Arquivo do mês: novembro 2012

pequenas dicas

Essa é para crianças –e adultos– que gostam de música: o pessoal do “Pequeno Cidadão” liberou para download uma faixa inédita do novo trabalho do grupo (“Pequeno Cidadão 2”), que será lançado em dezembro. “Mamãe, tamo chegando?” pode ser baixada aqui.

Edgard Scandurra contou que fez a música com seus filhos, no carro, num dia de trânsito caótico em São Paulo. A narrativa é sobre um filho que precisa chegar à casa de um amigo e enfrenta dificuldades numa cidade que não anda. Resultado: passa a viagem fazendo a clássica pergunta: “tamo chegando?” e ainda sugere que, da próxima vez, melhor irem de transporte público. Bem bacana! Pena que Arnaldo Antunes não faça mais parte do grupo.

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Descobri há uns meses esse site aqui, o “Garatujas Fantásticas”, que é uma revista virtual com inspiração no universo infantil. Eles não fazem um jornalismo infantil tradicional, o que é bem bom, porque não infantilizam o leitor. Ao contrário, buscam inspiração em tudo o que é lúdico por aí e contam lá na revista. Uma das editoras, a Thais Caramico, foi responsável pela reformulação do “Estadinho”, suplemento infantil do “Estadão”, e é também redatora do Joca, um jornal só para crianças.

Super recomendo o Garatujas, tanto para ler com os filhos quanto desacompanhada. Eles cobrem muito bem as artes, incluindo a música e a literatura, e sempre tem posts interessantes.

Aliás, um bom exemplo do tipo de conteúdo do site é esse texto sobre o filme “La Educación Prohibida“, um documentário que questiona os modelos educacionais atuais por meio de 45 experiências educativas, realizadas em oito países diferentes.

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No sábado, dia 1/12, na livraria NoveSete, os músicos Sandra Oak e Ramiro Marques apresentam o show “You and Me”, com canções e instrumentos criados especialmente para o projeto. Eles desenvolveram repertório e acessórios musicais exclusivos para estimular o vínculo pais-mãe-filhos. O show começa às 16h, e a livraria fica na rua França Pinto, 97, Vila Mariana.

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Arquivado em artes, literatura infantojuvenil

a omelete, a mãe, o filho e a cebola roxa

(*)

Daí que a mãe se lembra, às 19 h de um domingo, que esqueceu de comprar o frango que faria pro filho. Putaqueopariu! #mãedemerda!  Isso que dá ficar 15 minutos de pernas pro ar, lendo, enquanto bebê dorme! Não se apercebeu ainda, moça,  que “pernas pro ar” não rima com “maternidade”?

Seis palavrões e uma dúzia de xingamentos depois, mãe resolve abrir a geladeira pra ver se salva alguma coisa lá de dentro. Afinal, #mãedemerda ou não, a cria vai jantar daqui a alguns minutos, confere, produção?  E eis que, nessa busca, dá de cara com os ovos. Pensa, faz contas, rememora quantas vezes o filho comeu ovo durante a semana… Uma vez, meia clara. Ok, liberado, pois a pediatra recomenda dar duas vezes por semana, ovo inteiro. Voilàmãe decide então fazer uma omelete em substituição à carne.

Separa dois ovos, um punhado de ervilhas frescas, outro punhado de milho fesco, tomatinhos cereja, umas lasquinhas de mussarela de búfala… Hum, não vai ficar a melhor omelete do mundo, mas deve dar pro gasto. Pelo menos, Enzo come proteína, leguminosas, um carboidrato do bom, o tomate, fibras…

Daí a mãe se lembra de que comprou uma cebola roxa dois dias antes para colocar numa hipotética salada de brócolis que não saiu do papel. Ok, vamos usar a cebola roxa também! Enzo nunca provou, não se sabe se vai gostar, mas tentemos.

Mãe acha muito importante oferecer alimentos e temperos variados para o pequeno. Assim, ele vai se acostumando e ampliando seu paladar e repertório alimentar, digamos assim. A cebola roxa estava na lista fazia um tempo; mãe achou uma ótima oportunidade para testar.

