, de tão chatinha, arriscada e complicada. O grande “barato” da cesárea é que o médico leva 20 minutos numa, ao passo que levaria até 12 horas num parto normal. Faz as contas de quanto ele ganha (em dinheiro) e economiza (em tempo) fazendo a cirurgia ao invés do procedimento natural.

Meia hora depois da minha cesárea, a GO estava flanando por aí, ou atendendo alguém, ou fazendo outra cesárea. E Enzo estava num bercinho aquecido, chorando sozinho. Por quê? Porque eu estava sem meu filho, imóvel, dopada, cheia de coceiras, com a pressão a 17 x alguma coisa, largada numa sala sozinha esperando passar o efeito da analgesia. Quatro horas depois da minha cesárea, a GO já poderia ter feito, sei lá, outras 4 cirurgias. Mas eu continuava dopada, pressão alta, coceira, largada sozinha. E pior,  sem nem ter conhecido meu filho, que continuava chorando sozinho num bercinho aquecido, vendido pelas maternidades como luxo tecnológico.

Só que eles esquecem que levaram 5 mil anos de civilização para fazer uma droga dum bercinho aquecido para “regular” a temperatura do RN aqui fora. Mas o colo, que faz as mesmas funções e ainda é amor, afago, acalento, sossego, segurança, faz isso desde sempre. Foram 5 mil anos pra imitar mal e porcamente o colo humano, do qual Enzo foi privado nas suas primeiras horas. E foi privado de mamar logo de cara, foi privado da mãe. E  por quê? Por causa da porcaria da cesárea, por causa da porcaria da pressão (arterial, da GO, da doença).

Enfim, tudo pra dizer que considero a pressão por cesárea e essa epidemia de cesáreas uma violência -contra a mãe e contra o bebê-, especialmente cesáreas agendadas, que são ainda mais violentas com os bebês. E tudo pra dizer que ainda há muito o que conquistar para as mulheres, incluindo o direito de parir direito.

Sou feminista, de modo que tudo o que tenho pra dizer sobre direitos e mulheres rende vários posts (farei um dia), mas só desejo que as moças parem de lamentar que o feminismo “acabou” com a “feminilidade” (já ouvi de várias), ou que acabou com as “gentilezas” (tipo um sujeito abrir a porta pra você) e abram os olhos para quanta violência ainda existe. Obstétrica, doméstica, sexual. Violência física e psicológica. Violência da submissão física ao macho (como o estupro), mas também violência da submissão psicológica, intelectual, financeira que muitas vezes é imposta. Violência do controle do corpo da mulher por outrem (vide valorização da virgindade, valorização de um certo padrão de beleza, como se fôssemos todas um bando de bonecas infláveis), violência do controle de nossas escolhas. E tem gente que ainda acha que gentileza é abrir porta de carro. Não, obrigada, a porta eu mesma abro, sou capaz disso também. A gentileza que quero é respeito e igualdade de direitos e de deveres.

Para quem quiser, acho bem bacana o teste de violência obstétrica. Eu deveria ter pedido informações para a Ligia Sena, do Cientista Que Virou Mãe, para inserir o formulário por aqui, mas não fiz por absoluta falta de tempo, de modo que sugiro que o teste seja feito lá na página da Ligia por enquanto. Pois, de qualquer maneira, vou pedir pra ela e depois insiro aqui.

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não gosto de manha, a palavra

Não gosto da palavra manha. Não acredito nela, não uso. Meu problema com a palavra começa em seu pressuposto: o bebê só precisa de alguns tipos de cuidados. Portanto, se chorar querendo qualquer outra coisa, é “manha”, é um “choro sem motivo”.

No senso comum, em se tratando de bebês, manha equivale a manipulação, a chorar à toa com intenção de manipular os pais para obter deles algum benefício a que o bebê não tem direito -ou que não é “bom” para ele. Significa exagerar uma emoção com o objetivo deliberado de enganar mamãe e papai, sensibilizá-los a dar algo que não deveriam dar ou que simplesmente não dariam, pois não é necessário.

Não faz muito tempo, numa consulta com a pediatra do Enzo, levei uma bronca por “perder” muito tempo com Enzo e ficar à disposição dele o dia todo. Para eu saber se estava “exagerando” ou não nos cuidados, a dra. Ped me deu a seguinte receita: põe a cria em algum lugar seguro (carrinho, cercadinho, tapetinhos etc). Se chorar, faça um check list mental: ele está alimentado? Está limpo? Está com alguma dor ou incômodo? Se a resposta for “sim” para as duas primeiras e “não” para a última, então o choro é “manha”, ele não precisa de nada.

Aí eu pergunto:

1) Quem disse que o bebê só precisa de cuidados físicos? Quer dizer que se estiver de barriga cheia, limpo e sem dor o resto é frescura? Necessidades psicológicas, emocionais, curiosidade tudo isso é ignorável? É desejável que seja ignorado? Nem pode ser considerado uma necessidade?

O que leva à segunda pergunta.

2) Quem disse que só queremos -ou que só devemos querer- o estritamente necessário? O que não garante a nossa sobrevivência imediata é supérfluo e desejar isso é errado? E se fosse um adulto? É assim que funciona também? Só precisamos garantir alimentos, higiene e alívio pra enxaqueca? Todo o resto é dispensável? Amor? Carinho? Amigos? Uma cervejinha gelada? Um livro? Um disco? Querer essas coisas é frescura e manha?

