a alma do negócio

Na semana passada, no blog do MMqD, a Pérola Boudakian escreveu um post ótimo sobre a publicidade para crianças. Entre outras coisas, ela fez uma entrevista super bacana com duas das blogueiras mais ativas nesse campo: a Mari Sá, do Viciados em Colo, e a Tais Vinha, do Ombudsmãe. Recomendo uma boa lida.

Muitos dos argumentos de ambas já foram expostos por aqui, mas ressalto duas coisas. 1) Tais lembra -muito bem- que as crianças ainda não conseguem diferenciar muito bem o que é fantasia do que é imaginário. Para elas, é ainda mais nociva a mensagem -largamente difundida pela publicidade- de que é preciso consumir para ser alguém. E, pior, essa mensagem vem sendo direcionada aos nossos filhos por intermédio de concessões públicas de comunicação que, em tese, deveriam nos ajudar a formar uma sociedade de cidadãos, não uma legião de consumidores.

2) Já a Mari dá exemplos muito tristes de crianças assumindo comportamentos que já seriam nocivos em adultos, que dirá em crianças: uma amiga da filha cuspiu um chocolate porque não queria engordar; outras deixam de brincar pois estão vestidas como gente grande (salto, cabelo “feito”). Esse comentário também me deu a impressão de que, para as meninas, assim como para as mulheres, no mundo machista em que vivemos, o fardo é mais pesado. Parece que delas se exige mais. Mais uma razão para regulamentarmos a publicidade infantil: igualdade de gêneros.

E acabei voltando a esse assunto também porque a leitora Patrícia, que comentou lá no post do MMqD, sugeriu um documentário sobre o tema, disponível no YouTube. Já tinha ouvido falar, mas assisti a ele apenas ontem. Recomendo muito. Trata-se do “Criança: A Alma do Negócio”, da Estela Renner (diretora do “Amores Expressos“, uma vídeo série que registrou os bastidores da criação de romances para uma série de literatura com o mesmo nome).

O documentário mostra, por exemplo, crianças dando seus depoimentos sobre como a publicidade direciona seus hábitos, gostos e opções. E, claro, ouve pais e especialistas, que apontam os estragos que a propaganda podem fazer na autoestima e na autoimagem dos pequenos.

Vale a pena dar uma boa olhada.

Já disse que ainda não sei bem qual seria o modelo ideal de regulamentação e regulação de publicidade infantil. Mas o marido -que é favorável à proibição total- saiu-se com um argumento que acho válido compartilhar. Nossa legislação proíbe menores de 18 anos de assinarem qualquer contrato de compra, venda, prestação de serviço etc. Isso porque entende que quem tem menos de 18 ainda não tem elementos suficientes para decidir autonomamente por adquirir ou se desfazer de algo, nem para entrar de igual para igual numa negociação. Então, se já partimos desse pressuposto, é um contra-senso imaginar que os pequenos -que não podem comprar- podem ser alvos de propagandas, certo?

 

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5 Comentários

Arquivado em gênero, Maternidade, reflexões, Uncategorized

5 Respostas para “a alma do negócio

  1. posso compartilhar o final do seu textoi? a reflexão do maridão?
    beijoca e obrigada pelo apoio sempre!

  2. Natalie! Tenho que reservar um tempo so pra vir aqui ler seu blog. Sério, quero ler os posts perdidos sempre tão ricos em informação.
    Pra ser sincera, acho que a publicidade e apelos ao consumismo infantil so tende a piorar. O melhor que podemos fazer é ensinar nossos filhos, torna-los conscientes. Eu sei que tenho um trabalho árduo pela frente por morar no país do consumismo. Essa semana até rolou uma briga aqui porque marido falou que ia sair pra comprar meu presente de páscoa e eu falei que não precisava dar presente na páscoa. Ele ficou todo ofendido… posso com isso?
    Temos que procurar o equilíbrio, o consumo faz parte do nosso dia a dia, mas nada em exagero é bom né?
    Beijos

    • Nat

      Dayane,

      obrigada! 🙂
      Essa coisa da publicidade e do consumismo é bem complicada mesmo. Aqui em casa também sempre rola alguns atritos, não por causa da publicidade em si, mas porque temos visões um pouco diferentes sobre consumir. Sei bem como é.
      O jeito é continuarmos conversando e debatendo. Aqui no Brasil, acho que o modelo precisa ser revisto. Pelo que sei, nem aí nos EUA é tão desregulamentada a propaganda infantil quanto aqui. Jogo duro!

      bjos

  3. Muito bom! Obrigada! 🙂
    Beijão!

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