A ideia, a essa altura, é dar uma dourada na cebola antes de misturar à omelete. Um pinguinho de azeite na panela, cebola cortada em pedacinhos pequenos bem fininhos, uma pitada de sal e, depois de um tempo, um pouquinho de água, para dar aquela cozidinha e  para não queimar.

Enquanto a cebola doura, o pai vai preparando a omelete. O filho brinca no chão, sob a supervisão da mãe, que também supervisiona a dita-cuja da cebola. Mas quem resiste a cheiro de cebola na panela? É só o aroma começar a se espalhar que o filho larga os brinquedos todos e pede colo pra ver o prato cheiroso mais de perto.

Aspira uma ou duas vezes a cebola na panela e pede um pouco. Mãe pega a colher, experimenta, já está cozida. Pega outro punhadinho, assopra, dá pro rebento. Agora desce e brinca aí que a mamãe vai terminar o jantar. Ã-hã.

Mal termina de engolir, filho pede cebola de novo. Mãe admira-se. Achou que ele poderia gostar, mas não tanto a ponte de pedir repeteco na cebolinha sem nada. Ok, não faz mal, mais uma colherada de cebola, então.

Mal termina de engolir, filho pede cebola de novo. Mãe dá. Mas faz a ressalva: filho, é para colocar na omelete…

Mal termina de engolir, filho pede cebola de novo. Mãe pensa em negar –pohan, assim não sobra pra omelete–, mas pondera: se o objetivo de colocar a cebola na omelete dele é que ele coma, que diferença faz se for misturadinha lá ou pura na colher? Nenhuma. Mais cebola para o pequeno.

E mais. E mais. E mais. E outra colherada. E outra. E outras. Estabelece-se o seguinte padrão: o filho brinca um pouco enquanto mastiga. Tão logo a cebola acaba, larga o brinquedo, abre a boquinha, gesticula (apontando para o recipiente acebolado) e, para não restar dúvidas do seu desejo, faz um “ahãm” mordendo o nada com a boquinha. Boquinha cheia, volta pro lugar até terminar de mastigar.

E assim vão, mãe e filho, por vários minutos, até que… a cebola acaba! Uma cebola inteirinha! E acaba  bem antes de a omelete ir para o fogo… Da cebola mesmo só sobrou o bafinho para comprovar que tudo nos bebês é fofo, até mau hálito.

(*) Imagem daqui.

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Arquivado em bebezices, lado B, Maternidade

já quebrei a testa

A Adriana, do Fora do Casulo, me convidou para participar de um meme, que consiste em:

1-) escrever 11 coisas aleatórias sobre mim; 2-) responder 11 questões enviadas por ela; 3-) fazer outras 11 questões para mandar para 11 blogueiras que eu convidar; 4-) não convidar quem me convidou e 5-) postar também as regras (que são essas que acabei de citar).

Nunca participei de um antes e achei bem divertida a brincadeira. Me fez pensar num monte de coisas, o que eu adoro. E também acho que ajuda a aproximar ainda mais as mães da madresfera, um dos objetivos desse blog. De modo que lá vai:

Coisas aleatórias sobre mim:

1-) Quando criança, quebrei partes do corpo pouco comuns: a testa e o cóccix. A primeira eu fissurei escorregando num escorrega de concreto (oh, boy, os anos 80…), aos 6. O segundo, um ano antes, brincando de tarzan no varal  da minha avó. Caí de bunda, claro.

2-) Tive escoliose, usei colete ortopédico dos 5 aos 10. Era limitante, mas lidei com isso numa boa, especialmente porque meus pais sempre tiveram o cuidado de não levar isso em consideração além da conta. Não me poupavam mais do que a realidade exigia e jamais me trataram como se o colete e a limitação física causada por ele fossem um problema, um fator de distinção. Também jamais me olharam com pena. O que ficou, afinal, foi uma experiência que mudou a forma como eu encarava o que era “normal” e o que “não era”.

3-) Não acho que os seres humanos sejam mais merecedores da vida do que outros animais. Nessa, estou com Darwin: bicho sente, bicho pensa, bicho tem consciência de si mesmo, bicho não se come.