Ou 0s adultos têm mais valor que os bebês? Podem querer mais coisas? Bebês não sentem? Não desejam? Não podem desejar sei-lá-o-quê? Só gente grande pode ter vontades esquisitas (tipo ficar milionário antes dos 30)?

O pior é que tachar os pequenos como manhosos a priori não quer dizer apenas que as crianças não têm direito a nada que não seja necessidade básica -e física ainda por cima. Quer dizer que elas não têm nem o direito de pedir por coisas que não sejam comida, bumbum limpo e, eventualmente, um remedinho para dor de ouvido.

Dizer “isso é manha” desqualifica, de uma só tocada, o pedido (o ato de pedir, reivindicar, expressar desejo e frustração) e o desejo em si, já que, senso comum, manha é “chorar à toa”. Para muitos, psicólogos inclusive, alguns dos quais li recentemente, dar o que a criança pede é igual a contentar todos os seus “caprichos”. E reduzir os quereres e necessidades das crianças a “caprichos” não é de uma soberba imensa? Para mim, é.

Se meu desejo, adulta que sou, é um desejo digno; se nós, “gente grande”, somos estimulados (até demais) e super premiados por “lutar” pelo que queremos, porque o querer das crianças deve ser menosprezado?

O pediatra espanhol Carlos Gonzalez diz, em seu ótimo Besame Mucho, que nos acostumamos a tratar os pequenos de forma desrespeitosa, de maneiras que não trataríamos adulto nenhum. E provoca: ué, não somos todos iguais, afinal? Ou, como dizia o poeta, uns são mais iguais que os outros? Ele desafia: antes de fazer qualquer coisa a um bebê ou a uma criança, imagine o que faria na mesma situação se fosse um adulto.

Isso significa atender a todos os desejos dos bebês? Claro que não. Concordo com quem diz que é nosso papel de pais ensinar e ajudar os filhos a lidar com a frustração. E nem todos os desejos podem mesmo ser realizados, na bebezice e na vida.

Mas discordo muito da pediatra sobre:

1) A atenção que Enzo merece: não acho que eu não deva estar disponível, que eu deva ensiná-lo a “não precisar de mim”. Como eu já escrevi outras vezes, ele precisa, eu quero que precise, é bom e natural que precise, pois ele é um BEBÊ. E acho que é natural que qualquer coisa de que ele precise ou que ele queira o faça procurar por mim ou pelo pai, do jeito que ele sabe e pode fazer: chorando. Se vamos dar o que ele quer é outra coisa, mas não quero tachá-lo de manhoso só porque ele pede, nem vou ignorá-lo.

2) O que é necessário: acho colo necessário, acho beijo necessário, acho afago necessário, acho sentir-se amado necessário, acho sentir-se seguro necessário, acho sentir-se acalentado necessário, acho toque necessário, acho alegria necessária, acho riso necessário, acho brincadeirinhas necessárias. Não acho limpar a bunda e encher a barriga as únicas necessidades.

3) O que fazer quando Enzo quer algo de que não precisa: é ótimo que pessoas, incluindo crianças, queiram o que não precisam. Se a gente só quisesse aquilo de que precisasse, seríamos todos nômades, coletores de frutos, caçadores de pequenos animais, viveríamos em cavernas e usaríamos desenhos toscos para nos comunicar. Nem os bichos limitam seus desejos às necessidades. Minha gata não precisa de colo, mas adora esse tipo de afago; não precisa da nossa cama, mas prefere dormir com a gente que sozinha. Podendo atender a esses desejos (dos filhos, dos gatos, dos amigos, nossos mesmos) -e eles sendo saudáveis- não vejo razão para negar.

4) Como e quando ensinar a lidar com frustração: não acho que a gente precise marcar na agenda: esses ensinamentos serão naturais, se estivermos atentos aos filhos e a nós mesmos, porque temos limitações, limites que também limitam os filhos.Exemplo bobo? Eu me canso de ficar com Enzo no colo (ele pesa 9,6 kg, afinal). E aí eu o coloco no carrinho, no sofá, no tapete, mesmo que ele ralhe um pouco. E eu converso com ele e explico que estou cansada e mostro que, naquele momento, é isso que dá pra ser feito. E ele entende, a seu modo, e lida com sua impossibilidade.

E há situações em que o que a cria deseja é impossível. Não precisamos inventar um “não” só pra o menino não ficar “manhoso”. Enzo ama facas. É claro que ele não pode brincar com elas, é claro que eu não dou, é claro que ele chora. E ok. Ele chora o tempo necessário para, justamente, lidar com a frustração. E depois passa. Que mãe eu seria se o achasse manhoso simplesmente porque ele está tentando lidar com sua frustração, com o limite? O grande barato -todo mundo diz por aí- não ensinar justamente o tal limite? Pois é, pra isso, é preciso não reprimir o choro, nem partir do pressuposto de que se trata de “manha”.

Pois eu acredito que ensinar a lidar com frustração é muito mais fácil e efetivo quando não brigamos com os filhos por eles estarem chorando (porque querem algo ou porque não podem ter algo), quando não rotulamos nossos filhos só porque, bem, eles não se comportam como se fossem bonecos. E isso foi um clic gigantesco que eu tive lendo a série sobre “birras” (outra palavra que eu detesto; outro post no forno) do O Astronauta.

5) Razões pelas quais “devo combater a manha”: para a dra. Ped, eu “perco” muito tempo fazendo as “vontades” de Enzo. Para mim eu GANHO muito tempo CONVIVENDO com meu filho.

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