4-) Decidi ser jornalista aos 13, depois de assuntar com meu pai quais profissões me permitiriam viver de escrever. Desde então, nunca mais me imaginei fazendo outra coisa nessa vida.

5-) Não vivo sem ler. Preciso ler o dia inteiro. Também não vivo sem escrever. Escrever me acalma e organiza minhas ideias.

6-) Acordo em prestações, aos poucos, colocando o despertador pra tocar de novo de 10 em 10 minutinhos, sabe como? Nisso, o rebento puxou a mim.

7-) Momentos impagáveis para mim são: brincar com Enzo e vê-lo brincar, tomar banho junto com o pequeno (adoro o contato pele-pele e ele também) e ler na cama com as pernas enroladas nas do marido.

😎 Nunca imaginei que a maternidade e o universo infantil fossem me absorver tanto, no bom sentido. É uma entrega que jamais experimentei antes. E sabe de uma coisa? Quanto mais dou de mim, mais inteira fico. Adoro ver meu filho fazendo coisas, qualquer coisa, mesmo as “artes”. Me surpreendo todos os dias com tudo de novo que ele aprende. A maternidade me fez em paz com a minha infância e uma admiradora das infâncias em geral. Ô fase linda e lírica dessa vida, sô!

9-) Nunca quis casar nem ter filhos. Não eram objetivos de vida, nem preocupações. Mas com o Dri eu quis, casei e tenho 😉

10-)  Adoro comer. Adoro o ritual de juntar a família e os amigos ao redor de uma mesa –ou em pé perto da pia e do fogão– pra jogar conversa fora enquanto se enche o bucho.

11-) Sou muito amada e sinto isso todos os dias, o que é um privilégio. Outro privilégio? Amo muito meu filho e meu marido (e minha gata!).

As perguntas da Drica:

1) Por que escrever um blog e não um diário?

Uma das coisas bacanas do blog é a troca, é o contato com outras mães, é ler e responder os comentários, é aprender com as experiências alheias e imaginar que as minhas experiências compartilhadas de alguma forma podem ajudar alguém.Aprendi tanto na madresfera e conheci tanta gente bacana e querida que nem consigo contar. Isso um diário não oferece. Também não teria paciência pra preencher religiosamente tudo o que aconteceu em cada dia. O blog dá a liberdade de eu aparecer por aqui quando acho que tenho alguma coisa interessante pra dizer.

2) Você trabalha? Se sim, como concilia ser mãe e profissional?

Trabalho em casa. Minha profissão permite essa flexibilidade, o que é ótimo. Posso tentar juntar o melhor dos dois mundos: fico perto do filho e continuo tocando minha carreira. Mas há probleminhas: um deles é que é impossível trabalhar com a mesma dedicação de antes, seja por estar fisicamente em casa (e ter de invariavelmente lidar com problemas domésticos), seja por não conseguir concentração 100% no trabalho com o filho por perto querendo colo. O que tem funcionado por aqui é a ajuda das mães (a minha e do marido), que têm vindo 4 dias por semana ficar com Enzo. Ele ama as avós, fica super bem com elas e aí me dá um pouco mais de tempo pra organizar a agenda. Acontece que elas vão ter de parar de vir, e nós precisaremos decidir se Enzo vai pra escola ou se contratamos uma babá. Estamos recomeçando a visitar colégios e iniciando contatos com amigos, conhecidos, agências. Ainda não sei qual opção escolher e confesso que estou bem angustiada com ambas. Acho meu filho pequeno demais para escolas, mas não gosto da ideia de ter uma babá. #comofaz?

4) Qual seu post predileto, escrito por você?

Eu costumo gostar mais daqueles posts que escrevi com o fígado ou com o coração. Dessa lista, dois deles eu me lembro que mexeram bastante comigo. Um sobre como é frustrante não ser a mãe 100% dos meus sonhos e outro sobre as cobranças e comparações a que estamos submetidas numa sociedade que não entende patavina de infância –nem de respeito.

Os links, respectivamente:

https://maederna.wordpress.com/2012/02/28/maternidade-real/

https://maederna.wordpress.com/2012/04/04/maternidade-e-competicao/

5) Você tem algum sonho realizado? Qual?

Tenho vários. Ser jornalista é um deles. Ter a vida que tenho hoje é outro.

6) E um sonho ainda não realizado? Qual e porque ainda não realizou?

Rá, também tenho vários: ajudar meu filho a crescer feliz e a ser quem ele efetivamente é; dar, de fato, o melhor de mim na maternidade, como a minha fez por mim; escrever um livro; voltar a visitar com Enzo lugares bacanas que fui e aprovei; conhecer outros tantos lugares que ainda não conheço; fazer o mestrado; estudar história e letras; aprender “coisas sobre a terra, o céu e o ar” (*); entender mais de física… A lista é loooonga, ainda bem. Sonhar mantém a gente vivo.

7) Qual o momento mais emocionante da sua vida que você se lembra?

O nascimento do Enzo, com certeza. E a primeira vez que eu disse “eu te amo” pro Dri, há quase 13 anos. São duas cenas que sempre me fazem sorrir quando lembro delas.

8) Qual seu/sua escritor(a) predileto(a)?

Putz, essa é difícil. Depende do meu humor, do que estou a fim de ler, do que estou lendo no momento… A lista é longa, vou citar os que lembrar de bate-pronto, ok? Gosto muito de Milan Kundera, Julio Ramón Ribeyro, Milton Hatoum, Anaïs Nin, Jorge Amado, Gabriel García Marquez, José Saramago (o Saramáximo), Wislawa Szymborska, Guimarães Rosa, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Érico Veríssimo e, claro, Machado de Assis, o primeiro que me arrebatou definitivamente.

9) Novela, filme ou livro? Por quê? 

Livro. Porque me dá mais prazer que as outras opções, embora eu adore um bom filme e, com frequência, deixe a leitura pra lá só pra assistir a algo que me interesse.

10) O que faz para relaxar?

Ando. Amo andar sem rumo e sem pressa, vendo as ruas, as pessoas, a cidade, a vida. Me faz um bem danado. Se possível, ando ouvindo música. Também leio e ouço música pra relaxar. Mas, dependendo da literatura e da música, especialmente se forem das boas, eu não relaxo, “ligo” mais.

11) Qual sua profissão? Se pudesse ter feito outra coisa, no que estaria trabalhando hoje?

Sou jornalista e não me imagino fazendo outra coisa. Admiro outras profissões, até assunto comigo mesma se toparia alguma delas, mas, lá no fundo, sei que só posso ser o que sou. Agora pelo menos. O que quero, profissionalmente, é ser também pesquisadora, mas de jornalismo/comunicação, o que não é exatamente mudar de carreira.

O que eu quero saber dazamiga:

1-) De que maneiras a maternidade mudou quem você era?

2-) Do que sente mais falta na sua vida pré-filhos?

3-) Você é daquelas que, em nome da diversão da prole, paga mico? Conte aí quais já pagou.

4-) O que você lê sobre maternidade? O que recomenda?

5-) Deixar chorar ou pegar no colo? Por quê?

6-) Conseguiu amamentar seus filhos? Conte sua experiência, o que aprendeu, o que faria igualzinho e o que faria diferente.

7-)  O que mais te agrada e o que mais te incomoda na maternidade?

8 -) Menino pode brincar de boneca? Menina pode brincar de carrinho e de bola?

9-) O que você faz quando sobra um tempinho só pra você?

10-) Quais são as perguntas que você se faz e que mais te aporrinham?

11-) Tem algum desejo que seja só para você? Qual?

Azamiga que eu gostaria que respondessem:

1-) Mari, do Viciados em Colo

2-) Mari, do Pequeno Guia Prático

3-) Mari, do Pachamamas

4-) Anne, do SuperDuper

5-) Dayane, do Mamma Mia!

6-) Clarisse, do a mãe que quero ser

7-) Paloma, do Peripécias de Cecília & Fofices de Clarice

8 -) Tamine, do Bebê Natureba

9-) Ana, do Colorida Vida

10-) Priscila, do Mãe de Duas

11-) Sofia, do Buteco Feminino

E quem quiser, fique à vontade para responder as minhas perguntas, as da Dri, as 22, só algumas…

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